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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

🧡 Outubro Laranja: compreender o TDAH também é uma forma de incluir


Outubro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). No Brasil, a campanha também ganhou a identificação de Outubro Laranja, chamando a atenção para a necessidade de informação, acolhimento e combate ao preconceito.

Em 2026, a campanha internacional traz como tema “A Community of Support” — “Uma comunidade de apoio”. A proposta lembra algo muito importante: ninguém deveria precisar enfrentar sozinho os desafios associados ao TDAH. Família, escola, profissionais de saúde, amigos e ambiente de trabalho podem fazer uma enorme diferença quando existe informação e compreensão.

🧠 Afinal, o que é TDAH?

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento. Seus sintomas começam na infância e podem continuar durante a adolescência e a vida adulta, embora possam se apresentar de maneiras diferentes ao longo da vida.

Entre as manifestações mais conhecidas estão:

  • dificuldade para manter a atenção;
  • distração frequente;
  • esquecimentos;
  • dificuldade de organização;
  • impulsividade;
  • inquietação ou hiperatividade;
  • dificuldade para administrar tarefas, horários e prazos.

Mas atenção: esquecer um compromisso de vez em quando, ser agitado ou ter dificuldade para se concentrar em uma tarefa não significa, por si só, que a pessoa tenha TDAH.

O diagnóstico deve ser realizado por profissional habilitado, considerando o conjunto dos sintomas, sua frequência, sua persistência e o impacto que provocam na vida da pessoa.

🧡 TDAH não é preguiça nem falta de educação

Talvez uma das maiores contribuições do Outubro Laranja seja justamente combater rótulos.

Uma criança com TDAH pode ouvir repetidamente:

“Você não presta atenção!”

“Pare quieto!”

“Você poderia fazer melhor se se esforçasse.”

Na vida adulta, os julgamentos podem mudar de palavras, mas continuam existindo:

“É desorganizado.”

“Não termina nada.”

“Está sempre atrasado.”

“Não consegue se concentrar.”

Essas frases podem transformar dificuldades reais em julgamentos sobre o caráter da pessoa.

Conscientizar é substituir o rótulo pela pergunta: de que apoio essa pessoa precisa?

👧👦 TDAH não existe apenas na infância

Durante muito tempo, o TDAH foi lembrado principalmente quando se falava de crianças em idade escolar.

Hoje sabemos que seus sintomas podem persistir na idade adulta. Eles podem mudar de aparência: aquela hiperatividade muito visível na infância, por exemplo, pode aparecer no adulto como inquietação, sensação de estar sempre acelerado ou dificuldade para permanecer envolvido em determinadas atividades.

Por isso, conscientização sobre TDAH deve incluir crianças, adolescentes e adultos.

🏫 Inclusão também acontece na escola

Uma criança ou adolescente com TDAH não precisa de menos ensino. Pode precisar de outras estratégias para conseguir demonstrar tudo aquilo que é capaz de aprender.

Orientações claras, divisão de tarefas longas em etapas, organização da rotina, redução de distrações desnecessárias e acompanhamento adequado podem ajudar bastante.

No Brasil, a Lei nº 14.254/2021 determina que o poder público mantenha programa de acompanhamento integral para estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem. A legislação prevê identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional e, quando necessário, apoio terapêutico especializado. Também estabelece responsabilidades para as redes pública e privada de educação básica.

Ou seja: não se trata de “facilitar a vida” do estudante.

Trata-se de oferecer condições para que ele aprenda.

💼 E no trabalho?

O adulto com TDAH também pode enfrentar dificuldades para organizar atividades, administrar prazos, priorizar tarefas ou trabalhar em ambientes com muitos estímulos.

Algumas medidas simples de organização podem ajudar bastante: instruções objetivas, definição clara de prioridades, planejamento de etapas, ferramentas de lembrete e ambientes que reduzam distrações quando isso for possível.

Cada pessoa, porém, é diferente. Não existe uma única maneira de ter TDAH.

Por isso, antes de presumir aquilo de que alguém necessita, o melhor caminho continua sendo ouvir a própria pessoa.

💊 Existe tratamento?

Sim.

O TDAH pode ser acompanhado e tratado. A abordagem deve ser individualizada e pode envolver diferentes estratégias e profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

O mais importante é fugir das soluções milagrosas e do autodiagnóstico baseado apenas em vídeos ou listas encontradas nas redes sociais.

Informação na internet pode ser o começo de uma dúvida. Diagnóstico e tratamento pertencem ao acompanhamento profissional.

🤝 Uma comunidade de apoio

O tema escolhido para a conscientização internacional em 2026 resume muito bem aquilo que defendemos aqui no Cantinho dos Amigos Especiais:

uma comunidade de apoio.

Uma comunidade que não pergunta apenas por que aquela criança não consegue ficar quieta, mas tenta compreender o que está acontecendo.

Que não chama alguém de preguiçoso antes de conhecer suas dificuldades.

Que não transforma um diagnóstico em identidade.

Que respeita diferentes maneiras de aprender, trabalhar, organizar-se e participar da sociedade.

E, principalmente, uma comunidade que entende que inclusão não significa tratar todas as pessoas exatamente da mesma maneira.

