domingo, 27 de setembro de 2026

O banheiro acessível não é um favor oferecido por um estabelecimento, nem um espaço que pode ser improvisado apenas para cumprir uma formalidade. A acessibilidade é um direito previsto na legislação brasileira, e os sanitários fazem parte das condições necessárias para que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida possam utilizar espaços públicos e coletivos com autonomia e segurança.

A Lei nº 10.098/2000, conhecida como Lei da Acessibilidade, determina que edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo disponham de banheiro acessível, com equipamentos e acessórios organizados para permitir sua utilização por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A mesma lei estabelece que banheiros de uso público existentes ou construídos em parques, praças, jardins e outros espaços públicos devem contar com instalações que atendam às normas técnicas de acessibilidade. 

E o banheiro acessível pode ficar trancado?

Um sanitário pode até possuir barras, espaço adequado e o símbolo internacional de acesso. Mas, se a pessoa que precisa utilizá-lo encontra a porta trancada, objetos impedindo a circulação ou o ambiente transformado em depósito, a acessibilidade prevista no projeto deixa de existir na prática.

O Decreto nº 5.296/2004, que regulamenta a Lei nº 10.098/2000, é ainda mais específico: a construção, ampliação ou reforma de edificações de uso público ou coletivo deve contar com sanitários acessíveis. O decreto também estabelece requisitos para os sanitários existentes e determina que sejam observadas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT. 

Portanto, não basta dizer que o prédio "tem banheiro para PCD". É necessário que ele possa efetivamente ser utilizado. Se o acesso depende de procurar alguém para abrir uma porta, retirar caixas, materiais de limpeza ou outros obstáculos, a autonomia do usuário fica comprometida.

O que diz a Lei Brasileira de Inclusão?

A Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) reforçou esse princípio. Ela estabelece que projetos e instalações abertos ao público, de uso público ou de uso coletivo devem observar o desenho universal e as normas de acessibilidade. Também determina que construções, reformas, ampliações e mudanças de uso sejam realizadas de forma acessível. 

A LBI vai além das construções novas: as edificações públicas e privadas de uso coletivo já existentes também devem garantir acessibilidade em suas dependências e serviços, tomando como referência as normas vigentes. A observância da acessibilidade também está relacionada ao licenciamento e à concessão ou renovação de alvarás de funcionamento. 

E a NBR 9050?

É importante fazer uma pequena distinção: a ABNT NBR 9050 não é uma lei, mas uma norma técnica de acessibilidade expressamente utilizada como referência pela legislação. Sua versão atualmente indicada pela ABNT é a NBR 9050:2020, Versão Corrigida:2021, confirmada em dezembro de 2025. Ela estabelece critérios técnicos para projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, espaços, mobiliário e equipamentos às condições de acessibilidade. 

É nela que estão detalhadas diversas condições necessárias para que um sanitário seja realmente acessível, envolvendo circulação, área de manobra, disposição dos equipamentos, barras de apoio, lavatório, portas, acessórios e demais elementos do ambiente.

Banheiro acessível não é depósito

Infelizmente, ainda encontramos banheiros acessíveis usados para guardar caixas, produtos de limpeza, cadeiras, equipamentos ou outros objetos. Em outros lugares, permanecem constantemente trancados e só são abertos depois que o usuário encontra um funcionário.

Essas situações devem ser vistas pelo que representam: barreiras ao uso de um espaço destinado justamente a eliminar barreiras. A legislação exige acessibilidade real, e não apenas uma placa com o símbolo de uma cadeira de rodas na porta.

Também é importante lembrar que banheiro acessível não atende somente pessoas que utilizam cadeira de rodas. Pessoas com diferentes deficiências e pessoas com mobilidade reduzida podem necessitar das características existentes naquele ambiente.

Acessibilidade precisa funcionar todos os dias

Construir um banheiro dentro das normas é apenas o primeiro passo. É preciso mantê-lo disponível, conservado, desobstruído e em condições de uso.

Quando encontrarmos um banheiro acessível inacessível, vale comunicar o responsável pelo estabelecimento e solicitar a correção do problema. Dependendo da situação, também podem ser acionados os órgãos responsáveis pela fiscalização da acessibilidade e do estabelecimento.

Acessibilidade não termina na construção da rampa, na instalação da barra ou na colocação de uma placa. Ela só existe quando a pessoa consegue utilizar o espaço com segurança, dignidade e autonomia.

Base normativa: Lei nº 10.098/2000; Decreto nº 5.296/2004; Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão; ABNT NBR 9050:2020, Versão Corrigida:2021. 

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autores responsáveis: Alessandra Frederico e José Eduardo Thom Saboya.

Curso gratuito de Acessibilidade Digital e Comunicacional

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência – SMPED, em colaboração com a Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo – EMASP, lança gratuitamente o curso Acessibilidade Digital e Comunicacional.

A formação é aberta a todas as pessoas interessadas, realizada na modalidade EaD, com emissão de certificado e tem carga horária de 5 horas.

Disponível gratuitamente em:
https://emaspsge.prefeitura.sp.gov.br/catalogo/curso/59?oferta=326

#Descrição da imagem: Arte de divulgação do curso. À esquerda, textos informam que o curso é gratuito, em modalidade EaD, com carga horária de 5 horas e acesso pelo Moodle. À direita, mulher negra de cabelos grisalhos e blusa laranja está sentada à mesa, diante de um computador. Na parte inferior aparecem as marcas da EMASP e da Prefeitura de São Paulo.

Colaboração: Jonas Renan
(Ccoordenador do Grupo sobre acessibilidade e inclusão da Camara Municipal de São Paulo).

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Retinoblastoma: quando olhar nos olhos pode fazer toda a diferençal


A campanha De Olho nos Olhinhos, criada por Thiago Leifert e Daiana Garbin, ajudou a colocar em evidência uma doença rara, mas que precisa ser conhecida por todas as famílias: o retinoblastoma. A iniciativa nasceu depois que a filha do casal, Lua, foi diagnosticada com esse tipo de câncer ocular e passou a chamar a atenção para os sinais da doença e, principalmente, para a importância do diagnóstico precoce. Hoje, a campanha também auxilia famílias na busca por atendimento, exames e centros de referência.

O que é o retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se desenvolve na retina, estrutura localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e participar da formação das imagens que enxergamos.

É uma doença rara, porém é considerada o tumor maligno intraocular mais comum na infância. Atinge principalmente crianças pequenas, geralmente antes dos cinco anos de idade, e pode ocorrer em apenas um olho ou nos dois.

Por se tratar de uma doença que acomete crianças muito pequenas, muitas vezes são os pais, familiares ou cuidadores que percebem os primeiros sinais.

O principal sinal: a pupila esbranquiçada

Um dos sinais mais conhecidos do retinoblastoma é a leucocoria, popularmente chamada de “reflexo do olho de gato”.

Em uma fotografia feita com flash, por exemplo, enquanto um olho apresenta o reflexo avermelhado habitual, o outro pode aparecer com uma mancha ou reflexo branco ou amarelado na pupila.

Essa alteração não significa necessariamente que a criança tenha retinoblastoma, pois existem outras doenças oculares capazes de provocar um reflexo semelhante. Entretanto, uma pupila branca nunca deve ser ignorada e precisa ser avaliada rapidamente por um oftalmologista.

Outros sinais de atenção

Além da leucocoria, o estrabismo é outro sinal relativamente frequente. Também podem ocorrer, especialmente em quadros mais avançados, alterações como vermelhidão persistente, irritação ocular, alterações da visão ou protrusão do olho.

É importante lembrar que uma criança pequena nem sempre consegue dizer que não está enxergando bem. Por isso, observar os olhos e o comportamento visual da criança é fundamental.

A fotografia pode ajudar — mas não substitui o exame

Foi justamente a percepção de alterações nos olhos em fotografias que tornou o chamado “reflexo branco” bastante conhecido nas campanhas de conscientização.

Fotos podem, sim, servir como um sinal de alerta. Mas elas não substituem a avaliação médica. Se a família perceber uma alteração repetida no reflexo de um dos olhos, estrabismo que surgiu recentemente ou qualquer diferença incomum entre os olhos da criança, deve procurar um oftalmologista.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exame oftalmológico detalhado, com dilatação das pupilas, podendo ser necessários outros exames para avaliar o tumor e sua extensão, como ultrassonografia ocular e ressonância magnética.

Em crianças pequenas, alguns desses exames podem precisar ser feitos sob sedação.

Existe tratamento?

Sim. E é exatamente por isso que falar sobre diagnóstico precoce é tão importante.

O tratamento depende do tamanho e da localização do tumor, de a doença estar presente em um ou nos dois olhos e de existir ou não comprometimento de outras estruturas.

Entre as possibilidades estão quimioterapia, tratamentos com laser, crioterapia e outras modalidades especializadas. Em determinados casos, principalmente quando a doença está mais avançada, pode ser necessária a retirada do olho afetado para controlar o câncer e proteger a vida da criança.

Cada situação precisa ser avaliada individualmente por uma equipe especializada.

Diagnóstico precoce pode salvar a vida — e a visão

O retinoblastoma apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado e tratado adequadamente. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica informa taxas de cura superiores a 95%, embora o prognóstico dependa de fatores como o estágio da doença e sua eventual disseminação.

