sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Embaixadores da Alegria completa 20 anos: quando a Sapucaí vira passarela de direitos

Em 2026, a Embaixadores da Alegria chega a 20 anos de trajetória consolidando uma ideia simples e poderosa: Carnaval também é cidadania. No Rio de Janeiro, a agremiação construiu um lugar único no samba — com protagonismo de pessoas com deficiência — e transformou o que por muito tempo foi tratado como “exceção” em referência de inclusão cultural.

Uma escola de samba (e de vida) que nasceu para abrir caminhos

A própria organização se apresenta como a primeira e única escola de samba do mundo voltada às pessoas com deficiência, atuando como organização social sem fins lucrativos e levando arte, cultura e cidadania para milhares de participantes.

A marca “20 anos desfilando inclusão” aparece como um resumo do projeto: usar o samba e a cultura popular como ferramenta de pertencimento, combate ao capacitismo e ampliação do acesso à vida cultural.

Linha do tempo: de 2006 à tradição na Sapucaí

A fundação é atribuída a 2006, com a motivação de enfrentar, na prática, a exclusão de pessoas com deficiência do Carnaval — não apenas criando “uma ala”, mas um espaço onde elas pudessem ocupar o centro da cena.

O primeiro desfile é citado como tendo acontecido em 2008, ano a partir do qual o projeto ganha forma na avenida e começa a construir uma história contínua de visibilidade e acesso.

Em 2026, ao celebrar duas décadas, a escola também comemora a permanência desse compromisso: a publicação que repercutiu o aniversário destaca o 18º desfile acessível consecutivo na Sapucaí.

O que significa “desfile acessível” na prática?

A Embaixadores da Alegria descreve seu desfile como um espetáculo “100% acessível”, reunindo cerca de 1.500 foliões com e sem deficiência na Marquês de Sapucaí.

Mais do que o número, o conceito de acessibilidade aqui é amplo: envolve estrutura, ritmo, tempo de deslocamento, desenho de alas, apoios e uma organização que reconhece que corpos e mobilidades são diferentes — e que isso não diminui ninguém; apenas pede condições adequadas para que todos brilhem.

Nesse ponto, a discussão é educativa até para outras escolas: em reportagem sobre PCDs no Carnaval, o cofundador Paul Davies chama atenção para como a dinâmica rígida do desfile tradicional (com milhares de pessoas e tempo cronometrado) pode excluir quem tem mobilidade reduzida, se não houver planejamento específico.

Protagonismo que muda imaginários

Um dos efeitos mais profundos de iniciativas como a Embaixadores da Alegria é simbólico: a avenida deixa de ser um lugar onde a pessoa com deficiência “aparece” e vira um espaço onde ela conduz narrativa, estética e emoção.

O texto comemorativo dos 20 anos reforça esse ponto ao lembrar que a escola já colocou na avenida elementos que, por si, desafiam o capacitismo: intérpretes de Libras “cantando” o samba, alas com recursos de acessibilidade, e participação de PCDs em funções de destaque.

Também é por isso que a escola insiste em um princípio que vale para além do Carnaval: inclusão não é favor — é direito cultural.

Impacto para além da quarta-feira de cinzas

A Embaixadores da Alegria não se define apenas pelo desfile. Ela se apresenta como um conjunto de ações em arte, cultura, oficinas e projetos ao longo do ano.

Um exemplo lembrado em matérias sobre a trajetória do grupo é a Wheelchair Parade (Parada das Cadeiras de Rodas), criada no contexto dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, como forma de ocupar a cidade com acessibilidade e expressão artística.

Em termos de alcance, a organização afirma impactar mais de 21 mil pessoas com e sem deficiência por meio de suas ações.

O que a história dos 20 anos ensina ao Brasil

A comemoração dos 20 anos da Embaixadores da Alegria é importante por um motivo muito concreto: ela prova que acessibilidade não “atrapalha” a cultura — ela qualifica a cultura.

Quando o Carnaval se torna acessível, ele não perde potência. Ao contrário: ganha novos jeitos de dançar, de cantar, de desfilar, de narrar o Brasil. E ganha, principalmente, um recado público contra a lógica de invisibilização: PCDs não precisam pedir licença para existir na festa popular; elas pertencem a ela.

A Embaixadores da Alegria faz isso do modo mais brasileiro possível: com tamborim, fantasia, canto coletivo — e com a certeza de que alegria pode ser, também, uma forma de justiça.


Referências (links)


Texto produzido com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

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