No universo das Pessoas com Deficiência (PCDs), isso pode acontecer de forma ainda mais dolorosa: a pessoa aparece na foto, na campanha, no evento… mas a acessibilidade, o respeito e as oportunidades continuam faltando.
Como o tokenismo acontece com PCDs
1) A PCD “de vitrine”
A empresa ou instituição coloca uma pessoa com deficiência em destaque — em postagens, vídeos, folders, solenidades — para passar a mensagem: “Olha como somos inclusivos!”
Mas, na prática, o cotidiano não muda: falta rampa, falta elevador, falta tecnologia assistiva, falta treinamento, falta acolhimento.
2) Inclusão sem acessibilidade é exclusão disfarçada
Quando a pessoa é “convidada” a participar, mas:
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o evento não tem intérprete de Libras;
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o vídeo não tem legendas;
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o conteúdo não tem audiodescrição;
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o espaço não é acessível;
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o material é incompatível com leitor de tela;
o recado é duro: “Você pode estar aqui, desde que não dê trabalho.”
Isso não é inclusão. É presença simbólica.
3) “Você representa todos”
Outra face do tokenismo é transformar uma única PCD em “porta-voz” de todas as deficiências e de todas as experiências.
A pessoa fica sobrecarregada: precisa explicar tudo, revisar tudo, ensinar tudo, resolver tudo — muitas vezes sem reconhecimento e sem remuneração.
4) A PCD entra, mas não cresce
Há lugares que até contratam PCD, mas:
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não oferecem plano de desenvolvimento;
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não promovem;
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colocam sempre nas mesmas funções;
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não adaptam processos;
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ignoram barreiras atitudinais.
Quando não há caminho de crescimento, a inclusão vira um “número” e não um compromisso.
O problema não é “ter PCD”. É ter só para constar.
O tokenismo cria uma ilusão perigosa: dá a impressão de que “a questão da deficiência está resolvida”, quando, na verdade, a estrutura continua excludente.
E isso afeta não só quem foi tokenizado, mas também outras PCDs que poderiam entrar e permanecer — se existissem condições reais.
Como reconhecer inclusão de verdade
Incluir de verdade é quando a PCD não é “o símbolo” do lugar, mas uma pessoa entre outras, com respeito e oportunidades. Alguns sinais claros:
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Acessibilidade como regra, não como favor.
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Mais de uma PCD na equipe, em áreas diferentes e em cargos diferentes.
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Escuta desde o planejamento (não no final, para “validar”).
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Recursos garantidos: tecnologia assistiva, adaptações, comunicação acessível, mobilidade.
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Cultura e atitudes: formação contínua para combater capacitismo e “piadas” disfarçadas.
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Crescimento real: metas de contratação, retenção, promoção e desenvolvimento profissional.
Um alerta necessário
Toda vez que a inclusão aparece só na propaganda, mas não aparece no acesso, no respeito, no salário digno, na autonomia e na chance de crescer, algo está errado.
E esse “algo” tem nome: tokenismo.
O combate ao tokenismo passa por uma ideia simples, porém transformadora: PCD não é decoração de diversidade. PCD é cidadania.
Para refletir
Você já viu alguma situação em que uma PCD foi chamada apenas para “cumprir tabela”?
Compartilhe sua experiência (com ou sem nomes). A conversa — quando feita com responsabilidade — ajuda a abrir caminhos.

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