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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Dia Mundial da Saúde Sexual: um direito de todos

Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado em 4 de setembro, foi criado em 2010 pela World
Association for Sexual Health (WAS)

O que é saúde sexual?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde sexual vai além da ausência de doenças: é um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade. Isso significa poder viver experiências sexuais de maneira livre, segura, prazerosa e respeitosa, com acesso à informação e aos serviços de saúde adequados.

Temas centrais

O Dia Mundial da Saúde Sexual envolve debates sobre:

  • Direitos sexuais como direitos humanos – reconhecer que o respeito à sexualidade é parte essencial da dignidade e da igualdade.

  • Educação sexual de qualidade – fundamental para combater preconceitos e tabus, garantindo que todos tenham informações claras e seguras.

  • Acesso à saúde – incluindo prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), acompanhamento médico e apoio psicológico.

  • Diversidade e inclusão – valorizando diferentes identidades de gênero, orientações sexuais e contextos de vida.

A perspectiva das Pessoas com Deficiência

Para as PCDs, a discussão sobre saúde sexual é ainda mais urgente. Muitas vezes, esse grupo enfrenta barreiras atitudinais e culturais que os invisibilizam como sujeitos de desejo e de direitos. A falta de acessibilidade em campanhas educativas, a ausência de preparo de profissionais de saúde e o preconceito social reforçam tabus que negam às pessoas com deficiência o direito de viver sua sexualidade plenamente.

Garantir saúde sexual para as PCDs significa:

  • Acessibilidade na informação – materiais em braille, libras, audiodescrição e linguagem simples.

  • Formação de profissionais de saúde – preparados para atender com respeito, acolhimento e sem infantilizar ou desumanizar.

  • Reconhecimento da autonomia – compreender que pessoas com deficiência têm direito a relacionamentos, ao exercício da sexualidade e à maternidade/paternidade.

  • Combate à violência – muitas PCDs, especialmente mulheres, são mais vulneráveis a abusos, tornando essencial a proteção de seus direitos.

Por que a data importa?

Ao celebrar o Dia Mundial da Saúde Sexual, reafirmamos que cuidar da saúde sexual é cuidar da vida. Isso inclui autoestima, relacionamentos saudáveis, prevenção de doenças e bem-estar geral. Também é uma oportunidade de quebrar silêncios, reduzir preconceitos e promover políticas públicas que respeitem a diversidade.

E, sobretudo, é um lembrete de que a sexualidade das pessoas com deficiência deve ser vista, respeitada e valorizada – pois não existe saúde sexual plena sem inclusão.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Pessoas Com Deficiência Também Fazem Sexo


Publicada em 03 de junho de 2015


Muitos são os mitos que ainda rolam sobre a sexualidade da pessoa com deficiência. Dizem que o “corpo” desliga e você é sucumbido à eterna ausência de prazer.

É claro que não é assim: uma das maiores curiosidades despertadas por um cadeirante é, de longe, se ele pode ou não fazer sexo. Normal. Ao sofrer o acidente e ficar tetra, um dos meus primeiros medos foi exatamente esse.

Não por acaso, a primeira vez que fiz sexo depois de perder movimentos foi enquanto ainda estava na UTI. Fiquei tão receosa que resolvi testar no hospital mesmo. E tive uma surpresa (muito boa!). Foi um grande alívio saber que eu ainda ficava lubrificada com o toque do meu namorado.

Quando estou namorando, penso muito em sexo. Como pensava antes do acidente. Isso não mudou. O mais importante continua sendo a comunicação. Tem que rolar uma conversa esclarecedora sobre o assunto antes de rolar qualquer outra coisa. A informação nesse caso é tão importante quanto uma boa preliminar. É importante lembrar que se o corpo passou por mudanças, a principal independe da deficiência e sim da nossa cabeça.

Cada caso é um caso: aliás, como com que não tem limitação física. As mulheres cegas, por exemplo, têm uma grande dificuldade de se relacionar com homens videntes. Isso porque muita gente acredita que elas estão sendo abusadas por não enxergarem e se afastam. Bobagem: a pessoa com deficiência visual tem outros sentidos que podem ser aguçados com o ato sexual e podem ser ótimos parceiros. E sabem muito bem diferenciar intenções.

