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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Marc Cucurella comemora gols como pinguim e transforma homenagem à família em mensagem de inclusão

Pai de Mateo, menino autista de 7 anos, jogador espanhol coloca as necessidades do filho acima das decisões profissionais

Quando Marc Cucurella marca um gol, a comemoração chama a atenção: o jogador abre os braços e caminha pelo gramado imitando um pinguim. Por trás do gesto divertido, porém, existe uma história de amor, união familiar e conscientização sobre o autismo.

Segundo o lateral da seleção espanhola, a ideia surgiu depois que ele viu na internet uma informação relacionando os pinguins à formação de vínculos familiares duradouros. Cucurella decidiu, então, transformar o movimento do animal em uma homenagem à companheira, Claudia Rodríguez, e aos filhos.

“Minha família sempre me apoia nos melhores e nos piores momentos”, explicou o jogador ao falar sobre a comemoração, que já se tornou sua marca registrada nos gramados.

A experiência da família com o autismo

O filho mais velho do casal, Mateo, atualmente com 7 anos, recebeu o diagnóstico de autismo há cerca de quatro anos. A descoberta aconteceu no período em que a família se mudou para Londres, após Cucurella ser contratado pelo Chelsea.

O jogador contou que os primeiros tempos foram difíceis. Mateo não conseguia se adaptar à escola convencional, permanecia poucas horas no local, chorava com frequência e precisava que os pais fossem buscá-lo. Para Cucurella e Claudia, também foi necessário aprender uma nova maneira de compreender as necessidades e a forma de comunicação do filho.

Ao falar sobre essa experiência, o atleta reconheceu que nenhuma família está totalmente preparada para receber um diagnóstico. O caminho passa por informação, acolhimento e disposição para compreender que cada criança autista apresenta características e necessidades próprias.

A atitude do jogador ajuda a mostrar uma realidade vivida por muitas famílias: não basta esperar que a criança se adapte a ambientes que não foram preparados para recebê-la. Muitas vezes, são a escola, os profissionais e a própria sociedade que precisam modificar suas práticas para garantir inclusão, segurança e desenvolvimento.

O filho acima da carreira

A preocupação de Cucurella com Mateo não aparece apenas nas entrevistas ou nas comemorações dos gols. Ela também influencia diretamente as decisões profissionais do jogador.

Ao analisar propostas de diferentes clubes, a família passou a pesquisar primeiro se as cidades ofereciam escolas adequadas, terapias e uma estrutura na qual Mateo pudesse se sentir acolhido. Esse critério foi decisivo para que Cucurella aceitasse a transferência para o Real Madrid, com contrato anunciado até junho de 2032.

O jogador afirmou que não aceitaria atuar em um lugar onde o filho não encontrasse condições apropriadas de adaptação e atendimento. Para ele, o bem-estar familiar está acima do futebol, dos contratos e de qualquer oportunidade esportiva.

Essa escolha transmite uma mensagem importante: oferecer suporte adequado a uma pessoa autista não significa conceder privilégios. Significa respeitar necessidades específicas e garantir direitos para que ela possa aprender, participar e viver com dignidade.

Muito mais que uma comemoração

A caminhada de pinguim dura poucos segundos, mas carrega um significado muito maior. O gesto representa a família que permanece unida, aprende diariamente e reorganiza a própria vida para acolher as necessidades de um de seus integrantes.

Ao compartilhar publicamente sua experiência como pai, Cucurella também contribui para dar visibilidade ao autismo e às dificuldades enfrentadas por famílias que procuram escolas inclusivas, terapias especializadas e ambientes verdadeiramente preparados.

No futebol, os gols aparecem no placar. Na vida, algumas das maiores conquistas acontecem quando uma criança encontra compreensão, apoio e oportunidades para desenvolver suas capacidades.

A comemoração de Cucurella nos recorda que a inclusão começa dentro de casa, mas precisa continuar na escola, no esporte, no trabalho e em todos os espaços da sociedade.

Fontes consultadas: ge e Diario AS.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Torcer em silêncio também é torcer: os malefícios do barulho e dos fogos de artifício para pessoas com TEA, epilepsia e outros problemas neurológicos

Há quem pense que festa boa precisa ser barulhenta. Mas, para muitas pessoas, o excesso de som não é alegria: é dor, susto, medo, crise e sofrimento.

Fogos de artifício com estampido, buzinas, gritos, cornetas e caixas de som em volume alto podem transformar momentos de celebração em situações muito difíceis para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, epilepsia, deficiência intelectual, síndromes neurológicas, idosos, bebês, pessoas hospitalizadas e também para animais.

Torcer é bonito. Celebrar também. Mas nenhuma comemoração precisa ferir quem está ao lado.

Quando o barulho vira agressão sensorial

Muitas pessoas autistas apresentam maior sensibilidade a sons, luzes, cheiros, texturas e movimentos. Isso significa que um barulho considerado “normal” por uma pessoa pode ser percebido como insuportável por outra. A National Autistic Society explica que a sobrecarga sensorial acontece quando a pessoa recebe mais estímulos do que consegue processar naquele momento, podendo levar a sofrimento e mudanças de comportamento.

No caso dos fogos de artifício, o problema se agrava porque o estampido costuma ser alto, repentino e imprevisível. A pessoa não sabe quando virá o próximo estouro, nem qual será a intensidade. Para quem tem hipersensibilidade auditiva, isso pode provocar ansiedade, choro, vontade de fugir, irritação, desorganização, automutilação, agressividade involuntária, insônia e crise sensorial. A Agência Brasil registrou alerta semelhante sobre fogos e crises sensoriais em pessoas autistas, especialmente pelo barulho intenso e inesperado.

Epilepsia: o risco não é apenas o som

No caso da epilepsia, é importante lembrar que nem toda pessoa com epilepsia tem os mesmos gatilhos. Ainda assim, certos fatores podem aumentar o risco de crises em pessoas suscetíveis, como privação de sono, estresse, luzes fortes piscando e padrões visuais intermitentes. A Epilepsy Foundation lista luzes piscantes, falta de sono e estresse entre possíveis gatilhos de crises para algumas pessoas.