Quanto mais cedo o tumor é encontrado, maiores também podem ser as possibilidades de preservar o olho e, em determinados casos, parte da visão.

Por isso, campanhas como a De Olho nos Olhinhos têm um papel tão importante: ajudam pais e responsáveis a conhecer sinais que poderiam passar despercebidos.

Informação também é cuidado

Falar sobre câncer infantil nunca é simples. Mas conhecer o retinoblastoma não deve ser motivo para viver procurando sinais de doença nos olhos das crianças. Deve ser, acima de tudo, uma forma de saber quando procurar ajuda.

Uma pupila esbranquiçada, um reflexo diferente nas fotografias ou um estrabismo que apareceu de repente merecem atenção.

No Cantinho dos Amigos Especiais, acreditamos que informação acessível também é uma forma de prevenção e cuidado. Às vezes, um pequeno detalhe percebido no olhar de uma criança pode ser o começo de um diagnóstico precoce — e fazer uma enorme diferença em toda a sua história.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Lavanderias de autoatendimento e acessibilidade: o que precisa ser lembrado?

As lavanderias de autoatendimento estão cada vez mais presentes na rotina das pessoas. São práticas, modernas e oferecem uma solução rápida para lavar e secar roupas. Mas, quando pensamos em acessibilidade, é importante observar se esses espaços realmente conseguem atender bem pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida, idosos e qualquer pessoa que precise de mais conforto, apoio ou tempo durante o uso do serviço.

A experiência da Alessandra em uma lavanderia desse tipo mostrou pontos positivos, mas também alguns desafios que merecem atenção. O ambiente era limpo, organizado e moderno. A lavadora estava em uma altura acessível, o que facilitou bastante o uso. O pagamento pelo aplicativo também funcionou bem, com um processo relativamente claro.

Por outro lado, a secadora ficava na parte superior, em uma altura mais difícil de alcançar. Para uma pessoa com limitação de movimento, dor, baixa visão ou dificuldade de equilíbrio, isso pode exigir ajuda de outra pessoa. E quando um serviço depende da ajuda de terceiros, a autonomia fica reduzida.

Outro ponto importante foi a falta de um assento ou apoio durante o pagamento pelo aplicativo. Mesmo quando o processo é simples, ele pode exigir atenção, tempo e concentração. Para pessoas com deficiência, idosos ou pessoas com dor, ter uma cadeira ou um ponto de apoio faz muita diferença.

A acessibilidade não está apenas em colocar um símbolo na porta. Ela aparece nos detalhes: equipamentos em diferentes alturas, letras maiores nas instruções, bom contraste visual, sinalização clara, possibilidade de apoio físico e uma equipe preparada para orientar quando necessário.

Entre as sugestões que podem tornar lavanderias de autoatendimento mais inclusivas, destacamos:

  • disponibilizar pelo menos uma secadora em altura acessível;
  • oferecer cadeira ou ponto de apoio para quem precisa aguardar ou realizar o pagamento;
  • manter instruções simples, com letras maiores e bom contraste;
  • melhorar a sinalização visual e, quando possível, tátil;
  • treinar a equipe para atender pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos.

Quando um espaço é pensado com acessibilidade, ele não beneficia apenas um grupo específico. Ele se torna melhor para todos: para a pessoa idosa, para quem está com dor, para quem tem baixa visão, para quem tem dificuldade de locomoção, para quem está carregando peso ou simplesmente para quem precisa de um atendimento mais humano.

A experiência da Alê nos lembra que inclusão também se constrói no cotidiano. Uma lavanderia acessível não é luxo: é respeito, autonomia e acolhimento. Acessibilidade deve estar presente em todos os lugares, inclusive nos serviços simples do dia a dia.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autores responsáveis: Alessandra Frederico e José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

23 de Setembro — Dia Internacional das Línguas de Sinais: a inclusão começa pela comunicação


Imagine viver em um mundo onde as pessoas ao seu redor não compreendessem a sua forma de se comunicar. Imagine precisar de atendimento médico, participar de uma aula, procurar emprego ou simplesmente conversar com alguém e encontrar barreiras que dificultassem sua comunicação.

Essa é uma realidade enfrentada por muitas pessoas surdas, não por falta de capacidade, mas pela ausência de acessibilidade e de reconhecimento das diferentes formas de comunicação.

No dia 23 de setembro, celebramos o Dia Internacional das Línguas de Sinais, uma data dedicada à valorização das línguas de sinais, ao reconhecimento da identidade linguística e cultural das comunidades surdas e à defesa do direito de todas as pessoas à comunicação.

Mais do que uma comemoração, é um convite para refletirmos sobre a importância de construir uma sociedade em que ninguém seja excluído por sua maneira de se expressar.

### 💙 Como surgiu essa data?

O Dia Internacional das Línguas de Sinais foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017 e celebrado pela primeira vez em 2018.

A escolha do dia 23 de setembro homenageia a fundação da Federação Mundial de Surdos (WFD), ocorrida em 1951, organização internacional dedicada à defesa dos direitos das pessoas surdas.

A data também reforça o compromisso com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que reconhece a importância das línguas de sinais e da acessibilidade à comunicação.

Segundo a Federação Mundial de Surdos, existem mais de 70 milhões de pessoas surdas no mundo, e a maioria vive em países em desenvolvimento.

### 🤟 Libras: muito mais do que gestos

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais, conhecida como Libras, é reconhecida pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, como meio legal de comunicação e expressão.

Mas você sabia que a Libras não é simplesmente uma versão gesticulada da Língua Portuguesa?

Ela possui estrutura gramatical própria, utilizando movimentos das mãos, expressões faciais, movimentos corporais e a organização do espaço para transmitir ideias, sentimentos e informações.

Por meio da Libras, pessoas surdas podem conversar, estudar, trabalhar, ensinar, contar histórias, compartilhar experiências e participar plenamente da vida em sociedade.

É importante compreender também que não existe uma língua de sinais universal. Cada comunidade pode desenvolver sua própria língua, com características linguísticas e culturais específicas.

A Libras, por exemplo, é diferente da Língua de Sinais Americana (ASL) e da Língua Gestual Portuguesa (LGP).

Reconhecer essa diversidade é também respeitar a riqueza cultural das comunidades surdas.

### 🌎 Acessibilidade é um direito, não um favor!

Apesar dos avanços conquistados ao longo dos anos, as pessoas surdas ainda enfrentam barreiras que dificultam o exercício pleno de seus direitos.

Em muitas situações, a ausência de intérpretes de Libras, de profissionais capacitados e de recursos acessíveis compromete o acesso à informação, à educação, à saúde e ao mercado de trabalho.

Imagine uma pessoa surda chegando a um hospital e não conseguindo explicar seus sintomas. Ou um estudante que precisa acompanhar uma aula sem ter acesso à comunicação em sua língua.

Essas situações demonstram que a inclusão não depende apenas da vontade individual. Ela exige medidas concretas que garantam a participação de todos.

Entre essas medidas, destacamos:

* Disponibilizar intérpretes de Libras em escolas, hospitais, serviços públicos e eventos, conforme as necessidades de acessibilidade.

* Ampliar o ensino de Libras e a formação de profissionais capacitados.

* Garantir recursos de acessibilidade em conteúdos audiovisuais, plataformas digitais e meios de comunicação.

* Respeitar a identidade linguística e cultural da comunidade surda.

* Combater o preconceito e reconhecer as pessoas surdas como protagonistas de suas próprias histórias.

É importante lembrar que nem todas as pessoas surdas utilizam Libras ou possuem as mesmas necessidades de comunicação. Algumas utilizam a língua oral, a leitura labial, a comunicação escrita ou outros recursos.

Por isso, a verdadeira acessibilidade começa quando respeitamos a forma de comunicação escolhida por cada pessoa.

### 💛 O que podemos fazer para construir uma sociedade mais inclusiva?

Não precisamos esperar por grandes transformações para começar a fazer a diferença.

Aprender alguns sinais de Libras, respeitar o tempo de comunicação de uma pessoa surda, oferecer informações por escrito quando necessário e buscar compreender suas necessidades são atitudes que contribuem para uma convivência mais inclusiva.

Também é fundamental reconhecer que a pessoa surda não deve ser vista como alguém incapaz de se comunicar. Muitas vezes, a dificuldade está na ausência de recursos acessíveis ou na falta de conhecimento da sociedade sobre sua língua.

Quando ampliamos nossas formas de comunicação, criamos oportunidades para que mais pessoas participem das conversas, das decisões e dos espaços sociais.

A inclusão acontece quando deixamos de esperar que todas as pessoas se adaptem a uma única maneira de viver e começamos a construir ambientes que acolham a diversidade humana.

### 💙 Setembro Azul: um mês de valorização da comunidade surda

O Dia Internacional das Línguas de Sinais integra as celebrações do Setembro Azul, período dedicado à visibilidade da comunidade surda, à valorização de sua cultura e à conscientização sobre seus direitos.

No Brasil, o mês também inclui o Dia Nacional dos Surdos, celebrado em 26 de setembro.

Essas datas representam oportunidades para ampliar o conhecimento sobre a cultura surda, fortalecer o reconhecimento da Libras e incentivar ações que promovam a acessibilidade e a igualdade de oportunidades.

Mais do que lembrar as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda, é importante reconhecer suas conquistas, sua história, sua identidade e sua contribuição para a sociedade.

