Apesar do nome difícil, a explicação pode ser simples: a síndrome de Charcot-Marie-Tooth, também chamada de CMT, é uma condição genética que afeta os nervos periféricos — aqueles que ligam o cérebro e a medula aos braços, mãos, pernas e pés.
Esses nervos funcionam como “fios de comunicação” do corpo. Eles levam ordens para os músculos se mexerem e também trazem informações de sensibilidade, como tato, dor, calor e frio. Na CMT, essa comunicação pode ficar mais fraca ou mais lenta. Por isso, a pessoa pode ter dificuldade para andar, tropeçar com frequência, sentir fraqueza nos pés e pernas ou perder parte da sensibilidade. A CMT é considerada uma das neuropatias hereditárias mais comuns.
Principais sinais
Os sintomas podem variar muito de uma pessoa para outra. Algumas pessoas têm sinais leves; outras precisam de órteses, bengalas, fisioterapia ou adaptações para manter a autonomia.
Entre os sinais mais comuns estão:
– fraqueza nos pés, tornozelos e pernas;
– tropeços frequentes;
– dificuldade para correr, subir escadas ou levantar a ponta do pé;
– marcha com passos mais altos, como se a pessoa precisasse levantar muito o pé para não arrastar;
– pés muito cavos ou, em alguns casos, pés planos;
– dedos em garra ou “dedos em martelo”;
– perda de massa muscular nas pernas;
– dormência, formigamento ou perda de sensibilidade;
– mãos frias, pés frios ou alterações de circulação;
– dificuldade, com o tempo, para movimentos finos das mãos, como escrever, abotoar roupas ou abrir objetos.
Em geral, os sintomas começam pelos pés e pernas. Com o passar dos anos, podem atingir também mãos e braços. A evolução costuma ser lenta, mas progressiva.
CMT não é preguiça, desatenção nem “jeito de andar”
Muitas pessoas com Charcot-Marie-Tooth passam anos sendo chamadas de desajeitadas, estabanadas ou preguiçosas. Crianças podem ser vistas como “ruins nos esportes” ou “sem coordenação”. Adultos podem ouvir que estão andando errado ou que precisam “se esforçar mais”.
Mas a CMT não é falta de vontade. É uma condição neurológica real, que interfere na força, na sensibilidade e no equilíbrio.
É uma doença hereditária
A CMT costuma ter origem genética. Isso significa que pode aparecer em mais de uma pessoa da família. Porém, a ausência de casos conhecidos na família não elimina a possibilidade da doença, porque algumas pessoas têm sintomas leves e nunca foram diagnosticadas, e também podem ocorrer alterações genéticas novas. A condição pode ter diferentes formas de herança, dependendo do tipo de CMT.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico geralmente é feito por um neurologista, especialmente quando há suspeita de neuropatia hereditária.
A avaliação pode incluir:
– conversa sobre os sintomas;
– exame físico e neurológico;
– análise da força muscular, reflexos e sensibilidade;
– observação dos pés, da marcha e do equilíbrio;
– eletroneuromiografia ou estudo de condução nervosa;
– teste genético, quando indicado.
Durante o exame, o médico pode procurar sinais como fraqueza muscular, reflexos reduzidos ou ausentes e deformidades nos pés, como pé cavo ou pé plano.
Tem cura?
Até o momento, a Charcot-Marie-Tooth não tem cura definitiva. Mas isso não significa que “não há o que fazer”.
O tratamento é voltado para melhorar a qualidade de vida, preservar a mobilidade, prevenir quedas, reduzir dores e manter a independência pelo maior tempo possível.
Podem fazer parte do cuidado:
– fisioterapia;
– alongamentos e fortalecimento orientado;
– terapia ocupacional;
– órteses para tornozelos e pés;
– palmilhas e calçados adequados;
– bengalas, andadores ou outros recursos quando necessários;
– acompanhamento ortopédico;
– cirurgia em alguns casos de deformidades importantes;
– cuidado especial com os pés, principalmente quando há perda de sensibilidade.
Atenção aos pés
Quem tem perda de sensibilidade pode machucar os pés e não perceber. Por isso, é importante observar bolhas, feridas, calos, alterações nas unhas, dor diferente, vermelhidão ou mudanças no formato dos pés.
O cuidado preventivo evita complicações e melhora a segurança para caminhar.
Quando procurar ajuda?
É importante procurar avaliação médica quando houver:
– quedas frequentes;
– tropeços sem explicação;
– dificuldade progressiva para andar;
– perda de força nos pés, pernas ou mãos;
– pés muito cavos, dedos em garra ou deformidades;
– dormência ou perda de sensibilidade;
– histórico familiar de sintomas parecidos.
Quanto mais cedo houver acompanhamento adequado, maiores são as chances de preservar mobilidade, autonomia e qualidade de vida.
Inclusão também é entender o invisível
Nem toda deficiência aparece de forma evidente. Uma pessoa com Charcot-Marie-Tooth pode parecer bem em alguns momentos, mas ter dor, fadiga, desequilíbrio, medo de cair ou dificuldade para percorrer longas distâncias.
Acessibilidade também é respeitar o ritmo do outro. É oferecer apoio sem julgamento. É compreender que cada passo pode exigir muito mais esforço do que parece.
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Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

