Segundo a Câmara, o texto aprovado é a versão apresentada pela relatora, deputada Rogéria Santos, para o PL 342/2024, de autoria do deputado Raniery Paulino. A proposta determina que hospitais de médio e grande porte ofereçam condições de comunicação acessível a pacientes surdos ou com deficiência auditiva em momentos críticos de atendimento.
O projeto prevê que esse suporte possa ser feito com intérprete presencial ou por meio de solução remota, como videochamada, o que amplia as possibilidades de implementação e reduz a dependência de presença física imediata no local. A proposta também menciona a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde em Libras, reforçando que inclusão não depende só de tecnologia, mas também de preparo humano e institucional.
Na prática, a medida toca em um problema muito real. Em uma consulta eletiva, a falta de acessibilidade já é grave. Mas, em um pronto-socorro ou em uma emergência hospitalar, ela pode ser ainda mais cruel. Quando a pessoa surda não consegue explicar o que está sentindo, entender orientações médicas ou responder a perguntas básicas sobre sintomas e histórico de saúde, o atendimento se torna mais inseguro, mais angustiante e menos digno. Essa leitura é uma inferência coerente com o objetivo do projeto e com a natureza do atendimento de urgência.
Para o Cantinho dos Amigos Especiais, essa é uma pauta que merece atenção especial porque mostra como acessibilidade não é luxo nem detalhe. Em saúde, comunicação é parte do cuidado. Garantir Libras em situações de urgência significa reconhecer que o paciente surdo não pode depender da sorte, da presença eventual de um familiar ou da improvisação da equipe para ser atendido adequadamente.
Outro ponto importante é que a proposta ainda não virou lei. Depois da aprovação na Comissão de Saúde, o projeto seguirá para outras etapas de tramitação na Câmara. Mesmo assim, o avanço já é relevante porque coloca no centro do debate um tema que costuma ser invisibilizado: a acessibilidade comunicacional em momentos de vulnerabilidade extrema.
Também vale observar que o uso de intérprete remoto já aparece em experiências concretas de atendimento público, como o suporte em Libras oferecido pelo Poupatempo em São Paulo. Isso sugere que a proposta discutida na Câmara não está desconectada da realidade tecnológica atual e pode dialogar com soluções já em uso no serviço público. Essa observação é uma inferência baseada em iniciativa oficial já divulgada no estado de São Paulo.
No fim das contas, a aprovação em comissão reforça uma ideia simples e poderosa: em um hospital, ser compreendido também faz parte do direito à saúde. E quando esse direito não é garantido, a exclusão pode acontecer justamente no momento em que a pessoa mais precisa de acolhimento, rapidez e cuidado.
Fontes
Agência Câmara Notícias — notícia oficial sobre a aprovação do projeto que prevê intérprete de Libras em urgência e emergência hospitalar, publicada em 5 de maio de 2026.
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo — exemplo de atendimento público com suporte em Libras por vídeo, disponível no Poupatempo.

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