sábado, 4 de julho de 2026

Mar Galcerán faz história como primeira deputada espanhola com síndrome de Down

A participação das pessoas com deficiência nos espaços de decisão política ganhou um marco histórico na Espanha. Mar Galcerán tornou-se a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar uma cadeira em um parlamento regional espanhol e é apontada como possivelmente a primeira em toda a Europa a alcançar uma função parlamentar desse nível.

Embora a história tenha voltado a circular recentemente nas redes sociais, Mar assumiu oficialmente o mandato nas Cortes Valencianas — o Parlamento da Comunidade Valenciana — em 14 de setembro de 2023. Atualmente, ela representa a província de Valência pelo Partido Popular.

Uma longa trajetória profissional e política

A chegada de Mar Galcerán ao Parlamento não aconteceu de maneira repentina.

Nascida em Valência, em 1977, ela possui formação como técnica auxiliar do lar e técnica auxiliar de educação infantil. Trabalhou no serviço público espanhol durante mais de duas décadas, passando por áreas relacionadas à Presidência do governo valenciano, ao bem-estar social, às políticas inclusivas e à saúde pública.

Mar também participou da Asindown, organização que atua no apoio às pessoas com síndrome de Down e suas famílias na Comunidade Valenciana. Seu envolvimento político começou aos 18 anos, quando ingressou nas atividades juvenis do Partido Popular.

Nas eleições regionais de maio de 2023, ela ocupou a 20ª posição na lista de candidatos do partido pela província de Valência. Inicialmente, a legenda conquistou 19 vagas. Alguns meses depois, com a saída de um parlamentar para assumir outro cargo público, Mar foi chamada para ocupar o lugar disponível.

Por isso, embora algumas publicações afirmem simplesmente que ela foi “eleita”, a descrição mais precisa é que Mar participou da eleição pela lista partidária e assumiu o mandato quando surgiu a vaga correspondente.

Representatividade onde as decisões são tomadas

A presença de uma pessoa com síndrome de Down em um Parlamento possui um significado que vai além de uma conquista individual.

Durante muito tempo, pessoas com deficiência intelectual foram mantidas afastadas dos espaços de liderança, da vida profissional e das decisões políticas. Muitas ainda enfrentam a ideia preconceituosa de que não seriam capazes de compreender questões importantes, manifestar opiniões ou representar a sociedade.

Mar Galcerán ajuda a enfrentar essa visão ao exercer uma função pública de responsabilidade. Nas Cortes Valencianas, ela integra a Comissão de Regulamento e a comissão permanente dedicada às políticas integrais para pessoas com deficiência.

Sua presença também reforça uma mensagem essencial: as políticas destinadas às pessoas com deficiência não devem ser elaboradas apenas para elas, mas também com a participação delas.

Inclusão política significa garantir acessibilidade, formação, apoio adequado e oportunidades reais para que diferentes pessoas possam apresentar propostas, fiscalizar governos, votar e também ser votadas.

“Olhem para a pessoa, não apenas para a deficiência”

Ao comentar sua chegada ao Parlamento, Mar destacou que deseja ser reconhecida por sua atuação e não somente por sua condição. Ela defende que a sociedade enxergue primeiro a pessoa, suas capacidades, sua experiência e aquilo que pode oferecer.

A deputada também reconhece que ainda existe um longo caminho para superar os preconceitos. Sua trajetória não significa que todas as barreiras tenham desaparecido. Pessoas com síndrome de Down continuam enfrentando dificuldades no acesso à educação inclusiva, ao emprego, à autonomia, à participação social e à própria tomada de decisões sobre suas vidas.

O mandato de Mar não deve ser visto apenas como uma história de “superação”. Ele representa o exercício de um direito: o direito das pessoas com deficiência de participar da vida pública em igualdade de condições.

Outras pioneiras abriram caminhos

Mar Galcerán não foi a primeira espanhola com síndrome de Down a ocupar uma função política.

Em 2013, Ángela Bachiller tornou-se a primeira pessoa com síndrome de Down a assumir o cargo de vereadora na Espanha, na cidade de Valladolid. Na França, Éléonore Laloux também foi eleita para um conselho municipal, em 2020. Essas experiências demonstram que a participação política das pessoas com deficiência intelectual está avançando, embora ainda aconteça de maneira muito lenta e pouco frequente.

No caso de Mar, a novidade está no nível do cargo: ela se tornou a primeira parlamentar espanhola com síndrome de Down. Segundo a Federação Espanhola de Síndrome de Down, não havia registro conhecido de outra pessoa com a condição ocupando anteriormente uma cadeira em um parlamento regional ou nacional europeu. Por essa razão, é mais correto dizer que ela é considerada ou possivelmente a primeira da Europa, evitando transformar uma estimativa em certeza absoluta.

Inclusão não pode ser apenas simbólica

Ter uma pessoa com deficiência no Parlamento é um avanço, mas a verdadeira inclusão não termina com uma fotografia ou uma posse.

É necessário que os espaços políticos ofereçam comunicação acessível, documentos em linguagem simples, tecnologias assistivas, respeito ao ritmo de cada pessoa e condições efetivas para o exercício das funções.

Também é importante evitar que representantes com deficiência sejam limitados exclusivamente aos assuntos relacionados à deficiência. Assim como qualquer parlamentar, eles podem contribuir com debates sobre educação, saúde, emprego, transporte, cultura, segurança, direitos humanos e muitos outros temas.

Mar Galcerán chegou a um espaço no qual poucas pessoas com deficiência intelectual conseguiram entrar. Sua responsabilidade agora é exercer o mandato, apresentar suas ideias e ser avaliada pelo trabalho realizado — como deve acontecer com qualquer representante público.

A história de Mar mostra que as pessoas com síndrome de Down não precisam apenas ser lembradas nos discursos sobre inclusão. Elas precisam estar presentes nas escolas, nas empresas, nas organizações sociais, nos partidos políticos e em todos os lugares nos quais as decisões que afetam suas vidas são tomadas.

Quando uma pessoa com deficiência ocupa um espaço de poder, não recebe um favor. Ela exerce um direito de cidadania.

Texto produzido com inteligência artificial. 

Imagem: Instagram.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

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