Evolução não é escala de valor humano
Existe um erro comum (e perigoso) ao usar a palavra “evolução” no dia a dia: achar que evolução é uma espécie de “ranking”, como se algumas pessoas fossem “mais avançadas” do que outras. Para quem vive com deficiência, isso machuca porque a sociedade já costuma medir valor humano por produtividade, aparência, velocidade, força, “normalidade”.
A melhor lição, aqui, é simples: diferença não é inferioridade. A diversidade é parte natural da vida — e isso inclui diferentes corpos, sentidos, ritmos e formas de aprender e existir.
Quando o ambiente muda, o peso da limitação muda também
Uma perspectiva que dialoga muito com a vivência de PCDs é perceber que o contexto faz toda a diferença. Na prática, muitas barreiras não estão “na pessoa”, mas no mundo mal planejado.
Uma calçada sem piso tátil e sem sinalização acessível transforma deslocamento em risco. Um site sem acessibilidade digital transforma informação em exclusão. Um atendimento sem escuta e sem recursos adequados transforma um direito em humilhação.
Por isso, falar do Dia de Darwin, para nós, pode ser falar de uma “evolução” concreta e urgente: acessibilidade como adaptação inteligente do ambiente e inclusão como escolha ética de convivência.
Um alerta necessário: quando a ciência é distorcida
Também é importante reconhecer um ponto delicado: ao longo da história, ideias sobre evolução foram deturpadas para justificar preconceitos e políticas de exclusão (como o darwinismo social e projetos eugenistas). Isso mostra uma verdade dura: ciência sem ética pode ser usada para ferir.
O Dia de Darwin, então, também pode ser um chamado para defender a ciência com responsabilidade — e para combater qualquer tentativa de usar “biologia” como desculpa para desumanizar.
O que a ciência inspira de positivo para pessoas com deficiência
Ao mesmo tempo, a ciência é uma aliada poderosa da inclusão. Basta pensar em tecnologias assistivas, adaptações e recursos que ampliam autonomia: leitores de tela, próteses, bengalas, aplicativos de navegação, comunicação alternativa, acessibilidade arquitetônica e digital.
Tudo isso lembra que a humanidade não avança apenas por competição: avança por cooperação, criatividade e compromisso social.
Conclusão: a evolução que precisamos acelerar
Celebrar o Dia de Darwin, na perspectiva de uma pessoa com deficiência, não é celebrar “a lei do mais forte”. É celebrar a vida como ela é: plural, diversa, rica em diferenças.
E se existe uma evolução que precisamos acelerar, é a do nosso olhar e das nossas práticas: um mundo que caiba em mais pessoas, com mais dignidade, menos barreiras e mais respeito.
Fontes e links
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International Darwin Day Foundation (Darwin Day – 12 de fevereiro).
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“Darwin Day” (visão geral e data comemorativa).
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Jardim Botânico do Rio de Janeiro: nota sobre o Dia de Darwin e programação.
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Museu de Zoologia da USP: “Darwin Day Brasil”.

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