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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Dia Mundial da Visão: cuidar dos olhos também é promover inclusão


8 de outubro de 2026 — Enxergar a importância da saúde ocular é também reconhecer os direitos das pessoas com deficiência visual.

A visão desempenha um papel importante em nossa vida. Por meio dela, percebemos cores, formas, movimentos e detalhes do mundo ao nosso redor. Entretanto, nem todas as pessoas enxergam da mesma maneira.

Algumas utilizam óculos ou lentes de contato. Outras convivem com baixa visão, doenças oculares ou cegueira.

No Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro de 2026, o Cantinho dos Amigos Especiais convida seus leitores a refletirem sobre duas questões fundamentais: a importância da prevenção das doenças oculares e a necessidade de construir uma sociedade verdadeiramente acessível às pessoas com deficiência visual.

Por que existe o Dia Mundial da Visão?

A data é uma mobilização internacional voltada à conscientização sobre a saúde ocular, à prevenção da perda evitável da visão e à ampliação do acesso aos serviços oftalmológicos.

Em 2026, a campanha internacional Love Your Eyes (Ame Seus Olhos) destaca a importância do cuidado com a visão e do compromisso coletivo com uma assistência oftalmológica acessível a todos.

Uma das iniciativas deste ano, chamada Every Story Counts (Cada História Conta), incentiva as pessoas a compartilharem suas experiências com a saúde ocular.

Afinal, por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa, uma família e uma história que merece ser ouvida.

Um problema que atinge bilhões de pessoas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas apresentam algum comprometimento da visão para perto ou para longe.

Em pelo menos 1 bilhão desses casos, a deficiência visual poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu o atendimento necessário.

Entre as condições que podem comprometer a visão estão:

  • Catarata;
  • Glaucoma;
  • Retinopatia diabética;
  • Degeneração macular relacionada à idade;
  • Problemas de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo;
  • Doenças que afetam a retina, a córnea e outras estruturas dos olhos.

Algumas dessas condições podem ser corrigidas, tratadas ou controladas. Outras provocam limitações permanentes.

Por isso, o acompanhamento oftalmológico é fundamental.

Como cuidar da saúde dos olhos?

Algumas atitudes ajudam a proteger a visão e identificar problemas precocemente:

1. Consulte regularmente o oftalmologista. Mesmo quando não existem sintomas, exames podem identificar alterações importantes.

2. Não ignore mudanças na visão. Embaçamento, manchas, distorções e dificuldades visuais merecem avaliação profissional. Perda súbita da visão exige atendimento de urgência.

3. Controle doenças como diabetes e hipertensão. Essas condições podem comprometer a saúde dos olhos.

4. Proteja os olhos. Utilize óculos com proteção ultravioleta adequada e equipamentos de segurança quando necessários.

5. Evite a automedicação. Colírios e outros medicamentos devem ser utilizados conforme orientação profissional.

6. Cuide também da visão das crianças. Dificuldades para enxergar podem interferir na aprendizagem, na convivência e no desenvolvimento infantil.

Baixa visão não significa ausência de capacidade

Um ponto importante desta data é compreender que nem toda deficiência visual significa cegueira total.

Existem pessoas que conseguem perceber luzes, cores e movimentos, mas apresentam dificuldades para ler, reconhecer rostos, identificar obstáculos ou se locomover em determinados ambientes.

Outras possuem visão central preservada, mas enfrentam limitações na visão periférica.

Há ainda pessoas cuja visão se modifica conforme a iluminação, o contraste ou a progressão de uma doença.

A deficiência visual não é igual para todas as pessoas.

E nenhuma dessas condições elimina a capacidade de estudar, trabalhar, aprender, conviver e participar da sociedade.

Acessibilidade também é uma forma de cuidado

A saúde ocular não deve ser discutida apenas sob a perspectiva da prevenção.

Também precisamos falar das pessoas que já convivem com limitações visuais, sejam elas temporárias ou permanentes.

