quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Dia Mundial da Visão: cuidar dos olhos também é promover inclusão


8 de outubro de 2026 — Enxergar a importância da saúde ocular é também reconhecer os direitos das pessoas com deficiência visual.

A visão desempenha um papel importante em nossa vida. Por meio dela, percebemos cores, formas, movimentos e detalhes do mundo ao nosso redor. Entretanto, nem todas as pessoas enxergam da mesma maneira.

Algumas utilizam óculos ou lentes de contato. Outras convivem com baixa visão, doenças oculares ou cegueira.

No Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro de 2026, o Cantinho dos Amigos Especiais convida seus leitores a refletirem sobre duas questões fundamentais: a importância da prevenção das doenças oculares e a necessidade de construir uma sociedade verdadeiramente acessível às pessoas com deficiência visual.

Por que existe o Dia Mundial da Visão?

A data é uma mobilização internacional voltada à conscientização sobre a saúde ocular, à prevenção da perda evitável da visão e à ampliação do acesso aos serviços oftalmológicos.

Em 2026, a campanha internacional Love Your Eyes (Ame Seus Olhos) destaca a importância do cuidado com a visão e do compromisso coletivo com uma assistência oftalmológica acessível a todos.

Uma das iniciativas deste ano, chamada Every Story Counts (Cada História Conta), incentiva as pessoas a compartilharem suas experiências com a saúde ocular.

Afinal, por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa, uma família e uma história que merece ser ouvida.

Um problema que atinge bilhões de pessoas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas apresentam algum comprometimento da visão para perto ou para longe.

Em pelo menos 1 bilhão desses casos, a deficiência visual poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu o atendimento necessário.

Entre as condições que podem comprometer a visão estão:

  • Catarata;
  • Glaucoma;
  • Retinopatia diabética;
  • Degeneração macular relacionada à idade;
  • Problemas de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo;
  • Doenças que afetam a retina, a córnea e outras estruturas dos olhos.

Algumas dessas condições podem ser corrigidas, tratadas ou controladas. Outras provocam limitações permanentes.

Por isso, o acompanhamento oftalmológico é fundamental.

Como cuidar da saúde dos olhos?

Algumas atitudes ajudam a proteger a visão e identificar problemas precocemente:

1. Consulte regularmente o oftalmologista. Mesmo quando não existem sintomas, exames podem identificar alterações importantes.

2. Não ignore mudanças na visão. Embaçamento, manchas, distorções e dificuldades visuais merecem avaliação profissional. Perda súbita da visão exige atendimento de urgência.

3. Controle doenças como diabetes e hipertensão. Essas condições podem comprometer a saúde dos olhos.

4. Proteja os olhos. Utilize óculos com proteção ultravioleta adequada e equipamentos de segurança quando necessários.

5. Evite a automedicação. Colírios e outros medicamentos devem ser utilizados conforme orientação profissional.

6. Cuide também da visão das crianças. Dificuldades para enxergar podem interferir na aprendizagem, na convivência e no desenvolvimento infantil.

Baixa visão não significa ausência de capacidade

Um ponto importante desta data é compreender que nem toda deficiência visual significa cegueira total.

Existem pessoas que conseguem perceber luzes, cores e movimentos, mas apresentam dificuldades para ler, reconhecer rostos, identificar obstáculos ou se locomover em determinados ambientes.

Outras possuem visão central preservada, mas enfrentam limitações na visão periférica.

Há ainda pessoas cuja visão se modifica conforme a iluminação, o contraste ou a progressão de uma doença.

A deficiência visual não é igual para todas as pessoas.

E nenhuma dessas condições elimina a capacidade de estudar, trabalhar, aprender, conviver e participar da sociedade.

Acessibilidade também é uma forma de cuidado

A saúde ocular não deve ser discutida apenas sob a perspectiva da prevenção.

Também precisamos falar das pessoas que já convivem com limitações visuais, sejam elas temporárias ou permanentes.

Promover inclusão significa garantir recursos como:

  • Textos ampliados e com bom contraste;
  • Leitores de tela e tecnologias assistivas;
  • Audiodescrição e descrição de imagens;
  • Materiais em braille quando necessários;
  • Ambientes com iluminação adequada;
  • Sinalização tátil e acessível;
  • Atendimento respeitoso e adaptado às necessidades de cada pessoa.

