sexta-feira, 5 de julho de 2019

Extrato de jabuticaba criado na Unicamp vira remédio para diabete e colesterol


Por: Vitor Paiva


Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) constatou que o extrato da casca da jabuticaba foi capaz de prevenir o pré-diabetes e o aumento do acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) em camundongos.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados no Journal of Functional Foods.

“Observamos que a ingestão do extrato da casca da jabuticaba por camundongos envelhecidos, submetidos a uma dieta com alto teor de gordura, também causou a diminuição no ganho de peso e da dislipidemia [aumento de gordura no sangue] e da hiperglicemia [excesso de glicose no sangue] e melhorou o HDL [colesterol bom] dos animais, entre outros benefícios”, disse Valéria Helena Alves Cagnon Quitete, professora do IB-Unicamp e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

O extrato da casca da fruta nativa da Mata Atlântica foi desenvolvido em uma parceria entre pesquisadores do IB e da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Um grupo de pesquisadores da FEA, coordenado pelo professor Mário Roberto Maróstica Junior, vinha estudando o efeito da adição da casca de jabuticaba na ração de camundongos.

Por meio da parceria, os pesquisadores conseguiram produzir um extrato da casca da fruta que pode ser administrado de forma controlada e com grande concentração de compostos bioativos – substâncias que ocorrem naturalmente em alimentos e que interferem positivamente no metabolismo, mas que não são nutricionalmente necessárias. O extrato resultou no depósito de uma patente, que está em processo de licenciamento por uma empresa brasileira.

“Conseguimos desenvolver um método que permite obter uma grande quantidade de compostos bioativos da casca de jabuticaba em um baixo volume de extrato”, disse Celina de Almeida Lamas, doutoranda no IB-Unicamp e uma das autoras do estudo.

As análises químicas do extrato de casca de jabuticaba demostraram que o composto possui um alto teor de compostos fenólicos, como as antocianinas, presentes também no vinho tinto, com efeitos positivos no metabolismo orgânico.

Os pesquisadores fizeram um experimento com camundongos em processo de envelhecimento a fim de avaliar o limite da dose de extrato da casca de jabuticaba que pode ser consumida para promover os efeitos benéficos desejados e se uma dose alta do composto amplificaria os efeitos.

O envelhecimento está diretamente associado à redução da capacidade metabólica e alterações do metabolismo hepático, glicídico e lipídico. Durante o envelhecimento há uma deficiência de controle do nível de glicose no sangue, um aumento da deposição de triglicerídeos no fígado e desequilíbrio hormonal. Além disso, é comum os idosos apresentarem dislipidemia, hiperinsulinemia, diabetes e doenças cardiovasculares.

A fim de potencializar esses efeitos danosos do processo de envelhecimento, os pesquisadores ofereceram aos camundongos uma dieta rica em gordura (lipídeos), capaz de promover ganho de peso, aumentar a gordura no fígado, estimular a dislipidemia e aumentar os níveis de glicose. A dieta possuía cinco vezes mais lipídeos do que uma dieta normal.

“Estudos apontavam que se os animais consumissem essa dieta hiperlipídica por 60 dias seria suficiente para desenvolverem pré-diabetes e alterações hepáticas. Pensamos em fornecer o extrato por esse tempo para verificar se, no final, eles não teriam esses problemas”, disse Lamas.

Melhoria no fígado

Os camundongos foram divididos aleatoriamente em grupos, dos quais um foi composto por animais jovens, com três meses de idade, que recebeu dieta padrão. Outro foi formado por camundongos com 11 meses de idade, também com dieta padrão. O terceiro grupo foi integrado por camundongos com 11 meses de idade, submetidos a uma dieta rica em gordura.

Um quarto e quinto grupos, compostos por animais envelhecidos, receberam, respectivamente, por gavagem (introduzida por tubo de PVC) uma dose de 2,9 ou 5,8 gramas de extrato por quilo de peso e uma dieta padrão durante 60 dias.

Um sexto e um sétimo grupo, compostos por animais envelhecidos, receberam, respectivamente, por gavagem uma dose de 2,9 ou 5,8 gramas de extrato por quilo de peso e uma dieta rica em gordura durante 60 dias.

As análises revelaram que ambas as doses do extrato da casca de jabuticaba aplicadas nos camundongos envelhecidos impediram o ganho de peso, diminuíram o processo inflamatório e causaram uma redução da hiperglicemia e da dislipidemia – o que preveniu o pré-diabetes.

