terça-feira, 22 de setembro de 2026

23 de Setembro — Dia Internacional das Línguas de Sinais: a inclusão começa pela comunicação


Imagine viver em um mundo onde as pessoas ao seu redor não compreendessem a sua forma de se comunicar. Imagine precisar de atendimento médico, participar de uma aula, procurar emprego ou simplesmente conversar com alguém e encontrar barreiras que dificultassem sua comunicação.

Essa é uma realidade enfrentada por muitas pessoas surdas, não por falta de capacidade, mas pela ausência de acessibilidade e de reconhecimento das diferentes formas de comunicação.

No dia 23 de setembro, celebramos o Dia Internacional das Línguas de Sinais, uma data dedicada à valorização das línguas de sinais, ao reconhecimento da identidade linguística e cultural das comunidades surdas e à defesa do direito de todas as pessoas à comunicação.

Mais do que uma comemoração, é um convite para refletirmos sobre a importância de construir uma sociedade em que ninguém seja excluído por sua maneira de se expressar.

### 💙 Como surgiu essa data?

O Dia Internacional das Línguas de Sinais foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017 e celebrado pela primeira vez em 2018.

A escolha do dia 23 de setembro homenageia a fundação da Federação Mundial de Surdos (WFD), ocorrida em 1951, organização internacional dedicada à defesa dos direitos das pessoas surdas.

A data também reforça o compromisso com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que reconhece a importância das línguas de sinais e da acessibilidade à comunicação.

Segundo a Federação Mundial de Surdos, existem mais de 70 milhões de pessoas surdas no mundo, e a maioria vive em países em desenvolvimento.

### 🤟 Libras: muito mais do que gestos

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais, conhecida como Libras, é reconhecida pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, como meio legal de comunicação e expressão.

Mas você sabia que a Libras não é simplesmente uma versão gesticulada da Língua Portuguesa?

Ela possui estrutura gramatical própria, utilizando movimentos das mãos, expressões faciais, movimentos corporais e a organização do espaço para transmitir ideias, sentimentos e informações.

Por meio da Libras, pessoas surdas podem conversar, estudar, trabalhar, ensinar, contar histórias, compartilhar experiências e participar plenamente da vida em sociedade.

É importante compreender também que não existe uma língua de sinais universal. Cada comunidade pode desenvolver sua própria língua, com características linguísticas e culturais específicas.

A Libras, por exemplo, é diferente da Língua de Sinais Americana (ASL) e da Língua Gestual Portuguesa (LGP).

Reconhecer essa diversidade é também respeitar a riqueza cultural das comunidades surdas.

### 🌎 Acessibilidade é um direito, não um favor!

Apesar dos avanços conquistados ao longo dos anos, as pessoas surdas ainda enfrentam barreiras que dificultam o exercício pleno de seus direitos.

Em muitas situações, a ausência de intérpretes de Libras, de profissionais capacitados e de recursos acessíveis compromete o acesso à informação, à educação, à saúde e ao mercado de trabalho.

Imagine uma pessoa surda chegando a um hospital e não conseguindo explicar seus sintomas. Ou um estudante que precisa acompanhar uma aula sem ter acesso à comunicação em sua língua.

Essas situações demonstram que a inclusão não depende apenas da vontade individual. Ela exige medidas concretas que garantam a participação de todos.

Entre essas medidas, destacamos:

* Disponibilizar intérpretes de Libras em escolas, hospitais, serviços públicos e eventos, conforme as necessidades de acessibilidade.

* Ampliar o ensino de Libras e a formação de profissionais capacitados.

* Garantir recursos de acessibilidade em conteúdos audiovisuais, plataformas digitais e meios de comunicação.

* Respeitar a identidade linguística e cultural da comunidade surda.

* Combater o preconceito e reconhecer as pessoas surdas como protagonistas de suas próprias histórias.

É importante lembrar que nem todas as pessoas surdas utilizam Libras ou possuem as mesmas necessidades de comunicação. Algumas utilizam a língua oral, a leitura labial, a comunicação escrita ou outros recursos.

Por isso, a verdadeira acessibilidade começa quando respeitamos a forma de comunicação escolhida por cada pessoa.

