domingo, 1 de novembro de 2026

Novembro Azul: cuidar da saúde também é um ato de coragem e amor à vida


Novembro chegou trazendo uma mensagem importante: a saúde do homem merece atenção, respeito e cuidado durante o ano inteiro.

Conhecido mundialmente como Novembro Azul, este mês é dedicado à conscientização sobre a saúde masculina, especialmente à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer de próstata.

Mais do que vestir uma camisa azul ou compartilhar uma mensagem nas redes sociais, a campanha é um convite para romper preconceitos, superar o medo e compreender que procurar atendimento médico não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo e com aqueles que amamos.

Câncer de próstata: informação que pode salvar vidas

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga. O câncer de próstata ocorre quando suas células passam a se multiplicar de maneira descontrolada.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata está entre os tipos de câncer mais frequentes entre os homens brasileiros, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Um dos principais desafios é que, em suas fases iniciais, a doença geralmente não apresenta sintomas.

Quando surgem, alguns sinais podem incluir:

  • Dificuldade para urinar;
  • Necessidade de urinar com maior frequência, especialmente à noite;
  • Diminuição da força do jato urinário;
  • Presença de sangue na urina;
  • Dores ósseas, principalmente em casos avançados.

É importante lembrar que esses sintomas também podem estar relacionados a outras condições de saúde. Por isso, a avaliação médica é indispensável.

Exames: informação, orientação e decisão compartilhada

Dois exames são frequentemente associados à investigação do câncer de próstata: o PSA, realizado por meio de uma amostra de sangue, e o toque retal, que permite ao médico avaliar características da próstata.

Entretanto, existe uma informação importante: a realização desses exames em homens sem sintomas não é recomendada indiscriminadamente para toda a população.

O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional de rotina do câncer de próstata, pois os possíveis benefícios precisam ser considerados juntamente com os riscos de resultados falso-positivos, procedimentos desnecessários e tratamentos de tumores que talvez nunca causassem problemas.

Homens que desejam realizar os exames devem conversar com um profissional de saúde para compreender os benefícios, os riscos e as particularidades de cada caso.

Já aqueles que apresentam sintomas suspeitos precisam procurar avaliação médica, independentemente da idade.

Fatores que merecem atenção

Algumas condições estão associadas ao maior risco de desenvolver câncer de próstata:

  • Idade: o risco aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos.
  • Histórico familiar: ter pai ou irmão diagnosticado com a doença, sobretudo em idade mais jovem, pode elevar o risco.
  • Obesidade: está associada a maior risco de formas avançadas da doença.
  • Fatores genéticos: determinadas alterações hereditárias podem aumentar a predisposição.

Conhecer esses fatores ajuda a orientar uma conversa individualizada com os profissionais de saúde.

Saúde masculina vai muito além da próstata

O Novembro Azul também oferece uma oportunidade para discutir outros problemas que afetam a saúde e a qualidade de vida dos homens.

Hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, sofrimento emocional e transtornos de saúde mental merecem atenção permanente.

Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas de acordo com as possibilidades individuais, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e acompanhar as condições de saúde são atitudes importantes.

O cuidado também envolve reconhecer limites, pedir ajuda e abandonar a ideia de que o homem precisa suportar tudo em silêncio.

Coragem não é esconder a dor. Coragem também é procurar ajuda.

Novembro Azul e os homens com deficiência

No Cantinho dos Amigos Especiais, não poderíamos deixar de abordar uma questão fundamental: o direito dos homens com deficiência ao cuidado integral com a saúde.

Para muitos deles, uma simples consulta médica pode representar um desafio.

Barreiras arquitetônicas, equipamentos de exame inacessíveis, dificuldades de comunicação, falta de transporte adaptado e despreparo de alguns profissionais podem dificultar o acesso aos serviços de saúde.

Essas dificuldades não devem ser naturalizadas.

O homem com deficiência tem direito à informação acessível, ao atendimento digno, à privacidade, ao respeito à sua autonomia e à participação nas decisões sobre o próprio tratamento.

A deficiência não elimina a necessidade de acompanhamento médico, tampouco justifica que sintomas sejam ignorados ou atribuídos automaticamente à condição preexistente.

Acessibilidade na saúde não é favor. É direito.

