segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lei Brasileira de Inclusão completa 11 anos: cinco avanços que transformaram direitos em cidadania

No dia 6 de julho de 2026, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência completa 11 anos de sua sanção. Também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Lei nº 13.146/2015 tornou-se um dos mais importantes marcos legais brasileiros na defesa da igualdade, da autonomia e da participação social das pessoas com deficiência.

A lei reuniu, fortaleceu e ampliou direitos relacionados à educação, ao trabalho, à acessibilidade, à saúde, à moradia, ao transporte, à cultura, ao lazer e ao acesso à Justiça. Mais do que conceder benefícios, a LBI ajudou a consolidar uma mudança de perspectiva: a deficiência não deve ser entendida apenas como uma condição individual, mas como o resultado da interação entre a pessoa e as barreiras existentes na sociedade.

A seguir, destacamos cinco avanços importantes, comparando a situação anterior com as garantias fortalecidas pela nova legislação.

1. Educação inclusiva sem cobrança adicional

Antes: Muitas famílias encontravam resistência para matricular crianças e adolescentes com deficiência em escolas regulares. Algumas instituições particulares recusavam matrículas ou cobravam valores extras para oferecer apoio, acessibilidade ou acompanhamento adequado.

Depois da LBI: As escolas públicas e privadas passaram a ter o dever de assegurar um sistema educacional inclusivo, oferecendo os recursos de acessibilidade e os apoios necessários. A cobrança de taxas adicionais pelas escolas particulares em razão da deficiência do estudante foi expressamente proibida.

Esse avanço reforçou que a inclusão escolar não é favor, gentileza ou serviço opcional: é um direito do estudante e uma obrigação da instituição de ensino.

2. Reconhecimento da autonomia e da capacidade civil

Antes: Pessoas com deficiência, especialmente intelectual ou psicossocial, eram frequentemente tratadas como incapazes de tomar decisões sobre a própria vida. Em muitos casos, a interdição retirava de forma ampla o direito de escolher, administrar bens, casar, formar família ou participar de decisões pessoais.

Depois da LBI: A deficiência deixou de ser motivo automático para a perda da capacidade civil. A pessoa com deficiência passou a ter reconhecido o direito de exercer sua autonomia, fazer escolhas, casar-se, constituir união estável, exercer direitos reprodutivos e decidir sobre sua própria vida.

A curatela tornou-se uma medida extraordinária, proporcional às necessidades de cada pessoa e, em regra, limitada aos atos de natureza patrimonial e negocial.

3. Acessibilidade física, comunicacional e digital

Antes: A acessibilidade era muitas vezes associada apenas à construção de rampas. Barreiras na comunicação, na tecnologia, nos sites, nos transportes, nas edificações e nos serviços permaneciam pouco reconhecidas ou enfrentadas de maneira insuficiente.

Depois da LBI: O conceito de acessibilidade foi ampliado. A legislação passou a abranger espaços públicos e privados de uso coletivo, transportes, mobiliário urbano, comunicação, informação, tecnologias e serviços digitais.

Sites mantidos por empresas e órgãos públicos devem oferecer recursos de acessibilidade, enquanto edificações de uso coletivo precisam observar normas que permitam utilização com segurança, autonomia e igualdade. A lei também reconheceu as barreiras arquitetônicas, urbanísticas, comunicacionais, tecnológicas e atitudinais.

4. Maior proteção no acesso ao trabalho

Antes: A pessoa com deficiência enfrentava processos seletivos excludentes, ambientes sem acessibilidade, ausência de adaptações e avaliações baseadas mais na deficiência do que em suas competências profissionais.

Depois da LBI: O trabalho passou a ser reafirmado como um direito, em ambiente acessível e inclusivo, com igualdade de oportunidades. A legislação fortaleceu o dever de oferecer adaptações razoáveis, recursos de tecnologia assistiva e condições que permitam à pessoa exercer suas funções com autonomia.

Também ficou mais claro que discriminar uma pessoa em razão da deficiência durante a contratação, a permanência no emprego ou a progressão profissional constitui violação de direitos.

