terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Cientista brasileira lidera pesquisa que devolveu parte dos movimentos a seis pessoas com lesão medular

Uma pesquisa desenvolvida em universidade pública brasileira, em parceria com a indústria farmacêutica nacional, voltou a chamar atenção por um motivo raro (e profundamente humano): seis pessoas com lesão medular completa apresentaram recuperação de movimentos em diferentes graus após receberem um tratamento experimental aplicado diretamente na área lesionada da medula espinhal. A linha de pesquisa é liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, e envolve uma substância conhecida como polilaminina (ou polylaminin), produzida a partir de proteínas presentes na placenta. [1][2]

Para a comunidade de pessoas com deficiência (PCDs) — especialmente quem vive com paraplegia e tetraplegia — a notícia traz esperança, mas também exige cuidado: não se trata de “cura”, nem de tratamento disponível ao público. É ciência em etapa inicial, com critérios rígidos, necessidade de novos estudos e validação regulatória.


O que foi observado até aqui

De acordo com relatos divulgados em reportagens e comunicados institucionais, o grupo acompanhou pacientes com lesão medular completa (classificação A), em geral em contexto de trauma recente. Em um conjunto inicialmente citado como oito casos, dois pacientes não sobreviveram às consequências do trauma; entre os seis sobreviventes, houve ganhos motores variáveis — desde movimentos em membros inferiores, melhora de tronco e membros superiores, até maior controle funcional para atividades do dia a dia. [1][2]

Um ponto importante, especialmente para evitar desinformação: os próprios textos de divulgação destacam que a recuperação, quando ocorreu, foi gradual e esteve associada a reabilitação intensa. A história pública mais conhecida é a de um paciente que relata ter começado com um pequeno movimento do dedão do pé, semanas após o procedimento, e evoluído ao longo do tempo. [1][2]


O que é a polilaminina e por que ela interessa

A explicação mais repetida pelos pesquisadores parte de um conceito simples: em uma lesão medular, a “via” que leva o comando do cérebro ao corpo é interrompida. A proposta do grupo é que a polilaminina ajude a reorganizar o ambiente da lesão, favorecendo que neurônios “abram caminho” para restabelecer, ao menos parcialmente, a comunicação interrompida. [1]

A substância se inspira na laminina, proteína muito presente em fases iniciais do desenvolvimento e ligada à organização de tecidos e comunicação celular. O trabalho descreve a produção, em laboratório, de uma espécie de “malha” (estrutura) capaz de atuar no local da lesão quando aplicada de forma direta na medula. [1][2]


O que mudou em janeiro de 2026: Anvisa autorizou o estudo clínico de Fase 1

O passo mais concreto e recente é regulatório: em 5 de janeiro de 2026, foi anunciada a autorização da Anvisa para o estudo clínico de Fase 1, com foco em avaliar segurança (não eficácia). Nessa fase, devem participar cinco voluntários, com lesão aguda completa na medula torácica (T2 a T10), ocorrida há menos de 72 horas, e com indicação cirúrgica. Os locais de realização ainda seriam definidos e informados posteriormente. [3][4][5]

Esse detalhe é essencial: a autorização não significa que o tratamento “está aprovado”. Significa que a pesquisa entrou no caminho formal para, passo a passo, responder o básico que toda pessoa tem direito de exigir: é seguro? em quais condições? com quais riscos? Só depois vem a pergunta sobre eficácia, normalmente em fases seguintes. [4][5]


Por que o Cantinho dos Amigos Especiais acompanha esse tema de perto

Porque lesão medular não é apenas um diagnóstico: é uma mudança brusca na vida, com impacto em autonomia, trabalho, mobilidade, acessibilidade, renda, saúde mental, vida familiar e participação social. Quando a ciência aponta possibilidades de recuperar função — mesmo que parcialmente — ela toca diretamente em inclusão e dignidade.

Mas há um segundo motivo: informação confiável protege pessoas com deficiência. Em temas de grande repercussão, surgem rapidamente boatos, falsas clínicas, promessas milagrosas e “atalhos” perigosos. O que existe hoje é um tratamento experimental, com critérios e etapas. Fora disso, o risco de exploração (financeira e emocional) é real.


Um alerta necessário: esperança com responsabilidade

  1. Não é um tratamento disponível para qualquer pessoa, nem “para todo tipo de lesão”. A própria autorização regulatória descreve critérios específicos (lesão aguda, janela de até 72h, segmento torácico T2–T10, etc.). [4][5]

  2. Fase 1 avalia segurança, não prova eficácia. [4][5]

  3. Uso compassivo e decisões judiciais podem existir em situações excepcionais, mas não substituem ciência e regulação — e sempre envolvem debate ético e risco. [6]

O que cabe a nós, como sociedade, é torcer pela pesquisa, cobrar investimento público e transparência, e defender que, se um dia houver comprovação e registro, o acesso seja equitativo, inclusive pelo SUS, sem deixar PCDs para trás.


Referências e perfis dos envolvidos (somente para consulta)

Referências (fontes)

[1] Registro de notícia (ReBEC/Ensaios Clínicos – gov.br) com resumo de reportagem do Jornal Nacional (G1) e descrição do estudo e do caso de Bruno Drummond de Freitas.
[2] Conselho Federal de Farmácia (CFF) – texto de divulgação sobre polilaminina e contexto do estudo na UFRJ.
[3] Ministério da Saúde (gov.br) – anúncio de aprovação do estudo clínico com polilaminina (Fase 1).
[4] Anvisa (gov.br) – nota sobre autorização de pesquisa clínica e foco em segurança na Fase 1.
[5] Agência Brasil (EBC) – cobertura do anúncio com Ministério da Saúde e Anvisa (05/01/2026).
[6] TRF3 – notícia sobre autorização judicial de uso compassivo (contexto e limites).

Perfis oficiais (redes sociais)


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

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