sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ScribeMe (Scribe Me): um “Be My Eyes com IA” que também deixa documentos mais acessíveis


O ScribeMe é um aplicativo de produtividade voltado especialmente para pessoas cegas ou com baixa visão, com uma proposta parecida com “Be My Eyes”, só que com assistência por inteligência artificial. Na página do app, o destaque é o recurso Live Assist, descrito como um assistente em tempo real que ajuda a encontrar objetos, ler textos, orientar-se em lugares desconhecidos e entender o ambiente com poucos toques.

Mas o ScribeMe não fica só na “câmera para entender o mundo”. Ele tenta ser um pacote completo para acessibilidade: além da assistência ao vivo e da descrição de imagens, ele promete transformar arquivos (PDFs e PowerPoints) em conteúdos mais acessíveis, preservando a estrutura do documento (títulos, listas e tabelas) e gerando texto alternativo (alt text) para imagens.


O que o app promete fazer (na prática)

1) Live Assist: ajuda em tempo real

A ideia é ter uma experiência rápida, “um toque e pronto”, para situações do dia a dia: identificar itens, ler algo na hora, se orientar no ambiente e ganhar autonomia.

2) Documentos acessíveis (PDF e PowerPoint)

Aqui o app chama atenção: ele diz que escaneia PPT e PDF, identifica a formatação (como cabeçalhos, listas e tabelas) e produz uma versão mais amigável para leitura — além de gerar descrições para imagens. Também promete OCR em mais de 50 idiomas e a possibilidade de fazer perguntas para a IA sobre o conteúdo (resumo, explicações e “insights”).

3) Snap nScribe: descrição de fotos e rótulos

Você pode tirar foto ou escolher da galeria para receber descrições detalhadas (por exemplo: rótulos de produtos, detalhes do ambiente etc.). O app também diz que aceita várias imagens de uma vez e permite perguntas de acompanhamento sobre a mesma foto.

4) Compartilhar direto de outros apps

Um detalhe útil: o ScribeMe afirma que dá para enviar documentos e fotos para ele diretamente pelo menu “Compartilhar” de outros aplicativos, o que agiliza muito no dia a dia.


Para quem o ScribeMe pode ser mais útil

  • Pessoas cegas/baixa visão que querem um “socorro rápido” para leitura de coisas do cotidiano (placas, embalagens, bilhetes, telas, rótulos).

  • Quem recebe muito PDF/PowerPoint (trabalho, igreja, curso) e precisa de um caminho mais fácil para acessar o conteúdo.

  • Quem gosta de perguntar para a IA (“resume isso”, “o que esse documento quer dizer?”, “quais são os tópicos principais?”) sem depender de outra pessoa.


Pontos fortes (o que chama atenção)

  • Duas necessidades num só lugar: “ver/entender” o mundo pela câmera + acessar documentos de forma mais organizada.

  • Promessa de preservação de estrutura (títulos/listas/tabelas) em PDFs e PPTs, o que é um diferencial importante para acessibilidade.

  • Fluxo prático com compartilhamento direto de outros apps.


Pontos de atenção (antes de adotar como principal)

  • Compras no app: a listagem informa que há compras internas, então é bom testar com calma e entender o que é gratuito e o que fica no plano pago.

  • Privacidade e dados: na seção “Segurança dos dados” do Google Play, o desenvolvedor declara “nenhum dado coletado” e “nenhum dado compartilhado”.
    Ao mesmo tempo, a Política de Privacidade publicada (em outro endereço) descreve a possibilidade de coleta de Usage Data (dados de uso/diagnóstico) e outros dados associados ao uso do serviço.
    Na prática: não é para “alarmar”, mas é um bom motivo para você ler a política e decidir o que te deixa confortável — especialmente porque o app lida com câmera, fotos e documentos.