Significa proporcionar a cada uma delas as condições necessárias para participar.

🧡 Neste Outubro Laranja, espalhe informação

O TDAH é real.

Pode acompanhar a pessoa durante toda a vida.

Pode trazer desafios importantes.

E também não define sozinho quem aquela pessoa é.

Por trás da sigla TDAH existe uma criança, um adolescente ou um adulto com personalidade, sonhos, capacidades, dificuldades e uma história que não cabe em quatro letras.

Neste Outubro Laranja, o convite do Cantinho dos Amigos Especiais é simples:

🧡 menos rótulos;
🧡 mais informação;
🧡 menos julgamento;
🧡 mais acolhimento;
🧡 menos preconceito;
🧡 mais inclusão.

Porque compreender também é incluir.


Fontes consultadas: Ministério da Saúde; Lei Federal nº 14.254/2021; ADHD Awareness Month Coalition; CDC – Centers for Disease Control and Prevention.

Conteúdo informativo. Esta publicação não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Câmara aprova projeto que amplia a proteção às pessoas com TDAH

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 4.225/2023, que cria a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento. A proposta contempla pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia e outros transtornos de aprendizagem.

A aprovação representa um avanço importante para milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades na escola, no trabalho e em diferentes situações da vida cotidiana. Entretanto, é necessário esclarecer: o projeto ainda não virou lei e não reconhece automaticamente toda pessoa com TDAH como pessoa com deficiência.

O que o projeto estabelece?

Entre as medidas previstas estão:

  • identificação precoce dos sinais de transtornos de aprendizagem;

  • encaminhamento para avaliação e diagnóstico;

  • elaboração de planejamento educacional individualizado;

  • adaptação dos métodos de ensino;

  • revisão periódica dos planos educacional e terapêutico;

  • capacitação de profissionais das áreas de educação e saúde;

  • combate à discriminação, à estigmatização e à exclusão;

  • atenção integral e articulada entre educação, saúde e assistência;

  • fornecimento gratuito, pelo SUS, dos medicamentos prescritos, conforme as regras do sistema público;

  • desenvolvimento de políticas de qualificação profissional e inclusão no trabalho.

O texto alcança a educação básica, a educação profissional e tecnológica e o ensino superior.

Provas e concursos poderão ter adaptações

A proposta também prevê condições mais adequadas para pessoas com TDAH, dislexia ou outros transtornos de aprendizagem durante provas escolares, concursos públicos, processos seletivos e avaliações.

Conforme a necessidade de cada pessoa e as regras de cada instituição, poderão ser oferecidos:

  • tempo adicional;

  • ambiente com menos estímulos e distrações;

  • auxílio de ledor;

  • recursos tecnológicos;

  • flexibilização do formato da prova.

Essas adaptações não representam privilégios. São recursos de acessibilidade destinados a permitir que cada candidato demonstre seus conhecimentos em condições mais justas.

TDAH será considerado deficiência automaticamente?

Não. O diagnóstico de TDAH, isoladamente, não garantirá automaticamente o reconhecimento da pessoa como alguém com deficiência.

De acordo com o texto aprovado, a equiparação dependerá de uma avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. Essa avaliação deverá analisar se a pessoa apresenta impedimentos de longo prazo que, em interação com diferentes barreiras, dificultem sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Em outras palavras, não será considerada apenas a existência do diagnóstico ou o grau clínico do transtorno. Também serão observados os impactos concretos na autonomia, na aprendizagem, na comunicação, no trabalho, na convivência social e em outras áreas da vida.

Por isso, não é correto afirmar que todas as pessoas com TDAH passarão imediatamente a ter direito a cotas, BPC, aposentadoria diferenciada ou a todos os demais benefícios destinados às pessoas com deficiência. Cada direito continuará sujeito aos critérios legais e, quando exigida, à avaliação individual.

O projeto já está valendo?

Ainda não. A Câmara dos Deputados concluiu a votação em junho de 2026, e o projeto foi encaminhado ao Senado Federal, onde começou a tramitar em julho.

Para se transformar em lei, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e encaminhado à sanção presidencial. Caso os senadores façam alterações, a proposta poderá retornar à Câmara para uma nova análise.

Um avanço que precisa ser acompanhado

O projeto reconhece que o TDAH pode produzir impactos muito diferentes de uma pessoa para outra. Algumas conseguem desenvolver suas atividades com apoio e tratamento; outras enfrentam barreiras intensas e duradouras que comprometem sua aprendizagem, autonomia, vida profissional e participação social.

A proposta não deve ser interpretada como um rótulo ou como uma tentativa de transformar automaticamente todo diagnóstico em deficiência. Seu objetivo é oferecer suporte, acessibilidade e proteção de acordo com as necessidades reais de cada pessoa.

A aprovação pela Câmara é uma etapa importante, mas a mobilização da sociedade continua necessária. Além de acompanhar a tramitação no Senado, será fundamental cobrar recursos, regulamentação adequada e aplicação efetiva das medidas.

Incluir não é oferecer vantagens. É reconhecer barreiras e garantir os recursos necessários para que todas as pessoas tenham oportunidades verdadeiramente iguais.