Uma campanha verdadeiramente inclusiva precisa alcançar também os homens com deficiência física, visual, auditiva, intelectual ou múltipla, respeitando suas necessidades e particularidades.

O papel da família e dos amigos

O incentivo ao cuidado pode começar dentro de casa.

Uma conversa acolhedora, a disposição para acompanhar alguém a uma consulta ou simplesmente o respeito às suas preocupações podem fazer diferença.

Entretanto, incentivar não significa pressionar ou constranger.

Cada pessoa deve ser ouvida, informada e respeitada em suas decisões, com orientação profissional adequada.

O cuidado com a saúde deve nascer da consciência, não do medo ou da vergonha.

Uma campanha que precisa durar o ano inteiro

Assim como o Outubro Rosa nos convida a refletir sobre a saúde da mulher, o Novembro Azul reforça a importância de olhar com atenção para a saúde masculina.

Mas nenhuma dessas preocupações deve ficar restrita a um único mês.

A prevenção de doenças evitáveis, a identificação oportuna de problemas de saúde, o acesso a tratamentos adequados e a promoção da qualidade de vida são compromissos permanentes.

Que o azul de novembro represente não apenas uma campanha, mas uma mudança de atitude.

Que os homens se sintam acolhidos para falar sobre suas dificuldades, esclarecer dúvidas e buscar atendimento sempre que necessário.

E que os serviços de saúde estejam preparados para receber todos, sem discriminação e sem barreiras.

Porque cuidar da saúde não diminui ninguém. Pelo contrário: é uma maneira de valorizar a própria vida.


Cantinho dos Amigos Especiais — Informação, inclusão, respeito e cidadania.

Fontes de referência: Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015).

sábado, 31 de outubro de 2026

China aprova chip cerebral que ajuda pessoas com paralisia a movimentar as mãos


Tecnologia pioneira interpreta sinais do cérebro e aciona uma luva robótica. Avanço abre novas perspectivas para a reabilitação, mas ainda possui indicações e limitações específicas.

Imagine uma pessoa que, após uma lesão grave na medula espinhal, perdeu a capacidade de segurar um copo, pegar um objeto ou realizar movimentos simples com as mãos. Agora imagine que parte dessas atividades possa voltar a ser realizada com a ajuda de um equipamento capaz de interpretar os sinais de seu cérebro.

Essa possibilidade, que durante muito tempo pareceu pertencer apenas à ficção científica, já começa a ganhar aplicações concretas na medicina.

Em 13 de março de 2026, a China autorizou a comercialização do NEO, um sistema de interface cérebro-computador desenvolvido pela empresa Neuracle Medical Technology, em colaboração com pesquisadores chineses.

Segundo a revista científica Nature, trata-se da primeira autorização comercial do mundo para uma interface cérebro-computador invasiva destinada a essa finalidade.

Como funciona o chip cerebral?

O princípio é relativamente simples de compreender, embora a tecnologia envolvida seja bastante sofisticada.

Quando pensamos em movimentar uma das mãos, nosso cérebro produz sinais elétricos associados à intenção de executar esse movimento.

Em pessoas com determinadas lesões na medula espinhal, o cérebro continua produzindo esses comandos, mas a comunicação com os músculos fica comprometida.

O NEO procura contornar essa dificuldade.

Um pequeno dispositivo, aproximadamente do tamanho de uma moeda, é implantado sob o crânio, junto à membrana protetora do cérebro, sem penetrar diretamente no tecido cerebral.

O equipamento capta sinais relacionados à intenção de movimento. Esses sinais são interpretados por um sistema computacional, que envia comandos a uma luva robótica.

A luva, por sua vez, auxilia na abertura e no fechamento da mão.

Assim, a pessoa pode conseguir segurar determinados objetos utilizando a própria intenção de movimento, com assistência tecnológica.

É importante esclarecer: o chip não substitui a medula espinhal lesionada nem devolve automaticamente os movimentos naturais. Ele cria uma forma alternativa de comunicação entre o cérebro e um dispositivo externo.

O que os testes demonstraram?

Os resultados apresentados pelas instituições chinesas são animadores.

Em estudos realizados em diferentes hospitais, 32 pacientes com lesões cervicais da medula espinhal receberam o sistema durante a etapa de avaliação clínica.