Além disso, cerca de 3% das pessoas com epilepsia têm epilepsia fotossensível, condição em que luzes piscantes ou determinados padrões visuais podem desencadear crises. Por isso, fogos de artifício com flashes intensos, combinados com sustos, barulho, aglomeração e alteração da rotina de sono, podem ser especialmente preocupantes para esse grupo.

O barulho também afeta o corpo

O ruído não incomoda apenas “os ouvidos”. Ele pode afetar o sono, o sistema nervoso, o comportamento, a concentração, o humor e a sensação de segurança. A Organização Mundial da Saúde vem tratando o ruído ambiental como tema de saúde pública, associando-o a prejuízos como incômodo intenso, distúrbios do sono e impactos cardiovasculares e de saúde mental.

Para uma pessoa com condição neurológica, o corpo pode entrar em estado de alerta. O coração acelera, a respiração muda, a pessoa tenta se proteger, se esconde, tampa os ouvidos, chora ou se desorganiza. De fora, alguém pode julgar como “manha” ou “exagero”. Por dentro, pode ser sofrimento real.

Não é frescura. É acessibilidade.

Quando uma família pede menos barulho, ela não está querendo acabar com a alegria de ninguém. Está pedindo respeito.

Acessibilidade não é apenas rampa, piso tátil ou legenda. Acessibilidade também é pensar no ambiente sonoro. É entender que uma cidade inclusiva precisa considerar quem escuta de outro jeito, quem processa estímulos de forma diferente e quem pode ter sua saúde afetada por uma comemoração barulhenta.

No Brasil, o tema já chegou ao debate legislativo nacional. O PL 5/2022, em tramitação na Câmara dos Deputados, trata da restrição a fogos de artifício de estampido e outros artefatos pirotécnicos que produzam estampidos, com justificativa ligada aos direitos de pessoas com deficiência, idosos e animais.

Como torcer e celebrar com respeito

É possível comemorar sem causar sofrimento. Algumas atitudes simples fazem muita diferença:

  1. Preferir fogos sem estampido, shows de luzes, drones ou efeitos visuais silenciosos.

  2. Evitar buzinas, cornetas e gritos prolongados perto de casas, hospitais, escolas, instituições e locais com crianças, idosos ou pessoas com deficiência.

  3. Avisar vizinhos e familiares quando houver alguma celebração prevista.

  4. Respeitar quem usa abafador, fone, protetor auricular ou precisa se retirar do ambiente.

  5. Ensinar crianças e adultos que inclusão também se pratica na hora da festa.

  6. Cobrar do poder público campanhas educativas e fiscalização das leis municipais sobre fogos com estampido.

  7. Lembrar que alegria de verdade não precisa machucar ninguém.

Torcer em silêncio também é torcer

A pessoa que não grita também vibra.
A pessoa que não suporta fogos também ama a festa.
A pessoa que se protege do barulho também participa do mundo.

Torcer em silêncio também é torcer.
Celebrar com respeito também é celebrar.
E pensar no outro é uma das formas mais bonitas de mostrar humanidade.

Antes de soltar fogos, buzinar sem parar ou aumentar o som, pergunte-se: quem pode estar sofrendo com isso?

A verdadeira festa é aquela em que todos podem existir com segurança, dignidade e paz.

Cantinho dos Amigos Especiais
Inclusão, respeito e acessibilidade também fazem parte da comemoração.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Festa Junina para Todos: dicas para PCDs aproveitarem o arraiá com segurança e alegria