5. Discriminação contra a pessoa com deficiência passou a ter punição específica

Antes: Situações de exclusão, humilhação, recusa de atendimento e tratamento desigual nem sempre encontravam uma resposta legal clara e específica. Muitas vítimas não sabiam a quem recorrer ou encontravam dificuldades para demonstrar a gravidade da discriminação sofrida.

Depois da LBI: Praticar, induzir ou incitar discriminação contra uma pessoa em razão de sua deficiência passou a ser crime. A lei também estabeleceu proteção contra negligência, violência, exploração e tratamento desumano ou degradante.

Com isso, atitudes preconceituosas deixaram de ser tratadas apenas como falta de educação ou insensibilidade e passaram a ser reconhecidas como possíveis violações legais.

Uma conquista que precisa continuar avançando

A Lei Brasileira de Inclusão não eliminou todas as barreiras. Muitas pessoas com deficiência ainda enfrentam calçadas inacessíveis, escolas despreparadas, falta de profissionais de apoio, dificuldades para conseguir emprego, ausência de recursos de comunicação acessível, preconceito e desrespeito à sua autonomia.

A existência da lei, por si só, não garante que todos os direitos sejam respeitados. É necessário investir em fiscalização, políticas públicas, informação, formação profissional e mudança de atitudes.

Ainda há muito a ser conquistado. Entretanto, também é preciso reconhecer a importância do caminho já percorrido. A LBI deu maior visibilidade às pessoas com deficiência, fortaleceu instrumentos de proteção e deixou claro que inclusão, acessibilidade e igualdade não são concessões: são direitos.

Celebrar esses 11 anos é valorizar as conquistas alcançadas e, ao mesmo tempo, renovar o compromisso de construir uma sociedade em que nenhuma pessoa seja impedida de estudar, trabalhar, circular, comunicar-se, escolher e viver plenamente por causa das barreiras impostas pelo ambiente ou pelo preconceito.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sábado, 4 de julho de 2026

“É epilepsia… O que eu faço agora?”

Orientações para pais que acabaram de receber o diagnóstico do filho

Ouvir que um filho tem epilepsia pode provocar medo, insegurança e uma enxurrada de perguntas: “Ele terá outra crise?”, “Vai conseguir estudar?”, “Poderá brincar e praticar esportes?”, “Como vou protegê-lo quando não estiver por perto?”.

Respire. Você não precisa compreender tudo de uma vez.

O diagnóstico exige atenção e algumas adaptações, mas não apaga os sonhos, as capacidades nem a personalidade de seu filho. Com acompanhamento adequado, muitas crianças e adolescentes com epilepsia estudam, brincam, praticam atividades e levam uma vida ativa. A Organização Mundial da Saúde estima que até 70% das pessoas com epilepsia poderiam ficar livres das crises quando recebem diagnóstico correto e tratamento apropriado.

Primeiro: entenda o que foi diagnosticado

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada pela predisposição a crises epilépticas recorrentes. Essas crises acontecem devido a alterações temporárias na atividade elétrica do cérebro.

Nem toda crise provoca queda, rigidez e movimentos fortes no corpo. Algumas podem aparecer como:

  • olhar parado por alguns segundos;
  • interrupção repentina da fala ou da atividade;
  • piscamentos repetidos;
  • movimentos automáticos das mãos ou da boca;
  • confusão passageira;
  • sensações estranhas, medo súbito ou alterações na percepção;
  • perda de consciência com ou sem movimentos convulsivos.

Por isso, conhecer o tipo de crise apresentado pela criança é fundamental. As manifestações, as causas, o tratamento e o prognóstico podem ser diferentes em cada caso.

Na próxima consulta, peça ao médico que explique, em linguagem clara:

  • qual é o tipo de crise da criança;
  • se foi identificada alguma síndrome epiléptica;
  • quais exames foram realizados ou ainda serão necessários;
  • como o medicamento deve ser administrado;
  • quais efeitos adversos precisam ser observados;
  • o que fazer caso uma dose seja esquecida;
  • se a criança necessita de medicação de resgate;
  • em quais situações vocês devem procurar atendimento de emergência.