Comigo, as descobertas foram bem interessantes: descobri novas rotas para o prazer – passei a ter sensações diferentes. Agora, tudo que sinto em meu corpo acontece de outro jeito. O orgasmo vem por outros nervos, que passaram a fazer um percurso diferente até chegar ao “ponto G” (que pode ter mudado de letra também).

A intensidade muda, assim como a excitação e a sensibilidade. Mas isso é bem subjetivo. Amar e buscar prazer depende do quanto nos dispusemos a isso. Eu escolhi ser feliz. Com todos os prazeres que a vida pode oferecer.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Desafinados (?) II - Alguém resolveu cantar no nosso tom!

Não resta a menor dúvida. Tem algumas coisas que, para nós, pessoas com algum tipo de limitação, seja qual for, só tem um jeito de conseguirmos: boca no trombone.

No dia 17 de Outubro de 2013, postamos aqui uma pequena "crônica", contando a nossa saga em busca de um motel que oferecesse a mínima possibilidade de acesso a um casal com deficiência(s) física e visual.

Entenda a história!

É com grande alegria que damos, agora, a notícia de que o Só Love Motel conta, desde novembro, com suítes inteiramente adaptadas para o uso por casais em que um dos dois ou, até mesmo, os dois tenha(m) qualquer tipo de limitação. A acessibilidade e o conforto das suítes adaptadas e, até mesmo a maneira como somos recebidos fazem com que sempre tenhamos prazer em voltar lá.

A quem interessar possa...


Serviço: 
Só Love Motel
Avenida do Estado , 6829 , Ipiranga, São Paulo - SP.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Desafinados?

"(...)no peito dos desafinados, também bate um coração." (João Gilberto / Tom Jobim)

Certo cidadão e sua companheira, já com um bom tempo de relacionamento, tiveram a ideia de, pela primeira vez, sair pela maior cidade da América Latina à procura de um lugar, onde, digamos assim, pudessem acrescentar ao namoro aquela pimentinha que o dia-a-dia, por vários motivos, não lhes permite saborear..

Como quis o destino que nenhum dos dois dirigisse, o jeito foi contar com a amizade de um taxista que, para eles, já nem é mais um simples profissional do volante, dada a freqüência com que solicitam seus serviços (afinal - convenhamos - , é bem mais fácil contar com a amizade de um motorista que com uma "forcinha" de um amigo ao volante. Sem contar com a discrição do primeiro, quase nunca presente no segundo.

Resolvida a questão "logística", teve início a saga da busca. O objetivo era encontrar uma "love house" com as condições mínimas necessárias a um casal com certas exigências em termos de acessibilidade. Não dá para dizer se foi mais difícil encarar as barreiras arquitetônicas dos locais ou as barreiras impostas, já nas "recepções", por pessoas que pareciam jamais haver visto alguém com qualquer tipo de limitação física ou sensorial. Quando indagadas sobre se havia, nos estabelecimentos, acomodações para "pessoas com necessidades especiais", dava tristeza ver as caras de espanto. Mais triste ainda era ver, em alguns, a nítida vontade de colocar dali para fora aqueles "seres estranhos", diferentes da população dita "normal", cuja procura era tanta que lhes permitia tratar com desdém as pessoas "fora do padrão". Faltou pouco para perguntarem o que um casal "com limitações" fazia ali. Como diz um amigo meu, isso não é recepção....é decepção.

A cena constrangedora repetiu-se em, pelo menos, cinco dos seis estabelecimentos visitados.  Justiça seja feita, pelo menos em um deles, a pessoa que os recebeu convidou-os a visitar as instalações e lamentou não lhes poder proporcionar as condições de que necessitavam. Se essa pessoa trabalhasse no último local visitado, talvez até fizesse por onde os planos darem certo. Mas....

De volta para casa, já meio desanimados, resolveram os dois apelar para a Internet.  Pelo que sei, conseguiram achar um local que, pelo menos a julgar pelas fotos publicadas no site, tem as características que os dois procuram. Mas isso, só conto a vocês quando eles me contarem como foi o que ainda será.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O jovem deficiente físico e sua sexualidade

Por Cíntia Gemmo Vilani

O tema da sexualidade é uma questão complexa na sociedade brasileira, pelo fato do Brasil, mesmo sendo um Estado laico, ser influenciado por tabus e repressões sociais ligadas à ética religiosa cristã. Contudo, a sexualidade é um dos principais bens sociais que instiga os jovens a criarem uma esfera de autonomia individual relativamente à família primária.

