sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Judy Heumann e a Ocupação que Fez a Acessibilidade Entrar na História

Durante semanas, pessoas com diferentes deficiências permaneceram dentro de um prédio federal em São Francisco, nos Estados Unidos. Elas queriam que o governo colocasse em prática uma lei que já existia, mas ainda não tinha regras para garantir sua aplicação. A mobilização de 1977 ficou conhecida como protesto 504 e teve entre suas principais lideranças a ativista Judy Heumann.

Essa história chega às telas em A Arte de Ser Heumann (Being Heumann), drama biográfico dirigido por Siân Heder. Ruth Madeley interpreta Judy, que liderou, ao lado de outros ativistas, uma ocupação que marcou a luta pelos direitos das pessoas com deficiência nos Estados Unidos. O filme é baseado em acontecimentos reais e na autobiografia de Heumann, escrita com Kristen Joiner. 

A lei existia, mas ainda precisava ser colocada em prática

A mobilização foi organizada para exigir a aplicação da Seção 504 da Lei de Reabilitação de 1973. A norma proibia que pessoas com deficiência fossem excluídas ou discriminadas em programas e atividades que recebessem recursos federais. Mas, sem regras claras para orientar e fiscalizar seu cumprimento, a proteção prevista no texto não se traduzia de forma efetiva na vida das pessoas. 

Em abril de 1977, depois de anos de espera, ativistas organizaram protestos em várias cidades norte-americanas. Em São Francisco, a manifestação continuou dentro de um edifício do Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar. Judy Heumann participou da organização e ajudou a liderar a mobilização. 

Uma comunidade se organizou para permanecer

A ocupação exigiu mais do que coragem para protestar. Era preciso organizar alimentação, higiene, cuidados de saúde, comunicação e divulgação. Pessoas com diferentes deficiências dividiram tarefas e buscaram apoio de grupos da comunidade. Entre os aliados estavam integrantes do Partido dos Panteras Negras, que ajudaram a fornecer refeições e suprimentos. 

As condições eram difíceis: os manifestantes dormiam no chão, tinham acesso limitado a instalações e enfrentavam problemas para manter medicamentos refrigerados. Quando as linhas telefônicas foram cortadas, a língua de sinais também ajudou a manter a comunicação entre quem estava dentro do edifício e os apoiadores do lado de fora. A mobilização mostrou, na prática, que a luta por direitos precisava considerar as necessidades de pessoas com diferentes deficiências. 

A pressão também chegou a Washington. Uma delegação de manifestantes viajou à capital para cobrar uma resposta do governo. A mobilização atraiu atenção da imprensa e ampliou a cobrança para que as regras da Seção 504 fossem assinadas sem enfraquecimento. Ao final, o governo publicou as regulamentações, uma vitória importante para o movimento. 

A trajetória de Judy começou antes daquele protesto

Judy Heumann contraiu poliomielite ainda criança e passou a usar cadeira de rodas. Quando quis ser professora, teve a licença negada pelo sistema escolar de Nova York. Ela contestou a decisão judicialmente e conquistou o direito de ensinar. A experiência marcou sua atuação: a exclusão não era consequência inevitável de uma deficiência, mas também das barreiras e decisões impostas pela sociedade. 

Depois do protesto de 1977, Judy continuou trabalhando por direitos e participação. A Seção 504 foi uma etapa importante dessa trajetória; anos mais tarde, em 1990, os Estados Unidos aprovaram a Lei dos Americanos com Deficiências, conhecida pela sigla ADA. 

Uma história coletiva

A Arte de Ser Heumann leva ao cinema uma luta construída por muitas pessoas. Judy foi uma de suas lideranças, mas a ocupação também dependeu da organização, da solidariedade e da participação de manifestantes com diferentes experiências e necessidades.

A história lembra que acessibilidade não se resume a rampas ou adaptações físicas. Significa garantir que as pessoas possam estudar, trabalhar, circular, acessar serviços e participar da vida em comunidade com igualdade de direitos. E mostra que, quando uma lei permanece apenas no papel, a mobilização coletiva pode ser decisiva para cobrar sua aplicação.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
Colaboração: Alexandre Ávila de Lima.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Quando a ciência faz nascer um novo olha


Das primeiras experiências com córneas impressas em 3D aos transplantes realizados em seres humanos, a medicina abre novos caminhos para o tratamento de determinadas causas de cegueira.