Anote as respostas. Em momentos de ansiedade, é comum esquecer parte das orientações recebidas.

Não suspenda nem altere o medicamento por conta própria

Os medicamentos anticrise são escolhidos de acordo com o tipo de crise, a idade da criança, suas condições de saúde e outros fatores individuais. Eles devem ser oferecidos nos horários e nas doses prescritas.

Não diminua, aumente, troque ou suspenda a medicação sem falar com o médico. A interrupção repentina e o esquecimento de doses podem favorecer o aparecimento de novas crises. Também informe ao neurologista sobre qualquer outro remédio, vitamina ou produto que a criança utilize.

Caso apareçam sonolência excessiva, alterações importantes de comportamento, alergias, vômitos persistentes ou qualquer reação preocupante, procure orientação médica. Não espere a próxima consulta para relatar um efeito grave.

Crie um diário das crises

Registrar os episódios ajuda a equipe médica a avaliar a resposta ao tratamento.

Anote:

  • data e horário;
  • quanto tempo a crise durou;
  • o que a criança estava fazendo antes;
  • como o episódio começou;
  • quais partes do corpo se movimentaram;
  • se houve perda ou alteração da consciência;
  • como a criança ficou depois;
  • se havia febre, doença, pouco sono ou alguma dose esquecida.

Quando for seguro e houver outra pessoa cuidando da criança, uma gravação curta do episódio pode ajudar o médico a compreender o que aconteceu. Nunca deixe de proteger seu filho para pegar o celular.

Um histórico detalhado e o relato de quem presenciou a crise são importantes para a avaliação médica.

O que fazer durante uma crise convulsiva

Mantenha a calma e observe o horário em que a crise começou.

  1. Afaste móveis, objetos pontiagudos e qualquer coisa que possa machucar a criança.
  2. Coloque algo macio sob sua cabeça, como uma roupa dobrada.
  3. Retire os óculos e afrouxe peças apertadas ao redor do pescoço.
  4. Quando possível, vire-a delicadamente de lado, sem usar força.
  5. Permaneça perto até que ela recupere a consciência e consiga se orientar.
  6. Fale com tranquilidade. Depois da crise, a criança pode ficar sonolenta, confusa, assustada ou com dor de cabeça.

Nunca faça isto:

  • não segure os braços ou as pernas;
  • não tente impedir os movimentos;
  • não coloque dedos, colher, pano ou qualquer objeto na boca;
  • não tente puxar a língua;
  • não ofereça água, comida ou comprimidos enquanto a criança não estiver plenamente consciente;
  • não dê doses extras de medicamento sem orientação médica;
  • não realize manobras improvisadas.

A pessoa não “engole a língua”. Colocar objetos na boca pode provocar ferimentos, quebrar dentes e dificultar a respiração.

Quando chamar o SAMU — 192

Acione o serviço de emergência quando:

  • a crise durar mais de cinco minutos;
  • outra crise começar logo depois, sem que a criança recupere a consciência;
  • houver dificuldade para respirar ou para despertar após o episódio;
  • a criança se ferir;
  • a crise acontecer dentro da água;
  • o episódio for muito diferente das crises habituais;
  • o plano de emergência fornecido pelo médico determinar o acionamento.

O médico pode estabelecer orientações específicas para seu filho. Quando existir um plano individual, ele deve ser seguido.

Se houver medicação de resgate prescrita, somente pessoas orientadas pela equipe de saúde devem administrá-la, exatamente na dose e na situação indicadas. Esse medicamento não substitui o tratamento diário.

Faça pequenas adaptações de segurança

O objetivo não é impedir a criança de viver, mas reduzir riscos enquanto ela desenvolve autonomia.

Banho e água

O banho de chuveiro geralmente é mais seguro que o de banheira. Crianças pequenas devem permanecer sob supervisão direta. Para crianças maiores, avalie com o médico o grau de vigilância necessário e mantenha a porta do banheiro destrancada.