### 💛 O que podemos fazer para construir uma sociedade mais inclusiva?

Não precisamos esperar por grandes transformações para começar a fazer a diferença.

Aprender alguns sinais de Libras, respeitar o tempo de comunicação de uma pessoa surda, oferecer informações por escrito quando necessário e buscar compreender suas necessidades são atitudes que contribuem para uma convivência mais inclusiva.

Também é fundamental reconhecer que a pessoa surda não deve ser vista como alguém incapaz de se comunicar. Muitas vezes, a dificuldade está na ausência de recursos acessíveis ou na falta de conhecimento da sociedade sobre sua língua.

Quando ampliamos nossas formas de comunicação, criamos oportunidades para que mais pessoas participem das conversas, das decisões e dos espaços sociais.

A inclusão acontece quando deixamos de esperar que todas as pessoas se adaptem a uma única maneira de viver e começamos a construir ambientes que acolham a diversidade humana.

### 💙 Setembro Azul: um mês de valorização da comunidade surda

O Dia Internacional das Línguas de Sinais integra as celebrações do Setembro Azul, período dedicado à visibilidade da comunidade surda, à valorização de sua cultura e à conscientização sobre seus direitos.

No Brasil, o mês também inclui o Dia Nacional dos Surdos, celebrado em 26 de setembro.

Essas datas representam oportunidades para ampliar o conhecimento sobre a cultura surda, fortalecer o reconhecimento da Libras e incentivar ações que promovam a acessibilidade e a igualdade de oportunidades.

Mais do que lembrar as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda, é importante reconhecer suas conquistas, sua história, sua identidade e sua contribuição para a sociedade.

### 🌻 Conclusão: comunicar é incluir!

Neste Dia Internacional das Línguas de Sinais, o Cantinho dos Amigos Especiais reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da acessibilidade e do respeito às pessoas com deficiência. Que esta data nos incentive a reconhecer a importância das línguas de sinais, a combater as barreiras de comunicação e a construir espaços onde todas as pessoas possam expressar suas ideias, compartilhar seus sentimentos e exercer seus direitos. Afinal, uma sociedade verdadeiramente inclusiva não exige que todos se comuniquem da mesma maneira: ela aprende a reconhecer, respeitar e acolher as diferentes formas de comunicação. Porque toda pessoa tem uma voz, mesmo quando ela não é expressa por palavras faladas! 💙🤟

Cantinho dos Amigos Especiais — Inclusão, respeito e acessibilidade: construindo juntos um mundo com mais possibilidades para todos!

22 de Setembro - Dia Nacional do Atleta Paralímpico

 

No dia 22 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Atleta Paralímpico. A data foi instituída pela Lei nº 12.622, de 8 de maio de 2012, e passou a integrar oficialmente o calendário nacional. A escolha do dia também recorda a fundação do Comitê Paralímpico Internacional, criado em 22 de setembro de 1989, na Alemanha.

A comemoração ocorre logo depois do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. Essa proximidade reforça uma mensagem importante: o esporte paralímpico faz parte de uma luta mais ampla por acessibilidade, respeito, participação social e igualdade de oportunidades.

A origem do esporte paralímpico no Brasil

O movimento paralímpico brasileiro começou a ganhar forma no final da década de 1950. Em 1958, foram criados o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Robson Sampaio de Almeida, e o Clube dos Paraplégicos de São Paulo, fundado por Sérgio Seraphin Del Grande. O basquete em cadeira de rodas teve papel fundamental nesse início.

O Brasil participou dos Jogos Paralímpicos pela primeira vez em 1972, em Heidelberg, na então Alemanha Ocidental. A primeira medalha brasileira veio quatro anos depois, nos Jogos de Toronto, em 1976: Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a prata no lawn bowls, esporte semelhante à bocha praticado na grama.

A partir daqueles primeiros passos, construídos muitas vezes com poucos recursos e quase nenhuma visibilidade, o país desenvolveu uma estrutura paralímpica cada vez mais forte.

Conquistas que merecem ser celebradas

O Brasil tornou-se uma das grandes potências mundiais do esporte paralímpico. Atletas brasileiros conquistaram medalhas e recordes em modalidades como atletismo, natação, judô, bocha, halterofilismo, canoagem, tênis de mesa, goalball e futebol de cegos, entre tantas outras.

Nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, o país alcançou a melhor campanha de sua história: foram 88 medalhas — 25 de ouro, 25 de prata e 38 de bronze. O resultado superou os 72 pódios conquistados tanto no Rio 2016 quanto em Tóquio 2020.

Mais do que os números, essas conquistas representam o talento, a disciplina e a dedicação de atletas, treinadores, atletas-guia, calheiros, profissionais de saúde, famílias e equipes técnicas. Representam também o trabalho de pessoas que, durante décadas, abriram caminhos para que as novas gerações pudessem encontrar melhores condições de treinamento e competição.

O que deve ser lembrado nesta data?

O Dia Nacional do Atleta Paralímpico não deve transformar o atleta em “herói” apenas por possuir uma deficiência. O atleta paralímpico é, antes de tudo, um profissional do esporte. Ele treina, compete, enfrenta cobranças, busca resultados e precisa ter seus direitos, sua carreira e sua competência reconhecidos.

A data também deve servir para combater o capacitismo. A deficiência não elimina o talento, a autonomia nem a capacidade de alcançar um desempenho esportivo de alto nível. Entretanto, também não devemos usar as conquistas dos atletas para afirmar que todas as pessoas com deficiência precisam “superar limites” ou realizar feitos extraordinários para serem respeitadas.

Toda pessoa com deficiência merece dignidade, acessibilidade e oportunidades, pratique ou não algum esporte.

Também é importante lembrar que o esporte não começa no pódio. Ele começa na escola, nos projetos comunitários, nos clubes, nas associações e nos espaços públicos acessíveis. Antes de representar o país, muitos atletas precisam descobrir que determinada modalidade existe e encontrar um local no qual possam praticá-la.

O que ainda falta conquistar?

Apesar dos avanços, o acesso ao esporte paralímpico ainda é desigual. Muitas crianças, adolescentes e adultos com deficiência não encontram atividades esportivas adaptadas perto de casa. Em diversas cidades faltam espaços acessíveis, equipamentos adequados, transporte, profissionais capacitados e programas permanentes de iniciação esportiva.

Também é necessário ampliar:

  • o esporte paralímpico dentro das escolas;

  • os projetos gratuitos de iniciação esportiva;

  • o acesso de pessoas com diferentes tipos de deficiência;

  • a participação de mulheres com deficiência;

  • a formação e a valorização dos profissionais;

  • o patrocínio para atletas e equipes;

  • a divulgação das competições durante todo o ano;

  • a acessibilidade nos locais de treinamento e nos eventos;

  • as oportunidades fora dos grandes centros urbanos;

  • o apoio aos atletas durante e depois da carreira esportiva.

A cobertura da imprensa também precisa ir além dos Jogos Paralímpicos. Os atletas continuam treinando, competindo e conquistando resultados entre uma edição e outra. A visibilidade permanente ajuda a formar público, atrair investimentos e apresentar o esporte paralímpico às novas gerações.

Conclusão

Celebrar o Dia Nacional do Atleta Paralímpico é reconhecer uma história construída com talento, trabalho e resistência. É comemorar medalhas e recordes, mas também lembrar os pioneiros e todas as pessoas que ainda procuram uma oportunidade para começar. O Brasil já conquistou um lugar de destaque no esporte paralímpico mundial; agora, precisa transformar esse sucesso em acesso permanente, da iniciação esportiva ao alto rendimento. Quando existem acessibilidade, investimento e oportunidades, o esporte não apenas revela campeões: ele ajuda a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa para todos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Setembro Azul: um mês para enxergar a inclusão com outros olhos

Setembro também é azul. E essa cor carrega uma história muito importante para a comunidade surda.

O Setembro Azul é um mês dedicado à valorização das pessoas surdas, da Libras, da acessibilidade comunicacional e da luta por respeito, inclusão e direitos.

Muita gente ainda pensa na surdez apenas como “não ouvir”. Mas a comunidade surda nos ensina que existe também uma cultura, uma identidade, uma língua e uma forma própria de perceber e participar do mundo.