### 🌻 Conclusão: comunicar é incluir!

Neste Dia Internacional das Línguas de Sinais, o Cantinho dos Amigos Especiais reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da acessibilidade e do respeito às pessoas com deficiência. Que esta data nos incentive a reconhecer a importância das línguas de sinais, a combater as barreiras de comunicação e a construir espaços onde todas as pessoas possam expressar suas ideias, compartilhar seus sentimentos e exercer seus direitos. Afinal, uma sociedade verdadeiramente inclusiva não exige que todos se comuniquem da mesma maneira: ela aprende a reconhecer, respeitar e acolher as diferentes formas de comunicação. Porque toda pessoa tem uma voz, mesmo quando ela não é expressa por palavras faladas! 💙🤟

Cantinho dos Amigos Especiais — Inclusão, respeito e acessibilidade: construindo juntos um mundo com mais possibilidades para todos!

22 de Setembro - Dia Nacional do Atleta Paralímpico

 

No dia 22 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Atleta Paralímpico. A data foi instituída pela Lei nº 12.622, de 8 de maio de 2012, e passou a integrar oficialmente o calendário nacional. A escolha do dia também recorda a fundação do Comitê Paralímpico Internacional, criado em 22 de setembro de 1989, na Alemanha.

A comemoração ocorre logo depois do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. Essa proximidade reforça uma mensagem importante: o esporte paralímpico faz parte de uma luta mais ampla por acessibilidade, respeito, participação social e igualdade de oportunidades.

A origem do esporte paralímpico no Brasil

O movimento paralímpico brasileiro começou a ganhar forma no final da década de 1950. Em 1958, foram criados o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Robson Sampaio de Almeida, e o Clube dos Paraplégicos de São Paulo, fundado por Sérgio Seraphin Del Grande. O basquete em cadeira de rodas teve papel fundamental nesse início.

O Brasil participou dos Jogos Paralímpicos pela primeira vez em 1972, em Heidelberg, na então Alemanha Ocidental. A primeira medalha brasileira veio quatro anos depois, nos Jogos de Toronto, em 1976: Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a prata no lawn bowls, esporte semelhante à bocha praticado na grama.

A partir daqueles primeiros passos, construídos muitas vezes com poucos recursos e quase nenhuma visibilidade, o país desenvolveu uma estrutura paralímpica cada vez mais forte.

Conquistas que merecem ser celebradas

O Brasil tornou-se uma das grandes potências mundiais do esporte paralímpico. Atletas brasileiros conquistaram medalhas e recordes em modalidades como atletismo, natação, judô, bocha, halterofilismo, canoagem, tênis de mesa, goalball e futebol de cegos, entre tantas outras.

Nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, o país alcançou a melhor campanha de sua história: foram 88 medalhas — 25 de ouro, 25 de prata e 38 de bronze. O resultado superou os 72 pódios conquistados tanto no Rio 2016 quanto em Tóquio 2020.

Mais do que os números, essas conquistas representam o talento, a disciplina e a dedicação de atletas, treinadores, atletas-guia, calheiros, profissionais de saúde, famílias e equipes técnicas. Representam também o trabalho de pessoas que, durante décadas, abriram caminhos para que as novas gerações pudessem encontrar melhores condições de treinamento e competição.

O que deve ser lembrado nesta data?

O Dia Nacional do Atleta Paralímpico não deve transformar o atleta em “herói” apenas por possuir uma deficiência. O atleta paralímpico é, antes de tudo, um profissional do esporte. Ele treina, compete, enfrenta cobranças, busca resultados e precisa ter seus direitos, sua carreira e sua competência reconhecidos.

A data também deve servir para combater o capacitismo. A deficiência não elimina o talento, a autonomia nem a capacidade de alcançar um desempenho esportivo de alto nível. Entretanto, também não devemos usar as conquistas dos atletas para afirmar que todas as pessoas com deficiência precisam “superar limites” ou realizar feitos extraordinários para serem respeitadas.

Toda pessoa com deficiência merece dignidade, acessibilidade e oportunidades, pratique ou não algum esporte.

Também é importante lembrar que o esporte não começa no pódio. Ele começa na escola, nos projetos comunitários, nos clubes, nas associações e nos espaços públicos acessíveis. Antes de representar o país, muitos atletas precisam descobrir que determinada modalidade existe e encontrar um local no qual possam praticá-la.

O que ainda falta conquistar?

Apesar dos avanços, o acesso ao esporte paralímpico ainda é desigual. Muitas crianças, adolescentes e adultos com deficiência não encontram atividades esportivas adaptadas perto de casa. Em diversas cidades faltam espaços acessíveis, equipamentos adequados, transporte, profissionais capacitados e programas permanentes de iniciação esportiva.

Também é necessário ampliar:

  • o esporte paralímpico dentro das escolas;

  • os projetos gratuitos de iniciação esportiva;

  • o acesso de pessoas com diferentes tipos de deficiência;

  • a participação de mulheres com deficiência;

  • a formação e a valorização dos profissionais;

  • o patrocínio para atletas e equipes;

  • a divulgação das competições durante todo o ano;

  • a acessibilidade nos locais de treinamento e nos eventos;

  • as oportunidades fora dos grandes centros urbanos;

  • o apoio aos atletas durante e depois da carreira esportiva.

A cobertura da imprensa também precisa ir além dos Jogos Paralímpicos. Os atletas continuam treinando, competindo e conquistando resultados entre uma edição e outra. A visibilidade permanente ajuda a formar público, atrair investimentos e apresentar o esporte paralímpico às novas gerações.

Conclusão

Celebrar o Dia Nacional do Atleta Paralímpico é reconhecer uma história construída com talento, trabalho e resistência. É comemorar medalhas e recordes, mas também lembrar os pioneiros e todas as pessoas que ainda procuram uma oportunidade para começar. O Brasil já conquistou um lugar de destaque no esporte paralímpico mundial; agora, precisa transformar esse sucesso em acesso permanente, da iniciação esportiva ao alto rendimento. Quando existem acessibilidade, investimento e oportunidades, o esporte não apenas revela campeões: ele ajuda a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa para todos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Setembro Azul: um mês para enxergar a inclusão com outros olhos

Setembro também é azul. E essa cor carrega uma história muito importante para a comunidade surda.

O Setembro Azul é um mês dedicado à valorização das pessoas surdas, da Libras, da acessibilidade comunicacional e da luta por respeito, inclusão e direitos.

Muita gente ainda pensa na surdez apenas como “não ouvir”. Mas a comunidade surda nos ensina que existe também uma cultura, uma identidade, uma língua e uma forma própria de perceber e participar do mundo.

No Brasil, a Libras — Língua Brasileira de Sinais é reconhecida por lei e deve ser respeitada como língua. Por isso, inclusão não é favor: é direito.

Acessibilidade para pessoas surdas pode estar em atitudes simples e necessárias, como:

  • presença de intérprete de Libras em eventos, atendimentos e conteúdos importantes;
  • legendas em vídeos;
  • comunicação clara e respeitosa;
  • escolas preparadas para acolher alunos surdos;
  • serviços públicos e privados acessíveis;
  • respeito à identidade e à cultura surda.

O Setembro Azul nos convida a refletir: estamos realmente abrindo espaço para que todos possam se comunicar, aprender, trabalhar, participar e conviver?

Porque inclusão verdadeira acontece quando a sociedade entende que comunicação é ponte. E ninguém deve ficar do lado de fora por falta de acessibilidade.

Que este mês nos ajude a ouvir mais com o coração, com os olhos e com atitudes concretas.

Setembro Azul: pela valorização da comunidade surda, da Libras e de uma sociedade mais acessível para todos.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Los Perejiles: amigos com síndrome de Down transformam pizzas em oportunidades de trabalho

Quatro amigos com síndrome de Down enfrentavam dificuldades para ingressar no mercado de trabalhoe decidiram criar a própria oportunidade. Em 2016, fundaram o Los Perejiles, em Buenos Aires, um serviço de preparação e atendimento de pizzas para festas e eventos.

O empreendimento cresceu e passou a oferecer oportunidades profissionais a outros jovens com síndrome de Down. Reportagens publicadas em diferentes períodos registraram equipes com mais de 20 integrantes, demonstrando como a inclusão, acompanhada dos apoios necessários, pode gerar trabalho, autonomia e participação social.

Mais do que construir um negócio, eles ajudaram a abrir caminhos para outras pessoas com deficiência intelectual que também encontravam barreiras para ingressar no mercado de trabalho.

Fonte: Instagram.


Imagem produzida com inteligência artificial.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cerol: uma brincadeira que pode virar tragédia — e o risco é ainda maior para pessoas com deficiência


Soltar pipa é uma brincadeira tradicional, presente na infância de muitas gerações. Em espaços adequados, longe da rede elétrica, de ruas e de áreas movimentadas, pode ser uma atividade divertida. O problema começa quando se utiliza cerol ou qualquer outro material cortante na linha.

O cerol, tradicionalmente produzido com uma mistura que contém vidro moído, transforma uma simples linha de pipa em um objeto capaz de provocar cortes profundos. Existem ainda linhas com outros materiais abrasivos ou cortantes, igualmente perigosas. Para quem está na rua, muitas vezes a linha é praticamente invisível — e basta um encontro inesperado para que uma brincadeira termine em emergência.