Na piscina, no mar, em rios ou lagos, nunca deixe a criança sozinha. Deve haver um adulto informado sobre a epilepsia e preparado para agir imediatamente. Mesmo crianças que sabem nadar precisam de supervisão próxima.

Altura, fogo e trânsito

Converse com o neurologista sobre cuidados em escadas, beliches, bicicletas, brinquedos altos, cozinha e outras situações que possam causar ferimentos caso ocorra uma crise. As adaptações dependem do tipo e da frequência dos episódios.

Não estabeleça proibições generalizadas apenas por medo. Atividades físicas e brincadeiras são importantes para a saúde, a socialização e a autoestima. Os riscos devem ser avaliados individualmente com a equipe médica.

Sono e rotina também fazem parte do cuidado

O sono insuficiente pode facilitar crises em algumas pessoas. Procure manter horários regulares para dormir, tomar os medicamentos e realizar as refeições. Doenças, febre, vômitos e desidratação também devem ser comunicados ao profissional de saúde quando puderem interferir na medicação ou no controle das crises.

Não transforme cada atividade familiar numa busca ansiosa por possíveis “gatilhos”. Observe o padrão da própria criança e converse com o médico antes de impor restrições.

A escola precisa ser parceira

A epilepsia não deve ser escondida das pessoas responsáveis pela segurança da criança durante o período escolar.

Entregue à escola um plano escrito contendo:

  • os tipos de crise apresentados;
  • como costumam começar;
  • a duração habitual;
  • o que os profissionais devem fazer;
  • quando chamar o SAMU;
  • telefones dos responsáveis;
  • medicamentos utilizados;
  • orientações sobre eventual medicação de resgate;
  • restrições realmente indicadas pelo médico.

Professores, auxiliares, profissionais de educação física e demais responsáveis devem conhecer os primeiros socorros. A escola também precisa combater brincadeiras ofensivas, exclusão e preconceito. O estudante com epilepsia deve receber apoio, não ser afastado automaticamente das atividades.

Converse com seu filho

A criança percebe o medo dos adultos, mesmo quando ninguém fala sobre o assunto.

Explique o diagnóstico de maneira compatível com sua idade. Ela precisa saber que:

  • não fez nada errado;
  • a epilepsia não é motivo de vergonha;
  • não é uma condição contagiosa;
  • o medicamento ajuda a proteger sua saúde;
  • ela pode contar a um adulto quando sentir algo diferente;
  • continua sendo a mesma pessoa de antes do diagnóstico.

Evite conversar apenas em voz baixa ou tratar a epilepsia como um segredo familiar. Preservar a privacidade é diferente de ensinar vergonha.

Também não faça da criança uma “doente em tempo integral”. Ela continua precisando brincar, aprender, fazer amigos, assumir pequenas responsabilidades e participar das decisões que dizem respeito à própria vida.

Cuide de quem está cuidando

Pais e responsáveis também podem sentir medo de dormir, deixar a criança ir à escola ou afastar-se por alguns minutos. Esses sentimentos são compreensíveis, principalmente nas primeiras semanas.

Procure informações confiáveis, divida as responsabilidades com outros adultos e ensine familiares próximos a agir durante uma crise. Caso a ansiedade esteja impedindo a família de dormir, trabalhar ou realizar atividades cotidianas, converse com a equipe de saúde e procure apoio psicológico.

Proteger não significa vigiar cada movimento. O cuidado deve crescer junto com a autonomia da criança.

Um diagnóstico não encerra o futuro

Talvez você ainda não tenha todas as respostas. O tratamento pode exigir consultas, exames e ajustes até que a melhor estratégia seja encontrada.

Caminhe uma etapa de cada vez.

Aprenda a reconhecer as crises. Organize os medicamentos. Prepare um plano de emergência. Oriente a escola. Escute seu filho. E, acima de tudo, não permita que o medo ocupe o lugar de todas as possibilidades.

Seu filho tem epilepsia, mas ele não se resume ao diagnóstico.