Esses recursos não são privilégios. São instrumentos de acessibilidade que favorecem a autonomia e a participação social.

Também é importante lembrar que uma pessoa com deficiência visual não deve ser tratada como incapaz ou dependente apenas por não enxergar plenamente.

Respeitar a autonomia é tão importante quanto oferecer ajuda.

Prevenir a cegueira e respeitar quem não enxerga

Existe uma reflexão que merece atenção especial.

Quando falamos sobre a prevenção da cegueira, estamos defendendo o acesso à saúde e a possibilidade de evitar perdas visuais sempre que isso for possível.

Mas prevenir a perda da visão não significa considerar a vida de uma pessoa cega ou com baixa visão menos valiosa.

A prevenção e a inclusão caminham juntas.

Quem pode preservar a visão deve receber os cuidados necessários. Quem já possui uma deficiência visual precisa encontrar condições para viver com dignidade, independência e oportunidades.

Uma sociedade inclusiva não exige que todas as pessoas enxerguem da mesma maneira.

Ela procura eliminar as barreiras que impedem cada pessoa de desenvolver suas capacidades.

Uma mensagem do Cantinho dos Amigos Especiais

Neste Dia Mundial da Visão, queremos deixar um convite:

Cuide de seus olhos. Incentive as pessoas que você ama a fazerem o mesmo. Valorize o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento profissional.

Mas também procure enxergar aquilo que muitas vezes passa despercebido: as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência visual em uma sociedade que ainda apresenta tantas barreiras.

Uma calçada malconservada, uma imagem sem descrição, um aplicativo inacessível ou uma informação apresentada apenas visualmente podem impedir alguém de exercer sua autonomia.

Cuidar da visão é importante. Garantir acessibilidade é indispensável.

Que o Dia Mundial da Visão nos ajude a construir um mundo com mais saúde, respeito, empatia e inclusão.

Cantinho dos Amigos Especiais — Porque inclusão também é aprender a enxergar o mundo pela perspectiva do outro.

Dia Mundial da Dislexia: compreender para incluir


8 de outubro — Dia Mundial da Dislexia

Imagine ter boas ideias, participar de uma conversa e compreender uma explicação, mas enfrentar grande esforço para ler um texto ou colocar essas mesmas ideias no papel. Para muitas pessoas com dislexia, situações assim fazem parte do cotidiano.

O Dia Mundial da Dislexia, celebrado em 8 de outubro, convida a sociedade a conhecer essas dificuldades, combater preconceitos e construir ambientes em que todos tenham oportunidades de aprender.

O que é dislexia?

A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que pode afetar a leitura de palavras e a escrita, especialmente a ortografia. A pessoa pode apresentar dificuldades para ler com precisão, desenvolver fluência e relacionar letras aos sons da fala.

Essas dificuldades variam em intensidade e podem acompanhar a pessoa ao longo da vida. Ter dislexia não significa ter pouca inteligência, falta de vontade ou preguiça.

Por isso, frases como “é só prestar atenção” ou “você precisa se esforçar mais” podem machucar quem já está fazendo um grande esforço para aprender.

Quais sinais merecem atenção?

Algumas dificuldades podem indicar a necessidade de uma avaliação:

  • Leitura lenta, com muito esforço ou erros frequentes.
  • Dificuldade para associar letras aos sons.
  • Dificuldade para reconhecer rimas e soletrar palavras.
  • Erros persistentes de ortografia.
  • Dificuldade para compreender um texto porque o esforço para ler as palavras consome muita atenção.

A dislexia não se resume à troca de letras. Um sinal isolado não confirma o diagnóstico, e outras situações também podem interferir na aprendizagem. A avaliação deve considerar o histórico e o conjunto das dificuldades da pessoa.

Identificar cedo faz diferença

Quando as dificuldades são percebidas e investigadas, é possível iniciar o apoio adequado e evitar que os obstáculos se acumulem.

O acompanhamento especializado e o ensino ajustado às necessidades da pessoa ajudam a desenvolver habilidades e estratégias de aprendizagem. A identificação precoce também permite cuidar dos impactos que essas dificuldades podem ter na autoestima e na vida escolar.

