A Doença de Parkinson é mais conhecida pelos sintomas motores, como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos. Porém, ela também pode afetar a memória, a atenção, o raciocínio e outras funções cognitivas ao longo do tempo. Em alguns pacientes, isso evolui para um quadro chamado demência da doença de Parkinson. Ou seja: o Parkinson pode, sim, vir acompanhado de demência, principalmente nas fases mais avançadas, mas essa demência nem sempre é o Alzheimer clássico.
Nesse ponto entra uma informação muito importante: a demência associada ao Parkinson costuma ter ligação mais próxima com a chamada demência por corpos de Lewy. Segundo o Instituto Nacional sobre Envelhecimento dos Estados Unidos, a demência por corpos de Lewy inclui dois diagnósticos relacionados: demência com corpos de Lewy e demência da doença de Parkinson. Essas condições compartilham alterações cerebrais ligadas à proteína alfa-sinucleína, o que ajuda a explicar por que elas se parecem em vários aspectos.
Ao mesmo tempo, os especialistas reconhecem que pode haver sobreposição entre doenças neurodegenerativas. Em outras palavras, algumas pessoas apresentam no cérebro alterações típicas de mais de um tipo de demência. A Associação de Alzheimer informa que muitas pessoas com demência por corpos de Lewy ou com demência da doença de Parkinson também apresentam placas e emaranhados, alterações tradicionalmente associadas ao Alzheimer. É isso que os médicos chamam de demência mista.
E no caminho inverso? Quem tem Alzheimer costuma desenvolver Parkinson? A resposta é: não como regra. O que pode acontecer é que, em pessoas idosas, diferentes processos neurodegenerativos coexistam. Além disso, alguns sintomas podem se confundir, e certos quadros clínicos compartilham alterações cerebrais e fatores de risco. Por isso, em vez de pensar que uma doença “vira” a outra, é mais correto entender que elas podem ter pontos de contato, sobreposição de sintomas e, em alguns casos, presença simultânea.
Uma diferença clínica importante ajuda os médicos a distinguir melhor esses quadros. De acordo com o NINDS, na demência da doença de Parkinson, os sintomas cognitivos aparecem mais de um ano depois do início dos sintomas motores do Parkinson. Já na demência com corpos de Lewy, os problemas de raciocínio, atenção e percepção costumam aparecer antes ou muito próximos dos sintomas de parkinsonismo. Esse detalhe não resolve tudo sozinho, mas ajuda bastante no diagnóstico.
Para as famílias e cuidadores, o mais importante é observar os sinais com atenção. Em uma pessoa com Parkinson, merecem avaliação médica sintomas como piora importante de memória, confusão, alucinações, dificuldade crescente para organizar pensamentos, desatenção acentuada e perda de autonomia. Esses sinais não devem ser vistos como “coisa normal da idade”, mas como sinais que precisam de investigação profissional.
Em resumo, há relação entre Parkinson e Alzheimer, mas ela não é simples nem automática. O Parkinson pode evoluir com demência, muitas vezes mais ligada ao espectro dos corpos de Lewy do que ao Alzheimer puro. Por outro lado, Alzheimer e Parkinson podem coexistir no mesmo paciente, especialmente em quadros mistos. Por isso, o acompanhamento com neurologista ou geriatra é essencial para buscar um diagnóstico mais preciso, orientar o tratamento e dar mais qualidade de vida à pessoa atendida e à sua família.
Referências
National Institute on Aging (NIA). Lewy Body Dementia: Causes, Symptoms, and Diagnosis.
National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS). Dementias.
National Institute on Aging (NIA). Alzheimer’s & Related Dementias: Risk Factors, Genetics, and More.
Alzheimer’s Association. Dementia with Lewy bodies (DLB) | Symptoms & Causes.
National Institute on Aging (NIA). Genetic study of Lewy body dementia supports ties to Alzheimer’s and Parkinson’s diseases.
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
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