Atenção: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico, prescrição ou orientação individual fornecida por pediatra, neurologista ou neuropediatra.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

Mar Galcerán faz história como primeira deputada espanhola com síndrome de Down

A participação das pessoas com deficiência nos espaços de decisão política ganhou um marco histórico na Espanha. Mar Galcerán tornou-se a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar uma cadeira em um parlamento regional espanhol e é apontada como possivelmente a primeira em toda a Europa a alcançar uma função parlamentar desse nível.

Embora a história tenha voltado a circular recentemente nas redes sociais, Mar assumiu oficialmente o mandato nas Cortes Valencianas — o Parlamento da Comunidade Valenciana — em 14 de setembro de 2023. Atualmente, ela representa a província de Valência pelo Partido Popular.

Uma longa trajetória profissional e política

A chegada de Mar Galcerán ao Parlamento não aconteceu de maneira repentina.

Nascida em Valência, em 1977, ela possui formação como técnica auxiliar do lar e técnica auxiliar de educação infantil. Trabalhou no serviço público espanhol durante mais de duas décadas, passando por áreas relacionadas à Presidência do governo valenciano, ao bem-estar social, às políticas inclusivas e à saúde pública.

Mar também participou da Asindown, organização que atua no apoio às pessoas com síndrome de Down e suas famílias na Comunidade Valenciana. Seu envolvimento político começou aos 18 anos, quando ingressou nas atividades juvenis do Partido Popular.

Nas eleições regionais de maio de 2023, ela ocupou a 20ª posição na lista de candidatos do partido pela província de Valência. Inicialmente, a legenda conquistou 19 vagas. Alguns meses depois, com a saída de um parlamentar para assumir outro cargo público, Mar foi chamada para ocupar o lugar disponível.

Por isso, embora algumas publicações afirmem simplesmente que ela foi “eleita”, a descrição mais precisa é que Mar participou da eleição pela lista partidária e assumiu o mandato quando surgiu a vaga correspondente.

Representatividade onde as decisões são tomadas

A presença de uma pessoa com síndrome de Down em um Parlamento possui um significado que vai além de uma conquista individual.

Durante muito tempo, pessoas com deficiência intelectual foram mantidas afastadas dos espaços de liderança, da vida profissional e das decisões políticas. Muitas ainda enfrentam a ideia preconceituosa de que não seriam capazes de compreender questões importantes, manifestar opiniões ou representar a sociedade.

Mar Galcerán ajuda a enfrentar essa visão ao exercer uma função pública de responsabilidade. Nas Cortes Valencianas, ela integra a Comissão de Regulamento e a comissão permanente dedicada às políticas integrais para pessoas com deficiência.

Sua presença também reforça uma mensagem essencial: as políticas destinadas às pessoas com deficiência não devem ser elaboradas apenas para elas, mas também com a participação delas.

Inclusão política significa garantir acessibilidade, formação, apoio adequado e oportunidades reais para que diferentes pessoas possam apresentar propostas, fiscalizar governos, votar e também ser votadas.

“Olhem para a pessoa, não apenas para a deficiência”

Ao comentar sua chegada ao Parlamento, Mar destacou que deseja ser reconhecida por sua atuação e não somente por sua condição. Ela defende que a sociedade enxergue primeiro a pessoa, suas capacidades, sua experiência e aquilo que pode oferecer.

A deputada também reconhece que ainda existe um longo caminho para superar os preconceitos. Sua trajetória não significa que todas as barreiras tenham desaparecido. Pessoas com síndrome de Down continuam enfrentando dificuldades no acesso à educação inclusiva, ao emprego, à autonomia, à participação social e à própria tomada de decisões sobre suas vidas.

O mandato de Mar não deve ser visto apenas como uma história de “superação”. Ele representa o exercício de um direito: o direito das pessoas com deficiência de participar da vida pública em igualdade de condições.

Outras pioneiras abriram caminhos

Mar Galcerán não foi a primeira espanhola com síndrome de Down a ocupar uma função política.