As festas juninas são momentos de música, dança, comidas típicas, brincadeiras, reencontros e muita alegria. Mas, para que esse clima seja realmente para todos, é importante lembrar que as Pessoas com Deficiência também têm direito de participar plenamente desses espaços, com conforto, respeito e acessibilidade.
Assim como acontece no Carnaval, cada tipo de deficiência pode exigir cuidados diferentes. Por isso, reunimos algumas dicas simples para que as PCDs, suas famílias, cuidadores e organizadores possam aproveitar melhor os arraiás.
1. Pessoas com deficiência visual
Conheça o espaço antes de circular sozinho. Ao chegar, peça para alguém descrever onde ficam banheiros, barracas, mesas, saídas, palco e áreas de circulação.
Evite andar em locais muito cheios sem apoio. Em festas lotadas, é mais seguro caminhar com guia vidente, bengala ou algum acompanhante de confiança.
Cuidado com fios, degraus e obstáculos. Festas juninas costumam ter decoração baixa, bancos, mesas improvisadas e fios de iluminação. Atenção redobrada.
Peça descrição dos alimentos e brincadeiras. Saber o que está sendo servido, onde está cada item no prato e como funciona uma brincadeira aumenta a autonomia.
Combine um ponto de encontro. Em caso de separação do grupo, tenha um local fixo e fácil de identificar para reencontro.
2. Pessoas com deficiência auditiva
Prefira locais bem iluminados. Boa iluminação facilita leitura labial, comunicação por Libras e compreensão das expressões faciais.
Verifique se haverá intérprete de Libras. Em festas maiores, apresentações, missas, quadrilhas e avisos importantes devem ser acessíveis também às pessoas surdas.
Use mensagens escritas quando necessário. Celular, papel ou cartazes podem ajudar em pedidos nas barracas e na comunicação com a equipe do evento.
Atenção aos avisos sonoros. Se houver mudança de programação, emergência ou chamada importante, peça para alguém do grupo avisar também por escrito ou visualmente.
Combine sinais simples com os acompanhantes. Gestos para “vamos sair”, “banheiro”, “perigo”, “espera” ou “estou bem” podem facilitar muito a comunicação.
3. Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida
Confirme se o local tem acessibilidade. Verifique rampas, banheiros acessíveis, piso regular, espaço para circulação e entrada sem degraus.
Evite horários de maior lotação. Chegar um pouco mais cedo pode facilitar a locomoção, a escolha de lugar e o acesso às barracas.
Observe o tipo de piso. Gramado, terra, paralelepípedo, lama ou piso irregular podem dificultar o uso de cadeira de rodas, andador, muletas ou bengalas.
Prefira mesas com espaço lateral. A pessoa com cadeira de rodas precisa se aproximar da mesa com conforto, sem ficar isolada ou “encaixada” de qualquer jeito.
Planeje pausas para descanso. Festas juninas podem ser longas. Ter um lugar para sentar, respirar e descansar ajuda a evitar dor, fadiga e desconforto.
4. Pessoas com deficiência intelectual
Explique antes como será a festa. Falar sobre música, comida, fogueira, brincadeiras e movimento ajuda a pessoa a se preparar melhor.
Use orientações simples e objetivas. Frases curtas, combinados claros e repetição tranquila ajudam na segurança e na participação.
Evite excesso de informações ao mesmo tempo. Em ambientes com muito barulho, luz e movimento, a pessoa pode ficar confusa ou ansiosa.
Combine regras básicas de segurança. Por exemplo: não se afastar sozinho, avisar antes de ir ao banheiro e procurar um adulto de confiança em caso de dúvida.
Valorize a participação no ritmo da pessoa. Ela não precisa dançar, brincar ou interagir como todo mundo. O importante é participar com alegria e respeito.
5. Pessoas autistas ou neurodivergentes
Antecipe o que vai acontecer. Explique o ambiente, os sons, as roupas, as comidas, as brincadeiras e a possibilidade de muita gente no local.
Leve itens de conforto. Fone abafador, objeto de segurança, óculos escuros, boné ou algo familiar pode ajudar em momentos de sobrecarga sensorial.
Identifique um espaço mais tranquilo. Ter um cantinho para respirar, se acalmar e sair do barulho pode evitar crises e tornar a experiência mais agradável.
Respeite limites alimentares e sensoriais. Algumas pessoas têm seletividade alimentar, incômodo com texturas, cheiros fortes ou sons altos.
Não force interação social. Dançar quadrilha, tirar foto, participar de brincadeiras ou cumprimentar pessoas deve ser convite, não obrigação.
Dicas para organizadores de festas juninas
A inclusão não depende apenas da pessoa com deficiência. Quem organiza o evento também precisa fazer a sua parte.
Algumas atitudes fazem grande diferença:
garantir entrada acessível;
deixar corredores livres;
sinalizar banheiros, saídas e barracas;
oferecer atendimento respeitoso;
evitar decoração em altura que atrapalhe a circulação;
reservar espaços para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida;
disponibilizar intérprete de Libras quando possível;
ter equipe preparada para orientar PCDs e acompanhantes.
Festa boa é festa onde todo mundo cabe
A festa junina é uma das tradições mais queridas do Brasil. Tem cheiro de milho, som de sanfona, roupa colorida, dança, comida gostosa e lembranças afetivas.
Mas a verdadeira beleza do arraiá aparece quando ninguém fica de fora.
Acessibilidade não é favor. É respeito, direito e cuidado. Com pequenas adaptações e mais consciência, as festas juninas podem ser mais seguras, acolhedoras e alegres para todas as pessoas.
Que cada bandeirinha colorida nos lembre que a inclusão também deve enfeitar a nossa convivência.

Texto e imagem produzidos com informações artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Senado analisa projeto que amplia dedução no Imposto de Renda para educação de pessoas com deficiência

Uma proposta em análise no Senado pode aliviar, ao menos em parte, o peso financeiro que muitas famílias enfrentam para garantir educação adequada a pessoas com deficiência. Trata-se do PL 1726/2019, que permite considerar como despesa médica, para fins de dedução no Imposto de Renda, o pagamento relativo à instrução de pessoa com transtorno do espectro autista. Na prática, isso tornaria a dedução integral, sem ficar presa ao limite geral hoje aplicado às despesas com educação.

Segundo o registro oficial do Senado, a proposta é de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo e estava incluída na pauta da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 4 de maio de 2026, para votação marcada para 5 de maio. O relator atual é o senador Eduardo Braga.

O ponto central do projeto é reconhecer que, em muitos casos, os gastos com ensino especializado, acompanhamento pedagógico e estruturas educacionais voltadas a estudantes com deficiência ou autismo não funcionam como uma despesa escolar comum. Muitas vezes, eles se aproximam de uma necessidade terapêutica e de desenvolvimento global, o que ajuda a explicar por que a proposta tenta enquadrar esse custo de forma diferente no cálculo do imposto. Essa leitura decorre da própria ementa oficial, que propõe tratar a instrução da pessoa com TEA como despesa médica para fins de dedução.

Para muitas famílias, essa discussão faz sentido porque a educação inclusiva raramente se resume à mensalidade de uma escola. Há custos com apoio especializado, mediação, transporte, adaptações e outros recursos que, somados, podem comprometer seriamente o orçamento doméstico. Quando o poder público analisa uma proposta desse tipo, ele toca em um problema bastante concreto: o custo real de garantir o direito à educação com dignidade. Essa observação é uma inferência coerente com o objetivo da proposta e com o tipo de despesa que ela busca reclassificar.

No Cantinho dos Amigos Especiais, essa pauta merece atenção porque combina três temas muito sensíveis: educação, inclusão e justiça tributária. Não se trata apenas de imposto. Trata-se de reconhecer que algumas famílias enfrentam despesas extraordinárias para garantir aquilo que deveria ser direito assegurado com mais naturalidade. Quando o Senado discute esse tema, ele abre espaço para um debate importante sobre como o sistema tributário pode — ou não — levar em conta as desigualdades concretas da vida real. Essa leitura é uma inferência a partir do conteúdo do projeto e de seu impacto potencial.

Também é importante manter precisão: até o que está confirmado oficialmente, o projeto estava na pauta da CAE, mas isso não significa que já virou lei. Como em outras matérias legislativas, o avanço em comissão é um passo importante, mas ainda exige atenção ao andamento posterior.

Redes sociais dos parlamentares envolvidos

Senador Veneziano Vital do Rêgo (autor do projeto)
Instagram: @venezianovitalpb.

Senador Eduardo Braga (relator atual)
X: @EduardoBraga_AM.