Além disso, aumentaram os níveis de HDL e a atividade de receptores relacionados à insulina e de algumas moléculas relacionadas à proliferação de peroxissomos – bolsas membranosas que possuem alguns tipos de enzimas digestivas.

“Também percebemos que o extrato da casca de jabuticaba promoveu uma melhoria na morfologia do fígado dos animais”, disse Quitete.

Os pesquisadores também observaram que a dose maior de extrato da casca de jabuticaba, com 5,8 gramas de extrato por quilo do peso do animal, foi mais eficiente na promoção desses efeitos benéficos em comparação com a dosagem menor.

“A dose duplicada apresentou melhores efeitos em vias metabólicas importantes ligadas à obesidade, ao pré-diabetes e à restauração da estrutura do fígado dos camundongos envelhecidos”, disse Quitete.

Os pesquisadores também estão realizando um estudo em que avaliam o uso do extrato da casca de jabuticaba no atraso da progressão do câncer de próstata em camundongos transgênicos, também com apoio da FAPESP.

Os resultados preliminares indicaram que o composto foi capaz de diminuir as lesões na próstata dos animais. “Percebemos uma melhora substancial na morfologia da próstata dos camundongos, além da diminuição do estresse oxidativo e da inflamação”, disse Quitete.

“A diminuição da inflamação e o equilíbrio do estresse oxidativo levaram a uma melhora tecidual e molecular da próstata dos animais”, disse.

O artigo Jaboticaba extract prevents prediabetes and liver steatosis in high-fat-fed aging mice, de Celina de Almeida Lamas, Valéria Helena Alves Cagnon Quitete e outros, pode ser lido no Journal of Functional Foods

Texto extraído da Agência Fapesp e republicado em sua íntegra. A matéria foi alterada no dia 26 de junho, após publicação original no dia 12 de junho.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Personagem autista é capa de nova revista da Turma da Mônica


Menino André vem aparecendo cada vez mais nas histórias para que as famílias passem a entender melhor as crianças nesta condição especial

Edição de nº 51 da revista Turma da Mônica - Foto: Divulgação/Way ComunicaçõesUm personagem autista ganhou destaque na capa da revista da Turma da Mônica de julho. Criado em 2003, principalmente para conteúdos institucionais, o menino André vem aparecendo cada vez mais nas histórias para que as famílias passem a entender melhor as crianças nesta condição especial, também chamada de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A revista Turma da Mônica nº 51, da Editora Panini, é intitulada "Tem lugar pra todo mundo nessa turma". A história se passa durante as comemorações dos 60 anos dos Estúdios Mauricio de Sousa, que recebe a visita de André. Depois de descobrir uma passagem secreta, o menino vai se aventurar com a "turminha" mais conhecida do Brasil.

No decorrer da história, ele repete frases ou palavras que ouve de outras pessoas ou da TV. É assim que a equipe de Mauricio de Sousa mostra um dos sintomas do autismo, conhecido como ecolalia.

“A participação cada vez maior do André nas histórias da Turminha é importante para mostrar para a criançada de um jeito lúdico como todos ganham ao conviver com as diferenças", diz Mauricio de Sousa. "Além disso, temos muito fãs dentro do Transtorno do Espectro do Autismo e queremos que eles se sintam representados".

Para o editor da Revista Autismo, Francisco Paiva Jr., a presença do personagem na revista provoca um processo de conscientização mais natural sobre autismo. Ele afirma que essa forma de apresentar o tema é diferente das cartilhas e materiais mais didáticos, que são voltados ao público em geral, não só aos já interessados no assunto. "Contribui com o diagnóstico e tratamento precoces", afirma Francisco Paiva Jr.

A revista Turma da Mônica 51 já nas bancas. Também é possível ler algumas páginas da história no site www.revistaautismo.com.br.

Fonte: TERRA

3 plantas MATADORAS para DIABETES!


3 plantas MATADORAS para DIABETES!
Fonte: YouTube

Projeto cria código de cores para bengalas de deficientes visuais


Data: 03/07/2019 - 13:02:10


CURITIBA - PR - Criar um código de cores para que pela bengala utilizada já se saiba qual o tipo de deficiência visual de cada pessoa. É o que propõe o vereador Pier Petruzziello (PTB), em iniciativa registrada no dia 17 de junho na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Pela proposição (005.00124.2019), pessoas cegas usariam bengalas da cor branca, ficando a cor verde para identificar baixa visão e bengalas brancas e vermelhas para pessoas com surdocegueira (perda auditiva e visual concomitante).

