Uma escola de samba (e de vida) que nasceu para abrir caminhos
A própria organização se apresenta como a primeira e única escola de samba do mundo voltada às pessoas com deficiência, atuando como organização social sem fins lucrativos e levando arte, cultura e cidadania para milhares de participantes.
A marca “20 anos desfilando inclusão” aparece como um resumo do projeto: usar o samba e a cultura popular como ferramenta de pertencimento, combate ao capacitismo e ampliação do acesso à vida cultural.
Linha do tempo: de 2006 à tradição na Sapucaí
A fundação é atribuída a 2006, com a motivação de enfrentar, na prática, a exclusão de pessoas com deficiência do Carnaval — não apenas criando “uma ala”, mas um espaço onde elas pudessem ocupar o centro da cena.
O primeiro desfile é citado como tendo acontecido em 2008, ano a partir do qual o projeto ganha forma na avenida e começa a construir uma história contínua de visibilidade e acesso.
Em 2026, ao celebrar duas décadas, a escola também comemora a permanência desse compromisso: a publicação que repercutiu o aniversário destaca o 18º desfile acessível consecutivo na Sapucaí.
O que significa “desfile acessível” na prática?
A Embaixadores da Alegria descreve seu desfile como um espetáculo “100% acessível”, reunindo cerca de 1.500 foliões com e sem deficiência na Marquês de Sapucaí.
Mais do que o número, o conceito de acessibilidade aqui é amplo: envolve estrutura, ritmo, tempo de deslocamento, desenho de alas, apoios e uma organização que reconhece que corpos e mobilidades são diferentes — e que isso não diminui ninguém; apenas pede condições adequadas para que todos brilhem.
Nesse ponto, a discussão é educativa até para outras escolas: em reportagem sobre PCDs no Carnaval, o cofundador Paul Davies chama atenção para como a dinâmica rígida do desfile tradicional (com milhares de pessoas e tempo cronometrado) pode excluir quem tem mobilidade reduzida, se não houver planejamento específico.
Protagonismo que muda imaginários
Um dos efeitos mais profundos de iniciativas como a Embaixadores da Alegria é simbólico: a avenida deixa de ser um lugar onde a pessoa com deficiência “aparece” e vira um espaço onde ela conduz narrativa, estética e emoção.
O texto comemorativo dos 20 anos reforça esse ponto ao lembrar que a escola já colocou na avenida elementos que, por si, desafiam o capacitismo: intérpretes de Libras “cantando” o samba, alas com recursos de acessibilidade, e participação de PCDs em funções de destaque.
Também é por isso que a escola insiste em um princípio que vale para além do Carnaval: inclusão não é favor — é direito cultural.
Impacto para além da quarta-feira de cinzas
A Embaixadores da Alegria não se define apenas pelo desfile. Ela se apresenta como um conjunto de ações em arte, cultura, oficinas e projetos ao longo do ano.
Um exemplo lembrado em matérias sobre a trajetória do grupo é a Wheelchair Parade (Parada das Cadeiras de Rodas), criada no contexto dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, como forma de ocupar a cidade com acessibilidade e expressão artística.
Em termos de alcance, a organização afirma impactar mais de 21 mil pessoas com e sem deficiência por meio de suas ações.
O que a história dos 20 anos ensina ao Brasil
A comemoração dos 20 anos da Embaixadores da Alegria é importante por um motivo muito concreto: ela prova que acessibilidade não “atrapalha” a cultura — ela qualifica a cultura.
Quando o Carnaval se torna acessível, ele não perde potência. Ao contrário: ganha novos jeitos de dançar, de cantar, de desfilar, de narrar o Brasil. E ganha, principalmente, um recado público contra a lógica de invisibilização: PCDs não precisam pedir licença para existir na festa popular; elas pertencem a ela.
A Embaixadores da Alegria faz isso do modo mais brasileiro possível: com tamborim, fantasia, canto coletivo — e com a certeza de que alegria pode ser, também, uma forma de justiça.
Referências (links)
Site oficial — Embaixadores da Alegria: https://embaixadoresdaalegria.com.br/
Institucional (história, missão e premiação): https://embaixadoresdaalegria.com.br/institucional/
Projeto “Desfile Acessível”: https://embaixadoresdaalegria.com.br/projeto/desfile-acessivel/
Reportagem (20 anos / 2026): https://www.tribunadosertao.com.br/rj-em-foco/2026/01/19/846640-escola-de-samba-focada-na-inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-no-rio-completa-20-anos
Instituto Claro (PCDs no Carnaval; cita a Embaixadores): https://www.institutoclaro.org.br/cidadania/nossas-novidades/reportagens/desfiles-de-carnaval-tem-espaco-para-pessoas-com-deficiencia/
VEJA RIO (Carnaval 2025 / Desfile das Campeãs): https://vejario.abril.com.br/coluna/otavio-furtado/conheca-a-camisa-do-embaixadores-da-alegria/
FEAC (histórico e fundação): https://feac.org.br/dez-anos-de-embaixadores-da-alegria/
Instagram: https://www.instagram.com/embaixadoresdaalegria_/

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