Segundo informações divulgadas pela Universidade Fudan e pela agência Xinhua, todos conseguiram realizar movimentos de preensão com auxílio do sistema, e 22 apresentaram melhora significativa em avaliações de movimentos voluntários das mãos após seis meses de treinamento.

Esses resultados são relevantes porque indicam duas possibilidades diferentes: a compensação de movimentos perdidos por meio da tecnologia e eventuais ganhos funcionais associados ao processo de reabilitação.

Entretanto, é necessário distinguir uma coisa da outra.

Conseguir agarrar um objeto com uma luva robótica não significa necessariamente recuperar a movimentação independente da mão.

Da mesma forma, melhorias observadas durante a reabilitação precisam continuar sendo estudadas para determinar sua duração, suas causas e quais pacientes realmente podem se beneficiar.

Os números divulgados são promissores, mas não permitem afirmar que todas as pessoas com paralisia terão os mesmos resultados.

Quem poderá utilizar a tecnologia?

A aprovação chinesa não contempla todos os tipos de paralisia.

O NEO foi autorizado para um grupo específico de pacientes, que devem atender a critérios médicos, incluindo:

  • Ter entre 18 e 60 anos.
  • Apresentar tetraplegia decorrente de determinadas lesões na região cervical da medula espinhal.
  • Ter recebido o diagnóstico há pelo menos um ano.
  • Estar em condição clínica estável há pelo menos seis meses após o tratamento convencional.
  • Não conseguir agarrar objetos com as mãos, mas preservar alguma capacidade de movimentação dos braços.

Isso significa que a tecnologia não está automaticamente indicada para pessoas com sequelas de AVC, paralisia cerebral, doenças neurodegenerativas ou outras condições neurológicas.

Essas aplicações poderão ser investigadas futuramente, mas exigem pesquisas e avaliações próprias.

A China ultrapassou a Neuralink?

A comparação com a Neuralink, empresa fundada por Elon Musk, ganhou destaque nas redes sociais.

A China realmente alcançou um marco importante ao autorizar comercialmente o NEO antes de uma aprovação equivalente da Neuralink.

Entretanto, as tecnologias não são idênticas.

A Neuralink desenvolve interfaces capazes de interpretar sinais cerebrais para permitir, entre outras aplicações, o controle de computadores e dispositivos digitais por pessoas com limitações motoras graves.

O NEO, por sua vez, recebeu autorização para uma finalidade clínica mais específica: auxiliar determinados pacientes com lesão medular a recuperar a capacidade funcional de agarrar objetos, utilizando uma luva robótica.

Além disso, os dispositivos apresentam diferenças na forma de implantação dos eletrodos e no processamento dos sinais.

Portanto, ser o primeiro a receber uma autorização comercial não significa necessariamente possuir a melhor tecnologia em todos os aspectos.

A comparação adequada deve considerar segurança, eficácia, durabilidade, indicações clínicas, acessibilidade e resultados na vida cotidiana.

Os desafios que ainda precisam ser superados

Apesar do entusiasmo, existem questões importantes.

A implantação exige procedimento cirúrgico, que envolve riscos como infecções, sangramentos e outras complicações.

Também será necessário acompanhar a durabilidade dos componentes, os resultados em longo prazo e a necessidade de manutenção ou substituição dos equipamentos.

Outro desafio é econômico.

Uma tecnologia pode representar uma conquista extraordinária da medicina e, ainda assim, permanecer inacessível para grande parte das pessoas que dela necessitam.

A aprovação comercial na China não significa que o equipamento esteja disponível no Brasil ou incorporado ao Sistema Único de Saúde.

Além disso, interfaces cérebro-computador levantam questões relacionadas à proteção dos dados neurais, à privacidade e ao consentimento dos usuários.

Afinal, quanto mais íntimas forem as informações captadas por um equipamento, maior deverá ser o cuidado com sua utilização.

Mais do que tecnologia, uma questão de autonomia

Para quem convive com uma deficiência motora, atividades aparentemente simples podem representar conquistas de enorme importância.

Segurar um copo, participar do preparo de uma refeição ou manipular um objeto pessoal pode significar maior independência e participação nas atividades cotidianas.

É justamente nesse ponto que os avanços científicos encontram seu maior valor social.

