segunda-feira, 16 de julho de 2018

Campanha de Vacinação contra o Sarampo


Fonte: Ministério da Saúde

Crianças com deficiência em campo na Copa é grande avanço inclusivo




Menina russa cadeirante entra em campo junto com seleção de seu país Foto: Fifa/Divulgação
Se por um lado a Copa da Rússia deu demonstrações de intolerância em relação à liberdade de gênero, o que é um retrocesso para a diversidade em todo o mundo, por outro lado, ver crianças com deficiência entrar no gramado ao lado de craques do futebol é impacto inclusivo dos maiores.

A primeira criança com deficiência a entrar em campo com uma seleção durante um Mundial foi a menina russa Polina Kharedínova, que pode ficar à frente ao elenco de seus pais, que goleou a Arábia Saudita por 5 a 0.

Uma imagem como essa, que circula o planeta todo, ajuda em vários aspectos: amplia a visibilidade da pessoa com deficiência, desperta para a necessidade de incluir esses pequenos em práticas desportivas, cobra acessibilidade em estádios (e no gramado), amplia a autoestima de crianças vulneráveis ao bullying, ao isolamento.

Também vi uma criança Down acompanhar um elenco (não encontrei imagens, infelizmente) e uma outra criança cadeirantinha entrar no campo no jogo entre Argentina 0 x 3 Croácia. Essa eu não consegui apurar a nacionalidade, nem o nome.

Menino cadeirante entra em campo acompanhando o time da Croácia, que fez 3 a 0 na Argentina Foto: Reprodução de TV
A presença do treinador do Uruguai, Óscar Tabaréz, um dos mais longevos à frente de uma seleção, na lateral do campo, é igualmente interessante para despertar discussões, valores e reflexões a respeito de inclusão, diversidade e acessos.




O técnico do Uruguai, Oscar Tabarez, que usa uma muleta durante suas orientações ao time Foto:</p><p>AP/Darko VojinovicTabaréz tem uma doença neuromotora
e usa uma bengala para se deslocar, atualmente, já com bastante dificuldade. A atitude de “não largar o osso” do treinador provoca o pensamento de que quem deve saber até onde vai somos nós mesmos e nossas competências, não os olhares ou os julgamentos dos outros.



Particularmente, penso que mais crianças com deficiência e mais demostrações de apoio a um mundo diverso poderiam ter aparecido nesta Copa, deixando um marco definitivo, mas não deixa de ser um começo interessante, um grande avanço.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Teclado do Google ganha digitação por Código Morse; veja como usar


REDAÇÃO OLHAR DIGITAL 
11/07/2018 18H03

O Gboard ganhou o suporte a digitação por Código Morse no iPhone e no Android. A novidade foi desenvolvida pelo Google em parceria com a especialista em tecnologia assistiva Tania Finlayson para tornar a digitação em smartphone mais acessível para as pessoas com deficiência. O recurso está disponível apenas no idioma inglês, mas possui sugestões de palavras em português.

Criado por Samuel Morse em 1825, o Código Morse é um sistema que usa sinais codificados para representar letras, algarismos e pontuação. Tudo é transmitido através de sequências de pontos curtos, longos e espaços. A introdução dessa linguagem no GBoard foi feita em parceria com Tania Finlayson, que nasceu com paralisia cerebral e usa o código para se comunicar desde os anos 80. A especialista é co-desenvolvedora do TandemMaster, um dispositivo criado com a ajuda do seu irmão para interagir com o mundo.

Para usar o Código Morse no GBoard, é preciso ter o idioma Inglês dos Estados Unidos instalado no celular. No entanto, foi possível usar o teclado com sugestões em Português do Brasil em testes feitos pelo Olhar Digital. Para ajudar as pessoas a aprenderem a aprenderem a linguagem, o Google criou este jogo para celulares e computador.

Veja matéria completa no OLHAR DIGITAL

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Funcionários Públicos que trabalham ao sol poderão ter ajuda na prevenção ao câncer de pele.