Veredito (resenha do Cantinho)

O ScribeMe parece uma proposta bem interessante para quem busca autonomia em duas frentes: (1) entender o ambiente e textos “na hora” usando a câmera e (2) lidar melhor com documentos que costumam ser chatos de acessar (PDF e PowerPoint). Pelo que está descrito na loja, ele tenta ser um “canivete suíço” de acessibilidade com IA — e isso pode ajudar muito quem estuda, trabalha ou recebe arquivos o tempo todo.

Se você já usa apps do tipo Be My Eyes, o ScribeMe pode valer o teste como alternativa focada em IA + documentos. Só recomendo olhar com carinho as condições do plano (compras internas) e a parte de privacidade, para usar com tranquilidade.


Fontes e links

  • Página do app no Google Play (ScribeMe / Mark Morad).

  • Política de Privacidade (TermsFeed) vinculada na listagem do app.

  • Termos e Condições (TermsFeed) vinculados na listagem do app.

    Texto produzido com inteligência artificial.
    Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
    Colaboração: Anderson Wagner Santos.

Estereotipias na deficiência visual: o que são, por que acontecem e como conviver com respeito

Quem convive com pessoas cegas ou com baixa visão pode notar alguns movimentos repetitivos, padrões de postura ou gestos “automáticos” que parecem não ter um objetivo claro. Esses comportamentos são chamados de estereotipias (ou “maneirismos”) e, na deficiência visual, muitas vezes estão ligados à forma como o cérebro busca regular sensações, organizar a atenção e reduzir ansiedade em ambientes cheios de estímulos ou, ao contrário, muito monótonos. Importante: estereotipias não são “frescura”, nem sinal de “descontrole” moral; em geral, são estratégias involuntárias (ou semi-involuntárias) de autorregulação.

A seguir, algumas estereotipias comuns associadas à deficiência visual — lembrando que cada pessoa é única: pode apresentar algumas, nenhuma, ou padrões diferentes.

1) Balançar o corpo (rocking)

É o movimento rítmico de balanço do tronco, para frente e para trás ou para os lados, sentado ou em pé. Pode aparecer em momentos de espera, cansaço, ansiedade ou concentração. Utilidade: ajuda a regular o nível de alerta do corpo, organiza a atenção e pode trazer sensação de segurança — como um “marcapasso” interno que acalma e dá previsibilidade ao corpo.

2) Movimento repetitivo das mãos (abanar, agitar, “flapping”)

Algumas pessoas fazem movimentos rápidos e repetidos com as mãos, dedos ou punhos, às vezes perto do rosto ou do corpo. Utilidade: pode funcionar como descarga de tensão, forma de manter foco ou resposta a estímulos emocionais (euforia, ansiedade, frustração). Para alguns, é um modo eficaz de “centrar” a mente quando há muito ruído ao redor.

3) Pressionar ou friccionar os olhos (eye-pressing)

A pessoa pressiona levemente (ou às vezes com mais força) as pálpebras, esfrega a região dos olhos ou faz contato repetitivo com a órbita ocular. Utilidade: em algumas condições, a pressão pode gerar sensações visuais internas (fosfenos) e também pode ser um recurso de autorregulação sensorial. Atenção: quando frequente/intenso, pode trazer risco de irritação, lesões e piora de condições oculares — por isso, merece observação cuidadosa e orientação profissional.

4) Olhar fixo, “olhar fora do alvo” e movimentos oculares repetidos

Em baixa visão (e mesmo em alguns casos de cegueira), pode haver fixação prolongada, olhar aparentemente “perdido” ou movimentos repetidos dos olhos. Utilidade: o cérebro tenta “varrer” o ambiente com o recurso visual disponível, buscar contraste, luz, formas, ou simplesmente manter uma referência espacial. Também pode ser uma forma de reduzir ansiedade diante de ambientes desconhecidos.

5) Movimentos repetitivos de cabeça (virar, inclinar, sacudir levemente)

Algumas pessoas movem a cabeça de forma repetida, inclinam para um lado ou fazem pequenos “chacoalhos” sutis. Utilidade: isso pode ajudar a localizar sons, compensar limitações do campo visual, melhorar a percepção de luz/contraste ou aliviar tensão cervical. Em certas situações, é uma maneira de “ajustar” o corpo para captar melhor o que o ambiente oferece.