Segundo o parlamentar, países como Argentina e República Tcheca já utilizam código de cores semelhante. “Todas as bengalas possuirão iguais características em peso, longitude, empunhadura elástica, rebatibilidade, podendo ou não conter na última anilha uma luz de led, que facilitará na visão noturna ou uma esfera para melhor desempenho de mobilidade”, explica, diz Petruzziello na justificativa. O texto do projeto estipula que o poder público fará publicidade dessas diferenciações, principalmente para conscientizar os agentes públicos.

Para o vereador, “dada a importância da efetiva inclusão e independência das pessoas com deficiência visual,”, a medida é positiva, “uma vez que a cor da bengala utilizada auxilia a sociedade em suas ações, bem como no tratamento igualitário que deve ser dispensado a tais pessoas”.

Tramitação 

Após o protocolo da proposição no Legislativo e a leitura no pequeno expediente de uma sessão plenária, o projeto de lei começa a tramitar na Câmara de Curitiba. Primeiro a matéria recebe uma instrução técnica da Procuradoria Jurídica e depois segue para as comissões temáticas do Legislativo. Durante a análise dos colegiados, podem ser solicitados estudos adicionais, juntada de documentos faltantes, revisões no texto ou o posicionamento de outros órgãos públicos afetados pelo teor do projeto. Depois de passar pelas comissões, segue para o plenário e, se aprovado, para sanção do prefeito para virar lei.

Texto: João Cândido Martins
Revisão: José Lazaro Jr.
Reprodução do texto autorizada
mediante a citação da Câmara Municipal de Curitiba

Empresa Cria Sapato com GPS para Monitorar Idosos e Pessoas com Problemas de Memória


Produto é acompanhado de app que mostra a localização do usuário do calçado em tempo real

Com o Smart Sole, pessoas com necessidades especiais podem ter sua localização monitorada via app e GPS (Foto: Divulgação/Smart Sole)
Quem cuida de pessoas idosas ou com algum tipo de desordem mental nem sempre consegue estar com elas em 100% do tempo. E se elas também não estão com um celular, ou não conseguem usar um, como se certificar de que não se perderam? A americana GTX Corp endereçou este problema criando solados inteligentes de calçados com GPS, que permitem monitorar à distância a localização de crianças e idosos com doenças como Alzheimer ou demência.

O Smart Sole, nome dado ao produto, começou a ser concebido ainda em 2002 pela empresa, que se descreve como a “primeira companhia de dispositivos usáveis com GPS do mundo”. “Nossa inspiração foram as milhões de pessoas com Alzheimer, demência, autismo e traumas cerebrais que possuem problemas de memória e tendem a se perder se ficam sozinhas”, descreve o CEO Patrick Bertagna no site da empresa.

Segundo a empresa, mais 100 milhões de pessoas no mundo todo precisam de acompanhamento constante em função de diversos problemas que afetam a memória. O número tende a crescer para 277 milhões até 200, segundo o Relatório Anual de Alzheimer.

A preocupação era com essas pessoas ficarem desacompanhadas em casa, e acabarem conseguindo sair sem rumo pelas ruas. Com o avançar da tecnologia e a febre dos smartphones pelo mundo, logo se tornou mais fácil conceber como os responsáveis pelos doentes – e pelas crianças, que também podem se perder mais facilmente – poderiam monitorá-los.

Aparelho discreto é inserido dentro do solado e transmite sinal para o responsável pelo usuário (Foto: Facebook/SmartSole)
O solado inteligente não é só um chip, mas “um minúsculo celular dentro do sapato”, descreve a GTX. Ele usa a rede celular para se comunicar, requere um plano de telefonia e precisa ser recarregado diariamente. Ele estando online, os responsáveis podem monitorar em tempo real a localização de quem usa os sapatos utilizando um login e senha protegidos.

O sistema também envia automaticamente e-mails e SMS para os cuidadores, caso o usuário do calçado saia da área de monitoramento. O solado é vendido em vários tamanhos adultos e infantis, e possuem um formato padrão que se encaixa nos sapatos e tênis casuais mais comuns.

Depois de patentear a tecnologia e lançar seu próprio dispositivo, a GTX Corp viu a solução ser adotada por outras companhias, que em alguns casos inserem os solados em sapatos que são comercializados de forma conjunta. A japonesa Wish Hills é uma delas.