Em 2013, Ángela Bachiller tornou-se a primeira pessoa com síndrome de Down a assumir o cargo de vereadora na Espanha, na cidade de Valladolid. Na França, Éléonore Laloux também foi eleita para um conselho municipal, em 2020. Essas experiências demonstram que a participação política das pessoas com deficiência intelectual está avançando, embora ainda aconteça de maneira muito lenta e pouco frequente.

No caso de Mar, a novidade está no nível do cargo: ela se tornou a primeira parlamentar espanhola com síndrome de Down. Segundo a Federação Espanhola de Síndrome de Down, não havia registro conhecido de outra pessoa com a condição ocupando anteriormente uma cadeira em um parlamento regional ou nacional europeu. Por essa razão, é mais correto dizer que ela é considerada ou possivelmente a primeira da Europa, evitando transformar uma estimativa em certeza absoluta.

Inclusão não pode ser apenas simbólica

Ter uma pessoa com deficiência no Parlamento é um avanço, mas a verdadeira inclusão não termina com uma fotografia ou uma posse.

É necessário que os espaços políticos ofereçam comunicação acessível, documentos em linguagem simples, tecnologias assistivas, respeito ao ritmo de cada pessoa e condições efetivas para o exercício das funções.

Também é importante evitar que representantes com deficiência sejam limitados exclusivamente aos assuntos relacionados à deficiência. Assim como qualquer parlamentar, eles podem contribuir com debates sobre educação, saúde, emprego, transporte, cultura, segurança, direitos humanos e muitos outros temas.

Mar Galcerán chegou a um espaço no qual poucas pessoas com deficiência intelectual conseguiram entrar. Sua responsabilidade agora é exercer o mandato, apresentar suas ideias e ser avaliada pelo trabalho realizado — como deve acontecer com qualquer representante público.

A história de Mar mostra que as pessoas com síndrome de Down não precisam apenas ser lembradas nos discursos sobre inclusão. Elas precisam estar presentes nas escolas, nas empresas, nas organizações sociais, nos partidos políticos e em todos os lugares nos quais as decisões que afetam suas vidas são tomadas.

Quando uma pessoa com deficiência ocupa um espaço de poder, não recebe um favor. Ela exerce um direito de cidadania.

Texto produzido com inteligência artificial. 

Imagem: Instagram.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Perda auditiva em idosos: quando ouvir menos também pode significar conviver menos

A perda auditiva na terceira idade é um tema que merece atenção, cuidado e acolhimento. Muitas vezes, ela começa de forma silenciosa: a pessoa passa a pedir para repetirem o que foi dito, aumenta o volume da televisão, evita conversas em ambientes barulhentos ou parece “desatenta” durante reuniões familiares.

Mas nem sempre se trata de distração. Em muitos casos, pode ser presbiacusia, nome dado à perda auditiva relacionada ao envelhecimento. Ela costuma surgir de maneira gradual e progressiva, atingindo principalmente a percepção de sons mais agudos e dificultando a compreensão da fala.

O problema é que ouvir menos não afeta apenas os ouvidos. A dificuldade de comunicação pode interferir diretamente na convivência, na autoestima e na saúde emocional da pessoa idosa.

Quando a pessoa começa a se afastar

Imagine um idoso em uma reunião de família. Todos conversam ao mesmo tempo, há barulho de pratos, televisão ligada, crianças brincando e várias vozes se misturando. Para quem tem perda auditiva, acompanhar essa conversa pode exigir um esforço enorme.

Com o tempo, a pessoa pode começar a se sentir constrangida por pedir repetição várias vezes. Pode ter vergonha de responder errado, medo de parecer confusa ou sensação de estar “atrapalhando” o diálogo. Aos poucos, ela deixa de participar das conversas, evita encontros e passa a ficar mais calada.

Esse afastamento não deve ser visto como mau humor, falta de interesse ou teimosia. Muitas vezes, é uma consequência da dificuldade de ouvir e compreender o que acontece ao redor.

Isolamento, tristeza e ansiedade

Quando a comunicação fica difícil, a vida social também pode diminuir. A pessoa que antes participava de almoços, visitas, grupos religiosos, atividades comunitárias ou encontros com amigos pode começar a se recolher.