Uma criança que demora para ler precisa ser ouvida e apoiada. Um adolescente que evita atividades de leitura merece acolhimento. Um adulto com dificuldades persistentes também merece atenção.

Inclusão também acontece na maneira de ensinar

Uma escola acolhedora reconhece que os estudantes podem precisar de diferentes formas de acesso ao conhecimento. O apoio deve ser planejado conforme as necessidades de cada pessoa e pode combinar ensino especializado, recursos de acessibilidade e ajustes nas atividades.

Na convivência, atitudes simples ajudam a construir esse acolhimento:

  • Evitar comparações e comentários que constranjam.
  • Não transformar a leitura em público em motivo de exposição.
  • Explicar as tarefas com clareza e verificar se foram compreendidas.
  • Reconhecer o esforço, os avanços e as capacidades do estudante.
  • Manter diálogo entre a pessoa, a família, a escola e os profissionais envolvidos.

Acolher começa por escutar.

Uma pessoa é muito mais do que sua dificuldade

Ninguém deve ser definido por uma leitura lenta ou por um erro de ortografia. Pessoas com dislexia têm interesses, conhecimentos, talentos e projetos de vida que merecem ser reconhecidos.

No Cantinho dos Amigos Especiais, acreditamos que a inclusão se fortalece quando trocamos o julgamento pela compreensão e oferecemos condições para que cada pessoa participe e aprenda.

Neste Dia Mundial da Dislexia, fica o convite: conhecer melhor, respeitar as diferenças e ajudar a remover as barreiras que dificultam a aprendizagem.

Aprender pode exigir caminhos diferentes. Todos merecem respeito, apoio e oportunidades.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dia Mundial da Paralisia Cerebral: vozes únicas, direitos em comum

Celebrado em 6 de outubro, o Dia Mundial da Paralisia Cerebral convida a ampliar o conhecimento sobre a condição e a ouvir as pessoas que convivem com ela. Em 2026, a campanha traz o tema “Único e unido”: cada pessoa tem sua própria história e suas prioridades, e essas vozes podem se unir para reivindicar mudanças.

O que é paralisia cerebral?

Paralisia cerebral é o nome dado a um grupo de condições relacionadas ao desenvolvimento do cérebro que afetam, em diferentes graus, o movimento e a postura. A alteração que dá origem à condição não é progressiva, mas as necessidades de cada pessoa podem mudar ao longo da vida. Algumas pessoas também podem ter diferenças na comunicação, na percepção, na cognição ou outras condições associadas. Cada trajetória é particular.

Por isso, não existe uma única maneira de viver com paralisia cerebral. Há pessoas que caminham e pessoas que usam cadeira de rodas; algumas se comunicam pela fala, enquanto outras usam formas alternativas de comunicação. Apoios, tecnologias assistivas e adaptações podem favorecer a participação e a autonomia, de acordo com o que cada pessoa precisa e escolhe.

Inclusão se constrói no cotidiano

A inclusão não depende apenas de atendimentos de saúde. Também exige acessibilidade nas escolas, nos espaços de trabalho, no transporte, nos serviços e nas atividades culturais. Barreiras físicas, falta de recursos de comunicação, preconceito e decisões tomadas sem ouvir a própria pessoa podem limitar sua participação.

Respeitar a autonomia significa perguntar antes de ajudar, conversar diretamente com a pessoa e considerar suas escolhas. Significa também reconhecer que ela tem interesses, relações, opiniões e projetos — como qualquer outra pessoa. A expressão recomendada é “pessoa com paralisia cerebral”, evitando rótulos que reduzam alguém à condição.

Conhecer, ouvir e agir

O Dia Mundial da Paralisia Cerebral é uma oportunidade para substituir estereótipos por informação e transformar conscientização em atitudes concretas. Podemos escutar pessoas com paralisia cerebral, apoiar suas reivindicações e cobrar ambientes acessíveis, atendimento adequado, educação inclusiva e oportunidades de participação.

A campanha de 2026 nos lembra: cada experiência é única, mas a luta por respeito, acessibilidade e direitos pode ser construída em conjunto. Que as pessoas com paralisia cerebral sejam ouvidas nas decisões que afetam suas vidas — todos os dias do ano.