Parlamentares envolvidos no projeto

ParlamentarParticipação no projetoRedes sociais
Alex Manente (Cidadania–SP)AutorInstagram · Facebook
Amom Mandel (Republicanos–AM)CoautorInstagram · Facebook
Any Ortiz (PP–RS)CoautoraInstagram · Facebook
Andreia Siqueira (PSB–PA)Relatora do texto aprovado pela CâmaraInstagram · Facebook · X

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Direitos do aluno com TDAH: o que você deve saber antes da matrícula em uma nova escola

Mudar de escola é sempre um momento delicado: nova rotina, novos professores, colegas diferentes… Quando a criança ou o adolescente tem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), essa transição merece ainda mais cuidado.

Mais do que escolher “uma escola boa”, é fundamental garantir que ela respeite os direitos do estudante e esteja disposta a acolhê-lo de forma inclusiva.

Este texto é um guia para famílias, responsáveis e também para educadores que querem entender, de forma simples, quais são os principais direitos do aluno com TDAH na hora da matrícula e no dia a dia escolar.


1. TDAH e direito à educação inclusiva

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta atenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade. Ele não é “preguiça”, “falta de limite” nem “mania de criança”.

A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) garantem a toda criança o direito à educação, sem discriminação.

Em 2021, a Lei nº 14.254 trouxe um avanço importante: ela determina que o poder público ofereça acompanhamento integral a estudantes com TDAH, dislexia ou outros transtornos de aprendizagem, incluindo identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional e orientação às famílias.

Além disso, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) reforça que a educação deve ser inclusiva, em todos os níveis, e que a escola não pode agir de forma discriminatória com nenhuma pessoa em razão de sua condição.

Na prática, isso significa:

  • A escola não pode recusar matrícula por causa do TDAH.

  • A escola não pode cobrar taxa extra só porque o aluno precisa de apoio adicional.

  • O estudante tem direito a apoio adequado para aprender, dentro de um ambiente inclusivo.


2. O que a lei garante na prática para alunos com TDAH

Quando se fala em “acompanhamento integral”, estamos falando, de forma simples, de quatro pilares principais:

2.1 Identificação precoce

  • A escola deve estar atenta a sinais de dificuldade de atenção, inquietação, impulsividade e rendimento escolar abaixo do esperado.

  • Quando há suspeita de TDAH, deve orientar a família a procurar avaliação com profissionais especializados (médico, psicólogo, neuropsicólogo, equipe multiprofissional).

2.2 Encaminhamento para diagnóstico

  • Não cabe à escola “diagnosticar”, mas encaminhar e apoiar a família nessa busca.

  • O laudo não é um “rótulo”, e sim uma ferramenta para ajustar estratégias pedagógicas.

2.3 Apoio educacional

A escola deve adotar práticas que facilitem a aprendizagem, como por exemplo:

  • explicações mais objetivas e em partes menores;

  • checar se a criança entendeu a instrução;

  • permitir que o aluno se sente em local com menos distrações;

  • flexibilizar certas atividades, priorizando o essencial do conteúdo;

  • em alguns casos, ajustar tempo de prova ou forma de avaliação;

  • oferecer apoio pedagógico complementar, quando for o caso.

2.4 Orientação à família

  • A escola deve manter canal de diálogo aberto com os responsáveis, compartilhando observações, combinando estratégias e evitando postura de culpa ou julgamento.

  • Família e escola precisam caminhar juntas, lembrando que o objetivo principal é o desenvolvimento da criança ou do adolescente.


3. O que observar na escola antes da matrícula

Antes de assinar a ficha de matrícula, vale fazer uma verdadeira “entrevista” com a escola. Algumas perguntas importantes:

3.1 Postura da escola frente ao TDAH

  • A escola já teve (ou tem) alunos com TDAH? Como foi ou está sendo essa experiência?

  • Há algum projeto ou política de inclusão formalmente assumida pela escola?

  • A direção e a coordenação demonstram abertura para dialogar sobre laudos e orientações dos profissionais de saúde?

A forma como a equipe responde já dá um bom sinal. Se a fala vier carregada de rótulos (“aqui essas crianças dão muito trabalho”, “TDAH é falta de limite”), é um alerta importante.

3.2 Formação e apoio aos professores

  • Os professores recebem formação sobre educação inclusiva e TDAH?

  • A escola conta com psicopedagogo, orientador educacional ou equipe de apoio para pensar estratégias junto com o professor da sala?

  • Há espaço para reuniões periódicas com a família?

Uma escola que investe em formação e equipe de apoio tende a responder melhor às necessidades do estudante.

3.3 Adaptações e flexibilidade

Pergunte, com exemplos concretos:

  • A escola está disposta a ajustar a forma de avaliação (provas mais curtas, mais tempo, avaliação oral, uso de recursos visuais etc.) quando necessário?

  • É possível combinar rotinas diferenciadas (intervalos breves adicionais, local mais tranquilo para determinadas atividades, reforço em alguns conteúdos)?

  • A escola aceita construir, junto com a família e a equipe de saúde, um plano individual de acompanhamento para o estudante?

