Falar sobre bullying nunca é exagero. É necessidade. Toda vez que uma pessoa é humilhada,
ridicularizada, isolada, exposta ou atacada por ser diferente, a sociedade inteira adoece um pouco. E quando isso acontece com uma pessoa com deficiência, a violência ganha um peso ainda mais cruel, porque recai justamente sobre alguém que já enfrenta, todos os dias, barreiras de acessibilidade, preconceitos e incompreensões.
Nosso posicionamento é claro e inegociável: repudiamos todo e qualquer tipo de bullying contra pessoas com deficiência, em qualquer ambiente e contra qualquer tipo de deficiência. Seja deficiência física, visual, auditiva, intelectual, psicossocial, múltipla, aparente ou não aparente. Seja na escola, no trabalho, na internet, no transporte público, dentro da própria família, em espaços religiosos, em serviços de saúde ou em qualquer outro lugar. Bullying não é brincadeira. Não é “jeito de falar”. Não é “coisa de criança”. É violência.
Infelizmente, estudantes com deficiência estão entre os grupos mais vulneráveis a esse tipo de agressão. A própria UNESCO destaca que alunos com deficiência são desproporcionalmente afetados pelo bullying em diferentes idades e contextos de aprendizagem, com impactos sérios na educação, na saúde e no bem-estar. O UNICEF também alerta que crianças com deficiência enfrentam riscos maiores de violência, abuso e negligência.
No Brasil, a legislação reconhece a gravidade do problema. A Lei nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, definindo o bullying como violência física ou psicológica intencional e repetitiva. A Lei Brasileira de Inclusão assegura à pessoa com deficiência igualdade de oportunidades e proteção contra toda forma de discriminação. Mais recentemente, a Lei nº 14.811/2024 reforçou o enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying, e o MEC passou a orientar escolas e redes de ensino com protocolos de acolhimento, registro, proteção e uso de canais de denúncia.
Mas lei, sozinha, não resolve tudo. É preciso mudança de cultura. Combater o bullying contra PCDs exige educação para a empatia, convivência com respeito, acessibilidade de verdade e intervenção imediata quando a violência aparece. Exige que professores, gestores, colegas, familiares, líderes religiosos, profissionais de saúde, empresas e plataformas digitais entendam que o silêncio também machuca. Quem presencia e se cala ajuda a manter a dor.
Também é preciso dizer algo com todas as letras: zombar da bengala, da cadeira de rodas, da fala, do jeito de andar, do uso de tecnologias assistivas, do tempo de resposta, da aparência, das crises, da limitação visual, auditiva ou intelectual de alguém não é humor. É desumanização. E toda desumanização precisa ser enfrentada com firmeza.
A inclusão que defendemos não pode ser apenas bonita no discurso. Ela precisa aparecer no cotidiano: no acolhimento da criança com deficiência na escola, no respeito ao adolescente que sofre exclusão do grupo, na proteção ao trabalhador PCD, na escuta da pessoa autista, no cuidado com quem tem deficiência invisível, no combate ao cyberbullying e na coragem de denunciar quando a violência acontece.
Neste 7 de abril, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, com a acessibilidade e com o respeito. Nenhuma pessoa com deficiência deve ser tratada como alvo de piada, constrangimento ou exclusão. Toda pessoa merece ser vista com humanidade. Toda pessoa merece proteção. Toda pessoa merece respeito.
Combater o bullying é mais do que marcar uma data. É escolher, todos os dias, que lado da convivência queremos construir.
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
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