O perigo não é apenas para motociclistas

Quando se fala em acidentes com cerol, é comum lembrarmos imediatamente de motociclistas e ciclistas. Eles realmente estão entre as pessoas mais expostas, principalmente porque podem atingir a linha em velocidade e sofrer ferimentos graves no pescoço e no rosto.

Mas o perigo não se limita a quem está sobre duas rodas.

Pedestres, crianças, idosos, trabalhadores nas ruas e qualquer pessoa que circule por um local onde haja linhas cortantes podem ser atingidos. Uma linha pode permanecer presa entre árvores, postes, muros ou outros pontos mesmo depois que a pipa já desapareceu.

E existe um aspecto que merece atenção especial: o risco para as pessoas com deficiência.

Para quem tem deficiência visual, o perigo pode ser ainda mais difícil de perceber

Imagine uma linha fina atravessando uma calçada. Mesmo uma pessoa com boa visão pode não percebê-la a tempo.

Para uma pessoa cega ou com baixa visão, essa barreira pode ser ainda mais difícil — ou impossível — de identificar antecipadamente.

A bengala pode auxiliar na identificação de muitos obstáculos no caminho, principalmente aqueles localizados próximos ao chão. Uma linha esticada na altura do rosto ou do pescoço, entretanto, pode não ser detectada antes do contato com o corpo.

Isso significa que algo quase invisível para muitos pode se transformar em uma armadilha extremamente perigosa para quem depende de recursos de orientação e mobilidade.

Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida também ficam mais vulneráveis

Nem todo mundo consegue parar, desviar ou mudar rapidamente de direção diante de um perigo inesperado.

Uma pessoa que utiliza cadeira de rodas, muletas, andador ou outro recurso de mobilidade pode ter menos possibilidade de realizar uma manobra brusca ao perceber uma linha em seu caminho. Pessoas com alterações de equilíbrio, coordenação ou movimentos também podem precisar de mais tempo para reagir.

Além do ferimento causado diretamente pela linha, uma tentativa repentina de desvio pode provocar uma queda ou outro acidente.

Por isso, não podemos analisar o perigo apenas pensando: “É só sair da frente.”

Para algumas pessoas, simplesmente sair da frente não é uma opção rápida ou segura.

E quando a pessoa não compreende imediatamente o risco?

Há ainda pessoas com deficiência intelectual que podem ter dificuldade para reconhecer rapidamente aquela situação como perigosa, compreender um alerta dado às pressas ou tomar a decisão necessária para se proteger.

Isso não significa que todas as pessoas com deficiência intelectual reajam da mesma maneira. Cada pessoa possui capacidades e necessidades diferentes.

O importante é compreender que uma situação criada irresponsavelmente por alguém pode exigir uma reação imediata que nem todas as pessoas terão condições de realizar no mesmo tempo.

Uma questão de acessibilidade que começa antes da rampa

Quando falamos em acessibilidade, frequentemente pensamos em rampas, elevadores, pisos táteis, sinalização e transporte adaptado. Tudo isso é fundamental.

Mas acessibilidade também significa poder circular pelo espaço público com segurança.

Uma calçada acessível deixa de ser verdadeiramente segura se existir sobre ela uma linha cortante praticamente invisível. Uma rota conhecida por uma pessoa com deficiência visual pode se transformar, de repente, em um percurso perigoso. Um espaço pelo qual alguém com mobilidade reduzida circula normalmente pode apresentar um obstáculo que exige uma reação que essa pessoa não consegue executar rapidamente.

Por isso, combater o uso do cerol também é defender o direito de ir e vir com segurança.

“Mas eu tomo cuidado…”

Esse é um argumento que precisa ser repensado.

Quem utiliza uma linha cortante não controla completamente onde ela estará segundos depois. A linha pode romper, a pipa pode cair, o vento pode mudar sua direção e o material pode ficar preso em algum ponto.

O perigo, portanto, pode continuar existindo mesmo depois que quem estava soltando a pipa foi embora.

E a próxima pessoa a passar por ali pode ser uma criança, um motociclista, uma pessoa idosa, uma pessoa com baixa visão, alguém com dificuldade de locomoção — ou simplesmente qualquer um de nós.

A diversão termina onde começa o risco para o outro

Não precisamos transformar a pipa em vilã. O problema não é a pipa. É transformar sua linha em instrumento cortante.

É possível preservar uma brincadeira tradicional sem colocar outras pessoas em perigo. Crianças e adolescentes também precisam receber essa orientação de pais, responsáveis, educadores e da própria comunidade.

Ensinar que determinada prática pode machucar alguém não significa acabar com a diversão. Significa ensinar responsabilidade.

Para quem trabalha pela inclusão das pessoas com deficiência, há ainda uma lição importante: uma sociedade inclusiva não é somente aquela que adapta seus espaços depois que identifica barreiras. É também aquela que evita criar novos perigos e obstáculos.

Uma linha com cerol pode parecer pequena.

O dano que ela causa, não.

Solte pipa com responsabilidade. Não use cerol nem outros materiais cortantes. A vida e a segurança de quem está do outro lado da linha valem muito mais do que ganhar uma disputa de pipas.

Para refletir

Antes de fazer algo em um espaço compartilhado, vale uma pergunta simples:

“Uma pessoa que não enxerga como eu, não se movimenta como eu ou não consegue reagir tão rapidamente quanto eu estaria segura aqui?”

Pensar dessa forma é um exercício de inclusão.

Porque acessibilidade também é cuidar para que todos possam voltar para casa em segurança.

domingo, 30 de agosto de 2026

30 de agosto — Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla

Celebrado em 30 de agosto, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla foi instituído pela Lei nº 11.303/2006. A data busca ampliar a visibilidade da doença, combater a desinformação e alertar para a importância do diagnóstico e do tratamento adequados. 

A esclerose múltipla, também conhecida pela sigla EM, é uma doença neurológica, crônica, inflamatória e autoimune. Nela, o sistema imunológico ataca estruturas do sistema nervoso central, especialmente a mielina, camada que protege as fibras nervosas. Esse processo pode prejudicar a comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e diferentes partes do corpo.

Os sintomas variam muito de uma pessoa para outra e podem aparecer em diferentes intensidades. Entre os mais frequentes estão:

fadiga intensa;

alterações na visão;

formigamento ou dormência;

fraqueza muscular;

dificuldades de equilíbrio e coordenação;

rigidez ou espasmos musculares;

alterações urinárias e intestinais;

dificuldades de memória e concentração.


Muitos desses sintomas são invisíveis. Uma pessoa pode aparentar estar bem e, ainda assim, enfrentar fadiga incapacitante, dor, alterações sensitivas ou dificuldades cognitivas. Por isso, comentários que minimizam suas limitações podem aumentar o sofrimento e o isolamento.

O diagnóstico não depende de um único exame. Ele é realizado por meio da avaliação clínica e neurológica, associada a exames como ressonância magnética e análise do líquido cefalorraquidiano, além da exclusão de outras condições com manifestações semelhantes. 

Embora ainda não exista cura, há tratamentos capazes de controlar a atividade da doença, diminuir a ocorrência de surtos e retardar a progressão das incapacidades. O acompanhamento pode envolver neurologia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, fonoaudiologia e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais. O SUS oferece exames, acompanhamento multiprofissional e medicamentos para o tratamento da esclerose múltipla. 

Também é importante esclarecer: esclerose múltipla não é contagiosa, não é uma doença mental e não é a mesma condição que esclerose lateral amiotrófica, a ELA.

Conscientizar significa reconhecer que cada pessoa vivencia a doença de maneira diferente. Nem todas utilizam cadeira de rodas ou apresentam limitações visíveis. Com diagnóstico oportuno, tratamento, acessibilidade, respeito e uma rede adequada de apoio, muitas pessoas com esclerose múltipla estudam, trabalham, constituem família e participam ativamente da sociedade.

Neste 30 de agosto, a mensagem é simples e necessária: **informação combate o preconceito; acolhimento fortalece; inclusão transforma vidas.

Texto e imagem produzidos  com inteligência artificial. Autores responsáveis: Alessandra Frederico e José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Câmara aprova projeto que amplia a proteção às pessoas com TDAH

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 4.225/2023, que cria a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento. A proposta contempla pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia e outros transtornos de aprendizagem.

A aprovação representa um avanço importante para milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades na escola, no trabalho e em diferentes situações da vida cotidiana. Entretanto, é necessário esclarecer: o projeto ainda não virou lei e não reconhece automaticamente toda pessoa com TDAH como pessoa com deficiência.

O que o projeto estabelece?

Entre as medidas previstas estão:

  • identificação precoce dos sinais de transtornos de aprendizagem;

  • encaminhamento para avaliação e diagnóstico;

  • elaboração de planejamento educacional individualizado;

  • adaptação dos métodos de ensino;

  • revisão periódica dos planos educacional e terapêutico;

  • capacitação de profissionais das áreas de educação e saúde;

  • combate à discriminação, à estigmatização e à exclusão;

  • atenção integral e articulada entre educação, saúde e assistência;

  • fornecimento gratuito, pelo SUS, dos medicamentos prescritos, conforme as regras do sistema público;

  • desenvolvimento de políticas de qualificação profissional e inclusão no trabalho.

O texto alcança a educação básica, a educação profissional e tecnológica e o ensino superior.

