segunda-feira, 1 de junho de 2026

Junho Violeta: cuidar da pessoa idosa é proteger a nossa própria história

O mês de junho também é marcado por uma campanha muito importante: o Junho Violeta, dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa.

A data central da campanha é 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, reconhecido pela ONU como um momento de alerta para toda a sociedade. A mobilização busca lembrar que envelhecer com dignidade é um direito, e que nenhuma pessoa idosa deve ser tratada com abandono, humilhação, exploração ou violência.

Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, muita gente pensa apenas em agressão física. Mas o problema é muito mais amplo. A violência pode aparecer em palavras duras, ameaças, isolamento, negligência com remédios e cuidados, abandono afetivo, apropriação indevida de dinheiro, golpes financeiros, controle abusivo de benefícios, chantagens e falta de respeito às decisões da própria pessoa idosa. Órgãos públicos e campanhas municipais também têm destacado a importância de combater abusos emocionais, financeiros, físicos e o idadismo, que é a discriminação baseada na idade.

No Cantinho dos Amigos Especiais, esse tema também toca diretamente a pauta da inclusão. Muitas pessoas idosas convivem com deficiência, mobilidade reduzida, baixa visão, perda auditiva, doenças crônicas ou dependência parcial de cuidadores. Isso não diminui sua dignidade, sua história, sua autonomia possível nem seu direito de ser ouvida.

Cuidar da pessoa idosa não é fazer tudo por ela sem perguntar. É respeitar seu ritmo, sua vontade, suas lembranças, sua fé, seus vínculos e sua forma de participar da vida. Proteção verdadeira não é controle. Proteção verdadeira é presença, escuta, paciência e respeito.

Também é preciso lembrar que a violência pode acontecer dentro de casa, no ambiente familiar, em instituições, em serviços de saúde, em bancos, no transporte, nas redes sociais e até por meio de golpes digitais. Em 2026, algumas campanhas locais do Junho Violeta já vêm destacando a prevenção contra a violência financeira e os golpes digitais como tema de atenção especial.

Por isso, alguns sinais merecem cuidado: mudanças bruscas de comportamento, medo de falar perto de determinada pessoa, tristeza constante, machucados sem explicação, falta de higiene, abandono de tratamentos, sumiço de dinheiro, empréstimos não explicados, isolamento forçado ou impedimento de conversar com familiares e amigos.

Denunciar não é se intrometer. Denunciar pode salvar uma vida.

No Brasil, situações de violência contra a pessoa idosa podem ser comunicadas pelo Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. Em casos de emergência ou risco imediato, deve-se acionar a polícia pelo 190.

O Junho Violeta nos convida a olhar para a pessoa idosa não como peso, mas como presença sagrada de memória, experiência e humanidade. Cada idoso carrega caminhos, lutas, afetos, perdas, vitórias e aprendizados que merecem respeito.

Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não abandona quem envelhece. Ela protege, escuta, acolhe e aprende.

Junho Violeta é um chamado à consciência: respeitar a pessoa idosa é honrar a vida em todas as suas fases.

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