6) Vocalizações repetitivas (humming, sons curtos, repetição de palavras)

Pode ser um cantarolar baixo, um som contínuo (hum), estalos, ou repetição de palavras/frases. Utilidade: vocalizações podem diminuir ansiedade, manter o ritmo interno, ajudar na concentração e, às vezes, mascarar ruídos que incomodam. Também podem funcionar como sinal de que a pessoa está se organizando mentalmente durante deslocamentos ou espera.

7) Estalar dedos, bater levemente em objetos ou tamborilar

São batidas rítmicas com dedos, mãos ou pés, ou pequenos toques repetidos em superfícies. Utilidade: o ritmo oferece previsibilidade e ajuda na autorregulação. Além disso, o toque pode trazer informações táteis e auditivas do ambiente (textura, posição, eco), funcionando como um “scanner” sensorial — mesmo que a pessoa nem sempre faça isso conscientemente.

8) Pular, dar pequenos saltos ou caminhar em círculos

Em especial em crianças (mas não só), pode aparecer a necessidade de andar em círculos, dar pulinhos ou repetir um trajeto curto. Utilidade: movimento é uma forma poderosa de organizar o sistema vestibular (equilíbrio) e diminuir inquietação. Em ambientes onde a pessoa se sente segura, repetir um caminho pode dar sensação de controle, mapa mental e conforto.


Conclusão: como reagir corretamente às estereotipias

A atitude mais importante de quem convive com pessoas com deficiência visual é trocar julgamento por compreensão. Em vez de repreender, expor, ironizar ou tentar “consertar” o comportamento à força, o ideal é observar: a estereotipia aparece por ansiedade? Fadiga? Ambientes barulhentos? Espera prolongada? Muitas vezes, ela tem função de autorregulação e interrompê-la bruscamente pode aumentar estresse, irritação e insegurança. Se o comportamento não traz risco, o melhor caminho é respeitar e oferecer um ambiente mais confortável (reduzir barulho, explicar o que está acontecendo, dar previsibilidade, permitir pausas). Se houver risco físico (por exemplo, pressão ocular intensa, autoagressão, quedas), a abordagem correta é protetiva e discreta, buscando alternativas mais seguras de regulação (objeto tátil, pausa, respiração guiada) e, quando necessário, orientação de profissionais (oftalmologista, terapeuta ocupacional, psicologia, neurologia). Convivência respeitosa é isso: reconhecer que o corpo e o cérebro também comunicam necessidades — e que acolher, em vez de constranger, é uma forma concreta de inclusão.

Fontes e links



Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Doenças raras da visão: entender para acolher, diagnosticar e incluir

Quando falamos em deficiência visual, muitas pessoas ainda pensam apenas em “miopia”, “catarata” ou “glaucoma”. Mas existe um grupo importante de doenças raras da visão, geralmente genéticas e muitas vezes progressivas, que impactam a vida desde a infância ou juventude. Conhecer essas condições ajuda a reduzir o preconceito, acelerar o diagnóstico e, principalmente, fortalecer a inclusão — na escola, no trabalho e na vida em comunidade.

Retinose Pigmentar (RP)

A Retinose Pigmentar é um conjunto de doenças hereditárias que afetam a retina, sobretudo as células responsáveis por enxergar em ambientes escuros e pela visão periférica. Um sinal clássico é a dificuldade de enxergar à noite (cegueira noturna), seguida de redução do campo visual (“visão em túnel”). Com o tempo, algumas pessoas podem ter queda da visão central. A progressão varia muito: há casos mais lentos e outros mais agressivos, e os sintomas podem começar na infância, adolescência ou idade adulta.

