sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Retinoblastoma: quando olhar nos olhos pode fazer toda a diferençal


A campanha De Olho nos Olhinhos, criada por Thiago Leifert e Daiana Garbin, ajudou a colocar em evidência uma doença rara, mas que precisa ser conhecida por todas as famílias: o retinoblastoma. A iniciativa nasceu depois que a filha do casal, Lua, foi diagnosticada com esse tipo de câncer ocular e passou a chamar a atenção para os sinais da doença e, principalmente, para a importância do diagnóstico precoce. Hoje, a campanha também auxilia famílias na busca por atendimento, exames e centros de referência.

O que é o retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se desenvolve na retina, estrutura localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e participar da formação das imagens que enxergamos.

É uma doença rara, porém é considerada o tumor maligno intraocular mais comum na infância. Atinge principalmente crianças pequenas, geralmente antes dos cinco anos de idade, e pode ocorrer em apenas um olho ou nos dois.

Por se tratar de uma doença que acomete crianças muito pequenas, muitas vezes são os pais, familiares ou cuidadores que percebem os primeiros sinais.

O principal sinal: a pupila esbranquiçada

Um dos sinais mais conhecidos do retinoblastoma é a leucocoria, popularmente chamada de “reflexo do olho de gato”.

Em uma fotografia feita com flash, por exemplo, enquanto um olho apresenta o reflexo avermelhado habitual, o outro pode aparecer com uma mancha ou reflexo branco ou amarelado na pupila.

Essa alteração não significa necessariamente que a criança tenha retinoblastoma, pois existem outras doenças oculares capazes de provocar um reflexo semelhante. Entretanto, uma pupila branca nunca deve ser ignorada e precisa ser avaliada rapidamente por um oftalmologista.

Outros sinais de atenção

Além da leucocoria, o estrabismo é outro sinal relativamente frequente. Também podem ocorrer, especialmente em quadros mais avançados, alterações como vermelhidão persistente, irritação ocular, alterações da visão ou protrusão do olho.

É importante lembrar que uma criança pequena nem sempre consegue dizer que não está enxergando bem. Por isso, observar os olhos e o comportamento visual da criança é fundamental.

A fotografia pode ajudar — mas não substitui o exame

Foi justamente a percepção de alterações nos olhos em fotografias que tornou o chamado “reflexo branco” bastante conhecido nas campanhas de conscientização.

Fotos podem, sim, servir como um sinal de alerta. Mas elas não substituem a avaliação médica. Se a família perceber uma alteração repetida no reflexo de um dos olhos, estrabismo que surgiu recentemente ou qualquer diferença incomum entre os olhos da criança, deve procurar um oftalmologista.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exame oftalmológico detalhado, com dilatação das pupilas, podendo ser necessários outros exames para avaliar o tumor e sua extensão, como ultrassonografia ocular e ressonância magnética.

Em crianças pequenas, alguns desses exames podem precisar ser feitos sob sedação.

Existe tratamento?

Sim. E é exatamente por isso que falar sobre diagnóstico precoce é tão importante.

O tratamento depende do tamanho e da localização do tumor, de a doença estar presente em um ou nos dois olhos e de existir ou não comprometimento de outras estruturas.

Entre as possibilidades estão quimioterapia, tratamentos com laser, crioterapia e outras modalidades especializadas. Em determinados casos, principalmente quando a doença está mais avançada, pode ser necessária a retirada do olho afetado para controlar o câncer e proteger a vida da criança.

Cada situação precisa ser avaliada individualmente por uma equipe especializada.

Diagnóstico precoce pode salvar a vida — e a visão

O retinoblastoma apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado e tratado adequadamente. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica informa taxas de cura superiores a 95%, embora o prognóstico dependa de fatores como o estágio da doença e sua eventual disseminação.

Quanto mais cedo o tumor é encontrado, maiores também podem ser as possibilidades de preservar o olho e, em determinados casos, parte da visão.

Por isso, campanhas como a De Olho nos Olhinhos têm um papel tão importante: ajudam pais e responsáveis a conhecer sinais que poderiam passar despercebidos.

Informação também é cuidado

Falar sobre câncer infantil nunca é simples. Mas conhecer o retinoblastoma não deve ser motivo para viver procurando sinais de doença nos olhos das crianças. Deve ser, acima de tudo, uma forma de saber quando procurar ajuda.

Uma pupila esbranquiçada, um reflexo diferente nas fotografias ou um estrabismo que apareceu de repente merecem atenção.

No Cantinho dos Amigos Especiais, acreditamos que informação acessível também é uma forma de prevenção e cuidado. Às vezes, um pequeno detalhe percebido no olhar de uma criança pode ser o começo de um diagnóstico precoce — e fazer uma enorme diferença em toda a sua história.

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