Imagine uma impressora capaz de produzir não apenas objetos, mas tecidos vivos que possam ajudar uma pessoa a recuperar a visão.

Parece ficção científica, não é mesmo? Entretanto, essa possibilidade já começou a se transformar em realidade.

Pesquisadores estão desenvolvendo córneas por meio da bioimpressão em três dimensões, uma tecnologia que utiliza células humanas e materiais biológicos para construir estruturas semelhantes aos tecidos naturais do nosso organismo.

E a notícia mais animadora é que essa história já ultrapassou as paredes dos laboratórios.

Em 2026, os primeiros resultados dos transplantes experimentais em seres humanos mostram que estamos diante de uma possibilidade promissora para o futuro da saúde ocular.

Tudo começou com uma descoberta revolucionária

Em maio de 2018, pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, anunciaram a criação de estruturas semelhantes à córnea humana utilizando uma impressora 3D.

A equipe, formada por cientistas como Abigail Isaacson, Stephen Swioklo e Che Connon, desenvolveu uma espécie de tinta biológica, composta por colágeno, alginato e células da córnea humana.

Essa mistura permitiu reproduzir, em menos de dez minutos, uma estrutura com formato semelhante ao da córnea.

O resultado foi considerado um avanço importante porque demonstrou a possibilidade de fabricar tecidos corneanos utilizando células vivas.

Naquela época, porém, tudo ainda estava em fase experimental. Não se tratava de uma córnea pronta para ser transplantada em pacientes.

A fotografia que voltou a circular nas redes sociais remete justamente a essa fase inicial das pesquisas.

Mas a ciência não parou em 2018.

Afinal, por que a córnea é tão importante?

A córnea é a estrutura transparente localizada na parte da frente dos nossos olhos.

Sua principal função é permitir a passagem da luz e ajudar a direcioná-la corretamente para que possamos enxergar.

Quando essa estrutura sofre danos provocados por infecções, acidentes, doenças ou outras alterações, a visão pode ficar comprometida.

Em determinados casos, o transplante de córnea representa uma possibilidade de tratamento.

O grande desafio é que nem todas as pessoas que precisam desse procedimento conseguem encontrar tecidos disponíveis para transplante.

É justamente nesse ponto que a bioimpressão pode representar uma mudança importante.

A esperança saiu do laboratório

Em outubro de 2025, um acontecimento marcou a história da oftalmologia.

No Centro Médico Rambam, em Haifa, Israel, médicos realizaram o primeiro transplante humano de um implante corneano produzido por bioimpressão 3D a partir de células vivas cultivadas em laboratório.

O implante, denominado PB-001, foi desenvolvido pela empresa Precise Bio.

A paciente apresentava cegueira legal no olho tratado e recebeu o tecido produzido em laboratório durante um estudo clínico.

Segundo os responsáveis pelo procedimento, ela apresentou uma recuperação significativa da capacidade visual.

A tecnologia utilizada nessa experiência é diferente daquela desenvolvida pelos pesquisadores britânicos em 2018.

O implante israelense utiliza células do endotélio da córnea, camada responsável por ajudar a manter sua transparência.

Embora sejam projetos distintos, ambos demonstram como a engenharia de tecidos pode contribuir para novas alternativas de tratamento.

2026: cinco pacientes já receberam os implantes experimentais

As boas notícias continuaram.

Em fevereiro de 2026, a Precise Bio anunciou que outros dois pacientes haviam recebido o implante experimental, totalizando três procedimentos.

Segundo a empresa, as cirurgias transcorreram sem registro de eventos adversos graves até aquele momento, e a primeira paciente continuava apresentando melhora da visão.

Mas a atualização mais recente trouxe uma informação ainda mais animadora.

Em entrevista publicada pela revista científica Live Science, em 21 de agosto de 2026, os responsáveis pela tecnologia revelaram que cinco pacientes já haviam recebido os novos implantes.