Provas e concursos poderão ter adaptações

A proposta também prevê condições mais adequadas para pessoas com TDAH, dislexia ou outros transtornos de aprendizagem durante provas escolares, concursos públicos, processos seletivos e avaliações.

Conforme a necessidade de cada pessoa e as regras de cada instituição, poderão ser oferecidos:

  • tempo adicional;

  • ambiente com menos estímulos e distrações;

  • auxílio de ledor;

  • recursos tecnológicos;

  • flexibilização do formato da prova.

Essas adaptações não representam privilégios. São recursos de acessibilidade destinados a permitir que cada candidato demonstre seus conhecimentos em condições mais justas.

TDAH será considerado deficiência automaticamente?

Não. O diagnóstico de TDAH, isoladamente, não garantirá automaticamente o reconhecimento da pessoa como alguém com deficiência.

De acordo com o texto aprovado, a equiparação dependerá de uma avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. Essa avaliação deverá analisar se a pessoa apresenta impedimentos de longo prazo que, em interação com diferentes barreiras, dificultem sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Em outras palavras, não será considerada apenas a existência do diagnóstico ou o grau clínico do transtorno. Também serão observados os impactos concretos na autonomia, na aprendizagem, na comunicação, no trabalho, na convivência social e em outras áreas da vida.

Por isso, não é correto afirmar que todas as pessoas com TDAH passarão imediatamente a ter direito a cotas, BPC, aposentadoria diferenciada ou a todos os demais benefícios destinados às pessoas com deficiência. Cada direito continuará sujeito aos critérios legais e, quando exigida, à avaliação individual.

O projeto já está valendo?

Ainda não. A Câmara dos Deputados concluiu a votação em junho de 2026, e o projeto foi encaminhado ao Senado Federal, onde começou a tramitar em julho.

Para se transformar em lei, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e encaminhado à sanção presidencial. Caso os senadores façam alterações, a proposta poderá retornar à Câmara para uma nova análise.

Um avanço que precisa ser acompanhado

O projeto reconhece que o TDAH pode produzir impactos muito diferentes de uma pessoa para outra. Algumas conseguem desenvolver suas atividades com apoio e tratamento; outras enfrentam barreiras intensas e duradouras que comprometem sua aprendizagem, autonomia, vida profissional e participação social.

A proposta não deve ser interpretada como um rótulo ou como uma tentativa de transformar automaticamente todo diagnóstico em deficiência. Seu objetivo é oferecer suporte, acessibilidade e proteção de acordo com as necessidades reais de cada pessoa.

A aprovação pela Câmara é uma etapa importante, mas a mobilização da sociedade continua necessária. Além de acompanhar a tramitação no Senado, será fundamental cobrar recursos, regulamentação adequada e aplicação efetiva das medidas.

Incluir não é oferecer vantagens. É reconhecer barreiras e garantir os recursos necessários para que todas as pessoas tenham oportunidades verdadeiramente iguais.

Parlamentares envolvidos no projeto

ParlamentarParticipação no projetoRedes sociais
Alex Manente (Cidadania–SP)AutorInstagram · Facebook
Amom Mandel (Republicanos–AM)CoautorInstagram · Facebook
Any Ortiz (PP–RS)CoautoraInstagram · Facebook
Andreia Siqueira (PSB–PA)Relatora do texto aprovado pela CâmaraInstagram · Facebook · X

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Você sabe o que é Ceratite²


Imagem produzida com inteligência artificial.
Autores responsáveis: Alessandra Frederico e José Eduardo
Thomé de Saboya Oliveira



 

25 de agosto: Dia Nacional da Educação Infantil — inclusão começa na primeira infância

Celebrado em 25 de agosto, o Dia Nacional da Educação Infantil nos convida a refletir sobre a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento de todas as crianças.

A data integra a Semana Nacional da Educação Infantil, instituída pela Lei nº 12.602/2012, e homenageia a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, nascida nesse dia. Fundadora da Pastoral da Criança, ela dedicou grande parte da vida à proteção da infância e à promoção da saúde, da educação e do desenvolvimento infantil.

A primeira etapa da educação básica

A Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica e atende crianças de zero a cinco anos:

  • nas creches, as crianças de zero a três anos;
  • na pré-escola, as crianças de quatro e cinco anos.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, essa etapa tem como finalidade promover o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a atuação da família e da comunidade.

Isso significa que a Educação Infantil não deve ser entendida apenas como um lugar onde as crianças permanecem enquanto os responsáveis trabalham. É um espaço de cuidado, convivência, descobertas, brincadeiras, construção da autonomia e aprendizagem.

Na infância, brincar também é aprender. Por meio das brincadeiras, das histórias, da música, dos desenhos, dos movimentos e das relações com outras pessoas, a criança conhece o mundo e aprende a expressar sentimentos, desejos, dúvidas e ideias.

Toda criança tem o direito de participar

Quando falamos em Educação Infantil, precisamos falar também em inclusão.

Crianças com deficiência, transtornos do desenvolvimento, doenças raras ou outras necessidades específicas têm o mesmo direito de frequentar a escola, participar das atividades, brincar com os colegas e receber oportunidades reais de aprendizagem.

A inclusão não acontece somente com a matrícula. Para que uma criança esteja verdadeiramente incluída, a escola deve identificar e eliminar as barreiras que dificultam sua participação.

Isso pode envolver:

  • espaços fisicamente acessíveis;
  • brinquedos e materiais adaptados;
  • recursos de comunicação acessível;
  • atividades apresentadas de diferentes maneiras;
  • respeito ao ritmo e às formas de expressão de cada criança;
  • profissionais preparados e em formação permanente;
  • atendimento educacional especializado, quando necessário;
  • diálogo constante entre escola, família e profissionais que acompanham a criança.

Cada criança possui características, interesses, habilidades e necessidades próprias. Algumas aprendem observando; outras precisam tocar, experimentar, ouvir várias vezes ou receber instruções mais objetivas. Algumas se comunicam pela fala, enquanto outras utilizam gestos, imagens, pranchas ou tecnologias assistivas.

Reconhecer essas diferenças não significa diminuir as expectativas. Significa oferecer os apoios adequados para que cada criança possa aprender e demonstrar suas capacidades.

Conviver com as diferenças também educa

A escola inclusiva beneficia toda a comunidade.

Quando crianças com e sem deficiência convivem desde pequenas, aprendem que as diferenças fazem parte da humanidade. Desenvolvem empatia, cooperação, respeito e uma compreensão mais verdadeira sobre as diversas maneiras de viver, aprender, brincar e se comunicar.

Entretanto, é importante lembrar que a criança com deficiência não está na escola para ensinar uma “lição de superação” aos colegas. Ela está ali porque estudar, brincar, conviver e participar são direitos seus.

Da mesma forma, inclusão não significa tratar todas as crianças exatamente da mesma maneira. Igualdade é garantir direitos; equidade é oferecer a cada criança os recursos e apoios de que necessita para exercer esses direitos.

A parceria com as famílias

As famílias conhecem profundamente as crianças e podem fornecer informações importantes sobre suas preferências, formas de comunicação, sensibilidades, dificuldades e potencialidades.

Por isso, devem ser ouvidas e acolhidas pela escola. Essa relação precisa ser construída com respeito, sem julgamentos e sem transformar a família em única responsável pela inclusão.

O trabalho deve ser compartilhado. Escola, família, profissionais especializados e poder público possuem responsabilidades diferentes, mas complementares.

Ainda temos desafios

Apesar dos avanços, ainda existem crianças que enfrentam falta de vagas, espaços inadequados, ausência de acessibilidade, preconceito e dificuldade para receber os apoios necessários.

Também precisamos combater a ideia de que uma criança deve estar “pronta” para frequentar a escola. É a escola que precisa estar preparada para receber a diversidade existente na sociedade.

Investir na Educação Infantil significa investir em professores valorizados, formação adequada, turmas organizadas, ambientes seguros, materiais acessíveis, alimentação de qualidade e políticas públicas que garantam o acesso e a permanência de todas as crianças.

Incluir desde o começo

Neste Dia Nacional da Educação Infantil, celebramos as crianças e os profissionais que cuidam, educam, acolhem e ajudam a construir os primeiros caminhos da aprendizagem.

Mas a data também nos deixa um compromisso: nenhuma criança pode ser impedida de participar por causa de uma deficiência, de sua condição social, de sua forma de comunicação ou de qualquer outra característica.

Uma sociedade verdadeiramente inclusiva começa quando cada criança encontra, desde os primeiros anos, portas abertas, apoios adequados e pessoas dispostas a enxergar suas possibilidades.

Porque toda criança tem direito de brincar, aprender, conviver, expressar-se e ser respeitada exatamente como é.

Informações sobre a data: Ministério da Educação.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

sábado, 22 de agosto de 2026

22 de agosto — Dia da Pessoa com Deficiência Intelectual: inclusão começa quando aprendemos a enxergar a pessoa


Neste 22 de agosto, Dia da Pessoa com Deficiência Intelectual, temos uma oportunidade importante para falar de respeito, autonomia, oportunidades e, principalmente, de uma mudança que ainda precisa acontecer na sociedade: enxergar primeiro a pessoa, e não a deficiência.

A data está inserida na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada de 21 a 28 de agosto e instituída oficialmente pela Lei nº 13.585/2017. Mais do que preencher uma data no calendário, esse período existe para chamar a atenção para a inclusão social, as políticas públicas e o combate ao preconceito e à discriminação.