Fontes

Senado Federal — ficha oficial do PL 1726/2019, com autoria, ementa, relatoria atual e registro de inclusão na pauta da CAE em 04/05/2026.

Manual de Comunicação do Senado — perfil institucional do senador Veneziano Vital do Rêgo, com referência ao Instagram oficial.

Manual de Comunicação do Senado — perfil institucional do senador Eduardo Braga, com referência ao perfil oficial no X. 

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Senado debate barreiras que ainda afastam pessoas autistas do mercado de trabalho

Falar de inclusão no trabalho não é apenas abrir vaga. É entender se a empresa, o processo seletivo e o ambiente profissional estão realmente preparados para acolher a pessoa com deficiência. Foi justamente esse debate que ganhou destaque no Senado Federal, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, realizada em 9 de abril, para discutir os obstáculos enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na busca por emprego e permanência no mercado de trabalho.

Segundo os debatedores, dois problemas continuam pesando muito: o preconceito e a falta de acessibilidade. A audiência apontou que muitos empregadores ainda agem com base em ideias erradas sobre autismo, associando a condição a incapacidade de convivência, instabilidade ou dificuldade automática de desempenho. O resultado é que muitas pessoas autistas seguem fora de vagas que poderiam ocupar com competência, desde que houvesse adaptação, escuta e respeito.

A discussão também reforçou que inclusão de verdade depende de mudanças práticas. Entre as barreiras citadas estão a falta de previsibilidade no ambiente de trabalho, dificuldades de comunicação, processos seletivos inadequados e ausência de recursos simples de acomodação, como redução de ruídos, atenção à sensibilidade à luz e avisos prévios sobre mudanças de rotina. Em outras palavras, o problema não está apenas na pessoa autista, mas no modo como a sociedade e as empresas ainda insistem em funcionar sem considerar diferentes formas de perceber o mundo.

Outro ponto muito importante levantado na audiência foi o direito das pessoas autistas de concorrerem às vagas reservadas pela Lei de Cotas para pessoas com deficiência. A auditora fiscal do trabalho Luciana Xavier Sans de Carvalho lembrou que essas cotas valem para empresas com mais de 100 funcionários e alertou para o risco de retrocessos ou esvaziamento dessa política. A fala chama atenção porque muita gente ainda desconhece que pessoas com TEA estão incluídas nessa proteção legal.

A audiência ainda mostrou um cenário preocupante: faltam dados públicos amplos sobre empregabilidade de pessoas autistas, apesar de o Censo 2022 já ter identificado 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil, o equivalente a 1,2% da população. Quando o país conhece melhor essa realidade, fica mais difícil fingir que a exclusão é exceção. Ela é estrutural — e por isso precisa ser enfrentada com políticas públicas, fiscalização, formação de equipes e compromisso real das empresas.

Também houve relatos concretos de discriminação e incompreensão no trabalho. Um dos participantes citou o caso de um jovem autista que entrou em crise sensorial após um estímulo sonoro intenso e, em vez de receber acolhimento, foi tratado como caso de segurança. Histórias assim ajudam a entender por que tantas pessoas autistas escondem sua condição ao procurar emprego: muitas vezes, o medo do preconceito fala mais alto que a esperança de inclusão.

Ao mesmo tempo, a audiência trouxe sinais de caminho possível. Foi lembrado que pessoas autistas podem ter habilidades muito valiosas, inclusive hiperfoco em determinadas áreas, e que experiências bem-sucedidas de contratação já existem no Brasil, quando há mediação adequada e ambiente acolhedor. O debate mostrou que o desafio não é “se” pessoas autistas podem trabalhar, mas se o mercado está disposto a rever suas próprias barreiras.

Entendemos que essa pauta merece atenção especial. Inclusão profissional não pode ser vitrine nem discurso bonito de campanha institucional. Ela precisa virar prática diária, com respeito às diferenças, adaptações razoáveis e combate firme ao capacitismo. Quando o Senado dá visibilidade a esse tema, abre-se uma oportunidade importante para lembrar que emprego também é dignidade, autonomia e pertencimento social.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Autismo: inclusão e acolhimento precisam caminhar juntos

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma iniciativa importante reforçou uma verdade que não pode ser esquecida: inclusão de verdade começa com informação de qualidade, acolhimento às famílias e compromisso real com o cuidado. O Ministério da Saúde participou do lançamento oficial da campanha nacional sobre sinais de atenção do Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovida pelo Instituto Jô Clemente, em São Paulo, com a proposta de orientar a população, estimular a identificação precoce e combater o estigma ainda associado ao autismo.

A campanha tem um papel muito importante porque muitas famílias percebem que algo merece atenção no desenvolvimento da criança, mas nem sempre encontram orientação clara, apoio imediato ou caminhos acessíveis para buscar ajuda. Falar sobre autismo não deve ser apenas lembrar uma data no calendário, mas ampliar o respeito, a escuta, o conhecimento e a defesa dos direitos das pessoas autistas em todos os espaços da sociedade.

Entre as medidas destacadas pelo Ministério da Saúde está a incorporação do M-CHAT, instrumento de rastreio voltado à identificação precoce de sinais de TEA na infância. Segundo a pasta, esse questionário já está disponível na Caderneta Digital da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital e também no prontuário eletrônico e-SUS APS. O ministério informou ainda que o sistema passará a contar com uma entrevista de seguimento digital integrada ao prontuário, o M-CHAT R/F, para qualificar o rastreio e melhorar os encaminhamentos para a rede especializada.

A notícia também aponta investimentos concretos. Foram anunciados R$ 83,3 milhões e a habilitação de 59 novos serviços em todo o país, incluindo Centros Especializados em Reabilitação, oficinas ortopédicas e transporte adaptado. Além disso, a expansão da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência alcança 20 estados brasileiros, com previsão de novos centros, ampliação de unidades e incentivo adicional para serviços que atendem pessoas com TEA. Com isso, o SUS passará a contar com 361 Centros Especializados em Reabilitação em todo o Brasil, com investimento anual superior a R$ 1 bilhão.