A primeira paciente, que apresentava comprometimento visual havia aproximadamente 14 anos no olho tratado, demonstrou uma recuperação expressiva.

De acordo com os pesquisadores, algumas semanas depois do procedimento, ela já conseguia realizar atividades como ler o cardápio de um restaurante e acompanhar legendas na televisão.

Outro aspecto interessante é que, segundo os desenvolvedores, as técnicas de multiplicação celular permitem produzir centenas de implantes a partir das células de uma única córnea doada.

Se confirmada a eficácia em estudos maiores, essa possibilidade poderá contribuir para reduzir a escassez de tecidos destinados a transplantes.

Os cientistas pretendem ampliar as pesquisas e acompanhar os pacientes durante períodos mais longos.

É importante destacar que o procedimento continua sendo experimental. Ainda são necessários estudos para comprovar sua segurança e eficácia a longo prazo, bem como sua capacidade de beneficiar um número maior de pessoas.

Uma descoberta capaz de devolver a visão a um bilhão de pessoas?

Aqui precisamos esclarecer uma informação que acompanha algumas publicações sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde estima que pelo menos 2,2 bilhões de pessoas tenham algum comprometimento visual, sendo que, em pelo menos um bilhão desses casos, a condição poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu o tratamento necessário.

Entretanto, isso não significa que todas essas pessoas possam recuperar a visão com uma córnea produzida em laboratório.

Existem diferentes causas de deficiência visual, como glaucoma, catarata, alterações da retina e doenças do nervo óptico.

A bioimpressão de córneas poderá beneficiar determinados pacientes com problemas corneanos, mas não resolve todas as condições que provocam perda visual.

Portanto, é importante celebrar a descoberta sem criar expectativas que a ciência ainda não pode garantir.

Ciência, acessibilidade e qualidade de vida

Para nós, do Cantinho dos Amigos Especiais, existe outra reflexão importante.

O desenvolvimento de tratamentos capazes de melhorar ou recuperar a visão merece ser comemorado. Afinal, novas possibilidades terapêuticas podem ampliar a autonomia e as escolhas das pessoas.

Mas o valor de uma pessoa com deficiência visual não depende de sua capacidade de enxergar.

Enquanto a ciência avança, precisamos continuar defendendo a acessibilidade, a inclusão, as tecnologias assistivas, a mobilidade segura e o direito à participação plena na sociedade.

Quem vive com deficiência visual merece oportunidades, respeito e qualidade de vida hoje, independentemente dos tratamentos que possam surgir amanhã.

Também é importante lembrar que os avanços científicos precisam caminhar ao lado de políticas públicas capazes de tornar os novos tratamentos acessíveis à população.

Uma descoberta extraordinária terá um impacto ainda maior quando seus benefícios puderem alcançar pessoas de diferentes realidades sociais e econômicas.

Um futuro que merece ser acompanhado

A possibilidade de produzir tecidos humanos em impressoras 3D representa uma das fronteiras mais interessantes da medicina regenerativa.

Ainda existem desafios relacionados à segurança, à eficácia, à durabilidade dos implantes e ao acesso aos futuros tratamentos.

Entretanto, o caminho percorrido pela bioimpressão, das primeiras experiências laboratoriais aos transplantes experimentais em seres humanos, demonstra como a pesquisa científica pode transformar possibilidades em realizações.

Em 2018, imprimir uma estrutura semelhante à córnea humana já parecia extraordinário.

Em 2025, uma tecnologia de bioimpressão chegou ao primeiro transplante experimental em uma pessoa.

Em 2026, cinco pacientes já haviam recebido os novos implantes, e os pesquisadores continuavam acompanhando os resultados.

Talvez estejamos assistindo aos primeiros capítulos de uma nova história no tratamento de determinadas doenças da córnea.

Porque a ciência pode abrir novos caminhos para enxergar. E a inclusão precisa garantir, desde já, que todos tenham seu lugar no mundo.