Doença de Stargardt

A Doença de Stargardt é uma distrofia hereditária que atinge principalmente a mácula, região central da retina responsável por detalhes finos, leitura e reconhecimento de rostos. Em geral, a pessoa percebe embaçamento na visão central, dificuldade para ler, sensibilidade à luz e piora na percepção de detalhes, enquanto a visão periférica costuma ficar mais preservada por um bom tempo. É comum que os primeiros sinais apareçam na infância ou adolescência, mas também pode surgir mais tarde, dependendo da forma genética.

Amaurose Congênita de Leber (ACL)

A Amaurose Congênita de Leber é uma condição rara, geralmente genética, que provoca perda visual importante desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Em muitos casos, o bebê apresenta pouca resposta a estímulos visuais, dificuldade de fixar o olhar e movimentos involuntários dos olhos (nistagmo). Existem diferentes subtipos, com graus variados de comprometimento. Por isso, o acompanhamento com especialistas, exames específicos e, quando disponível, aconselhamento genético, são essenciais para orientar a família e planejar intervenções e recursos de reabilitação visual.

Acromatopsia

A Acromatopsia é uma doença rara que afeta os cones (células da retina responsáveis por cores e visão em ambientes claros). A pessoa pode enxergar poucas ou nenhuma cor, ter fotofobia intensa (muita sensibilidade à luz), baixa acuidade visual e nistagmo desde cedo. Um ponto importante: não é “apenas daltonismo”. Na acromatopsia, a dificuldade costuma ser mais ampla, e ambientes claros podem ser extremamente desconfortáveis. Óculos com filtros, adaptações de iluminação e recursos de acessibilidade fazem grande diferença no dia a dia.

Conclusão: dá para prevenir?

Como essas quatro condições são, em grande parte, genéticas, nem sempre existe prevenção no sentido clássico (como “evitar pegar” uma doença). Ainda assim, existem formas de prevenção do agravamento e de redução de impactos, que são fundamentais:

  • Diagnóstico precoce: ao notar sinais como dificuldade de enxergar à noite, perda de visão central, fotofobia intensa, nistagmo ou regressão visual, procure avaliação com oftalmologista, de preferência com especialista em retina/baixa visão.

  • Aconselhamento genético: para famílias com histórico, pode orientar riscos, planejamento familiar e caminhos de acompanhamento.

  • Proteção ocular e hábitos saudáveis: uso de óculos com filtro UV, controle de comorbidades (como diabetes e hipertensão), sono adequado e alimentação equilibrada ajudam a preservar a saúde ocular como um todo — mesmo quando a origem é genética.

  • Reabilitação e acessibilidade: recursos de baixa visão, tecnologia assistiva, adaptações escolares e no trabalho previnem perdas funcionais, favorecendo autonomia e qualidade de vida.

  • Acompanhamento contínuo: cada condição tem evolução própria; manter o seguimento médico ajuda a identificar complicações e a aproveitar novas possibilidades terapêuticas conforme surgirem.

Informação também é inclusão. Quando a sociedade entende melhor essas condições, fica mais fácil acolher, adaptar ambientes e respeitar o tempo e as necessidades de cada pessoa.

Texto e imagem produzidos com intelig~encia artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

Dia de Darwin: ciência, inclusão e a evolução do nosso olhar

O Dia de Darwin, celebrado em 12 de fevereiro, é lembrado em muitos lugares do mundo como uma data para valorizar a ciência, a curiosidade e o pensamento crítico. É o aniversário de Charles Darwin (1809–1882), naturalista que ajudou a transformar a forma como entendemos a diversidade da vida. Mas, para uma pessoa com deficiência, essa celebração pode (e deve) ir além: ela vira também uma chance de falar sobre respeito, acessibilidade e como a sociedade pode “evoluir” no que realmente importa — o modo como trata as pessoas.