A construção de um espaço particular na vida de um jovem, implica no estabelecimento de um relacionamento interpessoal, afetivo e sexual, constituindo-se um dos mais delicados e interessante aspecto definidor da subjetividade humana, embora, haja mais componentes de origem psicológica, biológica, social e cultural relativos ao processo de subjetivação.

A sexualidade é convencionada como derivada de um impulso, ou seja, trata-se de um processo dinâmico de interrelacionamentos e reconhecimentos de significados dos estados internos, organizando a ordem dos atos sexuais, decodificando situações, estabelecendo limites nas respostas sexuais e vinculando significantes de aspectos não sexuais da vida para a experiência sexual de fato.

Ao se estudar a sexualidade, existe a tendência de polarizar a sexualidade de uma pessoa com deficiência: ou ele é considerado ser hiperssexualizado ou assexuado.

Quando a sexualidade é ignorada, ou ainda negada, colabora para o surgimento de comportamentos sexuais inadequados. A negação da sexualidade e a infantilização colaboram para que o deficiente apresente dificuldades para se tornar mais independente, bem como para desenvolver sua sexualidade e estabelecer outros relacionamentos.

A sexualidade não está restrita somente ao coito ou ao erotismo, é um conceito amplo, uma maneira das pessoas tocarem e serem tocadas. A partir dessa perspectiva, a sexualidade influenciaria pensamentos, sentimentos, ações, interações, tanto fisicamente como mentalmente.

A vivência da sexualidade não é autônoma nem solitária, pelo contrário, está vinculada ao ser cognitivo e que imprime a ela uma intencionalidade que segue o movimento geral da existência.

Relato de uma vivência profissional

Atualmente, as questões da sexualidade do deficiente ganhou espaço no campo educacional, sendo a escola um local privilegiado para a reflexão e intervenção psicopedagógica deste tema. Dentre alguns temas que surgem na conversa entre aluno e professores, há a questão da Orientaão Sexual, tema deste trabalho.


Os pârametros curriculares do Ministério da Educação apontam a disciplina de Educação Física, na qual o uso do corpo e a tematização da cultura corporal são objetos de trabalho, como a mais adequada para se trabalhar a questão da Orientação Sexual, pois são os professores de educação física que transmitem em forma de conhecimento as informações sobre o corpo, as relações de gênero e interações com a sexualidade de si e do outro.

Trabalhar os conhecimentos sobre o corpo, assim como o desenvolvimento de práticas corporais, possibilita a formação de auto-cuidado e de construção de relações interpessoais, de modo que as questões referentes a sexualidade sejam integradas de forma prazerosa e segura.

Foi durante uma aula de educação física, justamente que um aluno com Paralisia Cerebral relatou a sua experiência sexual ao seu professor, a seguir um trecho deste depoimento (Nomes fictícios para preservar os envolvidos):

“Tive minha primeira relação sexual há um ano e meio. Local? Foi num bordel, meu primo que me levou, foi bom, muito bom. Família? Todos sabem! Hoje tá difícil, pois, sinto necessidade de voltar mas não tenho quem me leve.”

O tema da sexualidade surge quase sempre nas aulas de Educação Física da professora Lúcia* e seus alunos de uma instituição de ensino de educação especial. Seguindo as recomendações dos parâmetros curriculares, a professora Lúcia* têm trabalhado essa questão em especial e, principalmente, com seus alunos com Paralisia Cerebral.

Segundo relato desta professora, os alunos com este tipo de paralisia sofrem muito preconceito, por conta de suas deformações físicas e pelo fato da própria família, na maioria das vezes, não acreditarem que embora a paralisia prejudique alguns comportamentos e habilidades, a parte cognitiva destes alunos está preservada bem como seus desejos inerentes a qualquer adolescente e jovem, portador ou não de alguma paralisia.

Durante o relato de experiência sexual à sua professora, o aluno João contou com grande emoção como foi se sentir um “verdadeiro” jovem, tendo uma experiência considerada de jovens, sua primeira relação sexual, e passar a não ser tratado mais como uma criança pela sua família.