Fontes consultadas

  • Universidade de Newcastle (30/05/2018): Primeiras córneas humanas impressas em 3D. https://www.ncl.ac.uk/press/articles/archive/2018/05/first3dprintingofcorneas/

  • Centro Médico Rambam (20/11/2025): Primeiro transplante humano de implante corneano bioimpresso. https://www.rambamhcc.com/post/global-first-at-rambam-a-3d-printed-cornea-restores-sight

  • Precise Bio (23/02/2026): Resultados iniciais dos três primeiros pacientes. https://www.globenewswire.com/news-release/2026/02/23/3242563/0/en/precise-bio-announces-successful-transplantation-of-additional-patients-in-ongoing-clinical-study-of-3d-bio-printed-corneal-implant.html

  • Live Science (21/08/2026): Entrevista com os pesquisadores e confirmação de cinco pacientes transplantados. https://www.livescience.com/health/surgery/meet-the-scientists-3d-printing-corneas-to-restore-peoples-vision-potentially-filling-a-worldwide-shortage-of-transplantable-tissue

  • Organização Mundial da Saúde (10/02/2026): Dados mundiais sobre deficiência visual e cegueira. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blindness-and-visual-impairment/

Cantinho dos Amigos Especiais — Informação, inclusão e respeito à diversidade humana.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Dia Nacional do Fisioterapeuta: cuidado que valoriza a autonomia


Em 13 de outubro, celebramos profissionais que ajudam a cuidar do movimento, da funcionalidade e da qualidade de vida, respeitando as necessidades de cada pessoa.

Levantar da cama, mudar de posição, alcançar um objeto ou participar de uma atividade em família são ações que fazem parte do cotidiano. Para algumas pessoas, elas exigem apoio, adaptações e acompanhamento profissional. É nesse dia a dia que podemos compreender a importância da fisioterapia.

O Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, celebrado em 13 de outubro, foi instituído pela Lei nº 13.084, de 8 de janeiro de 2015. A data homenageia duas profissões distintas, que podem trabalhar juntas no cuidado à saúde e na promoção da autonomia.

Neste post, nosso reconhecimento vai especialmente aos fisioterapeutas e à contribuição que oferecem à vida de tantas pessoas.

Um cuidado que acompanha diferentes necessidades

A fisioterapia envolve avaliação, planejamento e acompanhamento. Seu trabalho pode contribuir para prevenir complicações, recuperar ou manter funções e facilitar atividades importantes para cada pessoa.

Também pode estar presente no atendimento domiciliar, levando o cuidado ao ambiente em que a vida acontece: a casa, a rotina e as relações familiares.

Os objetivos variam. Para uma pessoa, pode ser melhorar a mobilidade. Para outra, preservar uma capacidade, mudar de posição com mais segurança ou participar de uma atividade com maior conforto. Manter uma função também pode ser um resultado valioso.

Deficiência, autonomia e respeito

As pessoas com deficiência têm necessidades diversas. Um diagnóstico, sozinho, não conta toda a história de alguém. É preciso considerar suas condições, seu ambiente, suas preferências e aquilo que deseja realizar.

Por isso, o cuidado deve incluir escuta e participação. A pessoa precisa ser ouvida sobre suas dificuldades, seus limites e seus objetivos.

Autonomia também significa poder escolher, decidir e conduzir a própria vida com os apoios necessários. Receber ajuda não diminui a dignidade de ninguém.

Na fisioterapia, cada processo tem seu ritmo. Comparações e cobranças podem desconsiderar o esforço e a realidade de quem está em acompanhamento. O respeito começa quando reconhecemos que os resultados não são iguais para todos.

Acesso ao cuidado também importa

Celebrar a profissão é uma oportunidade de lembrar que as pessoas precisam ter acesso ao atendimento de que necessitam.

Transporte acessível, ambientes adequados, comunicação compreensível e continuidade do acompanhamento fazem diferença. A inclusão também depende de condições que permitam chegar ao serviço, compreender as orientações e participar das decisões.

Familiares e pessoas de apoio podem colaborar com esse processo, respeitando as escolhas da pessoa atendida e as orientações profissionais.