O que é deficiência intelectual?

A deficiência intelectual está relacionada a limitações no funcionamento intelectual e em determinadas habilidades necessárias à vida cotidiana, que podem envolver aprendizagem, comunicação, compreensão, resolução de problemas, relações sociais e autonomia.

Mas essa definição não pode ser transformada em um rótulo.

Ter deficiência intelectual não significa não aprender. Não significa não compreender sentimentos. Não significa não ter desejos, opiniões, talentos ou capacidade de fazer escolhas.

Cada pessoa é única. Algumas necessitarão de mais apoio em determinadas atividades; outras conquistarão grande autonomia. E mesmo duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar habilidades e necessidades completamente diferentes.

Por isso, talvez uma das palavras mais importantes quando falamos de deficiência intelectual seja apoio.

A pergunta não deveria ser apenas:

"O que essa pessoa consegue fazer?"

Também deveríamos perguntar:

"De que apoio ela precisa para conseguir fazer?"

Ajudar não é fazer tudo pela pessoa

Existe uma diferença enorme entre oferecer apoio e substituir a pessoa.

Muitas vezes, movidos pela boa intenção, familiares, profissionais e outras pessoas acabam fazendo tudo pela pessoa com deficiência intelectual. Escolhem por ela, respondem por ela, decidem o que ela pode ou não fazer e, às vezes, sequer perguntam sua opinião.

Isso pode parecer proteção.

Mas proteção excessiva também pode se transformar em uma barreira à autonomia.

Se uma pessoa consegue realizar determinada tarefa com orientação, talvez seja melhor orientá-la do que simplesmente fazer por ela.

Se precisa de mais tempo para responder, devemos oferecer esse tempo.

Se consegue escolher entre duas possibilidades, devemos permitir que escolha.

Se consegue participar de uma decisão sobre sua própria vida, sua voz precisa ser ouvida.

Autonomia não significa fazer tudo sozinho. Significa participar das decisões e exercer o máximo possível de controle sobre a própria vida, utilizando os apoios necessários.

Não infantilize a pessoa adulta

Outro preconceito bastante comum é tratar adultos com deficiência intelectual como se fossem crianças.

Uma pessoa adulta continua sendo adulta.

Pode namorar, trabalhar, estudar, ter amigos, praticar esportes, participar de atividades culturais, expressar preferências, discordar, tomar decisões e construir projetos para sua vida, de acordo com suas possibilidades e com os apoios de que necessite.

Falar com voz infantilizada, ignorar sua presença numa conversa ou dirigir todas as perguntas ao acompanhante são atitudes que precisam ser revistas.

Uma regra simples pode ajudar:

se você quer saber alguma coisa sobre uma pessoa com deficiência intelectual, fale primeiro com ela.

Caso ela necessite do auxílio do acompanhante para compreender ou responder, esse apoio poderá acontecer. Mas ela não deve se tornar invisível apenas porque existe alguém ao seu lado.

Inclusão não é apenas estar no mesmo lugar

Colocar uma pessoa com deficiência dentro de uma escola, empresa, passeio, igreja, restaurante ou atividade social não significa necessariamente incluí-la.

Ela está conseguindo participar?

As informações são apresentadas de maneira que possa compreender?

As pessoas têm paciência para ouvi-la?

Há oportunidade real de convivência?

Suas capacidades estão sendo estimuladas?

Suas escolhas são respeitadas?

Ela pertence àquele ambiente ou está apenas fisicamente presente?

Inclusão verdadeira acontece quando existe participação.

Isso exige acessibilidade, e acessibilidade não se resume a rampas, elevadores e banheiros adaptados. Para muitas pessoas com deficiência intelectual, ela também envolve comunicação simples, informações claras, recursos visuais, explicações objetivas, repetição quando necessária e tempo adequado para compreensão.

A oportunidade pode revelar aquilo que o preconceito esconde

Talvez uma das maiores injustiças enfrentadas pelas pessoas com deficiência intelectual aconteça quando alguém decide antecipadamente aquilo que elas não conseguirão fazer.

"Ela não vai aprender."

"Ele não consegue."

"É melhor não tentar."

"Deixa que eu faço."

Quando essas frases aparecem antes mesmo da oportunidade, não estamos descobrindo os limites daquela pessoa. Estamos impondo os nossos próprios limites a ela.

Uma pessoa pode precisar aprender de maneira diferente.

Pode precisar de mais tempo.

Pode necessitar de apoio.

Pode não alcançar determinado objetivo.

Mas ela precisa ter o direito de tentar.

A própria campanha da Semana Nacional tem chamado atenção para uma ideia essencial: a deficiência não pode ser usada para apagar a voz da pessoa ou determinar antecipadamente o seu lugar na sociedade.

Nada sobre a pessoa sem ouvir a pessoa

Durante muito tempo, a sociedade falou sobre as pessoas com deficiência.

Depois, começou a falar para elas.

O passo fundamental é aprender a falar com elas — e, sobretudo, ouvi-las.

Famílias são fundamentais. Profissionais são fundamentais. Educadores e cuidadores são fundamentais.

Mas a pessoa com deficiência intelectual não pode ser apenas objeto das decisões tomadas pelos outros.

Sempre que possível, deve ser protagonista da própria história.

Neste 22 de agosto, portanto, o Cantinho dos Amigos Especiais deixa um convite que vai muito além de uma data comemorativa:

não faça pela pessoa aquilo que ela pode aprender a fazer.
Não responda por ela quando ela pode responder.
Não escolha por ela quando ela pode escolher.
Não determine seus limites antes de oferecer oportunidades.
E não permita que a deficiência venha antes da pessoa.

Porque inclusão não significa tratar todo mundo exatamente da mesma maneira.

Inclusão significa reconhecer diferenças, oferecer os apoios necessários e garantir que cada pessoa tenha oportunidade de participar da sociedade com dignidade, respeito, voz e autonomia.

Deficiência intelectual não apaga sonhos, sentimentos, preferências ou personalidade.

Antes de qualquer diagnóstico, existe uma pessoa.

E é por ela que toda inclusão deve começar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ajudar ou fazer pela pessoa com deficiência? O equilíbrio entre apoio e autonomia

Existe uma diferença aparentemente pequena, mas muito importante, entre ajudar uma pessoa com deficiência a fazer alguma coisa e simplesmente fazer essa coisa por ela. À primeira vista, o dilema pode parecer uma questão de paciência: ensinar, esperar e acompanhar geralmente demora mais do que assumir a tarefa e resolvê-la rapidamente. Mas a questão vai além. Envolve autonomia, segurança, respeito aos limites e, principalmente, o direito de cada pessoa decidir até onde deseja e consegue ir sozinha.

O ponto de vista de quem ajuda

Para quem está ajudando, fazer pela pessoa muitas vezes parece ser a solução mais simples — e até mais carinhosa.

Imagine alguém com deficiência visual tentando localizar determinada opção em um aplicativo. Quem está ao lado pode pensar: “Se eu pegar o celular e fizer, terminamos em trinta segundos.” Explicar onde está o botão, esperar a pessoa encontrá-lo, permitir que erre e tente novamente pode levar vários minutos.

O mesmo acontece com uma pessoa com deficiência física realizando uma tarefa que exige movimentos mais demorados, ou com alguém com deficiência intelectual aprendendo uma atividade nova. Quem acompanha pode ter a sensação de que assumir a tarefa é uma maneira de evitar esforço, frustração ou perda de tempo.

E nem sempre existe má intenção nisso. Muitas vezes há cuidado verdadeiro. Quem ajuda pode pensar: “Por que vou deixar essa pessoa se esforçar tanto se posso facilitar?”

Também existem situações em que fazer pela pessoa é realmente necessário. Se houver risco de queda, acidente, perda financeira, dano à saúde ou alguma tarefa que esteja além das possibilidades daquela pessoa naquele momento, intervir pode ser a atitude correta.

Por isso, não devemos transformar a autonomia em uma obrigação. A pessoa com deficiência também tem o direito de pedir que alguém faça determinada coisa por ela. Independência não significa precisar provar o tempo todo que consegue fazer tudo sozinha.

O ponto de vista da pessoa com deficiência

Do outro lado, porém, existe algo que nem sempre é percebido por quem ajuda.

Quando alguém faz constantemente as coisas pela pessoa com deficiência, pode acabar retirando dela justamente a oportunidade de aprender a fazê-las.

Hoje alguém abre o aplicativo por ela. Amanhã alguém preenche o formulário. Depois alguém faz a compra, escolhe a opção, resolve o problema, fala com o atendente. Cada atitude isolada pode parecer pequena e bem-intencionada. Somadas, porém, podem criar uma dependência que talvez não precisasse existir.

Há ainda uma questão fundamental: autonomia não significa fazer tudo com a mesma velocidade de quem não possui aquela deficiência.

Uma pessoa pode precisar de cinco minutos para realizar uma tarefa que outra faria em um. Isso não significa necessariamente incapacidade. Significa apenas que ela utiliza outro caminho, outro ritmo ou outros recursos.

Nesse caso, a paciência de quem acompanha se torna muito importante.

Esperar pode ser uma forma de ajudar.

Explicar pode ser uma forma de ajudar.

Mostrar uma vez e deixar a pessoa tentar pode ser uma forma de ajudar.