No Brasil, a Libras — Língua Brasileira de Sinais é reconhecida por lei e deve ser respeitada como língua. Por isso, inclusão não é favor: é direito.

Acessibilidade para pessoas surdas pode estar em atitudes simples e necessárias, como:

  • presença de intérprete de Libras em eventos, atendimentos e conteúdos importantes;
  • legendas em vídeos;
  • comunicação clara e respeitosa;
  • escolas preparadas para acolher alunos surdos;
  • serviços públicos e privados acessíveis;
  • respeito à identidade e à cultura surda.

O Setembro Azul nos convida a refletir: estamos realmente abrindo espaço para que todos possam se comunicar, aprender, trabalhar, participar e conviver?

Porque inclusão verdadeira acontece quando a sociedade entende que comunicação é ponte. E ninguém deve ficar do lado de fora por falta de acessibilidade.

Que este mês nos ajude a ouvir mais com o coração, com os olhos e com atitudes concretas.

Setembro Azul: pela valorização da comunidade surda, da Libras e de uma sociedade mais acessível para todos.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Los Perejiles: amigos com síndrome de Down transformam pizzas em oportunidades de trabalho

Quatro amigos com síndrome de Down enfrentavam dificuldades para ingressar no mercado de trabalhoe decidiram criar a própria oportunidade. Em 2016, fundaram o Los Perejiles, em Buenos Aires, um serviço de preparação e atendimento de pizzas para festas e eventos.

O empreendimento cresceu e passou a oferecer oportunidades profissionais a outros jovens com síndrome de Down. Reportagens publicadas em diferentes períodos registraram equipes com mais de 20 integrantes, demonstrando como a inclusão, acompanhada dos apoios necessários, pode gerar trabalho, autonomia e participação social.

Mais do que construir um negócio, eles ajudaram a abrir caminhos para outras pessoas com deficiência intelectual que também encontravam barreiras para ingressar no mercado de trabalho.

Fonte: Instagram.


Imagem produzida com inteligência artificial.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cerol: uma brincadeira que pode virar tragédia — e o risco é ainda maior para pessoas com deficiência


Soltar pipa é uma brincadeira tradicional, presente na infância de muitas gerações. Em espaços adequados, longe da rede elétrica, de ruas e de áreas movimentadas, pode ser uma atividade divertida. O problema começa quando se utiliza cerol ou qualquer outro material cortante na linha.

O cerol, tradicionalmente produzido com uma mistura que contém vidro moído, transforma uma simples linha de pipa em um objeto capaz de provocar cortes profundos. Existem ainda linhas com outros materiais abrasivos ou cortantes, igualmente perigosas. Para quem está na rua, muitas vezes a linha é praticamente invisível — e basta um encontro inesperado para que uma brincadeira termine em emergência.

O perigo não é apenas para motociclistas

Quando se fala em acidentes com cerol, é comum lembrarmos imediatamente de motociclistas e ciclistas. Eles realmente estão entre as pessoas mais expostas, principalmente porque podem atingir a linha em velocidade e sofrer ferimentos graves no pescoço e no rosto.

Mas o perigo não se limita a quem está sobre duas rodas.

Pedestres, crianças, idosos, trabalhadores nas ruas e qualquer pessoa que circule por um local onde haja linhas cortantes podem ser atingidos. Uma linha pode permanecer presa entre árvores, postes, muros ou outros pontos mesmo depois que a pipa já desapareceu.

E existe um aspecto que merece atenção especial: o risco para as pessoas com deficiência.

Para quem tem deficiência visual, o perigo pode ser ainda mais difícil de perceber

Imagine uma linha fina atravessando uma calçada. Mesmo uma pessoa com boa visão pode não percebê-la a tempo.

Para uma pessoa cega ou com baixa visão, essa barreira pode ser ainda mais difícil — ou impossível — de identificar antecipadamente.

A bengala pode auxiliar na identificação de muitos obstáculos no caminho, principalmente aqueles localizados próximos ao chão. Uma linha esticada na altura do rosto ou do pescoço, entretanto, pode não ser detectada antes do contato com o corpo.