Nossa homenagem

O Cantinho dos Amigos Especiais homenageia os fisioterapeutas que unem conhecimento, responsabilidade e sensibilidade no cuidado.

Nosso reconhecimento está na atenção a cada pessoa, na escuta de suas necessidades e no compromisso com objetivos que façam sentido para sua vida.

Neste 13 de outubro, celebramos o cuidado que respeita limites, valoriza possibilidades e apoia a autonomia.

Você já contou com a ajuda de um fisioterapeuta? Se quiser, compartilhe nos comentários o que esse acompanhamento representou em sua vida.

Fontes consultadas:

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Dia Mundial da Trombose: informação e cuidado podem salvar vidas

13 de outubro é um convite para conhecer os riscos, reconhecer os sinais e tornar a prevenção acessível a todos.

Você sabe o que é trombose? Essa palavra pode parecer distante da nossa rotina, mas entender seu significado ajuda a procurar atendimento no momento certo.

O Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, chama a atenção para a formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos, que podem dificultar ou bloquear a passagem do sangue.

O que acontece no organismo?

A coagulação ajuda a estancar um sangramento quando nos machucamos. O problema surge quando um coágulo se forma dentro de um vaso e prejudica a circulação.

Na trombose venosa profunda, ele aparece em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Uma complicação grave ocorre quando parte desse coágulo se desprende e chega aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. Essa situação exige atendimento imediato.

Quais sinais merecem atenção?

Procure atendimento médico com urgência se perceber:

  • Inchaço novo, principalmente em uma só perna ou braço.
  • Dor ou sensibilidade na região.
  • Calor local.
  • Vermelhidão ou mudança na cor da pele.

Esses sinais podem ter outras causas, mas precisam ser avaliados. A trombose também pode ocorrer sem sintomas perceptíveis.

Falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio exigem atendimento de emergência, mesmo sem dor ou inchaço nas pernas.

Quem precisa de atenção especial?

Qualquer pessoa pode desenvolver trombose. Algumas situações aumentam o risco, como cirurgias, internações, longos períodos de imobilidade, viagens prolongadas, câncer, gravidez, pós-parto e uso de determinados hormônios. Quem já teve trombose também precisa informar esse histórico à equipe de saúde.

Prevenção que respeita cada corpo

No Cantinho dos Amigos Especiais, falar em prevenção também significa falar em acessibilidade.

Para quem tem mobilidade reduzida, a orientação precisa considerar suas possibilidades. Recomendar simplesmente “levante e caminhe” pode ser insuficiente. É necessário conversar com a equipe de saúde sobre formas seguras de movimento e outras medidas de proteção.

Ter uma deficiência não significa, por si só, ter trombose. O cuidado deve considerar fatores como imobilidade, doenças associadas, medicamentos e histórico individual.

Algumas atitudes ajudam a reduzir o risco:

  • Evite ficar longos períodos sem se movimentar, dentro das suas possibilidades e das orientações recebidas.
  • Em viagens prolongadas, faça pausas e movimente as pernas, quando isso for seguro.
  • Mantenha a hidratação, respeitando eventuais restrições médicas.
  • Antes de uma cirurgia ou internação, pergunte sobre seu risco de trombose.
  • Use meias de compressão e medicamentos preventivos somente com indicação profissional.

Esses cuidados reduzem riscos, mas não garantem proteção completa nem substituem a avaliação médica.

Informação também é inclusão

Orientações de saúde precisam chegar a todos: com linguagem clara, formatos acessíveis e espaço para perguntas.

A pessoa com deficiência deve participar das decisões sobre o próprio cuidado, recebendo informações que consiga compreender e utilizar.

Neste 13 de outubro, compartilhe conhecimento e incentive o cuidado. Reconhecer os sinais e buscar ajuda cedo pode fazer a diferença.

Conteúdo educativo. O diagnóstico e a prevenção individual devem ser orientados por profissionais de saúde.

Fontes consultadas:

sábado, 10 de outubro de 2026

Dia Mundial da Saúde Mental: acolher também é incluir


Neste 10 de outubro, o convite é ouvir sem julgar, combater o preconceito e defender o acesso ao cuidado.