Promover inclusão significa garantir recursos como:

  • Textos ampliados e com bom contraste;
  • Leitores de tela e tecnologias assistivas;
  • Audiodescrição e descrição de imagens;
  • Materiais em braille quando necessários;
  • Ambientes com iluminação adequada;
  • Sinalização tátil e acessível;
  • Atendimento respeitoso e adaptado às necessidades de cada pessoa.

Esses recursos não são privilégios. São instrumentos de acessibilidade que favorecem a autonomia e a participação social.

Também é importante lembrar que uma pessoa com deficiência visual não deve ser tratada como incapaz ou dependente apenas por não enxergar plenamente.

Respeitar a autonomia é tão importante quanto oferecer ajuda.

Prevenir a cegueira e respeitar quem não enxerga

Existe uma reflexão que merece atenção especial.

Quando falamos sobre a prevenção da cegueira, estamos defendendo o acesso à saúde e a possibilidade de evitar perdas visuais sempre que isso for possível.

Mas prevenir a perda da visão não significa considerar a vida de uma pessoa cega ou com baixa visão menos valiosa.

A prevenção e a inclusão caminham juntas.

Quem pode preservar a visão deve receber os cuidados necessários. Quem já possui uma deficiência visual precisa encontrar condições para viver com dignidade, independência e oportunidades.

Uma sociedade inclusiva não exige que todas as pessoas enxerguem da mesma maneira.

Ela procura eliminar as barreiras que impedem cada pessoa de desenvolver suas capacidades.

Uma mensagem do Cantinho dos Amigos Especiais

Neste Dia Mundial da Visão, queremos deixar um convite:

Cuide de seus olhos. Incentive as pessoas que você ama a fazerem o mesmo. Valorize o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento profissional.

Mas também procure enxergar aquilo que muitas vezes passa despercebido: as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência visual em uma sociedade que ainda apresenta tantas barreiras.

Uma calçada malconservada, uma imagem sem descrição, um aplicativo inacessível ou uma informação apresentada apenas visualmente podem impedir alguém de exercer sua autonomia.

Cuidar da visão é importante. Garantir acessibilidade é indispensável.

Que o Dia Mundial da Visão nos ajude a construir um mundo com mais saúde, respeito, empatia e inclusão.

Cantinho dos Amigos Especiais — Porque inclusão também é aprender a enxergar o mundo pela perspectiva do outro.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Você sabe o que é Ceratite²


Imagem produzida com inteligência artificial.
Autores responsáveis: Alessandra Frederico e José Eduardo
Thomé de Saboya Oliveira



 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Semana Internacional do Cão de Assistência: autonomia, segurança e inclusão

 

Entre os dias 2 e 8 de agosto de 2026, celebra-se a Semana Internacional do Cão de Assistência. A data procura divulgar o importante trabalho realizado por esses animais, reconhecer a dedicação dos profissionais e voluntários envolvidos em seu treinamento e, principalmente, defender os direitos das pessoas com deficiência que contam com esse recurso de acessibilidade.

Um cão de assistência não é apenas um animal de estimação acompanhando seu tutor. Ele passa por um processo cuidadoso de socialização e treinamento para realizar tarefas específicas relacionadas à deficiência de uma pessoa.

Muito mais do que companhia

De acordo com a Assistance Dogs International, “cão de assistência” é um termo geral que inclui cães-guia, cães-ouvintes e cães de serviço treinados para executar tarefas que reduzam os impactos de uma deficiência.

Entre os principais tipos estão:

Cão-guia: auxilia pessoas cegas ou com baixa visão. Pode desviar de obstáculos, localizar portas, assentos, escadas e travessias, além de contribuir para uma circulação mais segura e independente.

Cão-ouvinte: ajuda pessoas surdas ou com deficiência auditiva, alertando sobre sons importantes, como campainhas, alarmes, telefones, choro de bebê e sinais de emergência.