Aqui no Cantinho dos Amigos Especiais, reafirmamos nosso apoio a toda iniciativa séria que ajude a ampliar a inclusão, a orientação correta e o acesso aos direitos das pessoas com deficiência e de suas famílias. Conscientizar é mais do que informar: é enfrentar o preconceito, fortalecer políticas públicas e trabalhar para que nenhuma pessoa seja tratada com invisibilidade, descaso ou exclusão.

Fontes e links

Ministério da Saúde. Ministério da Saúde reforça compromisso com a inclusão no lançamento de campanha de autismo do Instituto Jô Clemente. Publicado em 6 de abril de 2026.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo thomé de Saboya Oliveira.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Dia Mundial de Conscientização do Autismo: respeito, inclusão e dignidade para todas as pessoas

No dia 2 de abril, o mundo volta os olhos para uma causa que precisa ser lembrada com seriedade, sensibilidade e compromisso: o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU em 2007 e tem como objetivo promover os direitos, a dignidade e a participação plena das pessoas autistas na sociedade.

Mais do que uma data simbólica, este dia nos convida a refletir sobre a forma como a sociedade enxerga o autismo. Conscientizar não significa apenas divulgar informações. Significa também combater preconceitos, desfazer estereótipos e reconhecer que pessoas autistas têm valor, voz, capacidades e direito de ocupar todos os espaços da vida social. A própria ONU tem destacado que a sociedade deve avançar da simples conscientização para a valorização da neurodiversidade e para a garantia concreta de direitos.

É importante lembrar que o autismo não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Cada pessoa autista é única, com sua maneira de perceber o mundo, de se comunicar, de aprender, de sentir e de se relacionar. Por isso, não podemos tratar o tema com generalizações apressadas. O caminho mais humano é sempre o do respeito, da escuta e da empatia. Essa compreensão ajuda famílias, escolas, igrejas, serviços de saúde e toda a comunidade a acolher melhor e agir com mais responsabilidade.

No Brasil, a proteção dos direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista ganhou um marco importante com a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA. Essa legislação reconhece a necessidade de garantir atendimento, proteção social e diretrizes específicas para a promoção da cidadania e da inclusão.

Outro ponto fundamental é que a legislação brasileira passou a assegurar, para todos os fins legais, a proteção da pessoa autista dentro do conjunto de direitos das pessoas com deficiência. Nesse contexto, a Lei Brasileira de Inclusão, a Lei nº 13.146/2015, reforça que a inclusão social e a cidadania devem acontecer em igualdade de condições, com acesso a direitos e liberdades fundamentais. Isso fortalece o entendimento de que inclusão não é favor. Inclusão é direito.

Quando falamos em inclusão, falamos de realidades muito concretas. Estamos falando de acesso à educação com apoio adequado, à saúde com atendimento digno, ao convívio social sem discriminação, ao trabalho com oportunidades verdadeiras, aos espaços públicos com acessibilidade e ao respeito dentro da própria família e da comunidade. Não basta dizer que acolhe. É preciso construir ambientes em que a pessoa autista possa viver com segurança, autonomia e pertencimento.

Também precisamos lembrar das famílias, que muitas vezes enfrentam cansaço, desinformação, barreiras sociais e até julgamentos injustos. Uma sociedade mais consciente é aquela que não culpa, não ridiculariza e não abandona. Ao contrário, ela oferece apoio, compreensão e políticas públicas que permitam uma vida mais justa para todos. A ONU tem reforçado que ainda existem desafios significativos para pessoas autistas no mundo inteiro, inclusive em relação ao estigma e à exclusão.

Falar sobre esta data é reafirmar um compromisso com a dignidade humana. Toda pessoa merece ser vista para além de um diagnóstico. Toda pessoa merece respeito. Toda pessoa merece oportunidade de florescer. O Dia Mundial de Conscientização do Autismo nos recorda que uma sociedade verdadeiramente humana é aquela que aprende a acolher as diferenças sem transformar a diferença em barreira.

Que esta data toque o coração de todos nós. Que haja mais informação correta e menos preconceito. Mais escuta e menos julgamento. Mais acessibilidade e menos exclusão. E que, em vez de apenas lembrar o autismo em um único dia do ano, possamos praticar diariamente uma cultura de respeito, inclusão e amor ao próximo.

Referências

ONU Brasil. Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.
ONU Brasil. No Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, evento na ONU celebra contribuições das pessoas autistas para a sociedade.
ONU Brasil. Mensagem do secretário-geral da ONU para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, assinalado em 2 de abril.
Brasil. Presidência da República. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Brasil. Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Dia Nacional do Orgulho Autista: Brasil avança ao reconhecer oficialmente o 18 de junho

O calendário brasileiro pode ganhar, em breve, uma nova data de grande significado para a comunidade autista: o Dia Nacional do Orgulho Autista, em 18 de junho. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional e, até 11 de março de 2026, havia sido remetida à sanção presidencial, etapa final para que passe a valer como lei.

Mais do que uma comemoração simbólica, a data representa um passo importante no fortalecimento da neurodiversidade, da inclusão e do respeito às pessoas autistas. A ideia é reconhecer que o autismo não deve ser visto apenas pelo ângulo das dificuldades, mas também pela identidade, pela dignidade e pelo direito de cada pessoa existir como é, com apoio, acessibilidade e oportunidades reais.

O 18 de junho já era lembrado em vários espaços no Brasil e no mundo como o Dia do Orgulho Autista. Segundo publicação oficial do governo federal de 2018, a data começou a ser celebrada em 2005, inicialmente pela organização Aspies for Freedom, e ganhou força justamente por defender uma mudança de olhar: sair da visão de “doença” e avançar para a compreensão do autismo como uma diferença humana, que envolve desafios, potencialidades e modos próprios de perceber o mundo.

No caso brasileiro, o reconhecimento oficial da data veio por meio do PL 3.391/2020, de autoria do senador Romário. A proposta original criava o Dia Nacional do Orgulho Autista em 18 de junho. Depois, a Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo que também ajustou a redação da Lei 13.652/2018, que já previa o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, em 2 de abril. Com isso, o texto passou a reunir as duas datas no calendário nacional.