E até permitir que ela erre — desde que não exista risco — pode fazer parte da construção da autonomia.

Existe também uma diferença enorme entre “Você quer ajuda?” e simplesmente tomar a tarefa das mãos da pessoa.

A primeira pergunta reconhece que ela continua sendo protagonista da situação. A segunda pode transmitir, mesmo involuntariamente, a mensagem: “Você não consegue; deixe que eu faço.”

Então é apenas uma questão de paciência?

Não.

A paciência é uma parte importante, porque ajudar alguém a desenvolver autonomia frequentemente exige mais tempo do que fazer por ela. Mas também entram nessa equação o respeito, a segurança, os limites individuais e a vontade da própria pessoa.

Há momentos para ensinar.

Há momentos para acompanhar.

Há momentos para apenas ficar por perto.

E há momentos em que fazer pela pessoa é exatamente a ajuda de que ela precisa.

Talvez uma das perguntas mais importantes seja muito simples:

“Você quer que eu faça, quer que eu ajude ou prefere tentar sozinho?”

A resposta pode mudar conforme a tarefa, o dia e até o estado físico ou emocional daquela pessoa.

Conclusão

A verdadeira inclusão não está em abandonar a pessoa com deficiência sob o argumento de que ela precisa ser independente, nem em fazer tudo por ela sob o argumento de que estamos ajudando. Está em encontrar o equilíbrio entre apoio e autonomia. Às vezes, ajudar significa fazer. Em outras, significa ensinar. E, em muitas situações, ajudar significa simplesmente ter paciência para esperar enquanto a pessoa faz do seu próprio jeito. Afinal, oferecer ajuda é importante; permitir que alguém descubra aquilo que consegue fazer também é.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autores responsáveis: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira e Ana Tereza Frederico 

domingo, 16 de agosto de 2026

Cliente com deficiência relata constrangimento durante atendimento em shopping do Rio de Janeiro

O respeito à pessoa com deficiência precisa estar presente também nas situações mais comuns do cotidiano. Entrar em uma loja ou restaurante, fazer um pedido e ser atendido com educação deveria ser algo absolutamente normal para qualquer pessoa.

Neste domingo, nosso amigo e músico Gabriel Sznel ar nos procurou para compartilhar uma experiência que, segundo seu relato, aconteceu durante a tarde em uma unidade do Burger King localizada no Shopping RioSul, no Rio de Janeiro.

Gabriel estava acompanhado da esposa. Ambos são pessoas com deficiência (PCDs). De acordo com ele, o casal tentou ser atendido no estabelecimento, mas enfrentou uma situação que considerou desrespeitosa e discriminatória.

Em seu depoimento, Gabriel conta:

«“Hoje à tarde, no Burger King do Shopping RioSul, eu e minha esposa passamos por uma situação muito desagradável. Sentimos que houve uma recusa em nos atender adequadamente e que fizeram pouco caso de nós, duas pessoas com deficiência. As atendentes insistiam em negar o atendimento, e toda a situação acabou deixando minha esposa constrangida e com vergonha. Consideramos a postura do atendente inadequada e desrespeitosa.”»

O depoimento chama atenção para uma questão que vai muito além de um pedido em uma lanchonete.

Atendimento digno também é inclusão

Uma pessoa com deficiência não deve precisar implorar por atenção, sentir vergonha ou acreditar que está incomodando simplesmente porque precisa ser atendida.

Inclusão também acontece no balcão de uma loja, no caixa de um supermercado, em um restaurante, no transporte, no cinema e em qualquer outro espaço de convivência.

Um atendimento inclusivo começa por atitudes simples: ouvir diretamente a pessoa com deficiência, tratá-la com educação, respeitar suas necessidades e oferecer as mesmas condições de atendimento destinadas aos demais clientes.

Quando uma pessoa com deficiência relata ter se sentido diminuída, ignorada ou constrangida durante um atendimento, sua experiência merece ser ouvida.

Dar voz também é nosso papel

O Cantinho dos Amigos Especiais abre espaço para relatos como o de Gabriel porque experiências vividas pelas próprias pessoas com deficiência ajudam a mostrar onde ainda existem barreiras — inclusive aquelas que não são arquitetônicas.

Publicar um depoimento não significa antecipar conclusões sobre responsabilidades. Significa permitir que uma pessoa conte o que viveu e como aquela situação a afetou.

Esperamos que episódios como o relatado por Gabriel sirvam também para incentivar empresas e profissionais a investirem cada vez mais em atendimento humanizado, acessibilidade e capacitação de suas equipes.

Pessoa com deficiência é cliente, consumidor e cidadão. Respeito não é atendimento especial. É o mínimo que deve existir em qualquer atendimento.

Esta matéria apresenta o relato e a percepção do entrevistado sobre o episódio. O Cantinho dos Amigos Especiais permanece aberto à manifestação do estabelecimento citado, caso queira apresentar esclarecimentos sobre o ocorrido.

sábado, 15 de agosto de 2026

Cinema para todos: novo guia daANCINE mostra como as salas podem ser realmente acessíveis

 

Ir ao cinema parece uma atividade simples: escolher um filme, comprar o ingresso, chegar à sala, encontrar o lugar e aproveitar a sessão.

Para uma pessoa com deficiência, porém, essa experiência pode envolver diversas barreiras. E acessibilidade no cinema não significa apenas ter um espaço reservado para uma cadeira de rodas.

Pensando em toda essa experiência, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD) lançaram, em abril de 2026, o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema.

O documento apresenta orientações para produtoras, distribuidoras, exibidores e plataformas de venda de ingressos e procura mostrar que a inclusão precisa acompanhar o espectador desde a escolha do filme até o momento em que ele deixa o cinema.

Acessibilidade não começa na porta da sala

Um dos pontos mais interessantes do guia é justamente olhar para aquilo que a ANCINE chama de jornada do espectador.

Antes mesmo de chegar ao cinema, uma pessoa com deficiência precisa conseguir descobrir quais filmes estão em cartaz, identificar quais recursos de acessibilidade estão disponíveis, escolher uma sessão e comprar seu ingresso.

Isso significa que sites, aplicativos, plataformas de venda e outros canais de informação também fazem parte da experiência acessível.

Ao chegar ao cinema, entram em cena outras questões: deslocamento, circulação, orientação, atendimento, utilização dos recursos disponíveis e permanência na sala com segurança, conforto e autonomia.

Portanto, uma sala pode até possuir determinado equipamento de acessibilidade e, ainda assim, proporcionar uma experiência ruim se o espectador não souber que ele existe, não conseguir solicitá-lo ou encontrar funcionários que não saibam orientá-lo.

Quais recursos devem estar disponíveis?

A regulamentação da ANCINE estabelece recursos de acessibilidade visual e auditiva para as sessões comerciais de cinema.

Entre eles estão:

  • audiodescrição, que apresenta por meio de narração informações visuais importantes da obra;
  • legendagem, com a conversão dos diálogos em texto;
  • Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE), que, além dos diálogos, apresenta informações relevantes sobre sons, músicas e outros elementos sonoros;
  • Libras — Língua Brasileira de Sinais.

Esses recursos permitem que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam acompanhar o conteúdo audiovisual com maior autonomia.

Não é favor: é direito

Existe um aspecto que precisa ficar muito claro.

A oferta de acessibilidade no cinema não é uma gentileza oferecida à pessoa com deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão determina que as salas de cinema ofereçam recursos de acessibilidade, e a ANCINE regulamentou a questão por meio da Instrução Normativa nº 165/2022.

Segundo as informações atualizadas da própria Agência, essa obrigação está em vigor desde 2 de janeiro de 2023.

A norma estabelece responsabilidades tanto para quem distribui o filme quanto para quem o exibe.

De maneira simplificada, cabe ao distribuidor disponibilizar os recursos de acessibilidade da obra, enquanto o exibidor precisa garantir suporte técnico para que esses recursos efetivamente cheguem ao espectador.

Ou seja: não basta dizer que determinado filme "tem audiodescrição" ou "tem Libras". O recurso precisa funcionar e estar efetivamente disponível para quem necessita dele.

Todas as sessões

Outro ponto muito importante é que a regulamentação se refere à oferta dos recursos de acessibilidade em todas as sessões comerciais das salas comerciais de cinema, observadas as condições previstas na norma.

Isso ajuda a combater uma ideia antiga de inclusão: aquela em que a pessoa com deficiência só pode assistir ao filme em determinado dia ou horário escolhido exclusivamente para ela.

A verdadeira inclusão permite, tanto quanto possível, que pessoas com e sem deficiência compartilhem os mesmos espaços e tenham liberdade para escolher quando querem participar de uma atividade cultural.

Acessibilidade também depende de informação e atendimento

Imagine uma pessoa com deficiência visual chegando ao cinema e perguntando sobre audiodescrição.

O equipamento existe.

O filme possui o recurso.

Mas ninguém da equipe sabe como ativá-lo.

Na prática, existe acessibilidade?

É justamente por isso que o novo guia é importante. A inclusão não depende apenas da compra de equipamentos. Ela também envolve informação, orientação, treinamento, comunicação e eliminação de barreiras atitudinais.

O próprio exibidor deve fornecer ao espectador informações, orientações e apoio técnico para que ele consiga utilizar a tecnologia assistiva disponível.

E a acessibilidade física?