A tecnologia não deve ser apresentada como uma obrigação de superar a deficiência, tampouco como condição para que uma pessoa tenha qualidade de vida, dignidade ou reconhecimento.

Pessoas com deficiência não precisam ser transformadas em exemplos de superação para merecer respeito.

O verdadeiro progresso acontece quando a ciência amplia possibilidades, respeita escolhas individuais e oferece recursos que favorecem a autonomia.

E isso inclui continuar investindo em reabilitação, acessibilidade, tecnologia assistiva convencional e políticas públicas de inclusão.

Um futuro promissor, com responsabilidade

A aprovação do NEO representa uma etapa importante na passagem das interfaces cérebro-computador do ambiente experimental para aplicações médicas regulamentadas.

Ainda há muito a pesquisar. Não sabemos quando tecnologias semelhantes estarão amplamente disponíveis, quanto custarão ou quantas pessoas poderão se beneficiar delas.

Mas já existe uma conquista concreta: pesquisadores demonstraram que sinais produzidos pelo cérebro podem ser utilizados para auxiliar movimentos das mãos comprometidos por determinadas lesões medulares.

É um avanço que merece atenção, entusiasmo responsável e acompanhamento científico.

Porque a melhor tecnologia não é simplesmente a mais avançada. É aquela que consegue melhorar a vida das pessoas, respeitando sua dignidade, suas necessidades e seu direito de escolha.


Fontes: Reuters (13/03/2026); Nature (16/03/2026); Nature Biotechnology (17/04/2026); Universidade Fudan (2026).

Cantinho dos Amigos Especiais — Informação, respeito, acessibilidade e inclusão.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

30 de outubro: respeito e acolhimento a quem vive com doenças reumáticas

Há quem sinta dor ao levantar da cama, dificuldade para abrir uma embalagem ou cansaço para realizar tarefas que parecem simples. Muitas vezes, essas dificuldades passam despercebidas por quem está ao redor.

Neste Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, o convite é para conhecer, ouvir e respeitar quem convive com essas condições. A data chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades

“Reumatismo” é um nome popular que reúne diferentes doenças. Elas podem afetar crianças, jovens, adultos e idosos. Algumas também comprometem outras partes do organismo, além das articulações, como a pele, os olhos e órgãos internos.

Por isso, frases como “você é jovem demais para isso” ou “mas você nem parece doente” precisam dar lugar à escuta. A aparência de uma pessoa não revela tudo o que ela enfrenta.

A dor não precisa ser visível para merecer respeito

Conseguir realizar uma atividade hoje não significa conseguir repeti-la amanhã com a mesma facilidade. Precisar de uma pausa também não deve ser motivo de julgamento.

Em vez de exigir explicações ou comparar sofrimentos, podemos perguntar: “Como posso ajudar?” E respeitar a resposta, inclusive quando a pessoa prefere fazer algo sozinha.

Acessibilidade também faz parte do cuidado

Assentos disponíveis, trajetos acessíveis, tempo suficiente para realizar tarefas e respeito às necessidades individuais podem fazer diferença na participação de uma pessoa na escola, no trabalho e nos espaços de convivência.

Nem toda pessoa com doença reumática tem uma deficiência. Ainda assim, cada uma merece ter suas limitações e necessidades consideradas, sem precisar provar seu sofrimento o tempo todo.

O acompanhamento de saúde é fundamental. O acolhimento da família, dos amigos e da sociedade também tem seu lugar.

Neste 30 de outubro, fica o nosso convite: menos julgamentos, mais escuta e atitudes que facilitem a vida.

Respeito não depende de uma dor aparecer. E acessibilidade não é favor: é direito.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sábado, 24 de outubro de 2026

Atendimento virtual: quando a tecnologia esquece que está falando com pessoas


Uma experiência ao tentar agendar um táxi levanta questões sobre ética, transparência e acessibilidade nos serviços automatizados.

A tecnologia chegou para facilitar nossa vida. Aplicativos, assistentes virtuais e sistemas de inteligência artificial prometem tornar os atendimentos mais rápidos, reduzir filas e resolver problemas sem a necessidade de intervenção humana.

Mas será que estamos realmente sendo bem atendidos?

Hoje, ao tentar agendar uma corrida pela Use Táxi, vivi uma situação que me levou a refletir sobre os limites éticos da automação.