Esse isolamento aumenta o risco de sentimentos de solidão, tristeza, ansiedade e sintomas depressivos. O que começa como uma dificuldade sensorial pode atingir a saúde mental e a qualidade de vida.

Por isso, a perda auditiva precisa ser levada a sério. Não é apenas uma questão de “falar mais alto”. É uma questão de inclusão, respeito e cuidado.

O cérebro também sente o impacto

A audição tem relação direta com a forma como o cérebro processa informações. Quando a pessoa escuta mal, o cérebro precisa fazer esforço extra para compreender os sons e interpretar a fala.

Esse esforço pode sobrecarregar funções como atenção e memória. Estudos têm apontado associação entre perda auditiva não tratada, declínio cognitivo e maior risco de demência. Isso não significa que toda pessoa com perda auditiva terá demência, mas reforça a importância da prevenção, do diagnóstico e do acompanhamento adequado.

O que pode agravar a perda auditiva

Embora o envelhecimento seja um fator importante, outros elementos também podem contribuir para a piora da audição ao longo da vida. Entre eles estão a exposição prolongada a ruídos intensos, música muito alta, trânsito, ambiente de trabalho barulhento, tabagismo, doenças crônicas como diabetes e hipertensão, além de alguns medicamentos que podem prejudicar a audição.

Por isso, cuidar da audição deve começar antes da velhice. Proteger os ouvidos é também proteger a autonomia, a comunicação e a participação social.

Como a família pode ajudar

A família tem papel fundamental nesse processo. Algumas atitudes simples podem fazer grande diferença:

Falar olhando para a pessoa, sem gritar e sem cobrir a boca.

Reduzir ruídos de fundo, como televisão ou rádio, durante conversas.

Evitar falar de costas ou de outro cômodo.

Ter paciência para repetir, se necessário, sem demonstrar irritação.

Cuidar da audição é cuidar da inclusão

A perda auditiva na terceira idade não deve ser ignorada nem tratada como algo “normal” a ponto de não merecer cuidado. Envelhecer não precisa significar perder espaço nas conversas, nas decisões familiares e na vida social.

Quando escutamos melhor as necessidades da pessoa idosa, também ajudamos para que ela continue sendo ouvida em sua dignidade, em sua história e em seus sentimentos.

Cuidar da audição é cuidar da convivência. É prevenir o isolamento. É promover saúde, autonomia e qualidade de vida.


Fonte consultada: Jornal da USP – “Em idosos, perda auditiva pode levar ao isolamento social e risco de depressão e ansiedade”.
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

Torcer em silêncio também é torcer: os malefícios do barulho e dos fogos de artifício para pessoas com TEA, epilepsia e outros problemas neurológicos

Há quem pense que festa boa precisa ser barulhenta. Mas, para muitas pessoas, o excesso de som não é alegria: é dor, susto, medo, crise e sofrimento.

Fogos de artifício com estampido, buzinas, gritos, cornetas e caixas de som em volume alto podem transformar momentos de celebração em situações muito difíceis para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, epilepsia, deficiência intelectual, síndromes neurológicas, idosos, bebês, pessoas hospitalizadas e também para animais.

Torcer é bonito. Celebrar também. Mas nenhuma comemoração precisa ferir quem está ao lado.

Quando o barulho vira agressão sensorial

Muitas pessoas autistas apresentam maior sensibilidade a sons, luzes, cheiros, texturas e movimentos. Isso significa que um barulho considerado “normal” por uma pessoa pode ser percebido como insuportável por outra. A National Autistic Society explica que a sobrecarga sensorial acontece quando a pessoa recebe mais estímulos do que consegue processar naquele momento, podendo levar a sofrimento e mudanças de comportamento.

No caso dos fogos de artifício, o problema se agrava porque o estampido costuma ser alto, repentino e imprevisível. A pessoa não sabe quando virá o próximo estouro, nem qual será a intensidade. Para quem tem hipersensibilidade auditiva, isso pode provocar ansiedade, choro, vontade de fugir, irritação, desorganização, automutilação, agressividade involuntária, insônia e crise sensorial. A Agência Brasil registrou alerta semelhante sobre fogos e crises sensoriais em pessoas autistas, especialmente pelo barulho intenso e inesperado.