Confira o Tweet de @camarasaopaulo: https://twitter.com/camarasaopaulo/status/1014542117086158848?s=09

Crianças com deficiência em campo na Copa é grande avanço inclusivo







Menina russa cadeirante entra em campo junto com seleção de seu país. Foto: FIFA / DivulgaçãoSe por um lado a Copa da Rússia deu demonstrações de intolerância em relação à liberdade de gênero, o que é um retrocesso para a diversidade em todo o mundo, por outro lado, ver crianças com deficiência entrar no gramado ao lado de craques do futebol é impacto inclusivo dos maiores.

A primeira criança com deficiência a entrar em campo com uma seleção durante um Mundial foi a menina russa Polina Kharedínova, que pode ficar à frente ao elenco de seus pais, que goleou a Arábia Saudita por 5 a 0.

Uma imagem como essa, que circula o planeta todo, ajuda em vários aspectos: amplia a visibilidade da pessoa com deficiência, desperta para a necessidade de incluir esses pequenos em práticas desportivas, cobra acessibilidade em estádios (e no gramado), amplia a autoestima de crianças vulneráveis ao bullying, ao isolamento.

Também vi uma criança Down acompanhar um elenco (não encontrei imagens, infelizmente) e uma outra criança cadeirantinha entrar no campo no jogo entre Argentina 0 x 3 Croácia. Essa eu não consegui apurar a nacionalidade, nem o nome.

Menino cadeirante entra em campo acompanhando o time da Croácia, que fez 3 a 0 na Argentina Foto: Reprodução de TVA presença do treinador do Uruguai, Óscar Tabaréz, um dos mais longevos à frente de uma seleção, na lateral do campo, é igualmente interessante para despertar discussões, valores e reflexões a respeito de inclusão, diversidade e acessos.




O técnico do Uruguai, Oscar Tabarez, que usa uma muleta durante suas orientações ao time Foto: AP/Darko Vojinovic
Tabaréz tem uma doença neuromotora e usa uma bengala para se deslocar, atualmente, já com bastante dificuldade. A atitude de “não largar o osso” do treinador provoca o pensamento de que quem deve saber até onde vai somos nós mesmos e nossas competências, não os olhares ou os julgamentos dos outros.




Particularmente, penso que mais crianças com deficiência e mais demostrações de apoio a um mundo diverso poderiam ter aparecido nesta Copa, deixando um marco definitivo, mas não deixa de ser um começo interessante, um grande avanço.

"Bonito", Capão!

A prefeitura de Capão Bonito,
para novos recursos receber,
fez obras de "acessibilidade".
Na verdade, foi só para inglês ver.

As rampas que a reportagem mostrou
levam do nada até lugar nenhum.
Infelizmente, no nosso país,
isso é, a cada dia, mais comum.

A verba do Governo Federal,
segundo o governo municipal,
só chegaria nessa condição.

Pensando só na grana, a Prefeitura
ri da população, na cara dura,
depois dessa tremenda enganação.

(José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira - A Vida Me Inspira)


terça-feira, 3 de julho de 2018

Poliomielite: doença pode voltar a fazer vítimas no Brasil

Cobertura vacinal baixa colocou Ministério da Saúde e entidades médicas em alerta, nova campanha de vacinação está marcada para agosto

Gabriela Lisbôa, do R7


Geny recuperou os movimentos dos braços, mas os pés nunca voltaram ao normal</p><p>Arquivo PessoalA funcionária pública Geny Barros 42, se orgulha ao repetir os relatos da mãe: aos seis meses, já era um bebê muito ativo, começando a engatinhar. A família vivia no interior do Mato Grosso do Sul, longe de um hospital ou de qualquer tipo de clínica médica.

Quando a criança teve febre muito alta, quem deu o diagnóstico foi o farmacêutico que vivia na região: meningite. Inconformado, o pai levou Geny para um hospital de Goiás e só lá os médicos puderam explicar por que a menina estava paralisada, só conseguia mexer o pescoço, ela tinha sido infectada pelo vírus da poliomielite.