Um dos momentos mais marcantes, foi o momento em que o aluno João* relatou que sente o desejo de voltar a ter novas relações mas a dificuldade de ter alguém que o leve para o bordel e, em segundo lugar, o fato de que sempre que quiser ter esse tipo de satisfação terá de buscar mulheres de programa, pois, as “mulheres de verdade”, segundo ele, sentem medo, nojo de sua aparência e jamais irão querer ter um relacionamento sério com ele.

Através do relato desta vivência, percebe-se que o professor, pode influenciar de forma valiosa no que diz respeito à sexualidade do deficiente, pois, por ser um profissional da educação e a sexualidade por ser um tema transversal muito discutida, permite uma prática positiva.

O tema sexualidade em nossa cultura brasileira, como dito anteriormente, vem acompanhado de preconceitos, discriminações e com muitas discussões polêmicas.

Entretanto, a psicopedagogia propõe um enlace permitindo discussões sobre o tema, enfatizando que apesar das diferenças entre os deficientes, são capazes de aprender a desenvolver algum nível de habilidade social e conhecimento sexual, propondo assim o desenvolvimento do senso de responsabilidade de cuidados pessoais e de relacionamento com os outros.
Os filmes “Meu pé esquerdo” e “Gabby” retratam a experiência sexual de jovens com deficiência física, sendo um rico material para compreender-se a importância de uma relacionamento sexual/amoroso em sua dimensão psíquica, emocional, afetiva e social.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PL quer garantir liberdade sexual de deficiente

Ela o chamava de “meu marido” e tinha deficiência mental. Ele, retribuindo, referia-se a ela como “minha mulher” e tinha desenvolvimento mental limítrofe. Um dia, depois de uma discussão e 15 anos de convivência em união estável, a Polícia apareceu na residência dos dois. O homem foi levado para a delegacia, acusado de estupro de vulnerável. Se depender de um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, casos como esse, narrado pelo defensor público Gustavo Junqueira, deixarão de existir.

Da história narrada até hoje, entende-se por estupro de vulnerável a conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos ou com pessoa que, em decorrência de enfermidade ou deficiência mental, não tenha o necessário discernimento do ato ou não possa oferecer resistência. O tipo penal de estupro de vulnerável foi adicionado à legislação penal material por meio da Lei 12.015, de 2009.

Pelo Projeto de Lei 1.213, de 2011, a ideia de vulnerabilidade passa a ter dois aspectos, um relativo e outro absoluto. O texto foi apresentado pelo deputado Carlos Bezerra (MT). Segundo o parlamentar, “a alteração dos dispositivos penais relacionados à violação da liberdade sexual representou um avanço; porém, manteve um erro com relação às pessoas portadoras de necessidades especiais quanto ao discernimento, suprimindo-lhes a prática sexual”.

Leia também:

O adolescente com deficiência intelectual e sua sexualidade
Eu amo, tu amas, eles amam: sexualidade de jovens e adultos com deficiência intelectual

A ideia concebida pelo deputado teve inspirações em outro texto. Em artigo publicado em 2009, na APMP Revista, o procurador de Justiça Oswaldo Henrique Duek Marques, ao lado do psiquiatra Davi Alves de Souza Lima, escreveu que “a sexualidade é um fato importante para o desenvolvimento da personalidade e as expressões de sexualidade não devem ser recriminadas, mas sim tratadas como algo natural”.

No mesmo artigo, eles escrevem que “o discernimento diz respeito a questões racionais, conscientes, vinculadas à lógica do pensamento e do julgamento, sobre as quais há reflexão”. Os autores explicam, ainda, que “nos aspectos relacionados à sexualidade, embora possam passar pelo crivo do discernimento, as questões instintivas e relacionadas à pulsão, que norteiam a vontade, podem ter predominância sobre a racionalidade e estão presentes tanto em pessoas consideradas normais, quanto naquelas que possuem deficiências ou transtorno mental”.

Não é o que vem acontecendo hoje, como conta Gustavo Junqueira, que também é professor de Direito Penal da PUC-SP. Segundo ele, essa é uma reivindicação antiga. “A proposta tem como base a lei portuguesa sobre o assunto”, lembra. Pela lei de Portugal, “quem praticar ato sexual de relevo com pessoa inconsciente ou incapaz, por outro motivo, de opor resistência, aproveitando-se do seu estado de incapacidade é punido com pena de prisão de seis meses a oito anos”.

“Às vezes, o deficiente mental estabeleceu uma relação construtiva e de afeto verdadeiro”, explica, como no caso do casal que foi separado. Um dos principais pontos da proposta é que ela passa a considerar os relacionamentos regados pela afetuosidade.

O que a proposta pretende fazer é mudar a redação do artigo 217-A do Código Penal, de modo a incluir que será considerado estupro de vulnerável a prática de sexo ou qualquer outro ato libidinoso com alguém que, por deficiência mental ou qualquer outra causa, esteja impossibilitado de manifestar sua vontade ou de oferecer resistência a estes atos. Ou seja, é importante que seja demonstrado que o acusado se aproveitou da situação e do desenvolvimento mental incompleto da vítima.

Um ponto é consensual entre os criminalistas que falaram à Consultor Jurídico. A redação atual, como está, é carregada de preconceitos. Para Junqueira, a tipificação corrente retira a liberdade sexual do portador de deficiência mental. Duek Marques, por sua vez, ao saber da existência da proposta, disse que o projeto tenta preencher a lacuna na legislação e a amplitude da interpretação.

Thiago Anastácio, criminalista associado ao Instituto de Defesa do Direito de Defesa, disse que a proposta “parece viabilizar a análise da união com o portador de deficiência mental”. “A felicidade é um dos objetivos da Constituição Federal”, aponta. Sobre a expressão “deficiência mental” adotada pela proposta, o advogado lembra que a legislação penal é o último recurso — a ultima ratio — a ser empregado a fim de tutelar os bens jurídicos.

Logo, frisa ele, o melhor a se fazer é adotar o conceito de capacidade de outra área do Direito. Segundo o artigo 3º do Código Civil, são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 anos, ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

Ao falar sobre o assunto, Martim de Almeida Sampaio, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, destacou dois pontos que considera lacunares na proposta apresentada pelo deputado, que, segundo ele, sai do campo jurídico e vai para o psiquiátrico.

“O texto é vago ao falar da manifestação da vontade e de como ela se dá. Esse limite é tênue. Por isso, a discussão vai buscar respostas na doutrina e na jurisprudência”, opina. Segundo o advogado, o projeto é incerto também ao conceituar o portador de deficiência mental. “Quem é ele? O que é doença mental?”, indaga. A saída, conta, talvez seja um linguajar mais técnico.

O projeto aguarda parecer da Comissão de Seguridade Social e Família e será analisado pela de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois será votada em Plenário.

“Moças de 12 anos”

O PL 1.213 se abstém de aplicar a ideia de manifestação de vontade para casos em que a vítima tem menos de 14 anos. Para Guaracy Moreira, que é professor de Criminologia na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “a presunção deve ser absoluta quando o fato for cometido com menores de 14 anos. A vontade que venha ou se manifeste com mais de 14. Antes, não”.

Ao comentar o projeto de lei, o advogado Marco Aurélio Florêncio Filho, professor de Direito Penal da Universidade Presbiteriana Mackenzie e sócio de escritório homônimo, diz que a lei não pode punir o portador de deficiência que pratica sexo. “Quem pratica conjunção carnal com o doente não necessariamente está incorrendo em crime”, conta.

O advogado vai além. Para ele, essa relativização deveria ser estendida aos casos nos quais o sexo é praticado com menores de 14 anos. Citando voto do ministro Marco Aurélio, do Supremo, no qual ele fala que “nos nossos dias, não há crianças, mas moças de 12 anos. Precocemente amadurecidas, a maioria delas já conta com discernimento bastante para reagir ante eventuais adversidades”. Por isso, o professor frisa a necessidade da relativização do tipo e da análise do caso concreto — tanto para a primeira, quanto para esta hipótese.

Fonte: http://www.conjur.com.br/ in DeficienteCiente

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fantástico exibe reportagem sobre a sexualidade das pessoas com deficiência

Especialistas falam sobre a sexualidade de deficientes


A sexualidade de Luciana, personagem da novela ‘Viver a Vida’ provoca a discussão do assunto que as pessoas normalmente tem muita curiosidade e muito desconhecimento.

Uma das cenas mais esperadas da novela ‘Viver a vida’ aconteceu esta semana: a primeira noite de amor entre Miguel e Luciana, personagem tetraplégica vivida por Alinne Morais. A cena chamou a atenção para um assunto delicado: a vida sexual de pessoas especiais.

A sexualidade de Luciana, personagem da novela provoca a discussão de um assunto que as pessoas normalmente tem muita curiosidade e muito desconhecimento. Afinal, um cadeirante com lesão medular, tem vida sexual? Faz sexo?

“Faz. Ele às vezes tem sensibilidade. Pode chegar ao orgasmo, mas não necessariamente pelo ato sexual em si, pela penetração. O que ocorre é que esse indivíduo vai desenvolver outras áreas erógenas de estimulação”, explica a médica especialista em reabilitação da Unifesp, Rosane Chamlian.

“Eu tenho sensibilidade em uma região que eu descobri com ele que não tem nada a ver, que não é de nenhuma mulher. Na minha cintura, onde é a transição da minha sensibilidade. Eu adoro quando a gente está em uma relação sexual, ele está segurando aqui, fazendo um carinho”, contou a consultora em inclusão de deficientes, Carolina Ignarra.

“Vai ter o mesmo prazer do que um ato sexual ? Não, vai ter mais prazer, porque você descobriu uma coisa que ninguém descobriu naquela pessoa”, afirma o psicólogo e sexólogo Fabiano Puhlmann.

Carolina tem 31 anos, ficou paraplégica aos 22 em um acidente de moto. Luiz era amigo dela na época, e acabou se apaixonando. Hoje , eles têm uma filha de 5 anos.

Fabiano vive na cadeira de rodas desde um acidente na piscina, aos 17 anos. Hoje ele tem 44. É psicólogo, e escreveu o livro: “A revolução sexual sobre rodas”.

“Eu acho que o maior preconceito está na cabeça do próprio deficiente. Ele tem que se libertar dos preconceitos , principalmente se ele ficou deficiente”, alerta Fabiano.

“Em um lesado medular, ele consegue ereção em 80% dos casos, só que manter a ereção é um pouco mais difícil. É exatamente isso que a gente precisa orientá-los. Na adoção de posturas especiais, de dispositivos especiais, que existem medicamentos. Tanto para o homem quanto para a mulher existem técnicas medicamentosas e por mecanismos, aparelhos externos”, orienta Rosane Chamlian.

Luciana estava também envergonhada: “Essa questão por exemplo de fazer xixi. Você sabe, eu tenho que fazer cateterismo toda hora. Vou chegar para meu namorado e dizer: espera só um pouquinho que eu vou fazer um cat e já volto”.

“Eu vou te dizer, amiga. Nessa cidade o mais difícil é encontrar um motel adaptado. Pessoalmente não conheço nenhum. Se você se deparar com algum por aí, me avisa, hein?”

Vamos conhecer um motel adaptado para cadeirantes. “É fundamental esse espaço debaixo da pia para não trancar a cadeira. A banheira está show, a altura regula com a cadeira, tem essas barras de apoio”, diz a escritora Juliana Carvalho.

No chuveiro, além das barras um lugar para sentar. “Mas eu estou achando que isso aqui está dando para fazer um algo mais né?”, brinca.

Juliana tinha 19 anos quando ficou paraplégica, por causa de uma inflamação na medula: “Eu levei muito tempo para me readaptar a essa nova realidade. Fui ter a minha primeira relação sexual na cadeira de rodas depois de 5 anos”, lembra.

Hoje, aos 28 anos, a gaúcha está lançando um livro para ajudar jovens cadeirantes a redescobrir sua sexualidade: “Tem muita mulher que anda, que tem sensibilidade e que nunca vai saber o que é um orgasmo. Eu tive a oportunidade de saber o que é um orgasmo antes e como é depois. Olha só que engraçado: um dos orgasmos mais memoráveis da minha vida foi depois da lesão”.

“Eu também não tenho a perna mais gostosa do mundo, nem o bumbum mais gostoso do mundo mas eu acho que eu sou gostosa. Para o meu marido eu sou gostosa. Ele me deseja”, conta Carolina.

Fonte: Site do FANTÁSTICO no G1