Respostas muito rígidas, do tipo “aqui é tudo igual para todo mundo, não fazemos adaptação nenhuma”, costumam ir contra o espírito da educação inclusiva.


4. Documentos e informações que podem ajudar (mas não podem ser exigidos como condição de matrícula)

A escola não pode exigir laudo para aceitar a matrícula. No entanto, alguns documentos ajudam a planejar melhor o apoio ao aluno:

  • Laudo ou relatório médico/multiprofissional
    Descreve as principais dificuldades e, se possível, sugere estratégias de apoio educacional.

  • Relatórios da escola anterior
    Trazem histórico de desempenho e podem mostrar quais estratégias já funcionaram.

  • Relatórios de terapeutas (psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo etc.)
    Ajudam a alinhar escola e equipe de saúde na mesma direção.

  • Informações sobre medicação (quando houver)
    Horário de uso, efeitos esperados, possíveis efeitos colaterais que a escola deve observar.

Essas informações reforçam a parceria escola–família–saúde, mas não podem ser usadas como motivo para recusar matrícula ou para criar obstáculos ao acesso do estudante.


5. Sinais de alerta na hora da matrícula

Fique atento se, durante a conversa com a escola, surgirem frases ou atitudes como:

  • “Ele só poderá estudar aqui se tiver acompanhante exclusivo pago pela família.”

  • “Nós não matriculamos aluno com esse tipo de problema.”

  • “Para esse caso, cobramos uma taxa extra.”

  • “Ele pode estudar aqui, mas se der trabalho vamos pedir para sair.”

Essas posturas podem caracterizar discriminação e violar o direito à educação inclusiva previsto na legislação brasileira.

Diante de situações assim, a família pode:

  • registrar por escrito o ocorrido (e-mail, mensagem, ata de reunião);

  • procurar o Conselho Tutelar, a Defensoria Pública ou o Ministério Público da região para orientações;

  • buscar apoio em associações e entidades voltadas ao TDAH e à inclusão escolar.


6. Construindo uma parceria saudável entre família e escola

Depois da matrícula, é importante que a relação não fique restrita a bilhetes de reclamação na agenda. Algumas atitudes ajudam muito:

  • combinar reuniões periódicas, e não apenas quando há problema;

  • manter canais de comunicação claros (agenda, e-mail, aplicativo, reuniões online);

  • compartilhar estratégias que funcionam em casa (rotina visual, lembretes, recompensas, pausas) para que parte delas possa ser adaptada à escola;

  • reconhecer e valorizar os avanços do estudante, por menores que pareçam.

Quando a escola vê a família como parceira – e não como “problema” – o estudante sente mais segurança para se desenvolver.


7. Lembrete importante: a criança é muito mais que o diagnóstico

O TDAH faz parte da história do estudante, mas não o define por completo.

Na hora de escolher a escola, olhe para além das notas e das regras:

  • Essa escola enxerga o seu filho ou filha como pessoa, com talentos, sonhos e potencial?

  • O ambiente parece acolhedor, respeitoso e aberto ao diálogo?

  • A equipe demonstra vontade real de aprender mais e se adaptar?

Quando a família conhece os direitos do aluno com TDAH, fica mais forte para dialogar, cobrar o que é de lei e, ao mesmo tempo, construir pontes com a escola. Educação inclusiva não é favor: é direito. E toda criança merece um espaço onde possa aprender, conviver e ser ela mesma.


Para se aprofundar no tema

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

“Cuidando de Quem Cuida”: Senado avança em programa de apoio a mães, pais e responsáveis atípicos

A rotina de quem cuida de uma pessoa com deficiência, doença rara ou transtorno do neurodesenvolvimento é marcada por amor, mas também por cansaço extremo, ansiedade, medo do futuro e uma sensação constante de solidão. Pensando nessas famílias, o Senado deu um passo importante: a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, em 12 de novembro de 2025, o Projeto de Lei 1.179/2024, que cria o programa nacional “Cuidando de Quem Cuida”.

O projeto, de autoria do senador Romário (PL-RJ), foi relatado na CAS pela senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e já havia sido aprovado anteriormente na Comissão de Direitos Humanos (CDH), sob relatoria da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), com importantes alterações no texto original.

Como a votação na CAS foi em caráter terminativo, se não houver recurso para que o texto seja analisado em Plenário, o projeto segue diretamente para a Câmara dos Deputados.

Quem são as mães, pais e responsáveis “atípicos”

O PL 1.179/2024 define como mãe, pai ou responsável legal atípico a pessoa que cuida de filhos ou dependentes com:

  • deficiência;

  • doenças raras;

  • síndrome de Down;

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA);

  • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);

  • dislexia ou outros transtornos de aprendizagem.

A intenção do texto é tirar essas famílias da invisibilidade, reconhecendo oficialmente que elas enfrentam jornadas exaustivas de cuidados, burocracia, busca por direitos e, muitas vezes, abandono do emprego, da vida social e do próprio autocuidado.

Inicialmente, o projeto previa focar apenas nas “mães atípicas”, mas o parecer da senadora Mara Gabrilli ampliou o alcance para incluir também pais e outros responsáveis, rompendo com a ideia de que o cuidado é uma tarefa exclusivamente feminina.