“Eram os anos 1970, naquela época as pessoas não conheciam a doença”, conta Geny.

De volta para a casa, a família ajudou o bebê a fazer os exercícios ensinados pelos médicos, em poucos meses ela voltou a mexer os braços, mas os pés permaneceram virados para dentro. Segundo Geny, porque “a doença afetou a minha coluna, que ficou com o formato da letra S, meus pés nunca voltaram ao normal, nunca consegui caminhar”.

Leia mais: SP tem 44 cidades em alerta para poliomielite

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a poliomielite é uma doença contagiosa, causada por um vírus que vive no intestino, chamado de pólio. Ela pode ser transmitida pelo contato com fezes infectadas ou por secreções expelidas pela pessoa doente os tossir ou espirrar.

O vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo, pode ser na boca, garganta ou no intestino. Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso.

Na maioria das pessoas, o vírus causa apenas sintomas leves como febre e dor de garganta.

Casos como o de Geny, onde a doença desenvolve paralisia e causa sequelas permanentes representam cerca de 1%, mas já foram muito comuns no Brasil, principalmente no início do século XX, quando ainda não existia vacina, descoberta em 1953, os primeiros testes só foram feitos em 1955.

Geny aos 7 meses se recuperando da doença</p><p>Arquivo PessoalDoença pode voltar

A poliomielite está erradicada em toda a região das Américas há mais de 25 anos. No Brasil, o último caso foi registrado em 1990.

No mês passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a anunciar um possível caso em uma comunidade indígena da Venezuela, mas, dias depois, testes laboratoriais descartaram a possibilidade.

Mesmo assim, existe o risco de a doença voltar a fazer vítimas no Brasil. Na última quinta-feira (28), o Ministério da Saúde divulgou uma lista com 312 cidades onde a cobertura vacinal foi menor de 50% em 2017.

De acordo com o pediatra Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, os baixos índices de vacinação representam “um risco enorme”.

“A vacinação é a única forma de manter a doença erradicada, ter cobertura inferior a 80% já é um risco enorme”, destaca o pediatra.

Kfouri explica que dificilmente a doença volte a fazer vítimas com o vírus selvagem, que está praticamente erradicado no mundo, com casos registrados apenas no Afeganistão, Paquistão e Nigéria, mas crianças não vacinadas podem ser infectadas pelo vírus vacinal.

Isto é possível porque existem dois tipos de vacina contra a pólio, a de vírus morto, injetável, e a de vírus vivo inativado — as famosas gotinhas.

Em crianças com menos de 1 ano que recebem a vacina com vírus vivo, “pode acontecer deste vírus sofrer uma mutação no organismo e se fortalecer, ou seja, recuperar a capacidade de infecção”, explica Kfouri.

Neste caso, a criança vacinada não vai ter a doença, mas as que não foram e convivem com ela, provavelmente vão.

Falta conscientização

Um dos principais motivos para a cobertura vacinal ter caído tanto nos últimos anos, segundo Renato Kfouri, é a falta de conscientização dos pais.

“Como não são registrados casos há muito tempo, existe uma perda da percepção de risco, as pessoas não lembram como a poliomielite pode ser agressiva. Uma companha de vacinação tem sucesso quando a doença está fazendo vítimas, quando isso não acontece, as pessoas perdem a noção do que a doença representa e acabam negligenciando o risco”.

De acordo com o médico, essa falta de percepção também afeta os profissionais de saúde, que acabam “não cobrando os responsáveis pelas crianças como deveriam”.

Para Geny, que enfrenta as consequências da doença todos os dias, é difícil entender por que os pais não vacinam os filhos.
“Na minha época não tinha vacina, mas hoje tem, é só levar no posto de saúde, é só uma gotinha, e é de graça”.

Nova campanha de vacinação

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), o esquema de vacinação contra a poliomielite deve ser iniciado a partir dos dois meses de vida, com mais duas doses aos quatro e seis meses, além dos reforços entre 15 e 18 meses e aos cinco anos de idade.