A aprovação final no Senado ocorreu em 4 de março de 2026. Na tramitação oficial, o Senado registra que o substitutivo da Câmara foi aprovado em plenário e que o projeto seguiu para sanção, com prazo aberto entre 11 e 31 de março de 2026. Ou seja: neste momento, o Brasil já deu um passo legislativo muito importante, mas a transformação definitiva em lei depende da conclusão dessa fase formal.

A existência de duas datas no calendário não é repetição; é complemento. O 2 de abril segue com foco mais amplo na conscientização, chamando a sociedade para informação, combate ao preconceito e divulgação de direitos. Já o 18 de junho carrega uma mensagem mais afirmativa: a de que pessoas autistas não precisam ser reduzidas a estigmas, nem tratadas apenas como alvo de campanhas educativas, mas reconhecidas em sua identidade, em sua participação social e em seu direito ao pertencimento.

Para famílias, educadores, profissionais e para a própria comunidade autista, a oficialização da data pode ajudar a ampliar debates sobre acessibilidade, apoio adequado, diagnóstico responsável, educação inclusiva, inserção no trabalho e respeito às diferentes formas de comunicação e interação. Também abre espaço para ações públicas e privadas mais organizadas, com campanhas, rodas de conversa, eventos e atividades que valorizem a voz das pessoas autistas.

No Cantinho dos Amigos Especiais, entendemos que falar de orgulho autista não é negar dificuldades reais. É afirmar que nenhuma pessoa deve ser definida apenas pelas barreiras que encontra. Orgulho, aqui, significa respeito, autonomia, acolhimento e o reconhecimento de que toda pessoa merece viver sem discriminação, com sua humanidade plenamente reconhecida.

Que o 18 de junho seja, cada vez mais, um convite à escuta, à empatia e à construção de uma sociedade onde a diferença não seja motivo de exclusão, mas parte da riqueza humana.

Fontes: Agência Senado; Senado Federal – tramitação do PL 3.391/2020; Câmara dos Deputados; Ministério dos Direitos Humanos. 

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

18 de fevereiro – Dia Internacional da Síndrome de Asperger

O dia 18 de fevereiro é lembrado mundialmente como o Dia Internacional da Síndrome de Asperger porque marca o nascimento de Hans Asperger, ocorrido em 18 de fevereiro de 1906.

Foi ele quem, em 1944, descreveu um grupo de crianças que apresentavam dificuldades significativas na interação social, interesses restritos e padrões comportamentais específicos, mas com inteligência preservada e linguagem formalmente desenvolvida.

Durante décadas, essa condição recebeu o nome de Síndrome de Asperger em sua homenagem.


O que era a Síndrome de Asperger?

A Síndrome de Asperger era classificada como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado principalmente por:

  • Dificuldade na comunicação social
  • Interpretação literal da linguagem
  • Interesses intensos e específicos
  • Forte apego a rotinas
  • Sensibilidade sensorial
  • Inteligência dentro ou acima da média
  • Ausência de atraso significativo na fala

Muitas vezes, as pessoas com esse perfil eram vistas como “excêntricas”, “isoladas” ou “muito focadas”, sem que houvesse compreensão de que se tratava de uma condição neurológica.


E hoje? O diagnóstico ainda existe?

Desde 2013, com a atualização do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a Síndrome de Asperger deixou de existir como diagnóstico separado.

Ela passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA), geralmente correspondendo ao que hoje se chama TEA nível 1 de suporte.

Isso significa que a pessoa precisa de apoio, mas possui maior autonomia em comparação com níveis mais elevados de necessidade de suporte.


Por que ainda se fala em Asperger?

Apesar da mudança diagnóstica, muitas pessoas que receberam esse diagnóstico antes de 2013 continuam se identificar como “asperger”.

A data de 18 de fevereiro permanece como um momento de conscientização sobre:

  • Autismo sem deficiência intelectual associada
  • Inclusão social
  • Combate ao preconceito
  • Respeito à neurodiversidade

Pontos importantes para compreender

A pessoa com perfil Asperger:

✔ Pode ter excelente memória
✔ Pode desenvolver habilidades profundas em áreas específicas
✔ Pode apresentar dificuldade em entender ironia, duplo sentido ou linguagem corporal
✔ Pode se sentir sobrecarregada em ambientes com excesso de estímulos

Não se trata de falta de educação, frieza ou desinteresse.
Trata-se de uma forma diferente de perceber e interagir com o mundo.


Inclusão é compreensão

Falar sobre a Síndrome de Asperger é falar sobre respeito às diferenças invisíveis.

Nem toda deficiência é física.
Nem toda dificuldade é preguiça.
Nem todo silêncio é indiferença.

Conscientização gera acolhimento.
E acolhimento transforma realidades.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira. 

Dia Internacional da Síndrome de Asperger


 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

TAP Air Portugal condenada: o que o caso ensina sobre acessibilidade no transporte aéreo

A Justiça do Rio de Janeiro condenou a companhia aérea TAP Air Portugal a pagar R$ 60 mil por danos morais após impedir o embarque, na cabine, de um cão de assistência que acompanharia uma menina de 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em um voo com destino a Lisboa.

O episódio, além de doloroso para a família, expõe um problema que o Cantinho dos Amigos Especiais acompanha há anos: quando a acessibilidade depende do “achismo” de balcão, a pessoa com deficiência é colocada em situação de constrangimento, insegurança e exclusão.


Entenda o caso, em linguagem simples

De acordo com as reportagens, o caso aconteceu em maio de 2025, no embarque para um voo internacional. A família afirma que apresentou a documentação do animal (treinado e certificado como cão de assistência) e que havia determinação judicial favorável, mas, ainda assim, o embarque do cão foi negado.

Como havia compromissos profissionais inadiáveis, a família teria viajado sem o cão, o que, para uma criança autista, pode significar aumento de ansiedade, crises e sofrimento — especialmente em ambiente de aeroporto e avião, que já costuma ser altamente estressante.