O que é o programa “Cuidando de Quem Cuida”

Na prática, o programa “Cuidando de Quem Cuida” cria uma política pública estruturada de atenção psicossocial para cuidadores familiares. O objetivo central é melhorar a qualidade de vida dessas pessoas em várias dimensões: emocional, física, social, cultural, familiar e econômica.

Entre as ações previstas estão:

  • Atendimento psicológico e terapêutico para mães, pais e responsáveis atípicos, de forma contínua, e não apenas em momentos de crise;

  • Serviços assistenciais que ajudem a aliviar a sobrecarga do cuidado diário;

  • Atividades de bem-estar e autocuidado para os cuidadores e suas famílias, promovendo descanso, escuta qualificada e suporte emocional;

  • Ações complementares de suporte ao filho ou dependente, por exemplo quando o cuidador precisa fazer exames, consultas ou outros atendimentos de saúde;

  • Fortalecimento de redes de apoio, com grupos de mães e pais atípicos, rodas de conversa, encontros e debates sobre cuidado e direitos;

  • Informação e sensibilização da sociedade, combatendo o preconceito e mostrando que cuidar também é um trabalho que precisa ser valorizado;

  • Possibilidade de criação de centros especializados, serviços em domicílio e serviços de acolhimento para essas famílias;

  • Estudos e pesquisas para mapear as condições de vida desses cuidadores e orientar novas políticas públicas.

O programa deve dialogar com a rede de atenção primária em saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a assistência social, aproximando o tema dos serviços que já atendem as famílias todos os dias.

Apoio desde o pós-parto: acolher desde o começo

Um ponto importante incluído no substitutivo da CDH é o apoio logo após o nascimento da criança. A ideia é que, ainda na maternidade ou nas primeiras consultas, as famílias recebam:

  • orientações claras sobre o diagnóstico e as necessidades da criança;

  • informações sobre direitos, benefícios e serviços disponíveis;

  • acolhimento emocional, para reduzir a culpa, o medo e a sensação de abandono.

Essa abordagem precoce é fundamental para que mães, pais e responsáveis não se sintam “jogados à própria sorte” justamente no momento em que mais precisam de acolhimento.

Por que esse projeto é tão importante para as famílias de pessoas com deficiência

Relatos apresentados no Senado chamam a atenção para um dado duro: o nível de estresse vivido por muitas mães de pessoas com TEA é comparável ao de soldados em combate, tamanha a carga emocional e física diária que elas enfrentam.

Além disso, é comum que:

  • a mãe ou o pai deixe o trabalho para se dedicar integralmente ao cuidado;

  • a família enfrente filas enormes para conseguir tratamento e terapias;

  • haja culpa e autocobrança constantes, somadas ao preconceito e à falta de apoio da sociedade;

  • o cuidador adoeça física e emocionalmente, sem ter tempo ou recursos para se cuidar.

Ao reconhecer oficialmente esse cenário e propor uma rede de apoio específica para cuidadores, o programa “Cuidando de Quem Cuida” se soma a outros avanços recentes, como a Política Nacional de Cuidados, voltada a valorizar o trabalho de cuidado — remunerado ou não — no Brasil.

Relação com outras iniciativas e próximos passos

O projeto aprovado no Senado dialoga com estratégias já discutidas em nível nacional e local. Há, por exemplo, proposta semelhante na Câmara dos Deputados (PL 3.124/2023), que também usa o nome “Cuidando de Quem Cuida” para tratar de atenção e orientação às mães atípicas e centros especializados de proteção.

Agora, com a aprovação na Comissão de Assuntos Sociais, o PL 1.179/2024 deve seguir para análise da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em Plenário do Senado. Lá, poderá:

  • ser aprovado como está;

  • receber ajustes no texto;

  • ou ser combinado com outras propostas sobre o mesmo tema.

Depois disso, o programa ainda dependerá de regulamentação e orçamento para sair do papel com força total. Será preciso definir como será o atendimento, quais serviços serão criados, que equipes vão atuar e como será feita a integração com SUS e assistência social.

O que significa, na prática, para quem cuida

Para as famílias de pessoas com deficiência e doenças raras — público do Cantinho dos Amigos Especiais —, o programa “Cuidando de Quem Cuida” representa:

  • o reconhecimento formal de que cuidar é trabalho, e trabalho pesado;

  • a possibilidade de ter apoio psicológico e social pensado especificamente para mães, pais e responsáveis atípicos;

  • um caminho para ampliar a rede de apoio, criar grupos e espaços de escuta em todo o país;

  • mais visibilidade para a realidade de quem vive entre terapias, consultas, laudos, brigas por direitos e, muitas vezes, noites mal dormidas.

Ainda há muito por fazer, mas este projeto é um passo importante para que o Estado brasileiro passe a dizer, com ações concretas, aquilo que tantas famílias precisam ouvir na prática: “você não está sozinho (ou sozinha) nessa jornada de cuidado”.

A aprovação do programa “Cuidando de Quem Cuida” é uma notícia que merece ser divulgada, comentada e cobrada — para que não fique apenas no papel.