A média de cobertura vacinal no país está abaixo de 95% - que seria o ideal. Para levantar este índice, uma nova campanha de vacinação foi marcada pelo Ministério da Saúde e deve acontecer em todo o Brasil entre os dias 6 e 24 de agosto.

Fonte: R7



terça-feira, 26 de junho de 2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Acaba em novembro prazo para que parte das salas de cinema do País seja acessível aos cegos


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,5 milhões de pessoas têm deficiência visual no País

Ana Carolina Sacoman, O Estado de S.Paulo
17 Junho 2018 | 06h00

Misako estuda cada detalhe do filme, passa dias tentando traduzir em palavras o “céu pálido” visto na tela. Ela não deve interferir no entendimento da película, não pode invadir a fala dos personagens nem expressar opiniões pessoais. Tem de estar presente e ausente ao mesmo tempo. Seu desafio é fazer com que cegos ou pessoas com a visão reduzida entendam a trama e, mais, se emocionem.

Ela é a personagem principal de Esplendor (Radiance/Hikari), filme japonês de 2017 que mostra o dia a dia - e os conflitos - de uma profissional que trabalha com audiodescrição. “Fazemos com que um adulto que perdeu a visão perceba que pode voltar a fazer as coisas de antes”, resume Livia Motta, audiodescritora “na vida real” e autora de livro sobre o assunto. “A audiodescrição abre caminhos para a leitura do mundo.”

Gravando!. Estúdio de audiodescrição da empresa Iguale, em SP Foto: Gabriela Biló/EstadãoEsses caminhos, porém, já poderiam estar um tanto mais abertos no Brasil. É que, desde julho de 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146) estabelece, no Artigo 67, que “serviços de radiodifusão de sons e imagens devem permitir o uso de subtitulação de legenda oculta, janela com intérprete de Libras e audiodescrição”, na tentativa de promover a inclusão de cegos e surdos.

Prazos. A Agência Nacional de Cinema (Ancine) então formou grupos de discussão sobre o assunto e, entre outras questões, foram definidos prazos para a implementação da acessibilidade nos cinemas. E aí as coisas se complicaram.

Em setembro de 2016, a Instrução Normativa 128 definia que, em 14 meses, 50% dos grandes exibidores (a partir de 21 salas de cinema no País) e 30% dos pequenos (para grupos de até 20 salas) deveriam ser acessíveis, chegando a 100% das salas dali a 24 meses, ou seja, em setembro de 2018. Pouco mais de um ano depois, nova Instrução Normativa, de novembro de 2017, estendia os prazos, começando com a acessibilidade parcial em novembro próximo. Mas há quem acredite que será difícil cumprir a norma mais uma vez.

“A lei brasileira é única no mundo, pois também exige a acessibilidade via Libras (Língua Brasileira de Sinais), o que criou grande resistência dos exibidores”, diz Paulo Romeu, consultor técnico da Organização Nacional de Cegos do Brasil e autor do Blog da Audiodescrição.

É que, como acontece com a TV há mais tempo, a acessibilidade via Libras, para surdos, exige aquele “quadradinho” com o intérprete em um pedaço da tela, o que poderia causar estranheza no público em geral. “Enquanto o mundo trabalha em uma solução de acessibilidade tanto no hardware quanto no software, o Brasil tem essa outra questão (das Libras) para ser resolvida”, afirma o presidente da Ancine, Christian de Castro.

Ele aponta ainda uma outra dificuldade: os sotaques. “Uma legendagem de Libras no Sul teria diferença de uma no Norte e Nordeste. Como no interior de São Paulo é diferente da capital ou do Rio. Isso é uma particularidade brasileira.”

Pepino. “O Brasil tem uma lei de inclusão ampla, com uma força grande, que fala de acessibilidade de sites e manifestações culturais. Por outro lado, a lei assustou muita gente que não tinha pensado nesse público”, acredita Mauricio Santana, vice-presidente da Associação Brasileira de Audiodescrição (Abrad) e diretor da Iguale, empresa que produz conteúdo acessível e representa no Brasil o aplicativo de acessibilidade MovieReading.