Evolução não é escala de valor humano

Existe um erro comum (e perigoso) ao usar a palavra “evolução” no dia a dia: achar que evolução é uma espécie de “ranking”, como se algumas pessoas fossem “mais avançadas” do que outras. Para quem vive com deficiência, isso machuca porque a sociedade já costuma medir valor humano por produtividade, aparência, velocidade, força, “normalidade”.
A melhor lição, aqui, é simples: diferença não é inferioridade. A diversidade é parte natural da vida — e isso inclui diferentes corpos, sentidos, ritmos e formas de aprender e existir.

Quando o ambiente muda, o peso da limitação muda também

Uma perspectiva que dialoga muito com a vivência de PCDs é perceber que o contexto faz toda a diferença. Na prática, muitas barreiras não estão “na pessoa”, mas no mundo mal planejado.
Uma calçada sem piso tátil e sem sinalização acessível transforma deslocamento em risco. Um site sem acessibilidade digital transforma informação em exclusão. Um atendimento sem escuta e sem recursos adequados transforma um direito em humilhação.
Por isso, falar do Dia de Darwin, para nós, pode ser falar de uma “evolução” concreta e urgente: acessibilidade como adaptação inteligente do ambiente e inclusão como escolha ética de convivência.

Um alerta necessário: quando a ciência é distorcida

Também é importante reconhecer um ponto delicado: ao longo da história, ideias sobre evolução foram deturpadas para justificar preconceitos e políticas de exclusão (como o darwinismo social e projetos eugenistas). Isso mostra uma verdade dura: ciência sem ética pode ser usada para ferir.
O Dia de Darwin, então, também pode ser um chamado para defender a ciência com responsabilidade — e para combater qualquer tentativa de usar “biologia” como desculpa para desumanizar.

O que a ciência inspira de positivo para pessoas com deficiência

Ao mesmo tempo, a ciência é uma aliada poderosa da inclusão. Basta pensar em tecnologias assistivas, adaptações e recursos que ampliam autonomia: leitores de tela, próteses, bengalas, aplicativos de navegação, comunicação alternativa, acessibilidade arquitetônica e digital.
Tudo isso lembra que a humanidade não avança apenas por competição: avança por cooperação, criatividade e compromisso social.

Conclusão: a evolução que precisamos acelerar

Celebrar o Dia de Darwin, na perspectiva de uma pessoa com deficiência, não é celebrar “a lei do mais forte”. É celebrar a vida como ela é: plural, diversa, rica em diferenças.
E se existe uma evolução que precisamos acelerar, é a do nosso olhar e das nossas práticas: um mundo que caiba em mais pessoas, com mais dignidade, menos barreiras e mais respeito.


Fontes e links

  • International Darwin Day Foundation (Darwin Day – 12 de fevereiro).

  • “Darwin Day” (visão geral e data comemorativa).

  • Jardim Botânico do Rio de Janeiro: nota sobre o Dia de Darwin e programação.

  • Museu de Zoologia da USP: “Darwin Day Brasil”.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

Terapia gênica “agnóstica” avança em estudo para retinose pigmentar e acende esperança de preservar visão central

A SparingVision anunciou a conclusão da etapa de administração de dose do estudo clínico de Fase I/II chamado PRODYGY, que avalia a terapia gênica experimental SPVN06 para retinose pigmentar (RP) — um grupo de doenças hereditárias que, em geral, começa afetando a visão noturna e periférica e pode evoluir para perda importante da visão ao longo dos anos.

O que chama atenção nesse anúncio é o “jeito” diferente da proposta. Em muitas terapias gênicas tradicionais, o tratamento é desenhado para uma mutação específica. Já o SPVN06 segue uma estratégia agnóstica de genes: em vez de “corrigir” um gene defeituoso particular, busca proteger os fotorreceptores cones (células responsáveis pela visão central, acuidade visual e percepção de cores) para preservar o que ainda funciona, independentemente de qual mutação causou a doença.

Por que preservar cones é tão importante?

