sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Estereotipias na deficiência visual: o que são, por que acontecem e como conviver com respeito

Quem convive com pessoas cegas ou com baixa visão pode notar alguns movimentos repetitivos, padrões de postura ou gestos “automáticos” que parecem não ter um objetivo claro. Esses comportamentos são chamados de estereotipias (ou “maneirismos”) e, na deficiência visual, muitas vezes estão ligados à forma como o cérebro busca regular sensações, organizar a atenção e reduzir ansiedade em ambientes cheios de estímulos ou, ao contrário, muito monótonos. Importante: estereotipias não são “frescura”, nem sinal de “descontrole” moral; em geral, são estratégias involuntárias (ou semi-involuntárias) de autorregulação.

A seguir, algumas estereotipias comuns associadas à deficiência visual — lembrando que cada pessoa é única: pode apresentar algumas, nenhuma, ou padrões diferentes.

1) Balançar o corpo (rocking)

É o movimento rítmico de balanço do tronco, para frente e para trás ou para os lados, sentado ou em pé. Pode aparecer em momentos de espera, cansaço, ansiedade ou concentração. Utilidade: ajuda a regular o nível de alerta do corpo, organiza a atenção e pode trazer sensação de segurança — como um “marcapasso” interno que acalma e dá previsibilidade ao corpo.

2) Movimento repetitivo das mãos (abanar, agitar, “flapping”)

Algumas pessoas fazem movimentos rápidos e repetidos com as mãos, dedos ou punhos, às vezes perto do rosto ou do corpo. Utilidade: pode funcionar como descarga de tensão, forma de manter foco ou resposta a estímulos emocionais (euforia, ansiedade, frustração). Para alguns, é um modo eficaz de “centrar” a mente quando há muito ruído ao redor.

3) Pressionar ou friccionar os olhos (eye-pressing)

A pessoa pressiona levemente (ou às vezes com mais força) as pálpebras, esfrega a região dos olhos ou faz contato repetitivo com a órbita ocular. Utilidade: em algumas condições, a pressão pode gerar sensações visuais internas (fosfenos) e também pode ser um recurso de autorregulação sensorial. Atenção: quando frequente/intenso, pode trazer risco de irritação, lesões e piora de condições oculares — por isso, merece observação cuidadosa e orientação profissional.

4) Olhar fixo, “olhar fora do alvo” e movimentos oculares repetidos

Em baixa visão (e mesmo em alguns casos de cegueira), pode haver fixação prolongada, olhar aparentemente “perdido” ou movimentos repetidos dos olhos. Utilidade: o cérebro tenta “varrer” o ambiente com o recurso visual disponível, buscar contraste, luz, formas, ou simplesmente manter uma referência espacial. Também pode ser uma forma de reduzir ansiedade diante de ambientes desconhecidos.

5) Movimentos repetitivos de cabeça (virar, inclinar, sacudir levemente)

Algumas pessoas movem a cabeça de forma repetida, inclinam para um lado ou fazem pequenos “chacoalhos” sutis. Utilidade: isso pode ajudar a localizar sons, compensar limitações do campo visual, melhorar a percepção de luz/contraste ou aliviar tensão cervical. Em certas situações, é uma maneira de “ajustar” o corpo para captar melhor o que o ambiente oferece.

6) Vocalizações repetitivas (humming, sons curtos, repetição de palavras)

Pode ser um cantarolar baixo, um som contínuo (hum), estalos, ou repetição de palavras/frases. Utilidade: vocalizações podem diminuir ansiedade, manter o ritmo interno, ajudar na concentração e, às vezes, mascarar ruídos que incomodam. Também podem funcionar como sinal de que a pessoa está se organizando mentalmente durante deslocamentos ou espera.

7) Estalar dedos, bater levemente em objetos ou tamborilar

São batidas rítmicas com dedos, mãos ou pés, ou pequenos toques repetidos em superfícies. Utilidade: o ritmo oferece previsibilidade e ajuda na autorregulação. Além disso, o toque pode trazer informações táteis e auditivas do ambiente (textura, posição, eco), funcionando como um “scanner” sensorial — mesmo que a pessoa nem sempre faça isso conscientemente.

8) Pular, dar pequenos saltos ou caminhar em círculos

Em especial em crianças (mas não só), pode aparecer a necessidade de andar em círculos, dar pulinhos ou repetir um trajeto curto. Utilidade: movimento é uma forma poderosa de organizar o sistema vestibular (equilíbrio) e diminuir inquietação. Em ambientes onde a pessoa se sente segura, repetir um caminho pode dar sensação de controle, mapa mental e conforto.


Conclusão: como reagir corretamente às estereotipias

A atitude mais importante de quem convive com pessoas com deficiência visual é trocar julgamento por compreensão. Em vez de repreender, expor, ironizar ou tentar “consertar” o comportamento à força, o ideal é observar: a estereotipia aparece por ansiedade? Fadiga? Ambientes barulhentos? Espera prolongada? Muitas vezes, ela tem função de autorregulação e interrompê-la bruscamente pode aumentar estresse, irritação e insegurança. Se o comportamento não traz risco, o melhor caminho é respeitar e oferecer um ambiente mais confortável (reduzir barulho, explicar o que está acontecendo, dar previsibilidade, permitir pausas). Se houver risco físico (por exemplo, pressão ocular intensa, autoagressão, quedas), a abordagem correta é protetiva e discreta, buscando alternativas mais seguras de regulação (objeto tátil, pausa, respiração guiada) e, quando necessário, orientação de profissionais (oftalmologista, terapeuta ocupacional, psicologia, neurologia). Convivência respeitosa é isso: reconhecer que o corpo e o cérebro também comunicam necessidades — e que acolher, em vez de constranger, é uma forma concreta de inclusão.

Fontes e links



Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

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