Cão de serviço: pode auxiliar pessoas com deficiência física, mobilidade reduzida, autismo, epilepsia, diabetes ou outras condições. Dependendo do treinamento, o animal pode pegar objetos que caíram, abrir portas, acender luzes, ajudar no equilíbrio, buscar outra pessoa ou alertar sobre uma crise médica.

As tarefas são definidas de acordo com as necessidades individuais. Por isso, cada dupla formada pela pessoa e pelo cão possui sua própria forma de comunicação, confiança e trabalho em equipe.

Cão de assistência não é brinquedo

É natural sentir vontade de olhar, conversar ou acariciar um cão bonito e bem-comportado. Entretanto, quando estiver usando colete, arreio ou identificação de trabalho, ele precisa permanecer concentrado.

Ao encontrar uma dupla, algumas atitudes demonstram respeito:

  • Não acaricie, chame, assobie ou ofereça alimentos ao animal;
  • Não segure sua guia ou seu arreio;
  • Não permita que outro animal se aproxime sem autorização;
  • Fale diretamente com a pessoa, e não somente com o cão;
  • Antes de oferecer ajuda, pergunte se ela é necessária;
  • Não fotografe ou filme a dupla sem consentimento.

Uma distração aparentemente inocente pode impedir que o cão perceba um obstáculo, um som importante ou uma alteração na saúde de seu parceiro.

Não confunda as diferentes funções

Cães de assistência, cães de terapia e animais de apoio emocional podem exercer papéis importantes, mas não são necessariamente equivalentes.

O cão de assistência é treinado para realizar tarefas diretamente relacionadas à deficiência de uma pessoa. Já o cão de terapia geralmente participa de atividades em hospitais, escolas, instituições ou projetos, oferecendo interação e conforto a várias pessoas.

O animal de apoio emocional oferece benefícios por sua presença e vínculo com o tutor, mas pode não receber o mesmo treinamento especializado. Os direitos de acesso a espaços públicos também variam conforme a legislação de cada país ou localidade.

O direito de acesso no Brasil

No Brasil, a Lei Federal nº 11.126, de 27 de junho de 2005, assegura à pessoa cega ou com baixa visão acompanhada de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal nos meios de transporte e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo. Impedir ou dificultar esse direito constitui ato de discriminação.

O Decreto nº 5.904/2006, que regulamenta a lei, também proíbe a cobrança de valores adicionais relacionados à presença do cão-guia e determina que não se pode exigir focinheira como condição de entrada. O decreto ainda contempla animais em fase de socialização ou treinamento, quando acompanhados por pessoas habilitadas.

Na cidade de São Paulo, houve um importante avanço recente. A Lei Municipal nº 18.387/2026 ampliou a proteção para diferentes categorias de cães de assistência. A norma garante acesso aos espaços coletivos e aos meios de transporte da capital, incluindo táxis e transportes por aplicativo, e proíbe cobranças adicionais pela presença do animal.

Como as normas sobre outras categorias de cães de assistência ainda podem variar entre estados e municípios, é recomendável verificar a legislação aplicável em cada localidade.

Inclusão também depende de informação

A presença de um cão de assistência não representa privilégio. Ela representa acessibilidade, segurança, autonomia e participação social.

Ainda existem pessoas com deficiência que enfrentam recusas em estabelecimentos, transportes e serviços por falta de informação ou preconceito. Por isso, a Semana Internacional do Cão de Assistência também é uma oportunidade para combater as barreiras atitudinais.

Respeitar uma dupla significa compreender que aquele animal está trabalhando. Significa permitir que a pessoa exerça seu direito de estudar, trabalhar, viajar, utilizar transportes, fazer compras e participar da sociedade com mais liberdade.

Nesta semana — e durante todo o ano — compartilhe informação:

Não distraia o cão. Não separe a dupla. Não dificulte o acesso. Respeite a autonomia da pessoa com deficiência.

A inclusão começa quando transformamos conhecimento em atitude.

Cantinho dos Amigos Especiais
Informação, acessibilidade, respeito e inclusão.