quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Tokenismo e Pessoas com Deficiência: quando a inclusão vira vitrine

Existe uma palavra que tem aparecido cada vez mais nas conversas sobre diversidade: tokenismo. Em termos simples, tokenismo é quando uma instituição “inclui” uma pessoa de um grupo historicamente excluído apenas para mostrar que inclui, mas sem garantir participação real, condições de permanência e mudanças concretas.

No universo das Pessoas com Deficiência (PCDs), isso pode acontecer de forma ainda mais dolorosa: a pessoa aparece na foto, na campanha, no evento… mas a acessibilidade, o respeito e as oportunidades continuam faltando.




Como o tokenismo acontece com PCDs

1) A PCD “de vitrine”

A empresa ou instituição coloca uma pessoa com deficiência em destaque — em postagens, vídeos, folders, solenidades — para passar a mensagem: “Olha como somos inclusivos!”
Mas, na prática, o cotidiano não muda: falta rampa, falta elevador, falta tecnologia assistiva, falta treinamento, falta acolhimento.

2) Inclusão sem acessibilidade é exclusão disfarçada

Quando a pessoa é “convidada” a participar, mas:

  • o evento não tem intérprete de Libras;

  • o vídeo não tem legendas;

  • o conteúdo não tem audiodescrição;

  • o espaço não é acessível;

  • o material é incompatível com leitor de tela;

o recado é duro: “Você pode estar aqui, desde que não dê trabalho.”
Isso não é inclusão. É presença simbólica.

3) “Você representa todos”

Outra face do tokenismo é transformar uma única PCD em “porta-voz” de todas as deficiências e de todas as experiências.
A pessoa fica sobrecarregada: precisa explicar tudo, revisar tudo, ensinar tudo, resolver tudo — muitas vezes sem reconhecimento e sem remuneração.

4) A PCD entra, mas não cresce

Há lugares que até contratam PCD, mas:

  • não oferecem plano de desenvolvimento;

  • não promovem;

  • colocam sempre nas mesmas funções;

  • não adaptam processos;

  • ignoram barreiras atitudinais.

Quando não há caminho de crescimento, a inclusão vira um “número” e não um compromisso.


O problema não é “ter PCD”. É ter só para constar.

O tokenismo cria uma ilusão perigosa: dá a impressão de que “a questão da deficiência está resolvida”, quando, na verdade, a estrutura continua excludente.
E isso afeta não só quem foi tokenizado, mas também outras PCDs que poderiam entrar e permanecer — se existissem condições reais.


Como reconhecer inclusão de verdade

Incluir de verdade é quando a PCD não é “o símbolo” do lugar, mas uma pessoa entre outras, com respeito e oportunidades. Alguns sinais claros:

  • Acessibilidade como regra, não como favor.

  • Mais de uma PCD na equipe, em áreas diferentes e em cargos diferentes.

  • Escuta desde o planejamento (não no final, para “validar”).

  • Recursos garantidos: tecnologia assistiva, adaptações, comunicação acessível, mobilidade.

  • Cultura e atitudes: formação contínua para combater capacitismo e “piadas” disfarçadas.

  • Crescimento real: metas de contratação, retenção, promoção e desenvolvimento profissional.


Um alerta necessário

Toda vez que a inclusão aparece só na propaganda, mas não aparece no acesso, no respeito, no salário digno, na autonomia e na chance de crescer, algo está errado.
E esse “algo” tem nome: tokenismo.

O combate ao tokenismo passa por uma ideia simples, porém transformadora: PCD não é decoração de diversidade. PCD é cidadania.


Para refletir

Você já viu alguma situação em que uma PCD foi chamada apenas para “cumprir tabela”?
Compartilhe sua experiência (com ou sem nomes). A conversa — quando feita com responsabilidade — ajuda a abrir caminhos.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

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