Na RP, frequentemente os bastonetes (mais ligados à visão noturna e periférica) são afetados primeiro; com o tempo, os cones também podem sofrer. Quando os cones caem, a pessoa perde justamente aquilo que mais sustenta a autonomia no cotidiano: ler, reconhecer rostos, perceber detalhes, diferenciar cores e manter a visão central útil. Por isso, uma terapia com foco neuroprotetor em cones pode ter impacto direto na qualidade de vida — desde que aplicada em fases em que ainda existam cones funcionais.

O que aconteceu no PRODYGY?

O PRODYGY recrutou 33 participantes. Desses, 27 receberam o SPVN06 (em doses diferentes) e 6 ficaram em um grupo controle não tratado. Segundo a empresa e organizações que acompanham o tema, todos os pacientes tratados continuam apresentando um perfil de segurança favorável até aqui. Os primeiros dados iniciais de eficácia (sinais de benefício) estão previstos para 2027.

É importante frisar: concluir a administração das doses não significa que o tratamento já “deu certo”. Significa que o estudo avançou para uma etapa em que o foco passa a ser acompanhar os participantes ao longo do tempo, reunindo evidências com mais maturidade.

Como essa terapia tenta proteger a visão?

De forma simplificada, o SPVN06 foi desenhado para promover a produção de fatores ligados à sobrevivência e resistência metabólica dos cones, buscando reduzir a progressão do dano. O raciocínio por trás é preservar a função natural dessas células pelo maior tempo possível, em vez de atacar uma única causa genética.

Inteligência artificial na análise: promessa e cautela

Outro ponto divulgado é o uso de ferramentas avançadas de aprendizado de máquina (IA) combinadas com estatística tradicional para analisar dados funcionais, anatômicos e de qualidade de vida. Isso pode ajudar a detectar sinais sutis em doenças complexas e heterogêneas como a RP — mas também exige rigor, transparência e validação para que os achados sejam realmente confiáveis e úteis para decisões clínicas.

O que isso muda para a comunidade de PCDs, especialmente pessoas com deficiência visual?

Para quem vive com RP, baixa visão ou cegueira, notícias como essa trazem um tipo específico de esperança: não a promessa de “cura imediata”, mas a possibilidade de ganhar tempo de visão funcional, preservando autonomia e reduzindo perdas futuras.

Ao mesmo tempo, esse avanço reforça algo que o Cantinho dos Amigos Especiais sempre defende: acessibilidade não pode esperar o futuro chegar. Mesmo com pesquisas promissoras, a realidade de hoje exige:

  • reabilitação visual e tecnologias assistivas disponíveis,

  • materiais acessíveis (inclusive digitais),

  • diagnóstico e acompanhamento especializados,

  • respeito aos direitos e às adaptações no estudo e no trabalho.

Em outras palavras: ciência é caminho — mas inclusão e acessibilidade são urgência diária.

Próximos passos

O cenário agora é de acompanhamento clínico e coleta de dados até os resultados previstos. Se a eficácia for confirmada, o planejamento divulgado aponta para um estudo pivotal (mais robusto, voltado a registro) a partir de 2027. Até lá, a recomendação para pacientes e famílias é manter acompanhamento com especialista em retina/hereditárias, buscar orientação genética quando indicada e acompanhar fontes confiáveis de atualização científica.


Fontes e referências

  • Fundação Fighting Blindness — notícia sobre conclusão da administração de doses no PRODYGY (SPVN06). (Foundation Fighting Blindness)

  • SparingVision — comunicado oficial sobre a conclusão do dosing do PRODYGY e expectativa de dados em 2027. (SparingVision)

  • ClinicalTrials.gov — registro do estudo PRODYGY (SPVN06) em distrofias de retina/rod-cone dystrophy. (ClinicalTrials)

  • Página técnica da SparingVision sobre o SPVN06 (terapia agnóstica e alvo de preservação de cones). (SparingVision)

  • Artigo científico sobre segurança pré-clínica e biodistribuição do SPVN06. (Nature)

  • Ophthalmology Times — cobertura jornalística sobre o avanço do PRODYGY e mecanismo (RdCVF/RdCVFL). (Ophthalmology Times)

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.