Epilepsia: o risco não é apenas o som

No caso da epilepsia, é importante lembrar que nem toda pessoa com epilepsia tem os mesmos gatilhos. Ainda assim, certos fatores podem aumentar o risco de crises em pessoas suscetíveis, como privação de sono, estresse, luzes fortes piscando e padrões visuais intermitentes. A Epilepsy Foundation lista luzes piscantes, falta de sono e estresse entre possíveis gatilhos de crises para algumas pessoas.

Além disso, cerca de 3% das pessoas com epilepsia têm epilepsia fotossensível, condição em que luzes piscantes ou determinados padrões visuais podem desencadear crises. Por isso, fogos de artifício com flashes intensos, combinados com sustos, barulho, aglomeração e alteração da rotina de sono, podem ser especialmente preocupantes para esse grupo.

O barulho também afeta o corpo

O ruído não incomoda apenas “os ouvidos”. Ele pode afetar o sono, o sistema nervoso, o comportamento, a concentração, o humor e a sensação de segurança. A Organização Mundial da Saúde vem tratando o ruído ambiental como tema de saúde pública, associando-o a prejuízos como incômodo intenso, distúrbios do sono e impactos cardiovasculares e de saúde mental.

Para uma pessoa com condição neurológica, o corpo pode entrar em estado de alerta. O coração acelera, a respiração muda, a pessoa tenta se proteger, se esconde, tampa os ouvidos, chora ou se desorganiza. De fora, alguém pode julgar como “manha” ou “exagero”. Por dentro, pode ser sofrimento real.

Não é frescura. É acessibilidade.

Quando uma família pede menos barulho, ela não está querendo acabar com a alegria de ninguém. Está pedindo respeito.

Acessibilidade não é apenas rampa, piso tátil ou legenda. Acessibilidade também é pensar no ambiente sonoro. É entender que uma cidade inclusiva precisa considerar quem escuta de outro jeito, quem processa estímulos de forma diferente e quem pode ter sua saúde afetada por uma comemoração barulhenta.

No Brasil, o tema já chegou ao debate legislativo nacional. O PL 5/2022, em tramitação na Câmara dos Deputados, trata da restrição a fogos de artifício de estampido e outros artefatos pirotécnicos que produzam estampidos, com justificativa ligada aos direitos de pessoas com deficiência, idosos e animais.

Como torcer e celebrar com respeito

É possível comemorar sem causar sofrimento. Algumas atitudes simples fazem muita diferença:

  1. Preferir fogos sem estampido, shows de luzes, drones ou efeitos visuais silenciosos.

  2. Evitar buzinas, cornetas e gritos prolongados perto de casas, hospitais, escolas, instituições e locais com crianças, idosos ou pessoas com deficiência.

  3. Avisar vizinhos e familiares quando houver alguma celebração prevista.

  4. Respeitar quem usa abafador, fone, protetor auricular ou precisa se retirar do ambiente.

  5. Ensinar crianças e adultos que inclusão também se pratica na hora da festa.

  6. Cobrar do poder público campanhas educativas e fiscalização das leis municipais sobre fogos com estampido.

  7. Lembrar que alegria de verdade não precisa machucar ninguém.

Torcer em silêncio também é torcer

A pessoa que não grita também vibra.
A pessoa que não suporta fogos também ama a festa.
A pessoa que se protege do barulho também participa do mundo.

Torcer em silêncio também é torcer.
Celebrar com respeito também é celebrar.
E pensar no outro é uma das formas mais bonitas de mostrar humanidade.

Antes de soltar fogos, buzinar sem parar ou aumentar o som, pergunte-se: quem pode estar sofrendo com isso?

A verdadeira festa é aquela em que todos podem existir com segurança, dignidade e paz.

Cantinho dos Amigos Especiais
Inclusão, respeito e acessibilidade também fazem parte da comemoração.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira