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sábado, 15 de agosto de 2026

Cinema para todos: novo guia daANCINE mostra como as salas podem ser realmente acessíveis

 

Ir ao cinema parece uma atividade simples: escolher um filme, comprar o ingresso, chegar à sala, encontrar o lugar e aproveitar a sessão.

Para uma pessoa com deficiência, porém, essa experiência pode envolver diversas barreiras. E acessibilidade no cinema não significa apenas ter um espaço reservado para uma cadeira de rodas.

Pensando em toda essa experiência, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD) lançaram, em abril de 2026, o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema.

O documento apresenta orientações para produtoras, distribuidoras, exibidores e plataformas de venda de ingressos e procura mostrar que a inclusão precisa acompanhar o espectador desde a escolha do filme até o momento em que ele deixa o cinema.

Acessibilidade não começa na porta da sala

Um dos pontos mais interessantes do guia é justamente olhar para aquilo que a ANCINE chama de jornada do espectador.

Antes mesmo de chegar ao cinema, uma pessoa com deficiência precisa conseguir descobrir quais filmes estão em cartaz, identificar quais recursos de acessibilidade estão disponíveis, escolher uma sessão e comprar seu ingresso.

Isso significa que sites, aplicativos, plataformas de venda e outros canais de informação também fazem parte da experiência acessível.

Ao chegar ao cinema, entram em cena outras questões: deslocamento, circulação, orientação, atendimento, utilização dos recursos disponíveis e permanência na sala com segurança, conforto e autonomia.

Portanto, uma sala pode até possuir determinado equipamento de acessibilidade e, ainda assim, proporcionar uma experiência ruim se o espectador não souber que ele existe, não conseguir solicitá-lo ou encontrar funcionários que não saibam orientá-lo.

Quais recursos devem estar disponíveis?

A regulamentação da ANCINE estabelece recursos de acessibilidade visual e auditiva para as sessões comerciais de cinema.

Entre eles estão:

  • audiodescrição, que apresenta por meio de narração informações visuais importantes da obra;
  • legendagem, com a conversão dos diálogos em texto;
  • Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE), que, além dos diálogos, apresenta informações relevantes sobre sons, músicas e outros elementos sonoros;
  • Libras — Língua Brasileira de Sinais.

Esses recursos permitem que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam acompanhar o conteúdo audiovisual com maior autonomia.

Não é favor: é direito

Existe um aspecto que precisa ficar muito claro.

A oferta de acessibilidade no cinema não é uma gentileza oferecida à pessoa com deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão determina que as salas de cinema ofereçam recursos de acessibilidade, e a ANCINE regulamentou a questão por meio da Instrução Normativa nº 165/2022.

Segundo as informações atualizadas da própria Agência, essa obrigação está em vigor desde 2 de janeiro de 2023.

A norma estabelece responsabilidades tanto para quem distribui o filme quanto para quem o exibe.

De maneira simplificada, cabe ao distribuidor disponibilizar os recursos de acessibilidade da obra, enquanto o exibidor precisa garantir suporte técnico para que esses recursos efetivamente cheguem ao espectador.

Ou seja: não basta dizer que determinado filme "tem audiodescrição" ou "tem Libras". O recurso precisa funcionar e estar efetivamente disponível para quem necessita dele.

Todas as sessões

Outro ponto muito importante é que a regulamentação se refere à oferta dos recursos de acessibilidade em todas as sessões comerciais das salas comerciais de cinema, observadas as condições previstas na norma.

Isso ajuda a combater uma ideia antiga de inclusão: aquela em que a pessoa com deficiência só pode assistir ao filme em determinado dia ou horário escolhido exclusivamente para ela.

A verdadeira inclusão permite, tanto quanto possível, que pessoas com e sem deficiência compartilhem os mesmos espaços e tenham liberdade para escolher quando querem participar de uma atividade cultural.

Acessibilidade também depende de informação e atendimento

Imagine uma pessoa com deficiência visual chegando ao cinema e perguntando sobre audiodescrição.

O equipamento existe.

O filme possui o recurso.

Mas ninguém da equipe sabe como ativá-lo.

Na prática, existe acessibilidade?

É justamente por isso que o novo guia é importante. A inclusão não depende apenas da compra de equipamentos. Ela também envolve informação, orientação, treinamento, comunicação e eliminação de barreiras atitudinais.

O próprio exibidor deve fornecer ao espectador informações, orientações e apoio técnico para que ele consiga utilizar a tecnologia assistiva disponível.

E a acessibilidade física?

Embora boa parte da regulamentação específica da ANCINE trate da acessibilidade visual e auditiva das obras cinematográficas, o novo guia procura enxergar a experiência de maneira mais ampla.

A jornada do espectador envolve também sua chegada, circulação e permanência no cinema.

Isso nos lembra que acessibilidade é um conjunto.

Uma pessoa com mobilidade reduzida precisa conseguir circular. Uma pessoa com deficiência visual precisa encontrar informações acessíveis. Uma pessoa surda precisa conseguir se comunicar e ter acesso ao conteúdo. Uma pessoa com deficiência intelectual também deve encontrar atendimento compreensível, respeitoso e inclusivo.

Não adianta resolver apenas uma barreira e ignorar todas as demais.

O cinema também é um direito cultural

Talvez essa seja a principal mensagem que podemos retirar do guia.

Quando falamos em acessibilidade, frequentemente pensamos primeiro em saúde, educação, transporte e trabalho. Todos são direitos fundamentais.

Mas cultura e lazer também fazem parte da cidadania.

Uma pessoa com deficiência deve poder escolher um filme, comprar seu ingresso, entrar no cinema, compreender a obra e aproveitar aquele momento como qualquer outro espectador.

Sem precisar agradecer por um direito.

Sem precisar explicar inúmeras vezes por que necessita de determinado recurso.

E, principalmente, sem depender da boa vontade de alguém para participar.

Um guia que merece sair do papel

O Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema é um passo importante porque amplia a discussão: acessibilidade não deve ser pensada apenas quando a pessoa com deficiência já está sentada diante da tela.

Ela começa antes.

Começa quando a programação é divulgada.

Passa pela compra do ingresso, pelo atendimento, pela chegada ao cinema, pela circulação no espaço e pelo acesso aos recursos necessários para acompanhar o filme.

E termina somente quando aquele espectador pôde viver toda a experiência com autonomia, dignidade, segurança e igualdade de oportunidades.

Cinema acessível não é uma sessão especial para pessoas especiais.

É o mesmo cinema, aberto de verdade para todos.

Cantinho dos Amigos Especiais — informação, inclusão, acessibilidade e cidadania.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Universidade Mackenzie: inclusão, apoio e acessibilidade no ensino superior

A inclusão no ensino superior não começa e termina na matrícula. Para que uma pessoa com deficiência possa estudar com dignidade, é preciso que a universidade ofereça recursos, acolhimento, orientação, acessibilidade física, comunicacional, tecnológica e pedagógica.

Na cidade de São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialmente em seu tradicional campus Higienópolis, apresenta um conjunto de iniciativas voltadas ao apoio de estudantes com deficiência e/ou necessidades educacionais específicas.

Um dos principais serviços nessa área é o Programa de Atenção e Orientação aos Discentes, conhecido como PROATO. Segundo a própria universidade, o programa tem como objetivo acolher, orientar e apoiar estudantes de acordo com suas dificuldades e necessidades, acompanhando o aluno desde o vestibular até a conclusão do curso.

O PROATO atua no suporte psicopedagógico, na orientação de estudos, na escuta das demandas dos estudantes e no apoio aos professores, buscando reduzir barreiras que possam prejudicar a permanência, a participação e o bom desempenho acadêmico de alunos com deficiência ou necessidades educacionais específicas. A universidade informa que o programa foi criado em 2015 e contribui para a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo, equitativo e acessível.

Esse trabalho também aparece em números. No Relatório Anual 2024, o Mackenzie informa que o PROATO realizou 852 atendimentos a 455 estudantes com deficiência e/ou necessidades educacionais específicas, com o objetivo de minimizar barreiras de permanência, participação e sucesso na vida acadêmica.

A acessibilidade também está presente nos serviços da Biblioteca George Alexander, no campus Higienópolis. A biblioteca informa disponibilizar recursos como livros em Braille, acervo eletrônico acessível, parceria com a Dorinateca da Fundação Dorina Nowill, atendimento em Libras, capacitações on-line com uso do leitor de tela NVDA, computadores com DOSVOX e NVDA, fones de ouvido, teclado ampliado para baixa visão e teclado adaptado em Braille.

Além dos recursos tecnológicos, a biblioteca também aponta medidas de acessibilidade arquitetônica, como piso tátil, rampas de acesso, corrimãos, sanitários acessíveis, balcões rebaixados e mesas adequadas para cadeirantes. Esses recursos mostram que a acessibilidade precisa ser pensada em diferentes dimensões: no deslocamento, no acesso à informação, na comunicação e na participação acadêmica.

Outro ponto importante é a formação da comunidade universitária. Em ação chamada “Diálogos sobre Inclusão e Acessibilidade”, o Programa Mackenzie Inclusão, em parceria com o PROATO e o Centro de Comunicação e Letras, promoveu capacitação e conscientização de professores da graduação sobre inclusão de alunos com deficiência. A atividade abordou temas como métodos avaliativos, adaptações para melhor compreensão dos conteúdos e o papel do intérprete de Libras no acompanhamento do estudante em sala.

Quando a acessibilidade é vivida na prática

Além das informações institucionais, a experiência concreta de quem participa de atividades no campus ajuda a mostrar como a acessibilidade acontece no cotidiano.

O saxofonista Gabriel Sznelvar, integrante da Compulsão Sonora, relatou sua experiência em um evento recente realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie: um simpósio sobre esquizofrenia e esquizofrenia paranoide. A apresentação musical da Compulsão Sonora participou do encerramento do dia, unindo arte, reflexão e inclusão.

Em seu depoimento, Gabriel destacou que o Mackenzie dispõe de uma acessibilidade que ele classificou como de “altíssima categoria”, permitindo que alunos com deficiência possam estudar diferentes disciplinas com mais autonomia. Ele mencionou a existência de recursos como carrinho de golfe para pessoas com dificuldade de locomoção, dispositivos de ampliação e audiodescrição em salas de aula, além do apoio de professores tutores e profissionais preparados para lidar com diferentes necessidades, inclusive de pessoas com deficiência auditiva.

O relato ganha força quando Gabriel descreve a chegada ao evento. Segundo ele, ao participar do simpósio, foi conduzido da entrada da universidade até o edifício MackGraphe em um carrinho de golfe. No mesmo transporte estavam uma colega da banda com déficit locomotor e sua esposa, que tem deficiência visual. Gabriel ressaltou que o condutor foi muito atencioso tanto na ida ao edifício quanto no retorno à entrada principal da universidade.

Esse detalhe é importante porque mostra que acessibilidade não se resume a equipamentos ou estruturas. Um recurso físico, como o transporte interno, torna-se ainda mais significativo quando vem acompanhado de cuidado humano, orientação, respeito e atenção às necessidades de cada pessoa.

O depoimento de Gabriel também reforça uma ideia essencial: a pessoa com deficiência não deve ser vista apenas como alguém que precisa de adaptação, mas como alguém que participa, contribui, estuda, trabalha, toca, canta, ensina, aprende e ocupa espaços culturais e acadêmicos. A presença da Compulsão Sonora no encerramento do simpósio mostra que a inclusão também passa pela arte e pela convivência.

Acessibilidade é permanência, participação e pertencimento

A experiência relatada por Gabriel Sznelvar dialoga diretamente com os recursos institucionais divulgados pelo Mackenzie. Quando uma universidade oferece apoio pedagógico, tecnologia assistiva, biblioteca acessível, formação de professores, atendimento especializado e recursos de mobilidade, ela ajuda a transformar o ambiente acadêmico em um espaço mais justo.

Mas a inclusão verdadeira vai além de cumprir normas. Ela acontece quando a pessoa com deficiência sente que pode chegar, circular, assistir, participar, estudar e contribuir sem ser tratada como obstáculo ou exceção.

No ensino superior, isso é fundamental. Muitos estudantes com deficiência ainda enfrentam medo, insegurança e falta de informação antes de ingressar em uma universidade. Famílias também se perguntam se haverá apoio suficiente, se o aluno conseguirá acompanhar as aulas, se os professores estarão preparados e se o ambiente será acolhedor.

Por isso, divulgar iniciativas de acessibilidade é uma forma de fortalecer direitos. Quanto mais a sociedade conhece os recursos existentes, mais estudantes podem se sentir encorajados a ocupar espaços que também lhes pertencem.

Para o Cantinho dos Amigos Especiais, falar sobre acessibilidade universitária é falar sobre futuro. É lembrar que a pessoa com deficiência tem direito à educação, à cultura, ao trabalho, à convivência e à participação plena na sociedade.

O caso do Mackenzie mostra que acessibilidade precisa ser construída em várias frentes: nos programas de apoio ao estudante, nos professores preparados, nos materiais acessíveis, nas bibliotecas adaptadas, no transporte interno, na comunicação inclusiva e, principalmente, na postura humana de acolhimento.

Afinal, inclusão não é favor. Inclusão é direito. E quando a universidade abre caminhos, a pessoa com deficiência não apenas chega ao ensino superior: ela permanece, participa e deixa sua marca.

Fontes

Universidade Presbiteriana Mackenzie – Programa de Atenção e Orientação aos Discentes, PROATO.
Universidade Presbiteriana Mackenzie – Biblioteca George Alexander: Acessibilidade.
Universidade Presbiteriana Mackenzie – Diálogos sobre Inclusão e Acessibilidade.
Universidade Presbiteriana Mackenzie – Relatório Anual 2024.
Depoimento de Gabriel Sznelvar, saxofonista da Compulsão Sonora, sobre participação em evento recente na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Texto produzido com inteligência artificial.

Autores responsáveis: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira e Gabriel Sznelvar.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Bahia sanciona lei que reconhece oficialmente a Libras como meio legal de comunicação

A acessibilidade também passa pelo direito de se comunicar com respeito, clareza e reconhecimento oficial. Na Bahia, esse princípio ganhou força com a sanção, em 24 de abril, da lei que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão no estado. A medida foi divulgada pelo governo baiano no mesmo dia e apresentada como parte de um conjunto de ações voltadas à inclusão da comunidade surda.

Segundo o governo da Bahia, a nova legislação fortalece a autonomia da população surda e amplia direitos ao consolidar a Libras como sistema linguístico legítimo para transmissão de ideias, fatos e informações. Na prática, isso representa mais respaldo institucional para políticas públicas que já vinham sendo reivindicadas há anos por pessoas surdas e por entidades ligadas à acessibilidade comunicacional.

A notícia informa ainda que a lei prevê suporte com intérpretes de Libras em locais de grande circulação, como bancos, hospitais e centros comerciais, além de incentivar capacitação em Libras para servidores públicos. Esse é um ponto especialmente importante porque ajuda a tirar a acessibilidade do campo da intenção e a levar para o cotidiano, onde a falta de comunicação adequada ainda cria constrangimentos, atrasos e exclusão.

Outro aspecto relevante é que a sanção da lei se soma a outras iniciativas do estado voltadas à comunidade surda, como a ampliação de serviços de atendimento e mediação em Libras. Isso mostra que a nova norma não surge isolada, mas dentro de uma agenda mais ampla de reconhecimento de direitos, o que tende a dar mais consistência às medidas anunciadas. Essa leitura é uma inferência com base no fato de o próprio governo apresentar a lei como parte de um pacote de ações de inclusão.

Para o Cantinho dos Amigos Especiais, essa é uma notícia que merece destaque porque reafirma algo essencial: a comunicação não pode ser tratada como privilégio. Quando uma pessoa surda encontra barreiras para ser atendida, compreendida ou orientada, o problema não está nela, mas na estrutura que ainda não se preparou para acolhê-la. Reconhecer oficialmente a Libras é importante justamente porque ajuda a corrigir essa lógica e reforça que inclusão também se constrói pela linguagem.

É claro que o verdadeiro impacto da lei dependerá da forma como ela será implementada. Ter o texto sancionado é um avanço, mas o que fará diferença, de fato, será ver intérpretes disponíveis, servidores capacitados e atendimento acessível funcionando nos espaços públicos e privados. Ainda assim, a Bahia dá um passo importante ao transformar em lei algo que a comunidade surda já sabe há muito tempo: Libras não é adaptação secundária, mas direito de comunicação e expressão.

Fontes

Governo da Bahia — notícia oficial sobre a sanção da lei que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão no estado.

Assembleia Legislativa da Bahia — registro da sanção da lei aprovada pela Assembleia.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. 

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Comissão da Câmara aprova projeto que amplia acessibilidade digital para pessoas com deficiência

A inclusão não acontece apenas nas ruas, nos prédios ou no transporte. Ela também precisa existir no ambiente virtual, onde hoje se estuda, se trabalha, se busca informação, se participa de reuniões e se acessam serviços públicos. Foi nessa direção que a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou, em notícia publicada em 13 de abril de 2026, um projeto que amplia regras de acessibilidade digital para pessoas com deficiência.

De acordo com a Câmara, a proposta determina que sites do poder público adotem medidas de acessibilidade, incluindo recursos como audiodescrição de vídeos e tradução para Libras. O texto também alcança transmissões de vídeo pela internet, como videoconferências, prevendo instrumentos como legendas fechadas em tempo real, janela com intérprete de Libras e possibilidade de canal de áudio separado para audiodescrição, configurável pelo usuário.

Outro ponto importante é que o projeto também trata de jogos eletrônicos, estabelecendo que os fornecedores deverão garantir, na medida do possível, pleno acesso às pessoas com deficiência. Isso amplia o debate sobre acessibilidade para além dos serviços burocráticos e reconhece que lazer, cultura e entretenimento também fazem parte do direito à participação social.

Na prática, a proposta chama atenção para um problema que muitas famílias já conhecem bem: a exclusão digital. Quando um site não pode ser lido adequadamente por tecnologias assistivas, quando um vídeo não oferece audiodescrição ou quando uma transmissão ignora Libras e legendas, o que se cria é mais uma barreira. E barreira, seja física ou virtual, continua sendo barreira. O texto aprovado tenta responder a essa realidade com exigências mais claras e atualizadas.

Também é importante registrar que o projeto ainda não virou lei. Segundo a Câmara, para isso acontecer, ele ainda precisa passar por outras etapas de tramitação, ser aprovado pela própria Câmara e pelo Senado, além de receber sanção presidencial. Ou seja: trata-se de um avanço relevante, mas que ainda precisará ser acompanhado de perto.

Para o Cantinho dos Amigos Especiais, essa pauta merece destaque porque toca num ponto muito concreto da vida cotidiana. Hoje, boa parte da autonomia das pessoas com deficiência passa pela internet. É ali que se resolvem documentos, cursos, atendimentos, trabalho, comunicação e acesso à informação. Por isso, defender acessibilidade digital não é falar de detalhe técnico. É falar de dignidade, de igualdade de oportunidades e de direito real de participação. Essa é uma dessas notícias que mostram como a inclusão precisa acompanhar o tempo em que vivemos. A parte boa é que o tema está avançando. A parte que ainda exige vigilância é garantir que esse avanço saia do papel e chegue, de fato, à tela de todo mundo.

Fontes e links

Câmara dos Deputados — notícia oficial sobre a aprovação, em comissão, do projeto que amplia a acessibilidade digital para pessoas com deficiência.

Rádio Câmara / Agência Câmara — resumo da proposta, com destaque para jogos eletrônicos, transmissões online e recursos de acessibilidade.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Governo lança guia para ampliar a acessibilidade no cinema para pessoas com deficiêncial

Ir ao cinema deveria ser uma experiência possível para todos. Mas, na prática, muitas pessoas com deficiência ainda encontram barreiras para acompanhar um filme com autonomia, conforto e compreensão plena. Foi pensando nisso que o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançaram, em 15 de abril, o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema, com publicação oficial divulgada em 16 de abril. O lançamento aconteceu no Cine Brasília, dentro da programação do FomentaCine 2026.

Segundo os órgãos responsáveis, o guia foi criado para organizar orientações práticas que ajudem o setor audiovisual a promover acessibilidade em todas as etapas da experiência cinematográfica. Isso inclui desde a concepção e produção das obras até a exibição nas salas de cinema e o acesso do público aos recursos disponíveis. A proposta é transformar a acessibilidade em prática estruturada, e não em medida improvisada.

O documento aborda recursos fundamentais como audiodescrição, legendagem descritiva e Libras, além de destacar a necessidade de eliminar barreiras que afastam pessoas com deficiência do acesso à cultura. O guia também reforça que acessibilidade no audiovisual não deve ser vista como favor ou complemento opcional, mas como parte do direito de participar da vida cultural em condições de igualdade.

Além do guia, a Ancine e o MDHC divulgaram uma nova seção de Perguntas Frequentes sobre a Instrução Normativa nº 165/2022, que regulamenta a oferta de acessibilidade visual e auditiva nas sessões comerciais de cinema. A iniciativa busca orientar tanto o setor exibidor quanto o público, esclarecendo deveres, funcionamento dos recursos e canais de informação.

Esse ponto é importante porque muitas vezes o problema não está apenas na falta do recurso, mas também na falta de informação clara sobre como ele pode ser usado. De acordo com a orientação da Ancine, os exibidores devem ter suporte técnico capaz de garantir a disponibilidade dos recursos de acessibilidade fornecidos pelo distribuidor, e os canais de comunicação dos cinemas precisam estar preparados para orientar o espectador.

Para o Cantinho dos Amigos Especiais, essa é uma notícia que merece destaque porque trata de inclusão em um espaço muitas vezes lembrado apenas como entretenimento. Cultura também é direito. Poder assistir a um filme com compreensão, autonomia e dignidade faz parte da participação social das pessoas com deficiência. Quando o poder público e o setor audiovisual trabalham para organizar melhor essa acessibilidade, o que se amplia não é só o acesso ao cinema, mas o acesso à convivência, à arte e ao pertencimento.

Ainda há muito a avançar, principalmente para que essas orientações se transformem em realidade consistente nas salas de exibição de todo o país. Mas a criação de um guia nacional já representa um passo importante. Ele ajuda a tirar a acessibilidade do campo da boa intenção e a colocá-la no campo da responsabilidade concreta.

Fontes e links

MDHC — notícia oficial sobre o lançamento do Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema, publicada em 16 de abril de 2026.

Ancine — divulgação das duas iniciativas lançadas em 15 de abril: o guia e a nova seção de Perguntas Frequentes sobre acessibilidade nas salas de cinema.

Portal Gov.br — página oficial do Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema.

Ancine — seção de perguntas frequentes sobre a Instrução Normativa nº 165/2022, que trata da acessibilidade visual e auditiva em sessões comerciais de cinema.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Série: A História da Libras – Capitulo CAPÍTULO 2 – 1857: O Marco Oficial do Nascimento da Libras

No capítulo anterior, vimos que os sinais usados pelos surdos brasileiros já existiam muito antes de qualquer reconhecimento formal. Esse cenário preparou o terreno para o primeiro grande passo rumo à Libras que conhecemos hoje.


Em 1857, nasce o então Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, atual INES, no Rio de Janeiro. Com apoio de Dom Pedro II, o professor surdo francês Ernest Huet trouxe elementos da Língua de Sinais Francesa (LSF), que se misturaram aos sinais já usados no Brasil. A partir dessa convivência, a Libras começou a se estruturar de forma mais consistente.


Esse momento marca o início da institucionalização da Libras: uma língua que já existia na prática, agora ganhava espaço público.


Mas essa ascensão seria abalada por um movimento mundial que tentou silenciar as línguas de sinais. 

É o que veremos no Capítulo 3.

domingo, 16 de novembro de 2025

Série: A História da Libras – Capitulo 1 - Da Resistência ao Reconhecimento



Antes de existir lei, escola ou reconhecimento institucional, as pessoas surdas no Brasil já usavam sinais para se comunicar. Esses sinais nasciam da convivência diária: dentro de casa, entre amigos, no trabalho. Eram línguas vivas, espontâneas e regionais, mas pouco valorizadas pela sociedade ouvinte, que via tudo como “gestos”.

Mesmo sem status de língua, esses sistemas visuais eram o verdadeiro alicerce da Libras que viria a nascer.

E foi a partir dessas bases tão humanas e intuitivas que, anos mais tarde, um momento histórico mudaria para sempre a trajetória da comunicação das pessoas surdas no Brasil.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.