Durante a conversa, a assistente virtual queria saber qual seria minha forma de pagamento antes de informar o valor da corrida. Minha intenção era simples: conhecer o preço do serviço para decidir se desejava contratá-lo.

O atendimento, entretanto, seguia uma sequência que não correspondia à minha necessidade naquele momento.

Somente quando solicitei falar com um ser humano recebi um número de telefone para atendimento.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

O episódio pode parecer pequeno. Mas revela uma questão muito maior.

Quem está no controle da conversa?

Quando conversamos com um atendente humano, normalmente podemos explicar nossa dúvida, mudar o rumo da conversa ou solicitar uma informação específica.

Em um atendimento automatizado, nem sempre isso acontece.

Muitos sistemas são organizados em sequências previamente definidas. O usuário precisa seguir determinado caminho, mesmo quando sua necessidade é diferente.

É importante reconhecer que a forma de pagamento pode influenciar descontos, condições comerciais ou até o cálculo do preço. Nesse caso, bastaria que o sistema explicasse por que precisava daquela informação.

O problema surge quando a tecnologia exige uma resposta sem esclarecer sua necessidade ou oferecer alternativas compreensíveis.

Um atendimento inteligente deveria compreender a necessidade do consumidor, e não obrigá-lo a se adaptar cegamente ao funcionamento da máquina.

A ética também está na programação

Costumamos discutir ética na inteligência artificial pensando em situações complexas, como privacidade, discriminação e uso indevido de dados.

Entretanto, a ética também está presente nas pequenas decisões de quem desenvolve sistemas de atendimento.

Quem determina quais perguntas serão feitas primeiro? Quem estabelece quais informações poderão ser fornecidas? Quem decide quando o cliente terá acesso a um atendente humano?

Essas escolhas não são necessariamente neutras.

Um sistema pode ser programado para priorizar a eficiência operacional da empresa. Isso não é, por si só, errado. Mas se essa prioridade colocar em segundo plano a clareza, a autonomia e as necessidades do consumidor, teremos um problema.

Não sabemos se o episódio relatado foi consequência de uma regra comercial, de uma limitação técnica ou de uma falha pontual no atendimento. O que podemos avaliar é a experiência vivida pelo usuário.

E ela demonstra como uma ferramenta criada para facilitar pode acabar dificultando.

E quando o consumidor é uma pessoa com deficiência?

Aqui a discussão ganha uma dimensão ainda mais importante.

Imagine uma pessoa com deficiência visual tentando utilizar um sistema de mensagens pouco compatível com leitores de tela.

Ou alguém com deficiência motora, que enfrenta dificuldades para digitar repetidamente informações.

Pense também em pessoas idosas, pessoas com deficiência intelectual ou usuários que necessitam de explicações mais claras e objetivas.

Para essas pessoas, um atendimento automatizado confuso pode representar muito mais que um pequeno aborrecimento.

Pode tornar-se uma verdadeira barreira de acesso ao serviço.

Acessibilidade digital não significa apenas permitir que alguém entre em um aplicativo. Significa garantir que essa pessoa consiga compreender, navegar, tomar decisões e concluir o atendimento com autonomia.

E, quando a automação não consegue resolver a situação, deve existir uma maneira simples e acessível de buscar ajuda humana.

Informação clara é um direito

O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 6º, inciso III, estabelece o direito à informação adequada e clara sobre produtos e serviços, incluindo seus preços.

Naturalmente, em determinados serviços de transporte, o valor apresentado pode ser uma estimativa, sujeita às condições da corrida. Isso precisa ser explicado ao consumidor.

A Lei Brasileira de Inclusão, por sua vez, reforça a importância de recursos humanos e tecnológicos que garantam atendimento em igualdade de condições, além do acesso a informações e recursos de comunicação acessíveis.

Esses princípios devem orientar também o desenvolvimento dos sistemas automatizados.

A tecnologia precisa respeitar o direito de escolha, oferecer informações compreensíveis e considerar as diferentes necessidades de quem a utiliza.

Humanizar a tecnologia não significa abandonar a automação

Não sou contrário às assistentes virtuais. Pelo contrário: reconheço que elas podem ser extremamente úteis.

