O respeito à pessoa com deficiência precisa estar presente também nas situações mais comuns do cotidiano. Entrar em uma loja ou restaurante, fazer um pedido e ser atendido com educação deveria ser algo absolutamente normal para qualquer pessoa.
Neste domingo, nosso amigo e músico Gabriel Sznel ar nos procurou para compartilhar uma experiência que, segundo seu relato, aconteceu durante a tarde em uma unidade do Burger King localizada no Shopping RioSul, no Rio de Janeiro.
Gabriel estava acompanhado da esposa. Ambos são pessoas com deficiência (PCDs). De acordo com ele, o casal tentou ser atendido no estabelecimento, mas enfrentou uma situação que considerou desrespeitosa e discriminatória.
Em seu depoimento, Gabriel conta:
«“Hoje à tarde, no Burger King do Shopping RioSul, eu e minha esposa passamos por uma situação muito desagradável. Sentimos que houve uma recusa em nos atender adequadamente e que fizeram pouco caso de nós, duas pessoas com deficiência. As atendentes insistiam em negar o atendimento, e toda a situação acabou deixando minha esposa constrangida e com vergonha. Consideramos a postura do atendente inadequada e desrespeitosa.”»
O depoimento chama atenção para uma questão que vai muito além de um pedido em uma lanchonete.
Atendimento digno também é inclusão
Uma pessoa com deficiência não deve precisar implorar por atenção, sentir vergonha ou acreditar que está incomodando simplesmente porque precisa ser atendida.
Inclusão também acontece no balcão de uma loja, no caixa de um supermercado, em um restaurante, no transporte, no cinema e em qualquer outro espaço de convivência.
Um atendimento inclusivo começa por atitudes simples: ouvir diretamente a pessoa com deficiência, tratá-la com educação, respeitar suas necessidades e oferecer as mesmas condições de atendimento destinadas aos demais clientes.
Quando uma pessoa com deficiência relata ter se sentido diminuída, ignorada ou constrangida durante um atendimento, sua experiência merece ser ouvida.
Dar voz também é nosso papel
O Cantinho dos Amigos Especiais abre espaço para relatos como o de Gabriel porque experiências vividas pelas próprias pessoas com deficiência ajudam a mostrar onde ainda existem barreiras — inclusive aquelas que não são arquitetônicas.
Publicar um depoimento não significa antecipar conclusões sobre responsabilidades. Significa permitir que uma pessoa conte o que viveu e como aquela situação a afetou.
Esperamos que episódios como o relatado por Gabriel sirvam também para incentivar empresas e profissionais a investirem cada vez mais em atendimento humanizado, acessibilidade e capacitação de suas equipes.
Pessoa com deficiência é cliente, consumidor e cidadão. Respeito não é atendimento especial. É o mínimo que deve existir em qualquer atendimento.
Esta matéria apresenta o relato e a percepção do entrevistado sobre o episódio. O Cantinho dos Amigos Especiais permanece aberto à manifestação do estabelecimento citado, caso queira apresentar esclarecimentos sobre o ocorrido.
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