Seguiremos acompanhando a tramitação na Câmara dos Deputados e trazendo atualizações, sempre com foco em informação acessível, linguagem acolhedora e o compromisso de valorizar quem está na linha de frente do cuidado todos os dias: as famílias.


Fontes oficiais e matérias sobre o tema


Perfis de redes sociais dos envolvidos

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

domingo, 26 de outubro de 2025

TDAH: Como compreender e apoiar quem vive esse desafio todos os dias

Quando ouvimos a sigla TDAH, pode parecer algo distante ou complicado. Mas, na verdade, estamos falando de algo que faz parte da vida de milhões de crianças, jovens e adultos. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é uma condição neurobiológica, ou seja, nasce junto com a pessoa e acompanha toda a vida. Isso não tem nada a ver com falta de limite, má criação, preguiça ou “manhas”. É o jeito como o cérebro funciona, com dificuldades específicas que precisam ser compreendidas com empatia.

O que é, afinal, o TDAH?

Quem tem TDAH apresenta variações no funcionamento da atenção, do controle dos impulsos e, em muitos casos, da energia corporal. A intensidade dos sintomas varia muito. Algumas pessoas têm bastante agitação, outras são mais distraídas, perdidas consigo mesmas, e há ainda quem tenha os dois grupos de sintomas misturados.

Costuma-se dividir em três apresentações:

• Predominantemente desatento: dificuldade em manter o foco, parecer estar sempre “no mundo da lua”, começar tarefas e não terminar, perder objetos com frequência.
• Predominantemente hiperativo/impulsivo: fala muito, interrompe os outros, não consegue ficar parado, age antes de pensar.
• Combinado: mistura dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Essas características podem aparecer no colégio, no trabalho, em casa, nas relações pessoais. Importante lembrar que todo mundo pode se distrair ou agir por impulso às vezes. No TDAH, isso acontece com maior frequência e intensidade, gerando prejuízos reais.

Diagnóstico: quando acender o alerta?

O diagnóstico quem faz é sempre um profissional da saúde qualificado: neurologista, psiquiatra, neuropediatra ou psicólogo especialista. Ele observa a história da pessoa, entrevista familiares e avalia o comportamento em diferentes ambientes.

O fundamental é nunca concluir nada sozinho nem rotular alguém apressadamente. TDAH não se avalia com um único teste nem com frases como “ele não para quieto”.

Como apoiar com amor e responsabilidade

Conviver com o TDAH não é fácil. Para quem tem e para quem acompanha. O apoio correto faz toda a diferença no desenvolvimento da pessoa. Aqui vão algumas atitudes que ajudam de verdade:

✨ Organização externa para apoiar a interna
Rotinas claras, lembretes, listas simples de tarefas, uso de alarmes e quadros visuais.

✨ Instruções curtas e objetivas
Falar demais atrapalha. O ideal é passo a passo, com tempo para a pessoa processar.

✨ Reforços positivos
Valorizar conquistas, mesmo pequenas. O elogio sincero pode ser combustível.

✨ Quebrar tarefas grandes em partes menores
Evita frustrações e ajuda o foco a se manter.

✨ Ambiente acolhedor, sem gritos
Quando a crítica vira regra, a autoestima cai rápido. Paciência pode ser o maior presente.

✨ Permitir movimento quando possível
Pra quem é hiperativo, mexer o corpo ajuda o cérebro a funcionar melhor. Sentar numa cadeira comum pode ser uma tortura quando a mente está “a 200 por hora”.

✨ Contato constante com a escola ou trabalho
Parceria entre família e instituição fortalece estratégias de apoio.

✨ Acompanhamento médico e psicológico
Terapia e, quando necessário, medicação orientada por médico. Nada de automedicação.

Talentos que muitas vezes passam despercebidos

Sim, existem desafios. Contudo, também há potenciais lindos que florescem com o apoio certo:

• Criatividade
• Capacidade de hiperfoco em temas de interesse
• Intuição afiada
• Energia para transformar ideias em ação
• Sensibilidade com o mundo ao redor

Pessoas com TDAH podem ser excelentes profissionais, artistas, inventores, líderes e amigos. O cuidado está em ajudar essas capacidades a encontrar um caminho possível na rotina.

No Cantinho, ninguém caminha sozinho

Se você convive com alguém com TDAH, lembre que suporte não significa fazer por ela, e sim estar com ela. Incentivar, orientar, compreender os limites e comemorar cada vitória.

Se você tem TDAH, saiba que você não está sozinho, muito menos errado. Seu cérebro só funciona de um jeito que o mundo ainda está aprendendo a acompanhar. Com tratamento, respeito e amor, dá para viver plenamente, aprender, trabalhar, amar e sonhar grande.

Aqui no Cantinho dos Amigos Especiais, a inclusão não é discurso, é compromisso. Seguimos juntos, aprendendo e construindo espaços onde todos possam florescer na própria medida.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

🌈 Outubro Laranja: o Mês Internacional de Conscientização do TDAH

O mês de outubro é marcado por uma importante campanha mundial: o Mês Internacional de

Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)
, conhecido também como Outubro Laranja.