Um bom sistema automatizado pode funcionar a qualquer hora, oferecer respostas rápidas e ampliar o acesso a serviços.

Mas isso exige alguns cuidados fundamentais: explicar por que solicita determinada informação, permitir que o usuário esclareça suas dúvidas, informar preços e condições com transparência, oferecer recursos de acessibilidade e facilitar o acesso ao atendimento humano quando necessário.

Sobretudo, é preciso lembrar que eficiência não pode ser medida apenas pela quantidade de atendimentos realizados sem intervenção de funcionários.

Também precisa ser medida pela qualidade da experiência oferecida às pessoas.

Tecnologia a serviço de quem?

Minha experiência com a Use Táxi não permite concluir que exista uma intenção deliberada de esconder informações ou prejudicar consumidores. Tampouco significa que todos os atendimentos da empresa funcionem da mesma maneira.

Mas serve como ponto de partida para uma reflexão necessária.

Estamos desenvolvendo sistemas para atender melhor às pessoas ou ensinando as pessoas a obedecer aos sistemas?

Essa pergunta interessa a todos, mas é especialmente relevante para quem defende a inclusão e os direitos das pessoas com deficiência.

A verdadeira inovação não está apenas em substituir atendentes por máquinas cada vez mais sofisticadas.

Está em construir soluções que respeitem o tempo, as necessidades, a autonomia e a dignidade de cada pessoa.

A tecnologia deve aprender a conversar com as pessoas. Não são as pessoas que devem aprender a conversar com as limitações da tecnologia.

E você? Já passou por alguma situação em que um atendimento virtual, em vez de ajudar, acabou dificultando sua vida?

Compartilhe sua experiência nos comentários. Essa conversa também faz parte da construção de uma sociedade mais inclusiva.


Referências

BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do Consumidor. Artigo 6º, inciso III. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Especialmente artigo 9º. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

Relato pessoal: experiência de atendimento automatizado durante tentativa de agendamento de corrida pela Use Táxi, em 24 de outubro de 2026.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Uber lança recurso para facilitar o embarque de idosos e pessoas com deficiência

Nova função permite avisar ao motorista como sinalizar a chegada do carro e reconhecer o passageiro. A liberação está sendo feita gradualmente no Brasil.

Encontrar o carro solicitado por aplicativo pode ser difícil para quem tem baixa visão, mobilidade reduzida ou precisa de mais tempo para chegar ao ponto de embarque. Para ajudar nesse momento, a Uber anunciou o recurso Preferências de Partida, que permite informar antecipadamente como o passageiro prefere ser avisado da chegada do motorista e como pode ser identificado.

O passageiro pode pedir que o motorista chame pelo nome, entre em contato pelo aplicativo, pisque os faróis ou buzine. Também pode informar que usa óculos escuros, bengala branca ou convencional, muletas, andador ou cadeira de rodas. As orientações selecionadas são compartilhadas com o motorista nas viagens.

Como configurar

No aplicativo da Uber, acesse:

Conta → Configurações → Acessibilidade → Preferências de Partida

Depois, escolha as opções que deseja compartilhar. Como o recurso está sendo disponibilizado aos poucos, ele pode ainda não aparecer em todas as contas.


A ferramenta pode reduzir a necessidade de repetir as mesmas instruções a cada corrida e facilitar o encontro entre passageiro e motorista. Ainda assim, ela se limita às preferências de aviso e identificação: não significa que o veículo terá adaptações, nem garante ajuda física no embarque.

A Uber já oferece outros recursos de acessibilidade, como compatibilidade com os leitores de tela TalkBack e VoiceOver e a possibilidade de solicitar reembolso ou isenção da taxa de espera para passageiros com deficiência que precisam de mais tempo para embarcar.

A novidade é um passo prático para tornar a comunicação mais simples. Para que a experiência seja realmente acessível, porém, também são importantes o respeito às preferências do passageiro, a paciência durante o embarque e a atenção às necessidades de cada pessoa.

Fontes consultadas: UOL Tilt, “Uber lança função para facilitar embarque de idoso e pessoa com deficiência”, 21 out. 2026; Canaltech, “Uber lança nova função que facilita embarque de idosos e pessoas com deficiência”, 21 out. 2026; Uber, “Acessibilidade no app da Uber”, 30 jul. 2026. 

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.