A decisão foi proferida na 5ª Vara Cível da comarca de Niterói, no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.


Por que isso é acessibilidade (e não “favor”)

Para muita gente, ainda existe a confusão: “é só um cachorro”.
Mas um cão de assistência não é um item extra. Em muitos casos ele é parte do suporte funcional e emocional que permite à pessoa com deficiência enfrentar o mundo com mais autonomia e segurança.

Quando esse apoio é retirado de forma abrupta, o impacto não é pequeno. É sobre:

  • dignidade;

  • previsibilidade;

  • redução de riscos;

  • bem-estar de uma criança com deficiência.


Um ponto importante: cão-guia, cão de assistência e suporte emocional não são a mesma coisa

Muita discussão sobre “animal na cabine” se mistura e, infelizmente, isso vira argumento para negar direitos.

A ANAC esclarece que:

  • cão-guia (para pessoa com deficiência visual) tem regras específicas e proteção bem consolidada;

  • animal de estimação e animal de suporte emocional seguem políticas das companhias e requisitos próprios.

E o Superior Tribunal de Justiça já tratou, em decisão noticiada, da diferença entre suporte emocional e cão-guia, reforçando que não são equivalentes.

Neste caso do RJ, o destaque é que o animal foi descrito como cão de assistência (treinado e certificado) e que o impedimento foi considerado grave pela Justiça, com indenização por dano moral.


Guia prático do Cantinho: como se preparar para viajar com animal de assistência

Sem “juridiquês”, aqui vai um checklist bem direto:

  1. Documentação organizada (e duplicada)

  • laudo e relatório que expliquem a necessidade;

  • comprovação de treinamento/certificação do animal (quando existir);

  • tudo em PDF no celular + impresso.

  1. Confirmação por escrito

  • peça a autorização por e-mail/canal oficial e guarde protocolos.

  1. No dia do voo

  • chegue cedo;

  • se houver resistência, peça supervisão imediatamente;

  • anote nomes, horários e registre por escrito/fotos do que puder.

  1. Se houver decisão judicial

  • leve a decisão impressa e salva offline;

  • registre qualquer descumprimento com máximo de evidências.

Dica de ouro: a maioria dos problemas cresce quando a família fica sem registro. Protocolo e documento salvam.


O que essa condenação representa

Além de reparar, ainda que parcialmente, o sofrimento causado à família, decisões assim funcionam como recado para o setor: acessibilidade não é opcional. E quando uma empresa falha, precisa haver consequência.

O Cantinho dos Amigos Especiais segue defendendo o óbvio: viajar não pode ser um privilégio de quem “não dá trabalho”. Viagem é direito. E acessibilidade é parte do caminho.


Redes sociais dos envolvidos(para acompanhamento e contato institucional)

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Quando Comer Também é um Desafio: Seletividade Alimentar no Autismo

Para muitas pessoas autistas, a alimentação não é apenas uma questão de gosto — é uma experiência sensorial completa. Textura, cheiro, cor, temperatura e até o som do alimento podem influenciar diretamente na aceitação ou recusa de um prato.

A chamada seletividade alimentar é muito comum no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não deve ser confundida com “manha” ou falta de educação. Trata-se de uma resposta neurossensorial legítima, ligada à forma como o cérebro autista processa estímulos.

Por que a seletividade acontece?

Pessoas autistas podem apresentar hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial. Assim:

  • Alimentos crocantes podem ser insuportáveis para alguns.
  • Texturas pastosas podem causar ânsia em outros.
  • Mistura de alimentos no prato pode gerar desconforto visual.
  • Cheiros fortes podem impedir até a aproximação do prato.

Além disso, a previsibilidade é importante para muitos autistas. Comer sempre os mesmos alimentos traz segurança emocional.

Quais são os riscos?

Quando muito restrita, a alimentação pode levar a deficiências nutricionais. Por isso, o acompanhamento com nutricionista, terapeuta ocupacional e equipe multidisciplinar é fundamental — sempre respeitando o ritmo e as particularidades da pessoa autista.

Como ajudar sem forçar?

Algumas atitudes fazem toda a diferença:

  • Respeitar o tempo da pessoa.
  • Apresentar novos alimentos de forma gradual.
  • Evitar pressão, punições ou comparações.
  • Permitir que a pessoa explore o alimento sem obrigação de comer.
  • Valorizar cada pequena conquista.

O objetivo não é “corrigir” o autista, mas acolher seu funcionamento e ampliar possibilidades com carinho, paciência e respeito.

Mais do que comer, é sobre dignidade

Quando entendemos a seletividade alimentar no autismo, aprendemos que inclusão também acontece à mesa. E que amar é, muitas vezes, aprender a olhar o mundo pelos olhos do outro.

No Cantinho dos Amigos Especiais, acreditamos que informação gera empatia — e empatia transforma realidades.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Autismo e água: entre o encanto, o cuidado e as possibilidades de inclusão

É muito comum ouvir famílias dizerem que a criança ou o adulto autista “ama água”: fica hipnotizado olhando o mar, quer entrar na piscina o tempo todo, adora banho demorado ou brincar com mangueira e bacias. Ao mesmo tempo, também ouvimos relatos de medo, insegurança e histórias tristes de afogamento.

Falar sobre a relação entre autismo e água é, portanto, falar de encantamento, de risco e também de oportunidade terapêutica e inclusiva.


Por que a água encanta tantas pessoas autistas?

Muitos autistas têm um modo diferente de processar os estímulos sensoriais: sons, luzes, cheiros, toques e movimentos podem ser sentidos de forma mais intensa ou mais suave do que na maioria das pessoas. A água, por sua vez, é um “pacote completo” de sensações:

  • o barulho das ondas ou dos respingos,

  • o brilho da luz refletida,

  • a sensação de pressão e de frescor no corpo,

  • o movimento contínuo e previsível das ondas ou da água correndo.

Por isso, alguns estudos e relatos apontam que a água pode ser um estímulo sensorial muito atraente para muitas pessoas autistas, trazendo sensação de calma, prazer e organização interna.