Embora boa parte da regulamentação específica da ANCINE trate da acessibilidade visual e auditiva das obras cinematográficas, o novo guia procura enxergar a experiência de maneira mais ampla.

A jornada do espectador envolve também sua chegada, circulação e permanência no cinema.

Isso nos lembra que acessibilidade é um conjunto.

Uma pessoa com mobilidade reduzida precisa conseguir circular. Uma pessoa com deficiência visual precisa encontrar informações acessíveis. Uma pessoa surda precisa conseguir se comunicar e ter acesso ao conteúdo. Uma pessoa com deficiência intelectual também deve encontrar atendimento compreensível, respeitoso e inclusivo.

Não adianta resolver apenas uma barreira e ignorar todas as demais.

O cinema também é um direito cultural

Talvez essa seja a principal mensagem que podemos retirar do guia.

Quando falamos em acessibilidade, frequentemente pensamos primeiro em saúde, educação, transporte e trabalho. Todos são direitos fundamentais.

Mas cultura e lazer também fazem parte da cidadania.

Uma pessoa com deficiência deve poder escolher um filme, comprar seu ingresso, entrar no cinema, compreender a obra e aproveitar aquele momento como qualquer outro espectador.

Sem precisar agradecer por um direito.

Sem precisar explicar inúmeras vezes por que necessita de determinado recurso.

E, principalmente, sem depender da boa vontade de alguém para participar.

Um guia que merece sair do papel

O Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema é um passo importante porque amplia a discussão: acessibilidade não deve ser pensada apenas quando a pessoa com deficiência já está sentada diante da tela.

Ela começa antes.

Começa quando a programação é divulgada.

Passa pela compra do ingresso, pelo atendimento, pela chegada ao cinema, pela circulação no espaço e pelo acesso aos recursos necessários para acompanhar o filme.

E termina somente quando aquele espectador pôde viver toda a experiência com autonomia, dignidade, segurança e igualdade de oportunidades.

Cinema acessível não é uma sessão especial para pessoas especiais.

É o mesmo cinema, aberto de verdade para todos.

Cantinho dos Amigos Especiais — informação, inclusão, acessibilidade e cidadania.

Vitiligo: como melhorar a vida de quem convive com essa condição autoimune


 Quando pensamos em vitiligo, muitas vezes a primeiraw imagem que vem à mente são as manchas brancas que aparecem na pele. Mas compreender o vitiligo significa ir muito além da aparência.

O vitiligo é uma condição que provoca a perda de pigmentação em determinadas áreas da pele. Isso acontece porque os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina — pigmento que dá cor à pele — deixam de funcionar ou são destruídos.

Na forma não segmentar, que é a mais comum, o vitiligo é considerado uma doença autoimune: o próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos.

E uma informação precisa ficar muito clara desde o início:

Vitiligo não é contagioso.

Não se pega vitiligo pelo toque, abraço, beijo, compartilhamento de objetos, alimentos ou convivência com uma pessoa que possui a condição.

Como o vitiligo se manifesta?

A principal característica é o aparecimento de áreas da pele que perdem sua pigmentação natural.

Essas manchas podem surgir em diferentes partes do corpo, sendo comuns no rosto, pescoço, mãos, braços, pés e regiões próximas a aberturas do corpo.

Os pelos existentes nas regiões afetadas também podem perder pigmentação e ficar brancos.

A evolução varia muito de pessoa para pessoa. Algumas desenvolvem poucas áreas despigmentadas durante muitos anos. Em outras, novas manchas podem aparecer e aumentar de tamanho.

Existem diferentes tipos de vitiligo?

Sim.

Entre as formas existentes, duas são particularmente importantes:

Vitiligo não segmentar: é o tipo mais comum. As manchas costumam ocorrer em ambos os lados do corpo e essa forma está relacionada ao mecanismo autoimune.

Vitiligo segmentar: costuma atingir uma região ou um lado específico do corpo e apresenta comportamento diferente do vitiligo não segmentar.

Também existem outras classificações, e por isso a avaliação de um dermatologista é importante para identificar corretamente o quadro.

Vitiligo pode estar relacionado a outras doenças autoimunes?

Sim.

Pessoas com vitiligo, principalmente na forma não segmentar, podem apresentar associação com outras condições autoimunes. Entre elas estão algumas doenças da tireoide.

Isso não significa que toda pessoa com vitiligo terá outra doença autoimune. Significa apenas que essa associação existe e pode justificar investigação médica quando houver indicação.

Exames de sangue, por exemplo, não são utilizados simplesmente para “confirmar” o vitiligo, mas podem ser solicitados para pesquisar condições autoimunes associadas, dependendo da história e dos sintomas de cada pessoa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente é feito pelo dermatologista por meio da avaliação da pele e da história clínica.

Em algumas situações, o médico pode examinar a pele utilizando uma lâmpada de Wood, uma iluminação especial que ajuda a visualizar melhor alterações de pigmentação.

Exames complementares podem ser solicitados quando houver necessidade de excluir outras doenças ou investigar condições associadas. Raramente pode ser necessária uma biópsia da pele.

Existe cura para o vitiligo?

Atualmente, não existe uma cura definitiva para o vitiligo.

Isso, porém, não significa que nada possa ser feito.

Existem tratamentos capazes de tentar interromper ou diminuir a progressão da perda de pigmentação e favorecer a recuperação da cor em algumas regiões da pele.

A resposta varia bastante entre as pessoas e também conforme a localização das manchas, extensão da doença, idade, atividade do vitiligo e tratamento utilizado.

Como é feito o tratamento?

O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por um dermatologista.

Dependendo do quadro, podem ser utilizadas diferentes estratégias — algumas vezes combinadas.

Medicamentos aplicados na pele

Os corticosteroides tópicos podem ser utilizados em determinados pacientes. Eles podem ajudar a controlar a atividade da doença e favorecer alguma recuperação da pigmentação, mas precisam ser utilizados com orientação médica porque o uso inadequado ou prolongado pode provocar efeitos adversos.

Outros medicamentos tópicos também podem ser indicados conforme a região do corpo, idade e características de cada paciente.

Medicamentos mais recentes

Nos últimos anos, surgiram tratamentos direcionados a mecanismos específicos envolvidos no vitiligo.

Entre eles está o ruxolitinibe em creme, um medicamento da classe dos inibidores de JAK, utilizado em determinados pacientes com vitiligo não segmentar.

Os resultados não são imediatos e o tratamento pode exigir vários meses. Nem todas as pessoas apresentam o mesmo grau de repigmentação, e a indicação deve ser feita pelo médico.

Fototerapia

A exposição controlada da pele a determinados tipos de luz ultravioleta pode ser utilizada para estimular a repigmentação.

A fototerapia deve ser realizada de maneira planejada e acompanhada por profissionais de saúde. Não deve ser confundida com simplesmente “tomar sol”.

Outros tratamentos

Em casos selecionados e dependendo do tipo e da estabilidade do vitiligo, existem outras possibilidades terapêuticas.

Também podem ser usados recursos de camuflagem cosmética, maquiagem ou produtos destinados a uniformizar temporariamente a aparência da pele.

A escolha depende do que é mais adequado e desejado para cada pessoa.

Proteção solar é fundamental

As regiões que perderam melanina ficam particularmente vulneráveis à radiação solar.

Por isso, quem possui vitiligo deve conversar com seu dermatologista sobre proteção adequada, incluindo uso de protetor solar, roupas, acessórios e outros meios de reduzir exposição excessiva.

Além de proteger a pele, evitar queimaduras solares é importante porque traumatismos cutâneos podem favorecer o surgimento de novas áreas de vitiligo em algumas pessoas.

E o impacto emocional?

Esse talvez seja um dos assuntos mais importantes quando falamos sobre vitiligo.

As manchas não provocam necessariamente dor física, mas podem provocar dor emocional.

Olhares insistentes, perguntas inadequadas, comentários, preconceito e a falsa ideia de que a condição seria contagiosa podem afetar profundamente a autoestima e a vida social.

Uma pessoa não deve ser resumida às manchas existentes em sua pele.

Por isso, cuidar de alguém com vitiligo também significa respeitar sua maneira de lidar com a própria aparência.

Algumas pessoas desejam realizar tratamentos para recuperar a pigmentação.

Outras convivem bem com suas manchas.

Ambas as escolhas merecem respeito.

Como familiares e amigos podem ajudar?

A primeira atitude é simples: informação.

Não trate o vitiligo como algo contagioso.

Não fique apontando novas manchas.

Não diga à pessoa que ela “precisa esconder”.

Não ofereça tratamentos milagrosos encontrados na internet.

Não transforme a aparência dela em assunto permanente.

Em vez disso, ofereça companhia, respeito e apoio.

Caso ela esteja emocionalmente abalada pela condição, incentive — sem imposição — a procura por ajuda profissional.

O que realmente melhora a vida de quem tem vitiligo?

Informação correta.

Acompanhamento dermatológico.

Proteção adequada da pele.

Tratamento individualizado, quando desejado e indicado.

Atenção a possíveis doenças associadas quando houver indicação médica.

Apoio emocional quando necessário.

E, acima de tudo, respeito.

O vitiligo modifica a pigmentação da pele.

Não modifica o valor de uma pessoa.

Quanto maior for a informação da sociedade, menor será o espaço para preconceitos, constrangimentos e mitos.

No Cantinho dos Amigos Especiais, informação também é uma forma de inclusão.