Para saber mais


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

🧡 Outubro Laranja: compreender o TDAH também é uma forma de incluir


Outubro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). No Brasil, a campanha também ganhou a identificação de Outubro Laranja, chamando a atenção para a necessidade de informação, acolhimento e combate ao preconceito.

Em 2026, a campanha internacional traz como tema “A Community of Support” — “Uma comunidade de apoio”. A proposta lembra algo muito importante: ninguém deveria precisar enfrentar sozinho os desafios associados ao TDAH. Família, escola, profissionais de saúde, amigos e ambiente de trabalho podem fazer uma enorme diferença quando existe informação e compreensão.

🧠 Afinal, o que é TDAH?

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento. Seus sintomas começam na infância e podem continuar durante a adolescência e a vida adulta, embora possam se apresentar de maneiras diferentes ao longo da vida.

Entre as manifestações mais conhecidas estão:

  • dificuldade para manter a atenção;
  • distração frequente;
  • esquecimentos;
  • dificuldade de organização;
  • impulsividade;
  • inquietação ou hiperatividade;
  • dificuldade para administrar tarefas, horários e prazos.

Mas atenção: esquecer um compromisso de vez em quando, ser agitado ou ter dificuldade para se concentrar em uma tarefa não significa, por si só, que a pessoa tenha TDAH.

O diagnóstico deve ser realizado por profissional habilitado, considerando o conjunto dos sintomas, sua frequência, sua persistência e o impacto que provocam na vida da pessoa.

🧡 TDAH não é preguiça nem falta de educação

Talvez uma das maiores contribuições do Outubro Laranja seja justamente combater rótulos.

Uma criança com TDAH pode ouvir repetidamente:

“Você não presta atenção!”

“Pare quieto!”

“Você poderia fazer melhor se se esforçasse.”

Na vida adulta, os julgamentos podem mudar de palavras, mas continuam existindo:

“É desorganizado.”

“Não termina nada.”

“Está sempre atrasado.”

“Não consegue se concentrar.”

Essas frases podem transformar dificuldades reais em julgamentos sobre o caráter da pessoa.

Conscientizar é substituir o rótulo pela pergunta: de que apoio essa pessoa precisa?

👧👦 TDAH não existe apenas na infância

Durante muito tempo, o TDAH foi lembrado principalmente quando se falava de crianças em idade escolar.

Hoje sabemos que seus sintomas podem persistir na idade adulta. Eles podem mudar de aparência: aquela hiperatividade muito visível na infância, por exemplo, pode aparecer no adulto como inquietação, sensação de estar sempre acelerado ou dificuldade para permanecer envolvido em determinadas atividades.

Por isso, conscientização sobre TDAH deve incluir crianças, adolescentes e adultos.

🏫 Inclusão também acontece na escola

Uma criança ou adolescente com TDAH não precisa de menos ensino. Pode precisar de outras estratégias para conseguir demonstrar tudo aquilo que é capaz de aprender.

Orientações claras, divisão de tarefas longas em etapas, organização da rotina, redução de distrações desnecessárias e acompanhamento adequado podem ajudar bastante.

No Brasil, a Lei nº 14.254/2021 determina que o poder público mantenha programa de acompanhamento integral para estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem. A legislação prevê identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional e, quando necessário, apoio terapêutico especializado. Também estabelece responsabilidades para as redes pública e privada de educação básica.

Ou seja: não se trata de “facilitar a vida” do estudante.

Trata-se de oferecer condições para que ele aprenda.

💼 E no trabalho?

O adulto com TDAH também pode enfrentar dificuldades para organizar atividades, administrar prazos, priorizar tarefas ou trabalhar em ambientes com muitos estímulos.

Algumas medidas simples de organização podem ajudar bastante: instruções objetivas, definição clara de prioridades, planejamento de etapas, ferramentas de lembrete e ambientes que reduzam distrações quando isso for possível.

Cada pessoa, porém, é diferente. Não existe uma única maneira de ter TDAH.

Por isso, antes de presumir aquilo de que alguém necessita, o melhor caminho continua sendo ouvir a própria pessoa.

💊 Existe tratamento?

Sim.