Público que não é pequeno: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,5 milhões de pessoas têm deficiência visual no País. Outros 9,7 milhões são deficientes auditivos.

Se o pioneirismo dificulta todo o processo, a pirataria também não ajuda a discussão a andar. Enquanto a legenda descritiva e a audiodescrição podem ser feitas pelos próprios estúdios, a linguagem de Libras teria de ser trabalhada por terceiros, o que aumenta o risco de as cópias de filmes chegarem às mãos dos camelôs muito antes de irem para as salas de projeção. “A gente quer ter acessibilidade, que o cinema chegue ao maior número de pessoas possível, sobretudo o filme brasileiro, mas não podemos correr o risco de dilapidar o valor da propriedade intelectual”, diz Castro, da Ancine.

Recente. Realidade nos Estados Unidos desde os anos 70, a audiodescrição é relativamente recente no Brasil. A primeira vez que o recurso apareceu por aqui foi em 2003, no festival de cinema Assim Vivemos, de filmes sobre pessoas com deficiência, patrocinado pelo Banco do Brasil. De lá para cá, algumas iniciativas começaram a promover a inclusão dos cegos às salas de cinema.

Uma delas é o Festival Melhores Filmes, do Cinesesc, em São Paulo, que há sete anos exibe películas com legendas abertas (detalhadas) e audiodescrição feita ao vivo. “O festival é uma missão, mas gostaria que toda a programação fosse acessível”, afirma a gerente adjunta do Cinesesc, Simone Yunes. “Já melhorou muito, mas no começo as distribuidoras não entendiam por que tinham de mandar o DVD do filme antes, foi bem difícil, e ainda é, mas isso começa a mudar.”

A mudança é bem mais lenta do que gostariam os beneficiados. Dos 42 espaços, com várias salas, listados em São Paulo pelo Guia de Acessibilidade Cultural, feito pelo Instituto Mara Gabrilli, apenas cinco oferecem opções de audiodescrição e legendagem, mediante pedido. A maioria das salas limita a acessibilidade de cegos a elevadores com aviso sonoro, guia vidente e cardápio do café em braile.

Procurados, Cinemark, Cinépolis e Grupo Severiano Ribeiro, os três maiores exibidores do País, segundo ranking de 2016 da Ancine, não quiseram comentar.

DEPOIMENTO DE PAULO ROMEU, AUTOR DO BLOG DA AUDIODESCRIÇÃO

“Perdi a visão em 1980, aos 22 anos, em um acidente de carro, e só fui voltar ao cinema há 5 ou 6 anos, quando descobri que o Cinesesc estava fazendo um festival com audiodescrição. Passei 30 anos sem interesse pelo cinema porque não achava justo pagar ingresso inteiro para assistir a meio filme, não valia a pena.

A diferença (entre alguém descrevendo a cena e a audiodescrição) é como água e vinho. O audiodescritor já conhece o filme, sabe quais elementos em cena precisam ser descritos para a pessoa entender a trama. Quando minha mulher ou outra pessoa descreve o filme para mim, ela diz, por exemplo, que um vestido é bonito ou feio. O profissional descreve a roupa em detalhes, faz diferença. Minha mulher também costumava pular cenas, para não perder o fio da meada, ou demorava para descrever, e eu ficava perdido.

Comecei a usar os aplicativos de audiodescrição e as coisas mudaram. Antes, quando emendava o cinema e um jantar com amigos, passava o tempo à mesa tentando entender o filme, juntando as peças que perdi. Hoje, uso esse tempo para, como eles, discutir o filme, dizer o que gostei ou não. Ganhei autonomia.”