Nem toda dor aparece no rosto. Às vezes, uma pessoa mantém suas atividades, conversa e sorri, enquanto enfrenta dificuldades que os outros desconhecem. Não precisamos adivinhar o que ela sente, mas podemos abrir espaço para que seja ouvida com respeito.

Celebrado em 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental busca ampliar a conscientização e mobilizar esforços para melhorar o cuidado. É uma oportunidade de conversar sobre um assunto que faz parte da vida de todos nós.

Saúde mental faz parte da saúde

A saúde mental envolve nossas emoções, nossos pensamentos, nossos vínculos e a maneira como enfrentamos as situações da vida. Ela vai além da ausência de transtornos mentais.

Cuidar desse aspecto da saúde não significa exigir felicidade constante. Há dias difíceis, perdas, preocupações e momentos de cansaço. Precisamos de espaço para reconhecer o que sentimos, sem vergonha e sem a obrigação de parecer bem o tempo inteiro.

Também é preciso evitar explicações simplistas. O sofrimento emocional não deve ser tratado como fraqueza, preguiça ou falta de esforço. A saúde mental depende de diferentes fatores, incluindo condições de vida, relações sociais e aspectos biológicos.

Inclusão também passa pelo cuidado emocional

No Cantinho dos Amigos Especiais, falar de saúde mental é também falar de dignidade, autonomia e participação.

Uma pessoa com deficiência não deve ser presumida triste, incapaz ou emocionalmente fragilizada por causa de sua deficiência. Cada pessoa tem sua história, seus recursos, seus desejos e suas necessidades.

Ao mesmo tempo, vale olhar para as barreiras que colocamos no caminho: uma conversa em que alguém é ignorado, uma decisão tomada sem sua participação ou um atendimento que não oferece uma forma acessível de comunicação.

Acolher exige perguntar, escutar e respeitar escolhas. Isso inclui falar diretamente com a pessoa e permitir que ela se expresse no seu tempo e da maneira que lhe for adequada.

Escutar sem diminuir a dor

Frases como “isso não é nada”, “tem gente pior” ou “é só pensar positivo” podem fechar uma conversa justamente quando alguém tenta pedir apoio.

Podemos trocar essas respostas por palavras mais cuidadosas:

  • “Quer conversar? Estou aqui para ouvir.”
  • “Como posso ajudar?”
  • “Você gostaria de companhia para procurar atendimento?”

Escutar não exige ter uma solução pronta. Às vezes, o primeiro gesto de cuidado é levar o relato a sério, sem comparações, interrogatórios ou conselhos impostos.

Também devemos respeitar quem ainda não quer falar. Acolhimento não é pressão para revelar sentimentos.

Fé, apoio e atendimento profissional

Para quem tem uma vivência religiosa ou espiritual, a fé pode ser uma fonte pessoal de conforto, esperança e sentido. Ainda assim, ninguém deve ouvir que seu sofrimento é consequência de “falta de fé”.

É possível valorizar a espiritualidade e buscar atendimento profissional. Esses caminhos podem conviver, respeitando as escolhas e as necessidades de cada pessoa.

O cuidado em saúde mental pode envolver diferentes profissionais e serviços, com acompanhamento coordenado conforme cada situação. O acesso a esse cuidado precisa ser digno, acessível e respeitoso.

Um compromisso para todos os dias

Descansar, cultivar vínculos e reservar momentos para atividades prazerosas são formas de autocuidado. Elas podem complementar o atendimento de saúde, sem colocar sobre a pessoa a responsabilidade de resolver tudo sozinha.

O Dia Mundial da Saúde Mental nos convida a observar como tratamos uns aos outros — em casa, no trabalho, nos serviços e nas redes sociais.

Podemos começar com menos julgamentos, mais escuta e respeito pelas diferenças.

Toda pessoa merece ser ouvida. Toda pessoa merece cuidado. E incluir também é criar espaço para que cada um possa dizer como está, sem medo de perder o respeito dos outros.

Compartilhe esta reflexão e ajude a construir conversas mais acolhedoras sobre saúde mental.


Fontes consultadas