Em 27 de maio, é lembrado o Dia do Serviço de Saúde, data historicamente ligada ao Serviço de
Saúde do Exército Brasileiro e à memória de seu patrono, o médico e militar João Severiano da Fonseca, nascido em 27 de maio de 1836.
A partir dessa referência histórica, o Cantinho dos Amigos Especiais propõe uma reflexão mais ampla, sem qualquer recorte político ou ideológico: todo serviço de saúde — seja militar, público, privado, filantrópico ou comunitário — precisa estar preparado para acolher as pessoas com deficiência com acessibilidade, respeito, escuta e atendimento humanizado.
Falar em serviço de saúde é falar de muitas mãos que cuidam. Médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, dentistas, farmacêuticos, assistentes sociais, recepcionistas, equipes administrativas, profissionais da limpeza, transporte e apoio: todos fazem parte de uma rede essencial para a proteção da vida.
No entanto, para muitas pessoas com deficiência, buscar atendimento em saúde ainda pode ser uma experiência marcada por barreiras. Algumas são visíveis, como a falta de rampas, elevadores, banheiros acessíveis, macas adequadas, sinalização clara ou espaços de circulação seguros. Outras são menos visíveis, mas igualmente dolorosas: a pressa no atendimento, a linguagem difícil, a falta de paciência para explicar um procedimento, a ausência de Libras, a pouca atenção às necessidades de pessoas com deficiência visual, intelectual, física, auditiva, psicossocial ou múltipla.
Há também uma barreira muito comum: quando o profissional fala apenas com o acompanhante e esquece que o paciente está ali, presente, consciente, com sentimentos, vontades e direito de participar das decisões sobre sua própria saúde. A pessoa com deficiência não deve ser tratada como incapaz, invisível ou infantilizada. Ela é sujeito de direitos e merece ser ouvida diretamente, sempre que possível.
Atendimento humanizado começa em atitudes simples. Perguntar: “Como posso ajudar melhor?” Explicar o que será feito antes de tocar no paciente. Respeitar o tempo de resposta. Falar com clareza. Oferecer apoio sem impor ajuda. Garantir privacidade. Evitar julgamentos. Tratar cada pessoa pelo nome, com dignidade e respeito.
A acessibilidade em saúde também precisa ser compreendida de forma ampla. Para uma pessoa com deficiência visual, pode significar orientação segura no ambiente, descrição verbal dos procedimentos, letras ampliadas, bom contraste e documentos acessíveis. Para uma pessoa surda, pode envolver Libras, legendas, comunicação visual ou recursos que garantam entendimento. Para uma pessoa com mobilidade reduzida, pode significar rampas, cadeiras de rodas disponíveis, macas ajustáveis, portas largas e banheiros adaptados. Para pessoas autistas, com deficiência intelectual ou sofrimento psíquico, pode significar linguagem simples, ambiente mais calmo, previsibilidade e acolhimento sem preconceito.
É importante lembrar: acessibilidade não é favor. É condição para que o direito à saúde seja exercido com igualdade. Um atendimento verdadeiramente inclusivo não se limita a tratar a doença. Ele considera a pessoa inteira: seu corpo, sua história, suas limitações, sua autonomia, sua comunicação, sua família e sua dignidade.
Neste Dia do Serviço de Saúde, o convite é para reconhecer o valor de todos os profissionais que se dedicam ao cuidado e, ao mesmo tempo, refletir sobre os caminhos que ainda precisam ser melhorados. A técnica é indispensável, mas o acolhimento também cura. O conhecimento salva vidas, mas a empatia sustenta a confiança. O procedimento pode ser necessário, mas uma palavra respeitosa pode transformar a experiência de quem chega fragilizado.
Que cada serviço de saúde, em qualquer esfera, seja cada vez mais acessível, preparado e humano. Que a pessoa com deficiência seja recebida não como obstáculo, mas como cidadã. Não como exceção, mas como parte legítima da sociedade. Não como alguém a ser apenas atendido, mas como alguém a ser respeitado.
Cuidar da saúde é cuidar da vida. E cuidar da vida exige competência, sensibilidade, acessibilidade e amor ao próximo.