O TDAH pode ser acompanhado e tratado. A abordagem deve ser individualizada e pode envolver diferentes estratégias e profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

O mais importante é fugir das soluções milagrosas e do autodiagnóstico baseado apenas em vídeos ou listas encontradas nas redes sociais.

Informação na internet pode ser o começo de uma dúvida. Diagnóstico e tratamento pertencem ao acompanhamento profissional.

🤝 Uma comunidade de apoio

O tema escolhido para a conscientização internacional em 2026 resume muito bem aquilo que defendemos aqui no Cantinho dos Amigos Especiais:

uma comunidade de apoio.

Uma comunidade que não pergunta apenas por que aquela criança não consegue ficar quieta, mas tenta compreender o que está acontecendo.

Que não chama alguém de preguiçoso antes de conhecer suas dificuldades.

Que não transforma um diagnóstico em identidade.

Que respeita diferentes maneiras de aprender, trabalhar, organizar-se e participar da sociedade.

E, principalmente, uma comunidade que entende que inclusão não significa tratar todas as pessoas exatamente da mesma maneira.

Significa proporcionar a cada uma delas as condições necessárias para participar.

🧡 Neste Outubro Laranja, espalhe informação

O TDAH é real.

Pode acompanhar a pessoa durante toda a vida.

Pode trazer desafios importantes.

E também não define sozinho quem aquela pessoa é.

Por trás da sigla TDAH existe uma criança, um adolescente ou um adulto com personalidade, sonhos, capacidades, dificuldades e uma história que não cabe em quatro letras.

Neste Outubro Laranja, o convite do Cantinho dos Amigos Especiais é simples:

🧡 menos rótulos;
🧡 mais informação;
🧡 menos julgamento;
🧡 mais acolhimento;
🧡 menos preconceito;
🧡 mais inclusão.

Porque compreender também é incluir.


Fontes consultadas: Ministério da Saúde; Lei Federal nº 14.254/2021; ADHD Awareness Month Coalition; CDC – Centers for Disease Control and Prevention.

Conteúdo informativo. Esta publicação não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde.

Outubro Rosa e pessoas com deficiência: prevenção também precisa ser acessível

Quando chega outubro, prédios, monumentos e redes sociais se vestem de rosa para lembrar a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama. Mas o Outubro Rosa também pode servir como um importante chamado para que todas as mulheres cuidem de sua saúde de maneira integral, incluindo a realização dos exames ginecológicos recomendados.

E quando dizemos todas, é preciso incluir de verdade as mulheres com deficiência.

Porque prevenção não pode depender de conseguir subir em uma maca, permanecer em pé diante de um equipamento, enxergar um cartaz, ouvir uma orientação ou compreender sozinho um texto cheio de termos técnicos.

Prevenção também precisa ser acessível.

A deficiência não protege contra o câncer

Parece óbvio, mas ainda existe um problema preocupante: mulheres com deficiência podem encontrar mais dificuldades para realizar exames preventivos de câncer de mama e do colo do útero.

Estudos mostram que mulheres com deficiência apresentam menor participação em programas de rastreamento. Entre os obstáculos encontrados estão barreiras arquitetônicas, equipamentos inadequados, dificuldades de transporte, falta de informação em formatos acessíveis, pouco tempo durante as consultas e profissionais que nem sempre estão preparados para atender às necessidades específicas dessas pacientes.

Há ainda uma barreira que não aparece numa escada ou numa porta estreita: o preconceito.

Algumas mulheres com deficiência ainda enfrentam a equivocada suposição de que não possuem vida sexual e, por isso, não necessitariam de determinados cuidados ginecológicos. A literatura científica identifica justamente esse tipo de estigma como uma das razões capazes de afastar mulheres com deficiência do rastreamento do câncer do colo do útero.

Ter uma deficiência não torna uma mulher menos mulher, não elimina sua sexualidade e, principalmente, não elimina a necessidade de cuidados preventivos.

Câncer de mama: atenção aos sinais e à mamografia

Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, mesmo que não apresentem sinais ou sintomas. Mulheres fora dessa faixa podem necessitar de avaliação individualizada, especialmente diante de sintomas ou fatores de risco.

Além do rastreamento, todas as mulheres devem conhecer o próprio corpo e procurar um serviço de saúde quando perceberem alterações suspeitas nas mamas.