Isso significa que algo quase invisível para muitos pode se transformar em uma armadilha extremamente perigosa para quem depende de recursos de orientação e mobilidade.

Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida também ficam mais vulneráveis

Nem todo mundo consegue parar, desviar ou mudar rapidamente de direção diante de um perigo inesperado.

Uma pessoa que utiliza cadeira de rodas, muletas, andador ou outro recurso de mobilidade pode ter menos possibilidade de realizar uma manobra brusca ao perceber uma linha em seu caminho. Pessoas com alterações de equilíbrio, coordenação ou movimentos também podem precisar de mais tempo para reagir.

Além do ferimento causado diretamente pela linha, uma tentativa repentina de desvio pode provocar uma queda ou outro acidente.

Por isso, não podemos analisar o perigo apenas pensando: “É só sair da frente.”

Para algumas pessoas, simplesmente sair da frente não é uma opção rápida ou segura.

E quando a pessoa não compreende imediatamente o risco?

Há ainda pessoas com deficiência intelectual que podem ter dificuldade para reconhecer rapidamente aquela situação como perigosa, compreender um alerta dado às pressas ou tomar a decisão necessária para se proteger.

Isso não significa que todas as pessoas com deficiência intelectual reajam da mesma maneira. Cada pessoa possui capacidades e necessidades diferentes.

O importante é compreender que uma situação criada irresponsavelmente por alguém pode exigir uma reação imediata que nem todas as pessoas terão condições de realizar no mesmo tempo.

Uma questão de acessibilidade que começa antes da rampa

Quando falamos em acessibilidade, frequentemente pensamos em rampas, elevadores, pisos táteis, sinalização e transporte adaptado. Tudo isso é fundamental.

Mas acessibilidade também significa poder circular pelo espaço público com segurança.

Uma calçada acessível deixa de ser verdadeiramente segura se existir sobre ela uma linha cortante praticamente invisível. Uma rota conhecida por uma pessoa com deficiência visual pode se transformar, de repente, em um percurso perigoso. Um espaço pelo qual alguém com mobilidade reduzida circula normalmente pode apresentar um obstáculo que exige uma reação que essa pessoa não consegue executar rapidamente.

Por isso, combater o uso do cerol também é defender o direito de ir e vir com segurança.

“Mas eu tomo cuidado…”

Esse é um argumento que precisa ser repensado.

Quem utiliza uma linha cortante não controla completamente onde ela estará segundos depois. A linha pode romper, a pipa pode cair, o vento pode mudar sua direção e o material pode ficar preso em algum ponto.

O perigo, portanto, pode continuar existindo mesmo depois que quem estava soltando a pipa foi embora.

E a próxima pessoa a passar por ali pode ser uma criança, um motociclista, uma pessoa idosa, uma pessoa com baixa visão, alguém com dificuldade de locomoção — ou simplesmente qualquer um de nós.

A diversão termina onde começa o risco para o outro

Não precisamos transformar a pipa em vilã. O problema não é a pipa. É transformar sua linha em instrumento cortante.

É possível preservar uma brincadeira tradicional sem colocar outras pessoas em perigo. Crianças e adolescentes também precisam receber essa orientação de pais, responsáveis, educadores e da própria comunidade.

Ensinar que determinada prática pode machucar alguém não significa acabar com a diversão. Significa ensinar responsabilidade.

Para quem trabalha pela inclusão das pessoas com deficiência, há ainda uma lição importante: uma sociedade inclusiva não é somente aquela que adapta seus espaços depois que identifica barreiras. É também aquela que evita criar novos perigos e obstáculos.

Uma linha com cerol pode parecer pequena.

O dano que ela causa, não.

Solte pipa com responsabilidade. Não use cerol nem outros materiais cortantes. A vida e a segurança de quem está do outro lado da linha valem muito mais do que ganhar uma disputa de pipas.

Para refletir

Antes de fazer algo em um espaço compartilhado, vale uma pergunta simples:

“Uma pessoa que não enxerga como eu, não se movimenta como eu ou não consegue reagir tão rapidamente quanto eu estaria segura aqui?”

Pensar dessa forma é um exercício de inclusão.

Porque acessibilidade também é cuidar para que todos possam voltar para casa em segurança.