3 PERGUNTAS PARA CHRISTIAN DE CASTRO - PRESIDENTE DA ANCINE

1. O prazo será cumprido?

Existem questões técnicas específicas relacionadas a isso, que precisam ser tratadas, tanto pelos exibidores como pelos distribuidores. Não queremos correr o risco de criar uma solução momentânea e logo depois ter de trocar isso porque não foi viável.

2. Qual é a dificuldade?

Tem o hardware, o software, a questão da pirataria e a solução das Libras a serem resolvidas. Essas questões serão debatidas nas câmaras técnicas (reuniões com exibidores, distribuidores e representantes da sociedade civil, que serão feitas até o fim do ano).

3. Como estamos em relação ao resto do mundo?

Hoje os principais players, não só locais como globais, estão olhando para a solução que vai sair do Brasil, porque provavelmente será replicada no mundo inteiro.

Teatros, museus e até casamentos têm audiodescrição

Enquanto nos cinemas a acessibilidade para cegos anda em marcha lenta, teatros, museus, salas de espetáculos e centros culturais em São Paulo parecem dar mais atenção a esse público, que soma 53 mil pessoas na capital - outras 292 mil têm “grande dificuldade para enxergar” -, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE.

Na Sala São Paulo, no centro, por exemplo, há sessões de música clássica e ópera com audiodescrição. “Esse público não pode mais ser ignorado. Toda vez que fazemos espetáculo com audiodescrição vem gente nova”, afirma Livia Motta, que faz o trabalho ao vivo na Sala São Paulo, mas também em cinemas, teatros, museus e até em missas e casamentos. “Todos conseguem saber como é o vestido da noiva ou como a igreja está decorada nesses eventos especiais”, conta Livia.

Localizado no Morumbi, na zona sul, o Teatro Vivo aparece entre os bem ranqueados no quesito acessibilidade. O espaço deixou de oferecer serviço de audiodescrição para os expectadores, mas ele deve voltar após a reforma do teatro, prevista para começar nos próximos meses e que deve ser concluída no primeiro trimestre de 2019.

Entre os museus, a Estação Pinacoteca, no centro da capital, tem vários recursos para pessoas com deficiência, incluindo audiodescrição.

APLICATIVOS

* MovieReading. O aplicativo promete, ao toque de um botão, identificar a trilha do filme. Ele então reconhece a película e descarrega a audiodescrição ou a legenda sincronizada. Android e ios.

* Whatscine. Também reconhece o filme e descarrega a audiodescrição, mas funciona em determinadas salas de cinema. Android e iOS.

* Ideal AD Movie Viewer. Tem lista predeterminada de filmes. Em inglês. Android.



EM NÚMEROS

* 82 mil pessoas são cegas no Brasil e outras 6,5 milhões têm deficiência visual, de

acordo com o IBGE

* 3 mil salas de cinema estão espalhadas pelo País

* 7% das cidades brasileiras têm cinema

Fonte: Estadão

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Eleita para ONU, deputada brasileira com deficiência critica cortes de Temer


14.jun.2018 às 17h26

Na sede da ONU, Mara, que é tetraplégica em decorrência de um acidente automobilístico Foto: DivulgaçãoEm seu segundo mandato como deputada federal pelo PSDB-SP e de olho numa vaga ao Senado por São Paulo, Mara Gabrilli, 50, foi eleita nesta semana, em Nova York, para compor o comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

É a primeira brasileira na história a conseguir o cargo que, para a gestão que começa no ano que vem e vai até 2022, foi uma das mais concorridas da ONU, com 35 postulantes. Ela conquistou 85 votos.

Mara falou em primeira mão ao blog após a votação. Fez críticas ao governo Temer por cortes nos orçamentos dos esportes olímpicos e paraolímpicos, falou dos desafios que enfrentará na função e como pretende estimular o país a organizar cobranças e denúncias pelo respeito à diversidade


1 – O que muda nas vidas pessoas comuns ter você como representante na ONU?

Antes de tudo, é importante dizer que essa eleição significa uma grande vitória para o Brasil, que através dos movimentos sociais, lutou muito para que essa Convenção (Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência) fosse aprovada.

