É condição básica para que qualquer pessoa possa estudar, trabalhar, circular pela cidade, se divertir, cuidar da saúde e participar da vida em sociedade com segurança e autonomia.
É disso que estamos falando quando lembramos o Dia Nacional da Acessibilidade, celebrado em 5 de dezembro em todo o Brasil.
Por que existe um Dia Nacional da Acessibilidade?
O Dia Nacional da Acessibilidade foi criado para chamar a atenção da sociedade para um fato simples e, ao mesmo tempo, duro:
A maior parte dos espaços, serviços e atitudes ainda não considera, de verdade, as pessoas com deficiência.
A data está ligada à Lei nº 10.098/2000, conhecida como Lei da Acessibilidade.
Ela estabeleceu normas gerais e critérios básicos para promover acessibilidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Essa lei foi um marco importante na legislação brasileira e abriu caminho para outros avanços, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI – Lei nº 13.146/2015).
Em resumo, o dia 5 de dezembro existe para lembrar aquilo que a lei já garante no papel
e cobrar que isso vire realidade:
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no ônibus
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na escola
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no posto de saúde
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na internet
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nos comércios
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em todos os lugares onde a vida acontece.
O que a lei diz quando fala em acessibilidade?
A Lei da Acessibilidade (10.098/2000) fala em eliminar barreiras e garantir que as pessoas com deficiência possam usar, em igualdade de condições com as demais pessoas:
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espaços públicos e privados de uso coletivo
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meios de transporte
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sistemas de comunicação
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informações e serviços.
Já a Lei Brasileira de Inclusão – LBI (13.146/2015) define acessibilidade como a condição para que a pessoa com deficiência possa utilizar, com segurança e autonomia:
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espaços
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mobiliários
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transportes
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informação
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comunicação
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tecnologia.
A LBI também explica o que são barreiras: qualquer obstáculo, físico ou não, que atrapalhe ou impeça a participação da pessoa nos diferentes ambientes da vida.
Na prática, isso significa:
Não basta dizer “todo mundo é bem-vindo” se o ambiente não permite que todo mundo entre, entenda, participe e seja respeitado.
Acessibilidade é muito mais do que rampa
Quando se pensa em acessibilidade, muita gente lembra apenas de rampa e elevador.
Mas o tema é muito mais amplo.
As leis e as políticas públicas falam em diferentes tipos de barreiras que precisam ser enfrentadas.
Barreiras arquitetônicas e urbanísticas
Escadas sem alternativa, calçadas esburacadas, ausência de corrimão, falta de banheiro acessível, portas estreitas, ausência de vagas reservadas, pisos escorregadios.
Barreiras no transporte
Ônibus sem elevador ou plataforma, ausência de sinalização sonora e visual em trens e metrôs, falta de espaço para cadeira de rodas, pontos de embarque mal planejados.
Barreiras comunicacionais e informacionais
Falta de materiais em braille, ausência de intérprete de Libras, vídeos sem legendas ou sem audiodescrição, sites que não funcionam com leitores de tela, linguagem escrita muito complicada.
Barreiras tecnológicas
Aplicativos que não são acessíveis, letras muito pequenas, contraste fraco, botões sem descrição, plataformas digitais que ignoram padrões de acessibilidade.
Barreiras atitudinais
Preconceito, infantilização, superproteção, comentários capacitistas, falta de paciência, recusa em ouvir a própria pessoa com deficiência sobre as suas necessidades.
Essas são as barreiras mais invisíveis…
E, muitas vezes, as mais doloridas.
Quantas pessoas são afetadas por tudo isso?
Segundo dados recentes do Censo Demográfico do IBGE, o Brasil tem milhões de pessoas com deficiência.
Dependendo do critério usado, falamos de mais de 14 milhões de pessoas.
Ou seja:
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Não estamos falando de um grupo “pequeno”.
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Estamos falando de uma parcela importante da população.
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Sem contar as pessoas idosas, que também se beneficiam diretamente de ambientes acessíveis.
Quando falamos em acessibilidade, falamos de muita gente.
Falamos de famílias inteiras que convivem com a deficiência de um filho, de um pai, de uma avó, de um amigo querido.
O Brasil avançou… mas ainda falta muito
É verdade que o país tem um conjunto importante de leis e normas técnicas pensando em acessibilidade.
Entre elas:
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Lei da Acessibilidade (10.098/2000)
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Decretos que regulamentam essa lei, detalhando tipos de barreiras e formas de eliminação
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Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência
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Normas técnicas que orientam a construção de rampas, elevadores, sinalização tátil, comunicação acessível e muitos outros pontos.
Apesar disso, o dia a dia mostra que:
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prédios novos ainda são construídos sem acessibilidade adequada
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sites de órgãos públicos não seguem critérios básicos de acessibilidade digital
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equipamentos urbanos não consideram baixa visão, surdez, mobilidade reduzida e deficiência intelectual
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atitudes capacitistas continuam sendo tratadas como “normalidade” ou “brincadeira”.
Por isso, o Dia Nacional da Acessibilidade não é apenas uma data comemorativa.
É um dia de cobrança, reflexão e compromisso.
O que cada pessoa pode fazer?
A responsabilidade pela acessibilidade não é apenas do governo.
Ela é compartilhada entre poder público, empresas, escolas, profissionais e cada cidadão.
Alguns caminhos possíveis:
Pessoas com deficiência e familiares
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conhecer os direitos previstos na LBI e na Lei da Acessibilidade
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registrar denúncias em órgãos competentes quando um direito não é respeitado
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participar de conselhos, associações e movimentos, levando a própria voz para os espaços de decisão.
Gestores públicos e privados
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incluir a acessibilidade desde o início dos projetos (e não “adaptar depois”)
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garantir orçamento para obras, tecnologias e formações em acessibilidade
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ouvir pessoas com deficiência na hora de planejar mudanças em prédios, serviços e políticas.
Profissionais de educação, saúde, justiça e outras áreas
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buscar formação em acessibilidade e inclusão
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rever formulários, materiais, protocolos e fluxos de atendimento, pensando em diferentes tipos de deficiência
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adotar linguagem clara, respeitosa e livre de capacitismo.
Toda a sociedade
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respeitar o uso de bengalas, cadeiras de rodas, cães-guia, cordões de identificação e outros recursos
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perguntar: “Posso ajudar? De que forma?” em vez de puxar, empurrar ou decidir pela pessoa
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combater piadas, comentários e atitudes discriminatórias, mesmo quando “todo mundo ri”.
Conclusão: acessibilidade é sobre humanidade
O Dia Nacional da Acessibilidade nos lembra que a verdadeira inclusão não acontece apenas em leis, campanhas ou discursos emocionados.
Ela acontece quando:
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a pessoa com deficiência consegue chegar ao lugar onde precisa ir
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encontra informações compreensíveis e recursos para se comunicar
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é tratada com respeito, sem infantilização nem supervalorização
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participa das decisões que afetam a própria vida.
No fim das contas, acessibilidade é sobre humanidade.
É reconhecer que todos nós, em algum momento da vida, podemos precisar de apoio, adaptação e cuidado.
Construir um mundo acessível é construir um mundo mais justo, acolhedor e seguro para todos.
Referências e leituras recomendadas
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Lei nº 10.098/2000 – Lei da Acessibilidade.
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Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.
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Materiais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania sobre o Dia Nacional da Acessibilidade.
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Dados do Censo Demográfico do IBGE sobre pessoas com deficiência no Brasil.
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Publicações de tribunais, conselhos de direitos e instituições públicas sobre barreiras e acessibilidade.

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