A iniciativa busca informar, acolher e dar visibilidade às pessoas que convivem com o transtorno, promovendo compreensão, empatia e inclusão em todas as fases da vida.


💡 O que é o TDAH?

O TDAH é um transtorno neurobiológico que se manifesta na infância e pode acompanhar o indivíduo até a vida adulta.
Ele afeta o controle da atenção, o impulso e, em muitos casos, a regulação da energia corporal.
Não se trata de “falta de vontade” nem de “má educação” — é uma condição que requer diagnóstico clínico, tratamento multidisciplinar e, principalmente, respeito.

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente envolvem:

  • Dificuldade de manter a atenção em tarefas longas;

  • Tendência à distração e esquecimentos frequentes;

  • Impulsividade e dificuldade de esperar a vez;

  • Inquietação física e mental;

  • Dificuldade para organizar rotinas ou cumprir prazos.


🧠 Por que precisamos falar sobre o TDAH?

A desinformação ainda é um dos maiores desafios.
Muitas pessoas com TDAH crescem ouvindo que são “preguiçosas”, “desatentas” ou “indisciplinadas”, quando, na verdade, enfrentam uma diferença real no funcionamento do cérebro.
A conscientização ajuda a combater estigmas, incentivar diagnósticos precoces e fortalecer redes de apoio, tanto na escola quanto no ambiente de trabalho.

Falar sobre o TDAH também é falar sobre acessibilidade cognitiva e emocional — ou seja, garantir que cada pessoa tenha o suporte necessário para viver com autonomia, autoestima e equilíbrio.


🧡 O símbolo do Outubro Laranja

No Brasil, o laranja foi escolhido como cor oficial da campanha, simbolizando energia, vitalidade e atenção — tudo o que pessoas com TDAH merecem receber da sociedade.
Durante o mês de outubro, prédios públicos e instituições de ensino costumam se iluminar de laranja, enquanto escolas, famílias e profissionais da saúde mental promovem palestras, rodas de conversa e ações educativas.


👩‍🏫 TDAH e inclusão escolar

Na sala de aula, o TDAH ainda é um desafio para muitos educadores.
É importante lembrar que alunos com o transtorno podem aprender tão bem quanto qualquer outro, desde que tenham:

  • Planejamento pedagógico individualizado;

  • Intervalos regulares entre atividades;

  • Orientação visual e verbal clara;

  • Incentivo positivo e ambiente acolhedor.

Professores preparados fazem toda a diferença na trajetória de uma criança com TDAH — e a conscientização é o primeiro passo para essa mudança.


🤝 Um convite à empatia

O Mês Internacional de Conscientização do TDAH não é apenas sobre o diagnóstico — é sobre acolher pessoas reais que vivem diariamente com o desafio da desatenção, da impulsividade e da hiperatividade.
É sobre lembrar que cada um de nós tem um ritmo, e que respeitar esse ritmo é também uma forma de amor.

Neste Outubro Laranja, o Cantinho dos Amigos Especiais se une à campanha para dizer:
✨ TDAH não é falta de esforço. É uma forma diferente de ver e viver o mundo.
Com informação, empatia e apoio, todos podem brilhar!

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Quando o trabalho vira palco de humilhação: o caso da atendente com TDAH que venceu ação por assédio

Recentemente, um post no Instagram chamou a atenção ao relatar uma decisão da Justiça do Trabalho que condenou uma empresa a indenizar uma atendente com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) após repetidas humilhações no ambiente de trabalho. 

O que aconteceu

Segundo os relatos e documentos do processo:

A funcionária, diagnosticada com TDAH, era alvo constante de chacotas de colegas e até de supervisores. Era chamada de “lerda” e “sonsa”.

Em um episódio simbólico, ela recebeu um “troféu” como “a colaboradora mais lerda do setor”, em competição interna da empresa.

O assédio moral sofrido teria agravado seu estado psicológico, desencadeando crises de ansiedade e depressão — condição que foi reconhecida em perícia.

Na sentença de 1ª instância, foi reconhecido o assédio e fixada indenização de R$ 50 mil por danos morais, além da declaração de doença ocupacional e rescisão indireta do contrato.

No Tribunal Regional do Trabalho (TRT-3), a decisão foi mantida quanto ao reconhecimento do assédio, mas a indenização foi reduzida para R$ 20 mil, por entender que esse valor seria mais proporcional ao caso.

Além disso, foi reconhecida estabilidade provisória (durante o período de agravamento da condição) e retificação da CTPS.

Por que esse caso é importante para lutarmos por ambientes inclusivos

Esse episódio traz à tona questões que devemos refletir:

Vulnerabilidade de pessoas com transtornos invisíveis

O TDAH não “ aparece” fisicamente, o que muitas vezes leva a julgamentos superficiais — como chamar de “lerdo” quem lida com desafios cognitivos ou de processamento diferente.

Assédio moral e saúde mental

Comentários pejorativos, humilhações constantes e práticas de “brincadeira” no ambiente de trabalho podem gerar sérios danos psicológicos, especialmente em quem já enfrenta dificuldades emocionais ou neurológicas pré-existentes.

