Retinose Pigmentar (RP)
A Retinose Pigmentar é um conjunto de doenças hereditárias que afetam a retina, sobretudo as células responsáveis por enxergar em ambientes escuros e pela visão periférica. Um sinal clássico é a dificuldade de enxergar à noite (cegueira noturna), seguida de redução do campo visual (“visão em túnel”). Com o tempo, algumas pessoas podem ter queda da visão central. A progressão varia muito: há casos mais lentos e outros mais agressivos, e os sintomas podem começar na infância, adolescência ou idade adulta.
Doença de Stargardt
A Doença de Stargardt é uma distrofia hereditária que atinge principalmente a mácula, região central da retina responsável por detalhes finos, leitura e reconhecimento de rostos. Em geral, a pessoa percebe embaçamento na visão central, dificuldade para ler, sensibilidade à luz e piora na percepção de detalhes, enquanto a visão periférica costuma ficar mais preservada por um bom tempo. É comum que os primeiros sinais apareçam na infância ou adolescência, mas também pode surgir mais tarde, dependendo da forma genética.
Amaurose Congênita de Leber (ACL)
A Amaurose Congênita de Leber é uma condição rara, geralmente genética, que provoca perda visual importante desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Em muitos casos, o bebê apresenta pouca resposta a estímulos visuais, dificuldade de fixar o olhar e movimentos involuntários dos olhos (nistagmo). Existem diferentes subtipos, com graus variados de comprometimento. Por isso, o acompanhamento com especialistas, exames específicos e, quando disponível, aconselhamento genético, são essenciais para orientar a família e planejar intervenções e recursos de reabilitação visual.
Acromatopsia
A Acromatopsia é uma doença rara que afeta os cones (células da retina responsáveis por cores e visão em ambientes claros). A pessoa pode enxergar poucas ou nenhuma cor, ter fotofobia intensa (muita sensibilidade à luz), baixa acuidade visual e nistagmo desde cedo. Um ponto importante: não é “apenas daltonismo”. Na acromatopsia, a dificuldade costuma ser mais ampla, e ambientes claros podem ser extremamente desconfortáveis. Óculos com filtros, adaptações de iluminação e recursos de acessibilidade fazem grande diferença no dia a dia.
Conclusão: dá para prevenir?
Como essas quatro condições são, em grande parte, genéticas, nem sempre existe prevenção no sentido clássico (como “evitar pegar” uma doença). Ainda assim, existem formas de prevenção do agravamento e de redução de impactos, que são fundamentais:
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Diagnóstico precoce: ao notar sinais como dificuldade de enxergar à noite, perda de visão central, fotofobia intensa, nistagmo ou regressão visual, procure avaliação com oftalmologista, de preferência com especialista em retina/baixa visão.
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Aconselhamento genético: para famílias com histórico, pode orientar riscos, planejamento familiar e caminhos de acompanhamento.
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Proteção ocular e hábitos saudáveis: uso de óculos com filtro UV, controle de comorbidades (como diabetes e hipertensão), sono adequado e alimentação equilibrada ajudam a preservar a saúde ocular como um todo — mesmo quando a origem é genética.
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Reabilitação e acessibilidade: recursos de baixa visão, tecnologia assistiva, adaptações escolares e no trabalho previnem perdas funcionais, favorecendo autonomia e qualidade de vida.
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Acompanhamento contínuo: cada condição tem evolução própria; manter o seguimento médico ajuda a identificar complicações e a aproveitar novas possibilidades terapêuticas conforme surgirem.
Informação também é inclusão. Quando a sociedade entende melhor essas condições, fica mais fácil acolher, adaptar ambientes e respeitar o tempo e as necessidades de cada pessoa.