Para uma mulher com deficiência física, entretanto, até uma mamografia pode apresentar dificuldades que outras pessoas talvez nunca tenham imaginado.

A pessoa consegue permanecer em pé?

Consegue levantar e posicionar os braços?

O equipamento permite que o exame seja realizado sentada, quando necessário?

Existe alguém treinado para auxiliar com segurança numa transferência?

É possível reservar um pouco mais de tempo para o atendimento?

Essas perguntas não são detalhes. São questões de acessibilidade em saúde.

O próprio Ministério da Saúde já orientou que as limitações de mobilidade devem ser consideradas durante os exames das mamas, buscando-se posições confortáveis e adequadas para a mulher com deficiência.

E o câncer do colo do útero?

A prevenção ginecológica também não pode ser esquecida.

O câncer do colo do útero está fortemente relacionado à infecção persistente por alguns tipos de HPV e pode, em grande parte dos casos, ser prevenido por meio da vacinação contra o HPV, do rastreamento e do tratamento das lesões precursoras.

O Brasil está implantando um novo modelo de rastreamento, no qual o teste molecular para DNA-HPV oncogênico passa a ser o exame primário, dirigido às mulheres e demais pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Quando o teste é negativo, a periodicidade recomendada é de cinco anos. Nos locais em que essa tecnologia ainda não estiver disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo utilizado.

Mais uma vez, a acessibilidade precisa fazer parte desse atendimento.

Uma mulher com deficiência física pode necessitar de auxílio para transferência ou posicionamento na mesa ginecológica. Uma mulher surda pode precisar de recursos adequados de comunicação. Uma mulher cega precisa receber as explicações verbalmente e saber antecipadamente o que será feito durante o exame. Uma pessoa com deficiência intelectual pode precisar que cada etapa seja explicada com linguagem simples, tempo e respeito à sua autonomia.

Adaptar o atendimento não significa fazer um favor. Significa tornar possível o acesso à saúde.

Acompanhante não substitui a paciente

Existe ainda outro cuidado fundamental.

Quando uma mulher com deficiência está acompanhada, o profissional de saúde não deve simplesmente dirigir todas as perguntas ao acompanhante.

A paciente continua sendo a protagonista do próprio atendimento.

Sempre que possível, as explicações devem ser dadas diretamente a ela, de forma acessível, garantindo espaço para que faça perguntas, manifeste desconforto, dê consentimento e participe das decisões referentes ao próprio corpo.

A deficiência jamais deve ser motivo para infantilizar uma mulher ou retirar sua autonomia.

Acessibilidade também salva vidas

Quando pensamos em acessibilidade, muitas vezes lembramos imediatamente de rampas, elevadores, banheiros adaptados e vagas reservadas.

Tudo isso é fundamental.

Mas existe também a acessibilidade à prevenção.

Ela aparece quando uma unidade de saúde possui equipamentos adequados.

Quando a comunicação é acessível.

Quando o profissional pergunta à pessoa qual é a melhor maneira de ajudá-la, em vez de simplesmente presumir.

Quando existe tempo suficiente para fazer o exame com segurança.

Quando a paciente não deixa de realizar uma mamografia ou um exame ginecológico porque ninguém conseguiu acomodar sua deficiência.

Pesquisas sobre rastreamento do câncer mostram que barreiras físicas, comunicacionais, organizacionais e atitudinais podem afastar mulheres com deficiência dos exames preventivos.

Por isso, neste Outubro Rosa, o Cantinho dos Amigos Especiais deixa um lembrete que vale para pacientes, familiares, profissionais e gestores da saúde:

Mulheres com deficiência também precisam de prevenção.

Também precisam de informação.

Também precisam realizar seus exames.

E precisam encontrar serviços preparados para recebê-las com acessibilidade, dignidade, autonomia e respeito.

Porque uma campanha de prevenção só será verdadeiramente inclusiva quando nenhuma mulher deixar de cuidar da própria saúde simplesmente porque o serviço não estava preparado para atendê-la.

Neste Outubro Rosa, cuide-se, incentive quem você ama a se cuidar e ajude a espalhar esta mensagem: prevenção é um direito de todas.