Responsabilidade do empregador

A decisão judicial reforça que não basta alegar desconhecimento: é dever da empresa promover ambiente digno e intervir em práticas nocivas.

A importância da reparação judicial

A indenização não “conserta” o dano psicológico, mas tem papel simbólico e preventivo — serve para reconhecer o erro e inibir que situações semelhantes ocorram novamente.

Como podemos agir para um ambiente mais humano e acolhedor

Capacitação e sensibilização: promover treinamentos para gestores e equipes sobre empatia, diversidade neurocognitiva e respeito no ambiente de trabalho.

Políticas de acolhimento: canais internos de denúncia que funcionem de fato, acompanhamento psicológico e apoio às vítimas.

Cultura de inclusão: reconhecer que pessoas com TDAH, autismo, dislexia ou outras condições podem ser valorizadas por suas habilidades singulares, e não “corrigidas” ou “ajustadas”.

Legislação e fiscalização: incentivar que órgãos trabalhistas e jurídicos atuem com rigor em casos de abuso psicológico no trabalho.


Texto produzido com inteligência artificial.
Fonte: Instagram
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

O “Limite” do TDAH: Quando o Corpo e a Mente Pedem Socorro

Por que algumas pessoas com TDAH chegam a um ponto de exaustão total? O que acontece quando os sintomas ultrapassam os próprios limites?

Neste artigo, vamos entender, de forma clara e didática, o que significa o “limite” do TDAH — um termo cada vez mais usado por pacientes, familiares e profissionais para descrever momentos críticos da condição.

O que é TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurológica que afeta funções executivas do cérebro, como o foco, a organização, o controle emocional e a memória de trabalho. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem incluir:

  • Dificuldade de concentração;

  • Impulsividade;

  • Hiperatividade (física ou mental);

  • Desorganização;

  • Problemas com o tempo (procrastinação ou hiperfoco);

  • Baixa tolerância à frustração.

Mas o que é esse “limite”?

O limite do TDAH não é um conceito médico oficial, mas sim um termo usado para descrever um estado de sobrecarga física, mental e emocional. É quando a pessoa não consegue mais lidar com as demandas da rotina, e os sintomas saem do controle.

Imagine um copo d'água sendo preenchido durante o dia com cada tarefa, cobrança, barulho ou mudança inesperada. Pessoas neurotípicas (sem TDAH) têm mecanismos naturais para esvaziar esse copo aos poucos. Já quem tem TDAH costuma acumular — e, em algum momento, o copo transborda.

O que acontece quando esse limite é ultrapassado?

Ultrapassar o limite do TDAH pode provocar uma crise de esgotamento. Os sinais mais comuns incluem:

  • Colapso emocional (choro, raiva, explosões verbais);

  • Travas mentais (ficar paralisado diante de tarefas simples);

  • Esquecimentos graves;

  • Dores físicas (de cabeça, musculares, fadiga crônica);

  • Crises de ansiedade ou pânico;

  • Isolamento social;

  • Sentimentos de incapacidade ou autodepreciação.

Em casos mais graves, isso pode desencadear episódios depressivos ou quadros de burnout — especialmente quando a pessoa tenta se forçar a funcionar “como todo mundo”.

Por que isso acontece?

Pessoas com TDAH vivem em constante esforço para parecer “normais”. Esse esforço tem um nome: masking (mascaramento). É quando a pessoa tenta camuflar seus sintomas, organizando-se à força, evitando distrações a qualquer custo e lutando contra a impulsividade sem descanso. Com o tempo, isso cobra um preço alto.

Além disso, o cérebro com TDAH gasta mais energia para realizar tarefas rotineiras, o que gera uma fadiga cognitiva que a maioria das pessoas não percebe — até ser tarde demais.

O que fazer antes de atingir o limite?

  1. Reconhecer os sinais de alerta: irritabilidade frequente, insônia, falhas de memória, sensação de sobrecarga.

  2. Pedir ajuda profissional: psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais podem ajudar a organizar a rotina e tratar o transtorno.

  3. Adaptar o ambiente: usar recursos visuais, lembretes, técnicas de Pomodoro, pausas regulares e simplificação de tarefas.

  4. Buscar apoio: grupos de apoio, familiares compreensivos e ambientes que respeitem a neurodiversidade fazem diferença.

E se eu já ultrapassei esse limite?

A primeira coisa é: não se culpe. Você não falhou. Você está esgotado — e isso pede acolhimento, não cobrança. O ideal é:

  • Parar e descansar (de verdade, sem culpa);

  • Reavaliar o que está te exigindo demais;

  • Estabelecer novos limites e dizer mais “nãos”;

  • Voltar aos poucos às atividades, priorizando a saúde mental.

Concluindo…

O “limite” do TDAH é real, embora invisível para quem olha de fora. Ultrapassá-lo pode trazer consequências sérias, mas é possível se recuperar, ajustar a vida e seguir com mais autocompaixão.

Falar sobre isso é um passo importante para tirar o peso da culpa e trazer mais consciência sobre o cuidado necessário com quem vive esse transtorno todos os dias — inclusive com você mesmo, se for o caso.


📌 Compartilhe com alguém que precisa entender melhor o TDAH. A informação também pode ser um alívio.