Fomos um dos primeiros países a ratificar a convenção e um dos poucos do mundo que a incorporaram à legislação interna do país. Participar de discussões do âmbito das Nações Unidas nos permite ter acesso a informações e a uma nova agenda que impacta na própria agenda de políticas públicas do Brasil.

Hoje, por exemplo, um dia após minha eleição (no dia12/06), me reuni com a Daniela Bas, Diretora de Desenvolvimento Econômico e Social da ONU, com quem falei sobre a importância do esporte para a construção da paz e do desenvolvimento, um lema fortemente defendido pela ONU.

Coincidentemente, hoje também, tive a notícia de uma Medida Provisória do governo que retira verba do esporte olímpico e paraolímpico, destinando para a segurança. É uma medida que vai à contramão de tudo que está sendo discutido em todo o mundo.

O esporte é uma forma de prevenção à violência e, talvez, se investíssemos mais no esporte, não estaríamos com índices tão altos de violência no país. Estar incluída nessa agenda internacional vai nos permitir trazer novas ideias ao país, não só para pessoas com deficiência, mas para todos os públicos.

2 – A sua eleição foi bem disputada. O mundo está mais de olho nas questões que envolvem diversidade, pessoas com deficiência?

Foi a eleição mais difícil da história do sistema das Nações Unidas, por conta do número de países que apresentaram candidaturas. Em determinado momento, esse número chegou a 35 e isso nunca havia acontecido.

Depois, aos poucos, alguns países retiraram as candidaturas, permanecendo 22 na disputa. Acho que esse número de candidaturas apresentadas para um comitê temático na pessoa com deficiência mostra que o mundo está de olho nesse tema, de olho nas questões relacionadas à acessibilidade.

Vivemos um momento de foco não apenas na diversidade, mas especialmente de foco na causa, e isso acontece no mundo inteiro, que começa a perceber que a política pública para a pessoa com deficiência é uma política pública para todos. Quando uma cidade fica melhor para quem tem deficiência, ela fica melhor para toda e qualquer pessoa.

3 – Sua eleição foi feito inédito pelo país, tem alguma plataforma específica que pretende defender?

Fui eleita apresentando oito propostas de trabalho, das quais destaco uma que é fruto das demandas que recebo diariamente em meu gabinete, como deputada: trabalhar pela celebração de acordos bilaterais e multilaterais para a desoneração tributária de tecnologias assistivas.

No Brasil, por exemplo, o custo de uma tecnologia assistiva ainda é muito alto, e muito por conta da alta taxa de impostos. Outra proposta é desenvolver estratégias que oportunizem, estimulem e fortaleçam o monitoramento independente da convenção pela sociedade civil.

Quero trabalhar também pela reabilitação, que é precária ou inexistente em muitos países do mundo. São demandas que nos chegam através da própria sociedade civil.

O mandato de Mara Gabrilli começa no ano que vem e vai até 2022 Foto: Divulgação4 – De que maneira você espera ver refletida sua posição, agora mundial, dentro dos atrasos inclusivos do Brasil?

Sou representante da sociedade no parlamento brasileiro, sou tetraplégica – uma deficiência considerada severa – e antes de entrar para a política, já era militante da área.

De certa forma, minha presença no comitê vai expor o Brasil. Como brasileira e membro do comitê, não poderei monitorar o Brasil, mas algum outro membro o fará, e o fará com olhos clínicos, por termos um representante no Comitê.

Minha presença ali faz com que o próprio país tenha que se preparar melhor, se mobilizar para não passar vergonha. Minha responsabilidade aumenta, assim como minha formas de atuação para lutar pelos direitos das pessoas com deficiência.

E como membro de um comitê expert e independente na temática, a partir do ano que vem, quando começará meu mandato, terei o dever de informar e orientar a sociedade civil nacional sobre os papéis do comitê, os caminhos para se fazer denúncias coletivas e individuais e os mecanismos de promoção, implementação e monitoramento da convenção.