Não é uma regra para todo mundo — há autistas que não gostam de água, têm medo de banho ou se incomodam com respingos. Mas, quando há atração, ela costuma ser intensa: é o menino que corre em direção à piscina, a menina que fica fascinada olhando a água do lago, o jovem que prefere ficar horas no banho, pois é ali que se sente melhor.


Quando o encanto vira risco: o problema do afogamento

Exatamente porque a água é tão atraente, o risco de afogamento é muito maior entre pessoas autistas, especialmente crianças.
Levantamentos de entidades especializadas mostram que crianças com Transtorno do Espectro Autista têm um risco de morte por afogamento muito mais elevado do que crianças não autistas, chegando a cerca de 160 vezes mais em alguns estudos.

Alguns fatores ajudam a entender esse dado tão preocupante:

  • Tendência à fuga / “elopement”: muitas crianças autistas podem sair correndo de casa, da escola ou de um ambiente fechado, movidas por curiosidade, busca de um estímulo (como água) ou tentativa de fugir de um desconforto.

  • Atração forte por água: se houver rio, represa, piscina ou lago por perto, é comum a criança se dirigir para lá.

  • Baixa percepção de perigo: algumas crianças e adultos não avaliam o risco da profundidade, da correnteza ou da ausência de colete e supervisão.

  • Dificuldades de comunicação: se estiverem em perigo, podem não gritar por ajuda, seja por dificuldade de fala, seja por não conseguirem organizar o pedido de socorro.

Dados recentes e relatos de entidades de prevenção de afogamento mostram que, entre as mortes de crianças autistas após episódios de fuga, o afogamento é a principal causa. Isso tem levado associações de autismo a criarem alertas específicos sobre o tema e campanhas focadas em prevenção.


A água como aliada: brincadeiras, natação e terapias aquáticas

Se, por um lado, existe o risco, por outro a água também pode ser uma grande aliada na qualidade de vida de pessoas autistas, desde que haja segurança e orientação adequada.

Pesquisas sobre terapia aquática / hidroterapia em crianças com TEA apontam benefícios como:

  • melhora da coordenação motora e do equilíbrio;

  • aumento da força muscular e da resistência física;

  • redução de comportamentos de agitação e ansiedade;

  • aumento da interação social (brincar com outras crianças, seguir instruções de um professor, participar de jogos em grupo);

  • melhora da auto-regulação sensorial – a pressão da água, a flutuação e a temperatura estável podem trazer uma sensação de “abraço” no corpo, ajudando a pessoa a se organizar internamente.

Além das terapias formais, brincadeiras simples com água – bacias, esguicho de mangueira, chuveirão, chuva artificial no quintal – podem ser utilizadas como recurso de lazer, vínculo e comunicação em família, quando a pessoa autista gosta desse tipo de estímulo.

O ponto-chave é: usar a água como aliada, sem esquecer a segurança.


Cuidar é prevenir: orientações práticas para famílias e comunidades

1. Segurança começa em casa

  • Se houver piscina em casa, condomínio ou sítio da família, é fundamental ter grade, portão com trava alta e, se possível, capa de proteção apropriada.

  • Portas e portões que dão acesso à rua, a rios ou represas podem ter fechos extra, de preferência fora do alcance da criança.

  • Alarmes de porta, campainhas que tocam ao abrir e outros recursos simples podem ajudar a avisar quando alguém sai sem que o cuidador perceba.

2. Ensinar a nadar o quanto antes – com abordagem inclusiva

  • Aulas de natação adaptadas para autistas podem salvar vidas: a criança pode aprender a boiar, virar de barriga para cima, nadar até a borda e segurar firme, mesmo que não domine todos os estilos.

  • É importante procurar profissionais que conheçam o TEA ou estejam abertos a aprender, usando rotinas visuais, repetições previsíveis e reforço positivo.

  • Mesmo com aulas, a supervisão de um adulto responsável continua obrigatória. Saber nadar reduz o risco, mas não elimina.

3. Supervisão constante perto de qualquer água

  • Crianças autistas nunca devem ficar sozinhas perto de piscinas, lagos, rios, praias ou até tanques e caixas d’água.

  • Em festas de família, clubes, viagens e passeios, o ideal é combinar quem será o adulto de referência, com atenção exclusiva a essa criança naquele período.

  • Em ambientes com muita gente, usar identificação (pulseira, cordão) com contato da família pode ajudar em caso de fuga.

4. Comunidade preparada salva vidas

  • Escolas, clubes, igrejas, centros comunitários e espaços públicos podem oferecer orientação específica sobre autismo e segurança na água aos seus funcionários.

  • Salva-vidas e monitores precisam saber que muitas crianças autistas são atraídas pela água, podem não responder quando chamados e podem se afogar silenciosamente, sem gritos.

  • Políticas públicas que incentivem programas de natação inclusiva, cercamento de áreas de risco e campanhas de conscientização contribuem diretamente para reduzir mortes por afogamento em pessoas autistas.


Respeito ao jeito de ser e direito ao lazer

É importante lembrar que o objetivo não é afastar a pessoa autista da água, mas permitir que ela se relacione com esse elemento de forma segura, respeitosa e prazerosa.

  • Se a pessoa ama água, vamos cuidar para que tenha acesso a piscinas, praias, rios, chuveirões e brincadeiras com segurança, supervisão e, quando possível, apoio profissional.

  • Se a pessoa tem medo ou aversão, vamos respeitar esse limite, oferecendo aproximação gradual, sem forçar, e lembrando que nem todo mundo precisa gostar da mesma coisa.

No fim das contas, a relação entre autismo e água nos lembra que inclusão também é garantir acesso seguro ao lazer.
É reconhecer que aquele menino fascinado pela piscina, aquela jovem que só relaxa verdadeiramente no banho, aquele adulto que encontra paz olhando o mar não estão “exagerando”: estão expressando um jeito próprio de sentir o mundo.

Quando famílias, profissionais e sociedade entendem essa relação, conseguem transformar a água de possível ameaça em espaço de cuidado, desenvolvimento e alegria — como deve ser em qualquer caminho verdadeiramente inclusivo.


Referências